quarta-feira, junho 01, 2011

O SUMIÇO DO RÁDIO DE PILHA


Quando cheguei ao Asilo um grupo de senhoras entretia os idosos com brincadeiras com grandes bolas, canções, danças, etc. Ao me verem chegar a "rapaziada" do Dominó veio para a mesa e nós começamos a jogar. Lá pelas tantas, quando as senhoras arrumavam as cadeiras para sair, "Thomas", meu primeiro parceiro de Dominó no Asilo, lembrou que tinha deixado o rádio dele em uma das cadeiras e foi pegá-lo.

Infelizmente, ele não mais encontrou o rádio. As senhoras ficaram preocupadas e começaram uma busca. Devido à idade, pediram ao "Thomas" para ele ir até o armário checar se ele não tinha esquecido o rádio lá. Ele foi mas o rádio não estava lá.

Rádio é algo muito valioso no Asilo. Quase todos os idosos possuem um rádio. Além das roupas e da cama, o rádio é uma das poucas expressões de individualidade ainda presentes nos internos. Do banheiro ao refeitório, da televisão às áreas de lazer e circulação, tudo é compartilhado entre os internos. Mas o rádio não, cada um tem o seu.

Por isso, pela manhã é comum vermos dezenas de velhinhos aquecendo-se ao sol e cada um deles com um rádio de pilha. Cada um sintonizado no programa que lhes agrada. Curioso é perceber que os rádios sempre estão no volume máximo. Claro, a razão disso é porque a maioria dos velhinhos não escuta bem. Assim, para ouvidos sãos, o pátio fica parecendo uma grande feira onde há muito barulho e não se entende nada.

"Thomas" voltou a jogar conosco. Mas o rádio ainda estava sumido. Depois de alguns minutos Irmã Joilma chegou dizendo que o rádio estava com Luzia - aquela do NÃO SEI PORQUE ME ABANDONARAM AQUI.

Luzia tinha colocado o rádio dentro das calças e tinha ido para o pátio. Coisa típica de quem sofre de problemas mentais, pois seria impossível para ela desfrutar do rádio do "Thomas" sem que ninguém percebesse.

"Juninha", que veio toda alegre porque o rádio foi encontrado disse ao "Thomas" para lavar o rádio porque ele estava fedendo, pois o local onde ele estava alojado não cheirava muito bem...

Quase morremos todos de rir...

A vida no Asilo também pode ser muito alegre.


Bjs Bento Souto

3 comentários:

Kika disse...

Vc é um fofo Bento ... é tão bom perceber o que está por trás de pequeninas coisas.
Beijos
KIKA

Tati Vice disse...

Ah eu amo radinho de pilha. Tenho um aqui que me acompanhou em varias horas. Eh, digamos, uma bosta, mas eh bom :)

Singeleza essa historia. Gosto tanto de vir aqui ler esses causos...Beijao, Bento!

Denise disse...

Ah! Que lindo a sua observação nas pequenas coisas, são elas que nos fazem grandes.