sexta-feira, maio 06, 2011

ENTRE DOIS AMORES

Dizem que um homem não pode amar duas mulheres ao mesmo tempo. Discordo. Dizem que os três não podem ser felizes num triângulo amoroso. Discordo também.

Quando eu nasci, fui batizado seguindo a tradição dos Católicos Romanos. Meus pais escolheram meu avô, Bento Souto, e minha tia, irmã de meu pai, Maria Daluz, como meu padrinho e minha madrinha.

Naquela época, padrinhos e madrinhas tinham a responsabilidade de ajudar os pais a cuidar dos afilhados. Ou, no caso da morte do pai, ou da mãe, assumir o afilhado como filho. Numa época em que Seguro de Vida era privilégio de poucos e a expectativa de vida dos brasileiros não chegava aos 50 anos de idade, os padrinhos e madrinhas eram a melhor maneira de garantir o futuro dos filhos

Sendo o primeiro filho dos 13 que meus pais tiveram -- dos quais 11 sobreviveram--, pude experimentar de fato o amor de minha mãe e de minha madrinha. Segundo os padrões da Organização Mundial de Saúde, nós não éramos pobres, mas, sim, "MISERÁVEIS". A Pobreza é relativa, segundo a OMS, mas a "MISÉRIA" é absoluta. Portanto, qualquer pessoa que viva numa família cuja renda per capita seja inferior a 1 Dólar americano por dia, é considerada "MISERÁVEL".

Por isso, minha madrinha entrou em ação logo que eu nasci. Foi ela quem saiu de Pedra Lavrada e veio trabalhar e morar em Campina Grande. Depois que ela se estabeleceu, foi arrumando trabalho para todos e acabou provocando o êxodo da família inteira, transformando agricultores em habitantes urbanos.

Meus pais e meus irmãos ficaram em Pedra Lavrada e eu vim morar com minha madrinha em Campina Grande. Ela se encarregou de tudo que eu precisava: roupas, escola, fardamento, livros, etc. Somente quando meus pais vieram morar em Campina Grande, uns cinco anos depois, é que eu me reuni a eles. Porém, minha madrinha nunca deixou de cuidar de mim.

O amor dela por mim era tão grande que eu suspeitei que ela fosse minha mãe. Eu tinha um amigo que era filho de "mãe solteira" e por isso pensei que eu também fosse. Claro, eu nunca disse isso pra ninguém até o dia em que ela ia ser operada de emergência para tentar remover um coágulo do cérebro, há uns quinze anos. Estando nos Estados Unidos e aquela podendo ser nossa última conversa, eu contei pra ela da minha suspeita e agradeci o amor dela. Graças a Deus, ela sobreviveu a cirurgia e nesse ano completa 80 anos. Minha mãe completa 70 e eu 50. Portanto, essa é uma história de 200 anos de Amor.

No entanto, o que eu quero enfatizar aqui não é apenas o amor da minha madrinha por mim. Eu também quero falar do amor da minha mãe por mim. Ela sempre me amou como se deve amar um filho. Ela amou querendo o meu bem e a minha felicidade. O amor de minha mãe nunca foi egoísta. Ela nunca demonstrou qualquer ciúme do amor de madrinha Maria por mim, ou do meu amor por madrinha. Naqueles dias, deixar eu morar com minha madrinha era investir naquilo que seria bom pra mim. Nunca vou esquecer das lágrimas que ela derramou quando eu parti para longe dela, aos 5 anos de idade. Minha mãe é o melhor exemplo que conheço do que é amar.

Claro, esse triângulo amoroso só é possível porque minha Mãe e minha Madrinha se amam de verdade.










Eu ser o mais filho mais velho e chamar ela de Madrinha fez com que todos os meus irmãos também chamassem ela de Madrinha. Porém, eles e eu também tivemos uma outra mãe, que é tia Tetê, irmã de Madrinha Maria.





Elas nunca casaram e todos nós vivemos por algum tempo na casa delas. Minha irmã, Jeane, também foi tão amada por elas que há poucos anos comprou a casa vizinha a delas para poder ficar perto e cuidar delas.

Ou seja, minha mãe me amou como se deve amar um filho e minha madrinha me amou como se deve amar um afilhado. Realmente, eu sou Bento -- aquele que é abençoado. Portanto, nesse Dia das Mães, eu presto minha homenagem a vocês duas e rendo louvores a Deus pelo amor de vocês por mim.

Enfim, a OMS pode dizer que eu era "MISERÁVEL". Contudo, eu jamais trocaria o Amor de vocês por nenhuma das coisas que a OMS diz ser necessário para alguém deixar de ser "MISERÁVEL".

Obrigado, Jesus, por teres me dado o Amor da minha Mãe, da minha Madrinha e ainda o de Tia Tetê.

FELIZ DIA DAS MÃES


Bento Souto

8 comentários:

Noemí disse...

AMAMOS

gracinha disse...

Muito lindo, a expressão de um amor incondicional, sem medidas,sem interesses, só encontramos verdadeiramente numa mãe, e só sabemos disso infinitamente quando somos ou estamos nessa posição.Parabéns Mães.

gracinha disse...

É Bento, Madrinha e mãe, são figuras bem parecidas, realmente pode existir um amor a três.

Edijane disse...

A falta de amor, é maior de todas amisérias.Por isso nós da família Souto fomos e somos uma família milionária.
Essas matriarcas nos ensinaram o maior valor que é a família.
Concordo com tudo que voce escreveu e faço minhas as palavras de popó. bjs.

Paty Blsas e Acessorios disse...

Gente, queria eu saber escrever tão lindo como Bento para reforçar esta mensagem, amei de coração tudo o que ele disse, sou testemunha é tudo muito verdadeiro, depois de minha mãe, que foi uma mulher valiosíssima, vem minha madrinha maria e minha tia tetê, eu como subrinha mais velha, soube muito bem o que ela representaram para mim, tenho lembranças para lá de maravilhosas, marcantes, brilhantes, e até hoje essas pessoinhas, continuam as mesmas de quando eu ia para a casa delas todos os dias, tendo já um vestido milindrosa lá guardado para eu vesti quando chegasse da escola.
Bento amo muito, mas muito mesmo essa duas mulheres que souberam ser tão mãe como as nossas, as vezes até mais compreensiva, amigas, quando não existia ainda o livro Ágape, elas já evangelhizavam os sobrinhos como só elas sabiam fazer.
Um FELIZ DIA DAS MÃES para ELAS, JURILA E TODAS AS PRIMAS QUE TAMBÉM SÃO MÃES.
E a Você PARABÉNS por esta tão linda mensagem.

Um grande abraço da prima FATIMA SOUTO

Pollyane disse...

Corrigindo:
Lindíssima mensagem, uma verdadeira declaração de amor para as duas. Só aconselho a dar um remedinho para controlar a pressão delas, antes de mostrá-las, por precaução (kkkk)
Na verdade, Mainha não demonstra que sabe amar só como Mãe, o exemplo maior que ela nos dá, SEMPRE, é de como se deve amar ao próximo.

jtarginodesouto disse...

Uma omenagem muito linda, sua mãe e Daluz são duas pessoas maravilhosas,por isso que ela não tinha ciume do amor de Daluz,porque ela tinha certeza do amor de mãe e filho entre vcs dois. E uma mãe fica muito feliz qundo seu filho é amado.

Missionária Bella Dourado disse...

Adorei seu blog vou ficar por aqui.
Estive lendo seu texto "... feliz para sempre" na conexão da graça e ri muito , uma bela crônica.

Quanto ao amor incondicional a minha opinião sobre afilhados é:
Jamais aceitarei uma criança para fazer bonito seja na igreja católica ou testemunhas de apresentação, para mim como madrinha eu me sinto na responsabilidade de ajudar a educar e graças a Deus até agora com dificuldades ou não estou deixando para todos a herança de terem coragem e não desistirem dos sonhos e faço de tudo para que todos estudem e sejam excelentes alunos e seres humanos dignos na sociedade.


abraços