terça-feira, março 01, 2011

EDILSON BRAGA, O LOUCO DE DEUS

Se Dona Luizinha deixou marcas indeléveis em minha capacidade de aprendizado, Pr. Edilson de Holanda Braga ensinou-me "como crescer no conhecimento e na graça do Senhor" através do método mais eficiente que se tem notícia -- o exemplo.

Em 1992, quando íamos ao Chile, numa caravana de pastores batistas (só eu de leigo) para um trabalho promovido pela Junta de Missões Mundiais, ouvi Pr. Eli Fernandes contando uma das "loucuras" do Pr. Edilson. Eles (Eli e Edilson) eram jovens seminaristas e estavam participando da Primeira Transtotal -- um esforço evangelístico no estado do Pará, em localidades próximas a Rodovia Transamazônica. Eli conta que viajavam numa "Rural velha", ele, Edilson e Gérson Matos (outro seminarista). Em dado momento, Edilson Braga, que conduzia o veículo, deixou a Rodovia Transamazônica -- que já era uma temeridade devido as péssimas condições de tráfego -- e entrou numa das estradas vicinais começando a adentrar cada vez mais na mata. Eli e Gérson perguntavam o por quê daquilo, e Edilson respondia que "sentia que Deus quer que eu vá por aqui". O temor de que aquilo fosse uma "loucura" começou a crescer em Eli e Gérson pois a noite se aproximava e se a velha Rural tivesse um problema ou atolasse eles teriam que dormir no "meio do mato" pois não havia viva alma naquela vicinal. Edilson continou mata adentro até que parou em frente a uma casa que ficava às margens da estrada. "Deus manda que nós paremos aqui. É naquela casa", disse Edilson. Ao iniciarem a conversa com os moradores daquela casa, ficaram sabendo que todos eles haviam se convertido ouvindo rádio (talvez a Transmundial) e estavam orando para que "Deus enviasse alguém até eles".

Assim é Edilson de Holanda Braga, um "louco de Deus"! Eu já havia ouvido esta mesma narrativa contada do mesmo jeito por Pr. Gérson Matos e Eli Fernandes confirmava que a mesma não fora "um delírio para glória de Deus". "Louco de Deus" foi a definição que Reis Pereira encontrou para definir Edilson Braga. Eu também tive o privilégio de compartilhar dessa "loucura santa"! Quando Deus fez com que o meu caminho cruzasse o de Edilson Braga, providenciou para que nunca mais eu fosse o mesmo.

O meu ateísmo era muito mais fruto de uma escolha espiritual do que uma aversão a "burrice dos religiosos", apesar de que essa última contribuía também. Minha mãe não conseguia explicar por que se o meu irmão mais novo morresse sem ser batizado iria para um lugar diferente do outro que era um ano mais velho e era batizado. "Se todos dois são incapazes de andar, comer sozinhos, falar ou cumprir qualquer tarefa, e um irá para o céu e o outro para o 'limbo' porque vocês não o levaram para ser batizado, acho que esse Deus que vocês crêem não é justo e pende para a idiotice, pois se alguém merece ser punido pelo mais novo não ser batizado, são vocês e não ele", era o meu arrazoado.

Com os "crentes" a situação não era diferente. O primeiro que tentou me evangelizar, num dormitório de uma das construtoras da Hidroelétrica de Tucuruí, foi um fracasso. Depois de ouvi-lo falar por um pouco, perguntei: "e os discos voadores? e as pirâmides?", com interesse de saber o que ele pensava e não em invalidar o que ele havia exposto. "Não dêem ouvidos a isso, pois isso é coisa do diabo", foi a resposta dele, virando as costas para mim e se dirigindo aos meus dois companheiros de quarto. "Pois caia fora daqui senão o diabo vai mandar a mão no seu pé-do ouvido" foi a minha reação. Se ele tivesse tido a honestidade de dizer "sobre isso eu não sei nada, mas o que eu sei sobre Jesus talvez você não saiba", possivelmente teria ganho a minha amizade.

Com Edilson Braga o contato foi diferente. Quando eu apareci, já convertido, tendo lido toda a Bíblia, e fazendo perguntas, obtive o exemplo como resposta. Nunca senti nenhum medo da parte dele em me deixar brincar com os seus filhos, ou de me levar para sua casa para comermos ovo com farinha, apesar de todos saberem da minha ex-dependência das drogas. Edilson Braga se assemelhava muito a Barnabé. Ninguém confiava em Saulo de Tarso, mas ele o recebia e encorajava, pois confiava mais em Deus do que nos homens. Quando manifestei ao Edilson Braga o desejo de trabalhar na igreja dirigindo uma Kombi que servia a obra missionária, ele não titubeou e aceitou na hora. Não só fez isso, como também investiu em meu próprio crescimento, dando-me livros para ler e surprendendo-me com oportunidades para dar o meu testemunho público perante não só a igreja, como também nas feiras e praças.

Edilson Braga sempre teve um comportamento considerado "louco". Quando terminou o curso no seminário, ele foi até a Junta Executiva da Convenção Batista do Pará e Amapá pedir ajuda para "abrir um trabalho" em Tucuruí. Nosso querido irmão Johnny Natananel Burnet, secretário executivo, seguindo os trâmites normais da Junta, disse que a Junta iria avaliar o pedido de Edilson e em seis meses daria a resposta. "Quando tiver a resposta o irmão mande lá para Tucuruí, pois eu e minha família estamos embarcando para lá, amanhã", foi a resposta dele. Seis meses depois, Edilson já havia conseguido formar uma congregação de mais de
100 pessoas que se reuniam num velho barracão de madeira coberto com telha "brasilit" (de cimento amianto) quente de fazer todos suarem. Aquilo era uma igreja "quente" de verdade. A Junta de Richmond resolveu ajudar e enviaram através do Dr. Burnet uma oferta para construir um pequeno templo.

Três meses após a oferta haver sido enviada, quando foram olhar o novo templo de tijolo e telha de barro, se surpreenderam mais uma vez. Edilson havia usado o dinheiro para comprar um terreno vinte vezes maior do que aquele onde se localizava a pequena congregação. Dez anos após essas "loucuras", quando a Convenção Batista do Pará e Amapá se realizou em Tucuruí, o maior prédio de cimento existente na cidade era a Primeira Igreja Batista de Tucuruí, com seus 150 lugares só para o Coral, e capacidade para mais de 1.500 pessoas no total. Essa igreja foi durante muitos anos (não sei se ainda é) a segunda maior igreja do estado do Pará, em número de membros e em contribuição para o plano cooperativo e ofertas de Missões.

Muito mais do que um homem de ação, Edilson Braga sempre foi um homem de visão. Foi com ele que eu aprendi que a obra é de Deus, e é Deus quem "trabalha até agora". Todos os dias, as 6:00 horas da manhã, eu ia pregar na feira-livre da cidade. Um detalhe, meu companheiro era um pastor da Igreja Cristã Evangélica do Brasil. Apesar de ser comprometidíssimo com os ideais batistas -- ele batizava pessoas em pleno Rio Tocantins, com direito a desfile em cima de caminhão, vestido de batas brancas (eu mesmo passei por isso)-- Edilson Braga sempre soube que o reino de Deus era maior que sua denominação. Nunca se recusou a ajudar um pastor ou irmão de outra denominação, até mesmo mostrando locais para que eles abrissem suas igrejas. Foi assim com a Igreja do Evangelho Quadrangular, em Belém do Pará, onde o líder máximo dessa denominação, missionário Josué Benção, seu amigo pessoal, começou a realizar cultos num local apresentado por Edilson Braga.

Edilson Braga cria no Deus a quem orava e na poder da palavra que pregava. Talvez não haja no Brasil nenhum pastor batista brasileiro que tenha distribuído tantos "Novo Testamento - O Mais Importante é o Amor" quanto Edilson Braga. As vezes chegavam caminhões desses livros e eram armazenados em salas de aula e onde mais pudesse abrigá-los do sol e da chuva. Pr. Fanini parece saber disso pois em 1983 quando a Associação Billy Graham convidou líderes do mundo inteiro para o seu Congresso em Amsterdã, Edilson Braga foi um dos poucos pastores batistas do Norte do Brasil a ser convidado.

Mas não havia preocupação apenas com o "lado espiritual" das pessoas. Todas as congregações da igreja em bairros pobres, como também nas dependências da PIB de Tucuruí, abrigavam uma escola para crianças carentes, o Projeto Casulo. Devido ao fato de Edilson Braga receber mais crianças do que era autorizado, as verbas para merenda escolar e materiais tornavam-se insuficientes. O problema era resolvido com mais uma "loucura". Lembro de quando ele me enviou a cidade de Sapé na Paraíba com a missão de comprar 15.000 abacaxis. Esse carregamento foi comprado com o dinheiro que o governo enviou para comprar a merenda escolar. Transcorrido o percurso de mais de 2.000 quilometros de distância entre as cidades de Sapé-PB e Tucuruí-Pa, tive a incumbência de vender os 15.000 abacaxis. Vários irmãos foram localizados em esquinas da cidade, com montes de abacaxis sendo vendidos aos traseuntes e pessoas que passavam de carro. Apesar do esforço, 15.000 abacaxis para uma cidade que tinha uma população menor que 30.000 habitantes era um exagero. Tive que ir vender abacaxis em outras cidades como Marabá e Curionopólis. Ao final daquela "loucura" havia dinheiro suficiente para alimentar todas aquelas crianças durante todo o ano!

Essa característica de "aumentar o dinheiro" destinado a obra do Senhor sempre foi uma característica dele. Lembro de muitas vezes, perto do dia de ofertas para missões, quando ele via um daqueles agricultores vendendo sua produção as margens da rodovia. Edilson Braga me fazia parar o veículo, comprava o que estivesse a venda; fossem mangas, cacau ou qualquer coisa comestível. Já em Tucuruí, no período da tarde, após os seus filhos haverem chegado da escola, ele os colocava para vender aquilo dizendo: "Filho, o papai tinha dez reais para dar a você para que você ofertasse para missões. Comprei isso, você agora vai vender e ao invés dos dez que o papai te deu, você vai poder ofertar 20 ou trinta, dependendo do caso". Talvez esse comportamento sejo o motivo de todos os seus filhos terem concluído curso superior e serem completamente dedicados a causa do Senhor. Sem mencionar que eles próprios se mantém, e faziam isso mesmo antes de completar dezoito anos.

Que eles próprios se mantenham, sempre foi um necessidade, pois Edilson Braga nunca pôs no bolso um salário da igreja que pastoreava. Receber, ele recebia, e fazia questão, mas imediatamente devolvia aos cofres da igreja em forma de oferta. Fazia isso pois dizia que os irmãos precisavam saber que "o obreiro é digno do seu salário", e que talvez aquele que o substituísse não fosse "negociante". Através desses gestos Edilson Braga estava demovendo de minha mente a idéia mercantilista dos líderes religiosos e me ensinando a depender de Deus para sobreviver. Ele também me dava uma lição de humildade, pois como ele não tinha salário, quem arcava com as despesas de casa era sua fiel esposa, Irmã Lídia Barros Braga, filha do Pr. Sóstenes Barros e da irmã Dalva Barros, verdadeiros baluartes dos batistas brasileiros. A irmã Lídia era a diretora geral de todas as escolas que a Eletronorte mantinha em Tucuruí.

Edilson Braga e sua família sempre tiveram um ardor missionário tremendo. Parece que ele tomou para si a responsabilidade de continuar a obra de Eurico Alfredo Nelson, missionário americano, a quem um historiador batista que escreveu sua biografia chamou de "o apóstolo da Amazônia". Existem inúmeras cidades no estado do Pará que possuem trabalho batista, graças a Deus e as "loucuras" de Edilson Braga. Carajás, Paraopebas, Curionopólis, Marabá, Repartimento, Breu Branco, Goianésia, etc., e muitas outras que são posteriores ao meu tempo, foram cidades que os métodos não-ortodoxos de Edilson Braga e o apoio das Juntas de Missões Estaduais e Nacionais ajudaram a estabelecer o trabalho batista. A maioria dos trabalhos nessas cidades foi iniciado por irmãos sem o menor preparo acadêmico.

Lembro especialmente do irmão Pedro Ciriano, semi-anafalbeto, que começou o trabalho batista em Curionopólis e em Paraopebas. A estratégia usada foi mais ou menos a seguinte. Pedro Ciriano viajou até aqueles vilarejos. Lá chegando, começou a procurar de casa em casa onde moravam os crentes. Achado um crente, duas perguntas básicas: frequentava alguma igreja? era batista? Quando ele achava crentes batistas ou não, sem igrejas, convidava-os para participar de um grupo de estudo bíblico. Com esse pequeno grupo, começava-se o trabalho de evangelismo e doutrinamento de práticas batistas. Quando o grupo ficava grande para se reunir numa casa, alugava-se um local, até que pudessem ter um templo. Normalmente, quando o grupo atingia tamanho e maturidade para se tornar uma igreja, a Junta era convidada a enviar um obreiro. Nascia assim mais uma igreja batista. Quem sabe Pedro Ciriano não andou treinando César Castelhanos?

O sustento desses "missionários" era um "negócio de louco". Geralmente, durante um dos cultos da igreja, Edilson Braga chamava o "candidato a missionário a frente" e pedia que o mesmo desse testemunho dos motivos da sua ida, das perspectivas para o trabalho e dos custos do projeto. Naquela mesma hora era feito um "apelo" em busca de mantenedores. Alguns irmãos se comprometiam a irem ajudar com suas presenças. Outros se comprometiam em ajudar financeiramente dizendo nominalmente o valor que destinariam mensalmente para o projeto. Enfim, tudo era decidido "na hora" e todos se comprometiam. Cada projeto tinha uma característica. Em uns o "missionário" pedia para alugarem uma máquina Xerox, e com os rendimentos obtidos com os serviços de fotocópias, as despesas totais ou em parte eram pagas. Noutros, uma serra era comprada e com a venda de madeiras se pagavam as despesas.

Além de um homem de ação e de visão, Edilson Braga sempre foi um homem de oração. Qualquer local e hora é bom para oração. Certa vez, enquanto aguardávamos a chegada de um avião, um vereador amigo dele perguntou se ele tinha coragem de começar a pregar ali mesmo, naquele instante, para aquelas pessoas que juntamente conosco aguardavam a chegada do avião. "Nesse instante, não tenho, mas se eu tiver dois minutos para ficar a sós com Deus, eu saio de lá ardendo de desejo de pregar", foi a sua resposta. Total dependência de Deus sempre foi o seu lema. Quantas vezes presenciei a cena de pessoas que foram evangelizar - de casa em casa ou em praças públicas - dizendo que não conseguiram ver ninguém se decidindo pór Jesus? Muitas, e em todas elas a receita de Edilson Braga era sempre a mesma: "vamos orar". Terminado o período de oração, ele mandava que as pessoas voltassem ao mesmo local e evangelizassem de novo. Quase sempre o resultado era decisões ao lado de Cristo!

Depender de Deus! Esse era o lema! Orar e esperar que Deus agisse. No meu segundo domingo indo a igreja, Edilson Braga me levou para visitar e pregar aos presos, além de levar um caldeirão de K-suco com pão doce. Ele fazia isso todos os domingos, logo após o almoço e antes de sair com os demais irmãos para as pequeninas congregações nos bairros mais distantes onde os irmãos não tinham condições de ir para a igreja, à noite. Havia também as visitas aos enfermos nos hospitais. Durante a semana, antes de irmos para alguma congregação, ele nos levava para pregar em algum acampamento dos trabalhadores das empresas que construíam a barragem de Tucuruí. O método era sempre o mesmo. Ligar o som da kombi e deixar tocando uma música enquanto distribuíamos folhetos e convidávamos as pessoas para que viessem ouvir a palavra. Em seguida, cantávamos um hino ou cântico e pregavámos a palavra. Nós, que o acompanhavámos, dávamos testemunho, e ele sempre pregava e fazia o apelo.

Um dia, quando já me preparava para ir, ele disse que não poderia ir comigo. Oramos e ele mandou que fosse pegar alguém para ir comigo. Por mais que buscasse, infelizmente, não achei ninguém que pudesse ir comigo. Vendo o seu exemplo, decidi ir sozinho. Chegando lá, quase me arrependo. Lá estava eu morrendo de vergonha e tendo que fazer tudo sozinho. Dei testemunho, preguei e quando cheguei ao final, fiz o apelo mais "maluco" de toda a minha vida. Disse a todos que enquanto eu cantasse uma música (quem me conhece sabe que isso é quase impossível, pois sou o "maior dos desafinados" e fora de ritmo) todos aqueles que quisessem entregar suas vidas a Jesus viessem até a plataforma onde eu estava e se colocassem ali de joelhos. Lógico que eu esperava que ninguém viesse. Ademais, por causa da vergonha que era desafinar e cantar fora de ritmo em público e num solo, eu fechei os olhos. Contudo, com a ajuda de Deus, de olhos fechados, eu cantei toda a letra até o final. Lembro até hoje da letra daquela música que eu só ouvira uma vez e nunca soube quem era o autor.

Quando Jesus me salvou
eu andava perdido
sem consolação
as trevas já eram tantas
que luz eu não via
só escuridão
Hoje me sinto feliz
pois fui redimido
por Cristo Jesus
pois só me falta a familia
meus entes queridos
levarem sua cruz

Ó meu Jesus tão amado
já me sinto salvo
do mundo de horror
de todos os vícios malditos
Jesus com sua graça
já me libertou

Os companheiros que eu tinha
zombavam e diziam
"ele não fica lá"
outros diziam "coitado
já depois de velho
quer regenarar"
mas eu clamava e pedia
Jesus me segura
não deixa eu cair
já que salvastes minha alma
ilumina a estrada
e me deixas seguir

Ó meu Jesus tão amado
já me sinto salvo
do mundo de horror
de todos os vícios malditos
Jesus com sua graça
já me libertou

Ah! Aquela voz desafinada, fora de ritmo, cantando um hino desses, sem acompanhamento de instumentos, acapella (sem instrumentos), e sozinho?! Os olhos fechados por causa da vegonha e ainda por cima um apelo "maluco" daqueles!? O que era de se esperar?? Quando eu abri os olhos, havia cerca de vinte homens de joelhos, em atitude de oração, ao meu redor na plataforma. Depender de Deus, depender de Deus, a obra é de Deus, é Deus quem "trabalha" e Ele escolheu as coisas loucas desse mundo para escandalizar os "sábios"! Edilson Braga havia me ensinado a mais importante lição teológica que um cristão pode aprender: depender de Deus!

Quando li o que Agostinho escreveu sobre seus sentimentos acerca do grande Ambrózio, percebi que aquela situação me era familiar. Nunca discuti teologia com Edilson Braga. Nunca lembro de ter visto ele falando mal de alguém. Eu até que gostaria mas não ele não tinha tempo. Não que ele não estivesse a altura. Pelo contrário, Edilson Braga foi um dos individuos que eu vi ler mais livros em toda a minha vida. Qualquer minuto de espera em algum lugar, lá estava ele lendo. O que o inspirava era o testemunho de outros cristãos. Miller, Carey, Hudson Taylor, Finney, Moody, Bunyan eram figuras que sempre estavam presentes entre seus livros. Também haviam escritores atuais. Fossem dos tipo auto-ajuda, Schuller, Peale, Osborne, etc. Fossem os que estão na última moda: Cho, Colson, Schaeffer, Caio Fábio. Enfim, não importava o assunto, lá estava ele se informando, mas mantendo o nível de pregação para que uma criança pudesse entender. A esposa era responsável, a pedido dele, por anotar qualquer palavra difícil para que a mesma não fosse mais usada. O lema era simples: "alimento para ovelhas, se as girafas quiserem se alimentar que se baixem".

Bem, acho que vou parar senão isso se transforma em livro, ainda que Edilson Braga mereça uma biografia. Acho que ele nunca esreverá, pois não me recordo de jamais ter visto uma única folha de papel escrita por ele. Ah, ia esquecendo. Certa vez, eu escrevi uma carta para ele. Era uma carta desaforada. Eu fiquei transtornado quando após ter contado a ele que eu havia me apaixonado por aquela que viria a ser minha esposa, ele sugeriu que eu casasse logo. Na carta eu disse a ele que ele sugeria aquilo pois a moça não era filha dele, pois se fosse ele não sugeriria aquilo. Afinal, eu não possuía nenhuma renda e vivia das doações dos irmãos na igreja. Ele nunca comentou sobre a carta comigo. Acho que deve ter lido e jogado no lixo. Ao invés de perder tempo tentando demonstrar que eu estava errado, ele arranjou um trabalho para mim em Belém e me recomendou ao futuro patrão. Menos de um ano depois eu estava casado. Hoje, analisando de novo a situação, acho que o conselho dele seria o mesmo, ainda que a moça fosse a filha dele.

De qualquer forma eu gostaria de deixar registrado o profundo impacto que o exemplo dele produziu em minha vida. Que Deus nos dê homens como Pr. Edilson Braga e que conceda a ele ainda muitos anos de vida.

Abraços Bento Souto

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

A "SAÚDE QUASE PERFEITA" NO BRASIL

Quem vai a uma Emergência de Hospital Público sabe muito bem que a Saúde no Brasil está muito longe da perfeição. Nosso ex-presidente talvez tenha andado visitando muito o ex-vice-presidente, José Alencar, no Hospital Sírio Libabês, em São Paulo, e pensou que a Saúde no Brasil é tratada como são tratados os pacientes do Sírio Libanês. Ledo engano.

Aqui, em Campina Grande-PB, o Hospital Regional de Traumas e Urgências funciona porque se for fechado o caos será maior ainda. São cidadãos jogados pelos corredores, gente tomando soro em cadeiras, médicos e enfermeiros sem condições de trabalho, faltam meicamentos e equipamentos, e, mesmo sem ser da ANVISA, acho que aquele hospital não tem condições de funcionar.

Porém, diante de um quadro desses, temos duas alternativas. A primeira é exigir o fechamento daquele hospital. Essa é a alternativa daqueles que querem fazer o problema desaparecer. Porém, uma pergunta precisa ser respondida: para onde irão os pacientes que hoje são lá atendidos? Está ruim com essas condições? Ficará pior ainda sem o hospital.

Esse é o mesmo dilema que a gente vê quando os comerciantes ilegais são despejados do local onde estão comerciando, ou quando as mercadorias deles são apreendidas. Quando algum deles pergunta: -- e o governo vai nos dar trabalho, é? A resposta ninguém dá. Apenas dizem que eles não podem exercer aquela atividade.

Ora, será que ninguém percebe que eles só exercem aquela atividade porque lhes falta trabalho? Você já viu alguém recusar um trabalho pra ir ser camelô? não ter os direitos trabalhistas reconhecidos?

Assim, o dilema enfrentado pelos pacientes nos hospitais públicos e pelos camelôs é o mesmo.

Alguém tem algo a oferecer como solução que foque nas pessoas e não nos problemas?

Eu tenho: exigir que os Servidores Públicos sejam atendidos pelo Serviço Público de Saúde que eles oferecem ao público. Sim, os políticos (de todos os partidos) deveriam ser os primeiros a dar o exemplo -- já que para eles "a Saúde no Brasil está perto da perfeição".

Alguém tem uma idéia melhor?


Abcs Bento Souto

quarta-feira, janeiro 12, 2011

SUA FÉ É UMA RELIGIÃO?


Transformaram a fé em Jesus numa Religião. Dizem que constroem templos para Ele. Professam adorá-lo em cultos, cânticos, missas, novenas, procissões, romarias, correntes, etc.

No entanto, o Jesus apresentado nos Evangelhos parece que só aceita ser adorado no próximo -- de preferência, no fraco, no faminto, no enfermo, no falido, no preso, naquele sem roupa e agasalho, etc.

Mas, quem quer mesmo adorar Jesus assim? Sem templos, sem cultos, sem missas, sem novenas, sem sacerdotes, sem lugares e templos especiais e sem reconhecimento humano?

Outro dia, aqui em Campina Grande-PB, uma criança morreu na emergência de um hospital público devido a falta de Anestesistas -- eles estavam em greve.

Vi aquilo e me pus a pensar. Quantos dos 21 anestesistas daquele hospital não correriam para a Emergência caso eles cressem que aquela criança era mesmo Jesus? Creio que todos eles.

No entanto, como eles não creêm no Jesus dos Evangelhos, nenhum deles apareceu no Hospital e a criança morreu engasgada com um caroço de feijão.

Tenho quase certeza que durante o Natal, aqueles anestesistas trocaram presentes, foram a "cultos de vitória", missa do Galo, deram ofertas de gratidão, cantaram louvores a Jesus e não faltaram ao encontro comunitário nos templos, etc. -- tudo sob a supervisão dos "representantes de Deus".

O Jesus dos Evangelhos, em Mateus 25, disse que só seria servido quando os pequeninos fossem servidos em suas necessidades. Ele nunca pediu que ninguém O adorasse como os chamados "cristãos" estão fazendo. Pelo contrário, Ele advertiu que não queria adoração religiosa, mas serviço ao próximo.

Vendo tudo isso eu fico me perguntando por que se insiste em adorar Jesus de uma maneira que Ele condenou?

Pense nisso!


Abcs Bento

domingo, dezembro 12, 2010

SOBRE A FESTA DE NATAL DO ESCRITÓRIO

A seguir uma série de memorandos que demonstram a dificuldade em agradar atodos na sociedade moderna atual. Divirtam-se! O original estava publicado no site da Catho.

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Memorando: A festa de Natal do escritório
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 01 de dezembro

Tenho o prazer de informar que a festa de Natal da empresa será realizada no dia 23 de dezembro, começando ao meio-dia, no salão de festas da Churrascaria Grill. Antes haverá um pequeno coquetel com muitas bebidas.
Teremos uma pequena banda tocando canções natalinas... e vocês podem cantar junto! E não se surpreendam se nosso presidente aparecer vestido de Papai Noel!
À uma da tarde acenderemos as luzes da árvore de Natal. Nesse horário poderão ser feitas as trocas de presentes entre vocês, mas os presentes terão valor limitado a R$ 20,00 para atender a todos os bolsos.
A festa é somente para empregados.
Um pronunciamento especial será feito pelo presidente.
Feliz Natal para você e para sua família.

Patrícia


Memorando: A festa de fim de ano do escritório
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 02 de dezembro

De modo algum pretendemos excluir de nossa festa de fim de ano os companheiros judeus. Reconhecemos que o Chanukah é um importante feriado que muitas vezes coincide com o Natal, embora infelizmente isto não ocorra neste ano.
No entanto, de agora em diante, nós nos referiremos à festa como festa de fim de ano. A mesma política se aplica a todos os outros empregados que não sejam cristãos ou aqueles que ainda celebram o dia da Reconciliação.
Cancelamos a árvore de Natal. Cancelamos também as canções natalinas.
Teremos outros tipos de música para o seu entretenimento.
Felizes agora?
Feliz fim de ano para você e para sua família.

Patrícia


Memorando: A festa de fim de ano
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 03 de dezembro

Em relação à mensagem que recebi de um membro dos Alcoólicos Anônimos, requisitando uma mesa para empregados que não bebem... você não assinou. Eu gostaria muito de atender, mas imagine que se eu puser uma placa AA na mesa, quem se sentar ali não será anônimo mais.
Como resolver isto?

Patrícia


Memorando: A festa de fim de ano
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 05 de dezembro

Tudo bem, vamos esquecer a troca de presentes. O Sindicato achou que R$ 20,00 é muito dinheiro e os executivos que é muito pouco para comprar os presentes.
NÃO SERÁ PERMITIDA TROCA DE PRESENTES.

Patrícia


Memorando: Festa de fim de ano
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 07 de dezembro

Que grupo diversificado nós temos!
Eu não fazia idéia de que em 20 de dezembro começa o mês sagrado do Ramadã muçulmano, que proíbe comer e beber durante o dia. Lá se vai a festa! De verdade, não sei como acomodar os nossos companheiros muçulmanos na festa.
Talvez a churrascaria possa segurar o almoço deles até o fim da festa, ou empacotar para que eles levem para casa. Será que assim funcionaria?
Entrementes, consegui que os membros dos Vigilantes do Peso se sentem bem longe do buffet de sobremesa e que as grávidas fiquem em mesas próximos dos banheiros.
Gays poderão se sentar com outros gays, e as lésbicas não serão obrigadas a se sentar com os gays, se não quiserem. Sim, haverá um arranjo de flores nas mesas dos gays, também. No entanto, não vai ser permitida a presença de pessoas travestidas.
Conseguimos banquinhos para pessoas de baixa estatura.
Conseguimos comida com baixo teor de caloria para quem está de dieta. Mas não vamos conseguir controlar o sal usado na comida, por isso sugerimos que quem tem pressão alta prove o teor de sal antes de comer.
Haverá frutas frescas para os diabéticos, mas o restaurante não vai poder oferecer sobremesas diet.
Desculpem? Esqueci de alguma coisa?

Patrícia


Memorando: A porcaria da festa de fim de ano!
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os #%&$!!! colaboradores
Data: 10 de dezembro

Vegetarianos?
Chega!
A festa vai ser na Churrascaria Grill, quer vocês gostem quer não! Tratem de arranjar uma mesa bem longe da "carne fatal" e comam salada - incluindo os tomates hidropônicos. Mas, como sabem, os tomates também têm sentimentos. Eles gritam quando você os fatia.
Espero que seja um fim de ano horroroso para todos!
Bebam muito, peguem o carro e se matem, tá?!

A bruxa do inferno


De: Suzy Watanabe, diretora-substituta de Recursos Humanos
Data: 14 de dezembro
Assunto: A festa de fim de ano da Patrícia Mangueira

Creio que falo em nome de todos ao desejar uma rápida recuperação à Patrícia do mal de estresse que está sofrendo, e vou continuar a encaminhar para ela, no sanatório, os cartões que estão chegando.
Nesse meio tempo, a diretoria decidiu cancelar a festa de fim de ano e dar folga para todos na tarde de 23 de dezembro.
Felizes feriados!

Suzy Watanabe

O QUE OS MAGOS NOS ENSINAM SOBRE O NATAL?!

Gaspar, Baltazar e Melchior, eram os nomes dos “três” “reis” “magos”, segundo a tradição da Igreja Católica Romana. Brahmas hindus, segundo “Os Lusíadas”, épico da Literatura Portuguesa, escrito em 1572. “Homens sábios” (wise men), segundo a Versão do Rei Tiago. “Homem amável” (kind man), ou “homem que sempre fez a coisa certa” (man who always did the right thing), segundo a Contemporary English Version, American Bible Society. Esses são exemplos de “mitos” tanto do lado católico romano quanto do lado protestante, sem falar dos “maçons” e de outras sociedades secretas, e de tantos outros mitos criados para explicar quem eram esses homens.

“Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo.” (Mateus 2.1-2)

Uma das formas de fazer com que algo que realmente aconteceu perca a credibilidade é “mitologizar” o fato. Já está no inconsciente coletivo que “quem conta uma história sempre aumenta um pouquinho”. Imaginem se permitimos que aconteça isso com o texto sagrado das escrituras.

A verdade é que a Bíblia não diz que eram “três” e nem quantos eram os “magos”. O texto diz apenas que eram “alguns”. Também não diz que eles eram “reis”. A nossa tradução é que diz que eles eram “magos”. Porém, o sentido da palavra “mago” era diferente do sentido atual. A raiz grega da palavra é a mesma de: mágico; magistrado; magistério; magistral etc. E esse era o papel desses homens da antiguidade. Eles eram os “cientistas” da época, daí muitos associarem seu ofício com o dos mágicos. Eles eram os experts em leis, especialmente no império Medo-Persa, daí a origem de “magistrado”. Tinham também o papel de professores, no sentido que ensinavam suas artes aos jovens. Os jovens judeus tomados cativos e levados à Babilônia estiveram aprendendo as artes deles. Alguns enganavam os homens com suas artimanhas, em nada diferindo dos charlatões religiosos atuais. Um dos campos prediletos do engano deles era mistura entre Astrologia e Astronomia. Se, atualmente, há pessoas que não sabem a diferença entre essas duas disciplinas, imaginem naquela época.

Mas isso não faz a menor diferença em relação a Jesus. Sabe por quê? Porque o enfoque do texto de Mateus é claro. Eles vieram adorar Jesus! Os teólogos sabiam onde “o Rei dos Judeus nasceria” (Mat. 2.4-6), mas não foram adorá-lo. Isso se parece muito com os nossos dias. Muitos de nós, cristãos, sabemos como se deve ajudar os pobres de acordo com a Bíblia; sabemos da nossa responsabilidade com os necessitados (orfãos, viúvas etc). Enfim, às vezes, temos a teologia correta e a prática errada, nem praticamos o que sabemos ser teologicamente correto. Qual teria mais valor diante de Deus? Ter a teologia correta e a prática errada? Ou ter a teologia errada e a prática correta? O caso dos nossos “magos” parece indicar que Deus se agradou mais da adoração deles do que da atitude dos “teológos”, que segundo um dos evangelistas: “não o receberam”!

Em segundo lugar, os “magos” vieram de longe para adorar Jesus e trouxeram “presentes” para o Rei. Isso nos faz perceber que não há adoração sem oferta ao adorado. Quem adora, oferece! Alguém sabiamente já disse que “se pode dar sem adorar (como fazemos com muitas de nossas ‘esmolas’ que têm a intenção de fazer com que nos livremos daquele que pede), mas não se pode adorar sem dar”. Precisamos nos lembrar disso. Adoração não acontece dos lábios para fora, ela se manifesta visivelmente em direção ao adorado na forma mais generosa, que é dar daquilo que se possui.

Em terceiro lugar, os “magos” adoraram oferecendo “ouro, incenso e mirra”. Diz-se que o ouro, metal mais precioso, era presente que se oferecia aos reis. Ao oferecerem ouro a Jesus, os “magos” estão reconhecendo que Ele é Rei. E Rei, naquela época, não era nada parecido com ser Juan Carlos (rei da Espanha) ou Elisabeth (rainha da Inglaterra). Os reis de hoje são de enfeite. Não têm poder. Os reis da época de Jesus eram soberanos que ditavam e interpretavam a Lei. Em algumas sociedades eles eram a Lei. Os reis protegiam os seus súditos com os seus exércitos. Os reis dominavam os exércitos e os súditos. Todos os súditos deviam obediência ao rei. Suas palavras significavam vida ou morte. Esse é o tipo de Rei que os “magos” viam em Jesus, e adoraram. Jesus é para nós o Rei que era para os “magos”? Ou é rei igual aos atuais reis da Espanha e Inglaterra? Um pequeno teste disso pode ser feito apenas olhando se adoramos Jesus oferecendo-lhe “ouro”, nosso “vil metal”.

Os magos ofereceram “incenso”. Incenso é algo que só se oferta a deuses, em qualquer religião. Os “magos” reconheciam que Jesus é Deus, e ofereceram-lhe algo que só a Deus é apropriado oferecer. Há muitos que reconhecem em Jesus apenas “um bom homem”, “um sábio”, “um guia” etc. Contudo, Jesus é mais do que isso. Ele é Deus! E como Deus deve ser adorado, “com todas as forças, com todo o entendimento, com toda a alma”. É assim que amamos e consideramos Jesus?

Por último, os “magos” ofereceram “mirra”. Como “mirra” era um tipo de perfume também usado na preparação de corpos de pessoas que morriam, essa oferenda simboliza a nossa dependência da morte de Jesus para sermos aceitos por Deus. Tenho escutado muita gente dizer que “Jesus morreu por nós”. Entretanto, tenho escutado pouca gente dizer “Jesus morreu por mim”. “Eu fui o causador da morte de Jesus”. “Os meus pecados foram a causa da morte de Jesus”. “Eu sou o responsável pela morte de Jesus”. De que grupo você faz parte? Dos muitos ou dos poucos?

Que Deus nos ajude a adorarmos a Jesus como fizeram os “magos” do oriente e não como os teólogos judaicos dos dias de Jesus! Ou melhor ainda, que Deus nos ajude a termos o conhecimento dos teólogos judaicos e a disposição de adorar dos “magos” do Oriente!

Bento Souto

sábado, dezembro 11, 2010

A LÓGICA DO NATAL E SUAS LIÇÕES

Queridos,

Nada contraria tanto a lógica humana quanto o Deus (eterno, imutável, invisível, todo-poderoso, criador dos céus e da terra) que se faz gente. Deus se vestir de carne e osso e ser gestado por nove meses em um útero materno é um absurdo inimaginável. Aumentar o absurdo – se isso fosse possível – é olhar de quem e onde Ele nasceu.

A Lógica humana diria que se Deus tivesse que nascer entre os Homens, àquela época, Ele deveria ser alguém do tipo de Cesarion, filho de César com Cleópatra. Sim, Ele deveria ser alguém como o filho dos representantes reais de dois impérios que dominaram o mundo, o Grego e o Romano. Ele deveria ter nascido sob os cuidados da melhor Medicina da época e desfrutar do berço mais luxuoso.

No entanto, a Lógica dEle é absurda para nós. Ele escolheu ser filho de seres tão insignificantes, aos nossos olhos, que sequer tinham onde passar a noite. E mais, Ele escolheu nascer numa manjedoura.

Lembro da expressão de espanto no rosto de minhas filhas quando eu as levei para conhecer uma “manjedoura” de verdade. Elas estavam, como muitos de nós, acostumadas a verem as “manjedouras” dos presépios que são montados nas igrejas, praças, casas e shoppings, na época do Natal. Elas são feitas com animais de plástico, barro ou qualquer outro material, menos de carne e osso.

Assim, conhecer uma manjedoura de verdade foi chocante para elas. O fedor de urina e esterco era nauseante. Manjedoura e estrebaria nada mais são do que sinônimos de curral – local onde os animais comem. E, animais não possuem toaletes. Eles urinam e defecam no mesmo local onde comem. O fedor é insuportável para quem é de fora, mas normal para os animais que habitam o local. Jesus Cristo ter nascido numa manjedoura trouxe algumas lições para minha vida.

A primeira delas é que precisamos reconhecer que sem Deus a vida fede – ainda que se viva entre aromas de perfumes franceses. Sem Deus, ninguém vive; apenas existe! Sem Deus, nossa origem é o acaso e nosso destino é ser banquete de vermes. Sem Deus, não há sentido para a vida!

A segunda lição é que Deus nos ama. Sim, foi Deus quem veio ao nosso encontro. Ele se tornou gente e habitou o nosso mundo fedido. Ele nos amou de maneira tão louca, segundo os Gregos, que nem podiam entender um Deus que amasse o mundo. Nos amou, de maneira tão apaixonada, que nos deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

A terceira lição é que nós só achamos significado para nossas vidas em Deus. Quando Deus se faz presente em nossas vidas, seres insignificantes se tornam significativos. Maria, José, os apóstolos e todos os demais seres insignificantes que estiveram na presença de Jesus, nEle acharam significado.

A quarta lição é que saber essas coisas apenas como conhecimento não traz nenhum benefício para mim. O nascimento de Jesus Cristo numa manjedoura só traz benefícios para mim quando meu coração também é visitado por Deus. Quando a Fé explode no peito e a Vida abundante e verdadeira jorra regando toda a existência. Quando Ele nasce, não apenas em Belém, mas passa a ser nossa companhia constante, e amigo mais chegado que um irmão. Quando Seu Amor, Graça e Misericórdia passam a ser realidades experimentadas em nossas vidas e não doutrinas a serem aprendidas.

A quinta e última lição é que Ele nasceu numa manjedoura porque não havia lugar nas estalagens e pousadas. Que sempre haja lugar para Ele em nossos corações. Que sempre haja em nossas vidas a alegria por Ele ter nascido entre nós, em nós e para nós!

Feliz Natal

segunda-feira, dezembro 06, 2010

O NATAL! E SE EU FOSSE DEUS?

Escrevi o texto abaixo no Natal de 2006.
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Nesta época do ano, virou moda entre certos cristãos sair dizendo para todos que Jesus Cristo nunca nasceu em 25 de Dezembro e que, portanto, ninguém deve comemorar o Natal, pois esta seria uma festa pagã que atende apenas aos interesses daqueles que querem ganhar dinheiro vendendo presentes.

Qualquer um que pesquise saberá que 25 de Dezembro não é o dia em que Jesus nasceu, mas o dia em que se celebra a Encarnação. Ou seja, celebra-se a vinda de Deus à Terra em forma humana. Era uma data em que os romanos celebravam o deus-Sol e que foi cristianizada pelo imperador Constantino. Os Cristãos, antes de Constantino, não celebravam a Encarnação. Portanto, dizem esses cristãos, não devemos celebrar o Natal.

Acho interessante que não vejo esses Cristãos defendendo outras práticas dos Cristãos Primitivos. Eles, por exemplo, não se reuniam em templos, mas em casas. Não existia a prática de dar Dízimos. Não existia a Hierarquia que existe hoje, onde homens dominam sobre outros. Etc.

Se inventarem o “Dia do Churrasco”, saibam todos, a Indústria e o Comércio o apoiarão. Eles colocarão churrasqueiras em todos os Shopping Centers do Mundo (talvez só não na Índia – por razões óbvias). As pessoas serão incentivadas a comprarem carnes, churrasqueiras, facas e todo aquele aparato que vem junto com o Churrasco. Será uma Festa para Amigos e Familiares... e por aí vai.

Mas não é porque a Indústria e o Comércio iriam ganhar dinheiro com o Dia do Churrasco que nós o boicotaríamos, não é? Por que então deixaríamos de celebrar o Natal só porque alguns ganham dinheiro com ele?

Todavia, o que eu realmente me pergunto é uma coisa bem louca que de vez em quando eu penso: “e se eu fosse Deus?” Pois é, se eu fosse Deus, o que acharia dessa coisa toda? Ficaria mais feliz com esses Cristãos que querem acabar com o Natal, por ser uma festa em uma data imprecisa? Ou ficaria feliz com algumas pessoas que se aproveitam dessa data para fazer o bem?

Sim, há muita gente boa que sai arrecadando presentes para crianças carentes. Outros que dão presentes para os filhos, e pegam os brinquedos antigos e os doam para os carentes. Há gente que reúne a família e os amigos para se alegrarem juntos. Há ainda, gente que promove o espírito natalino, desejando à todos, saúde, paz e felicidades.

Sinceramente, se eu fosse Deus, ficaria mais feliz com o grupo dos que se aproveitam da data e promovem o bem. Um grande detalhe é que muitos desses que agem assim sequer são Cristãos. Mesmo assim, eu ficaria mais feliz com eles do que com os que querem acabar com o Natal. Sim, porque Deus não se fez gente em uma igreja, mas em um curral. Os teólogos, da época em que Ele nasceu entre os homens, sabiam onde Ele iria nascer, mas foram os magos e os que pastoreavam animais no campo que foram adorá-Lo.

Se Ele encarnou para fazer bem aos homens é de se esperar que Ele goste de quem busque fazer a mesma coisa, não é? Claro, Natal mesmo é quando Ele encarna em nós. Para aqueles que tomaram essa consciência, todo dia é Natal! Mas para os que ainda não tomaram essa consciência, Natal não existe e nem deve existir!

Meu desejo e minha oração é que você tenha um Feliz Natal e que o espírito dAquele que encarnou domine o coração de todos nós.


Beijão Bento Souto
P.S. Se quiser e achar que deve, pode reenviar essa mensagem para todos que você desejar.
bentosouto@hotmail.com
Já existe o "Dia do Churrasco", 24 de Abril. Foi instituído pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul...


Feliz Natal a todos!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O QUE É O ACASO?

Em minha opinião, ACASO é como os seres humanos chamam a ignorância deles acerca do Futuro.

Sinceramente, do ponto de vista estritamente técnico, nada pode ser ACASO se houver Propósito. Não é possível querer enviar uma espaçonave à Marte e deixar qualquer detalhe desse projeto ao ACASO. Se, por ACASO, durante a viagem à Marte essa espaçonave se chocar com um "mini-asterisco", esse choque terá sido um erro de planejamento que poderá comprometer toda a missão.

Portanto, no caso acima, o ACASO além de ser desconhecimento do Futuro é também a prova de nossa incapacidade de planejar de forma absoluta, pois não temos total controle sobre todas as variáveis (outra forma de definir o ACASO).

ACASO é também aquilo que chamamos de inesperado.

Eliminar o ACASO da vida dos humanos seria desastroso para nós. Quase nenhum de nós faria as mesmas coisas se soubessemos o dia e a hora exata da morte de alguém. Qual a equipe médica que operaria um paciente, hoje, e a ele dedicaria 14 horas de cirurgia sabendo que o paciente morreria amanhã? Quem iria casar com alguém que morre no dia seguinte a cerimônia? Quem esperaria nove meses de gravidez sabendo que o filho vai nascer morto? Quem faria aquele super relatório, ao qual se dedicou por duas semanas, se soubesse que irá ser demitido no dia seguinte?

Assim, o ACASO nos protege da paralização que a CERTEZA das coisas provocaria em nós. É por isso que se diz que "o justo viverá pela fé". A vida só se manifesta em toda a sua plenitude quando a gente confia (têm fé) que Deus, o nosso Pai, tem tudo sob controle; e que todas as coisas (até o ACASO) contribuem para o bem daqueles que por Ele são amados.

É isso o que eu penso!


Beijão

quarta-feira, novembro 10, 2010

O QUE FIZERAM COM O MEU NORDESTE?

Escrevi o texto abaixo em 18/05/2001 e O Jornal da Tarde, de São Paulo, o publicou em 10/07/01. Na época, Fernando Henrique Cardoso era o Presidente da República. Portanto, o texto que você lê agora não foi escrito contra um Governo, mas para demonstrar os efeitos de uma Política sobre um povo.
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O QUE FIZERAM COM O MEU NORDESTE?

Quando saí do Nordeste em 1981, daqui levei uma a visão de que o Nordestino era "um valente", homem de "honra" e extremamente "trabalhador". Além de tudo isso, uma das características que eu mais admirava era a sua inteligência em lidar com situações adversas que desmontariam completamente outros povos. Quando voltei, 20 anos depois, descobri uma outra realidade.

O nordestino "valente" e "trabalhador" aderiu aos benefícios do FUNRURAL. Ou seja, "se aposentou". Mesmo que com R$181,00 por mês. Enquanto viajava fazendo uma pesquisa por parentes antigos, no sertão (na divisa da Paraíba com o RN), não via plantações. Perguntei a um tio-avô: por que ninguém planta nada, já que há tanta água (havia em relação ao inverno do ano passado)? A resposta dele valeu mais do que mil horas de conferências políticas.

"Meu filho, quem é que vai querer plantar e correr o risco de perder? Ninguém mais quer trabalhar na lavoura. Em quase todas as famílias existe um aposentado, quando não dois (o homem e a mulher). Com essa renda eles se mudam para a cidade e só vem ao sítio para visitar. Afinal, lá tem energia, televisão, escola pertinho, e os filhos (ah, esses são os principais) não querem nem saber de voltar a viver no campo".

Na pequena cidade de Parelhas-RN, ouvi de um outro tio-avô que lá vive: "Meu filho, antes a gente podia dormir de portas abertas que ninguém 'mexia' nas coisas da gente. Agora, se deixar fácil os ladrões roubam. Esses vagabundos que ficam "fumando maconha" e sem ter o que fazer o resto do tempo. Quando eles se juntam com essas meninas de hoje, umas sem-vergonha que vivem igual cachorra no cio se deitando com tudo que é macho que se engraçam por elas. Também, não poderia ser diferente, com a televisão mostrando coisas que eles não podem comprar...aí eles roubam o que não podem comprar ou imitam o que podem"!!

"Sei não, visse?" mas sou obrigado a concordar com o velho ditado nordestino: "Quem dá uma esmola a um pobre que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão!" Acho que Luiz Gonzaga e Gilberto Freire não reconheceriam mais o Nordeste. Acho que outro ditado diz tudo: "Pobre é apenas pobre, mas tem uns intelectuais que acham que pobre é burro". Continuem mandando dinheiro para cá que "os nordestinos agradecem". Só não esperem que as coisas mudem apenas com dinheiro e "educação".

Essa situação do Nordeste parece com outra que eu conheci. Em 1999, quando estive em Porto Rico, perguntei a um porto-riquenho qual o motivo deles terem dito NÃO em dois plebiscicitos a proposta de se tornarem o 51 (quinquagésimo primeiro) estado americano. A resposta dele foi bem elucidativa: "Por que comprar a vaca quando se pode ter o leite de graça?". Ou seja, o que ele estava dizendo é que sendo porto-riquenho, ele tinha todos os benefícios dos EUA sem pagar os impostos.

O pior é que quem se levanta contra essa situação é logo rotulado de alguma coisa. As vezes sou tentado a pensar que não gostaria de ver o que vejo, mas acabo escolhendo a opção que diz Zé Ramalho em "Uma Canção Agalopada"

"Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para um mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar"

Concluindo, também acho que aconteceu conosco (nordestinos) o que já descreveu um escritor:

"Os homens deixaram de temer a Deus. Passaram a temer outros homens. Os homens deixaram de temer o Inferno. Trouxemos uma parte dos sofrimentos dele para o nosso meio."

Somente Deus pode mudar a nossa situação! Que Ele o faça logo é a minha súplica, e o meu desejo é que Ele me livre de pensar que o "bem não compensa"!

Abraços

Bento Souto

quinta-feira, outubro 21, 2010

A "PAIXÃO" DA "MILITÂNCIA" NAS ELEIÇÕES

Neste último domingo, 16/10, deu entrada no Hospital Antonio Targino, em Campina Grande-PB, um senhor de 60 anos que foi atingido por duas punhaladas e sofreu diversos hematomas no rosto, resultado da agressão sofrida por integrantes de uma carreata política.

O homem declarou aos profissionais de saúde daquele hospital que foi agredido porque fez um sinal com o dedo polegar apontando para baixo enquanto a carreata passava.

Não vou nem perder tempo discutindo de qual candidato era a carreta. O meu objetivo nessas poucas linhas é perguntar: por que os "militantes" chegam a agredir os contrários? Por que as Eleições geram tanta "paixão"?

A resposta é muito simples. Mas, para que você tenha uma idéia melhor do que eu estou dizendo, vamos analisar apenas o que o resultado das Eleições provoca em um pequeno município.

Em São Vicente do Seridó, na Paraíba, houve apenas cerca de 5.000 votos válidos no último pleito. No entanto, para cerca de 40 pessoas, o resultado das Eleições decide se elas terão emprego ou não. A razão disso se dá porque quando ganha o candidato da situação, essas 40 pessoas continuam. Quando ganha o candidato da oposição, essas 40 pessoas são demitidas e são contratadas outras 40. Todas em "cargos de confiança", claro.

Se em São Vicente é assim, o que te faz pensar que no Brasil não seja? Mantendo-se a mesma proporção de "cargos de confiança" versus número de eleitores, teríamos no Brasil algo em torno de 800.000 "cargos de confiança" na administração pública.

Por acaso você já viu algum candidato prometendo que vai acabar com essa farra dos "cargos de confiança"? Ou, melhor ainda, você sabe o número total desses "cargos de confiança" e quanto eles custam ao país, estado ou município?

Procure saber e você entenderá o motivo de tanta "paixão" por parte da "militância".

Aliás, "militância" é a mistura de gente que vai ocupar "cargo de confiança" com gente que trabalha pra ganhar cem reais por semana para agitar bandeiras e distribuir panfletos nas ruas.

Investigue e veja se não é assim!



Abcs Bento Souto

quarta-feira, outubro 13, 2010

CANDIDATO ALOPRADO - O FILME!




Não, apesar do título, o filme não tem nada a ver com aqueles sujeitos que foram pegos com milhões de reais tentando comprar um "dossiê" contra o candidato tucano, em 2006.

CANDIDATO ALOPRADO (Man of the Year) é um filme que satiriza o processo eleitoral americano. Ele não tem traz nenhuma novidade para quem já sabe como as coisas funcionam na política. Também, diga-se de passagem, ninguém que participou do filme merece ganhar um Oscar.

No entanto, se você quer dar uma boas risadas enquanto enxerga o óbvio sobre o processo eleitoral (tudo é marketing, marketing, marketing!), eu recomendo que você o assista.

Aliás, há uma fala no filme que eu recomendo aos "torcedores" de Dilma e Serra:

“políticos e fraldas estão sempre cheios da mesma coisa, por isso devem ser trocados de tempos em tempos!”

Assim, se você está cansado de receber tanta besteira eleitoreira em sua caixa postal, assista CANDIDATO ALOPRADO.

Depois, me diga se não valeu a pena.


Abcs Bento

sexta-feira, julho 23, 2010

PLASTIC PEOPLE (Gente de Plástico)

Gostei dessa expressão do idioma Inglês moderno desde que a ouvi pela primeira vez. PLASTIC PEOPLE (Gente de Plástico, daqui por diante), fora do contexto de pessoas que trabalham com objetos de plástico, parece ter sido usado, no início, para designar pessoas que teriam se submetido a cirurgias plásticas.

Logo em seguida, “Gente de Plástico” passou a significar gente que não fosse autêntica. Também ganhou o significado de pessoas que se “quebram” facilmente. Enfim, “Gente de Plástico” é gente que não suporta as agruras da vida e cuja imagem exterior não representa o que se é na verdade.

Um garoto que morava na mesma rua da casa de meu avô parece ter sido o primeiro participante que eu conheci desse grupo de “Gente de Plástico”. Certo dia eu fui convidado para brincar com aquele garoto, na casa dele, pois, ele era filho único e os pais dele não permitiam que ele brincasse, na rua, com os demais garotos da vizinhança.

Enquanto meu único brinquedo era um estilingue, aquele garoto tinha um quarto abarrotado de brinquedos. Eram tantos os brinquedos que o guarda-roupa e a cama dele ficavam em outro quarto. Eu não gostei de brincar com aquele garoto. Pra falar a verdade, eu só fui na casa dele uma vez. Não quis mais brincar com aquele garoto por uma razão simples: os brinquedos dele eram todos de plástico. Ele possuía exércitos de plástico. Carros de plástico. Casas de plástico. Carros de plástico. Heróis de plástico. Animais de plástico.

A única coisa de plástico com a qual eu gostava de brincar com meus amigos era uma bola “dente de leite”. Os pássaros que eu capturava e criava eram de verdade. Eu caçava animais de verdade com o meu estilingue. As batalhas que eu travava com os meus amigos, tanto no futebol quanto em pequenas lutas, eram de verdade. Por isso, nunca me encantei com aqueles bonecos e brinquedos de plástico.

Anos depois, fiquei sabendo o motivo daquele garoto ter todos aqueles brinquedos de plástico e não ter permissão para brincar com os demais garotos: os pais dele eram membros de uma igreja evangélica e não desejavam que o filho se misturasse ou se contaminasse com as pessoas e os costumes do mundo.

Foi por causa desse episódio que eu percebi que não só existe “Gente de Plástico”, mas também pessoas a quem eu chamei de “Cristãos de Plástico”.

Certa vez, numa grande capital brasileira, me perguntei se não estava vendo “Cristãos de Plástico” fazendo um “Evangelismo de Plástico”. Eu estava numa grande praça e vi quando eles chegaram, Era um grupo de cerca de vinte pessoas. Tocaram instrumentos. Cantaram canções. Fizeram orações. Disseram algumas palavras. Só conversaram entre si e não se dirigiram a qualquer pessoa que estava na praça.

Um homem que precisava de um vale-transporte se dirigiu a vários deles e sempre teve um não como resposta. Escutei que eles falavam sobre as demais atividades religiosas que ainda teriam que participar naquele dia. Depois, eles foram embora.

Aquele que pedia um vale-transporte veio até um outro homem que estava sentado ao meu lado. Depois de trocarem algumas palavras, o meu vizinho deu um vale-transporte ao que pedia. “Vá com Deus” e “Deus lhe pague”, foram as palavras finais que eles disseram um ao outro. Não pude deixar de confrontar aquilo tudo que eu presenciara com as palavras escritas pelo apóstolo Tiago em sua epístola:

Minhas irmãs e meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo? Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viverem, não adianta nada dizer: "Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem." Portanto, a fé é assim: Se não vier acompanhada de ações, é coisa morta. (Tiago 2:14-17)

Apesar de ter vivido numa época em que o plástico ainda não existia, o apóstolo Tiago já conhecia os “Cristãos de Plástico”. Esses eram os que “diziam” ter Fé, contudo, eram incapazes de por em prática a Fé que “diziam” possuir.

Fé é algo invisível!

Ninguém é capaz de mostrar a Fé!

Portanto, a Fé só pode ser demonstrada através de ações!

Os “Cristãos de Plástico” dizem ter Fé. Suas ações, ou melhor, a falta de suas ações prova que eles não possuem Fé.

Para compensar essa ausência de Fé genuína, os “Cristãos de Plástico” se contentam em alardear a Fé deles. Em contrapartida, “Cristãos Genuínos” transformam sua Fé em ações – como fez aquele homem que deu o vale-transporte ao necessitado.

O mais incrível é que em nome da “defesa da Fé” – como se a Fé precisasse de defesa – alguns Cristãos se envolvem em “Questões de Plástico”. Afinal, que nome se poderia dar à cruzada de grupos cristãos contra a Mattel – fabricante da boneca Barbie?

Em fevereiro último, num lance de marketing, a Mattel resolveu que a boneca Barbie e o namorado, Ken, juntos há 43 anos, iriam se separar. Se já havia inúmeras reclamações de uma versão da Barbie que usava lingerie sensual, imagine o que não aconteceu com o “divórcio” do casal de bonecos de plástico?

Isso mesmo que você está pensando!

“Cristãos de Plástico” gritaram e espernearam contra uma “Questão de Plástico” em defesa de uma “Fé de Plástico!”

Que Deus nos livre dessas “coisas de plástico!”

Abraço,

Bento Souto

quinta-feira, julho 22, 2010

HARRY POTTER E A VERGONHA DE SER CRISTÃO

ESSE TEXTO FOI ORIGINALMENTE ESCRITO QUANDO DO LANÇAMENTO DA SÉRIE HARRY POTTER

"Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê..." (Romanos 1:16)

Esse verso ainda ecoa nos meus ouvidos depois de quase vinte anos daquele sábado, à tarde, quando eu saí às ruas de Tucuruí na companhia de alguns irmãos, tendo uma Bíblia nas mãos, e com o objetivo de evangelizar pessoas.

Era a primeira vez que assumia publicamente que eu era um cristão. Contudo, apesar de continuar sem ter vergonha do Evangelho e nem de Jesus Cristo, às vezes, eu tenho vergonha de ser identificado como "evangélico". Pus a palavra entre aspas para demonstrar que a minha vergonha é com o sentido que essa palavra tem para algumas pessoas.

Somos um povo que só vê preto-e-branco; Deus e o Diabo. Falo isso sem
generalizações, pois sei que há exceções. Me preocupa essa visão míope. Me preocupa a quantidade de asneira que vejo dita em "defesa da Fé e do Evangelho" por pessoas absolutamente despreparadas. O que eu vejo os "evangélicos" dizendo sobre Harry Potter e sobre sua autora, J.K.Rowling me deixa envergonhado.

Me preocupa a maneira leviana e fofoqueira, ou melhor, o falso testemunho (no linguajar bíblico) com que alguns "evangélicos" disseminam "estórias" (sei que em Português, agora só existe 'história', mas prefiro a versão antiga pois ela evidenciava bem a diferença entre um fato e uma ficção!) a respeito de supostos "satanistas". Pessoas famosas são acusadas de satanistas e adoradores do Diabo com uma leviandade tal que eu me pergunto se os acusadores não sentem a "consciência pesar"? Será que o Espírito Santo não os "convence do pecado, da justiça e do juízo"? Como podem falar sobre
aquilo que não tem conhecem? Como podem "levantar falso testemunho" dessa maneira?

Domingo passado (e provavelmente no próximo domingo, repetirão) muitos professores de EBD disseram inúmeras tolices acerca de Harry Potter, o personagem criado pela escritora J.K.Rowling. Algumas de nossas crianças deixaram suas classes confusas. Saíram se sentindo mal porque leram o livro (ou assistiram o filme) e gostaram, o que não deveria acontecer segundo alguns irmãos. Ou sentiram que estão perdendo tempo na EBD pois puderam perceber que seus professores são uns despreparados. A esmagadora maioria dos que condenam J.K.Rowling e seus personagens nunca leu sequer um livro da série!

Quando eu vi as primeiras acusações contra os livros de Harry Potter, fui até uma livraria e comprei um exemplar. Li-o antes da passar para minhas filhas. Faço isso com todos os livros. Tenho consicência do meu dever como pai de ensinar minhas filhas a pensar e a fazer boas escolhas. Imediatamente, ao ler Harry Potter, lembrei-me de um dos maiores apologetas cristãos do século XX, C.S.Lewis. Esses cristãos não sabem (e não sabem porque não leem) que C.S.Lewis escreveu uma série de livros com o mesmo ambiente que J.K.Rowlings escreveu Harry Potter. Um ambiente onde bruxos, magos, faunos, duendes e outros seres do imaginário infantil, vivem. Como saberiam esses cristãos desinformados e analfabetos literários que "As Crônicas de Nárnia" foi o livro de cabeceira de muitos filhos de cristãos do século passado? C.S.Lewis tocou a vida de milhões de crianças, ensinando o
amor ao próximo e o valor da amizade, através de personagens do reino da fantasia.

Infelizmente esses cristãos "iluminados" só conseguem enxergar nessas coisas "obra do Diabo". Claro, como poderiam enxergar de outra forma? Afinal, as fontes literárias que eles escolhem para se informar são uma gozação (literalmente!). The Onion (www.theonion.com), o jornal citado diversas vezes nesses artigos contra J.K.Rowlings e Harry Potter, não passa de um jornal humorístico. Um cristão que vai buscar informações no The Onion (O Cebola, em português) é igual a um brasileiro que escolhe "Casseta e Planeta" como fonte de informações sobre a guerra no Afeganistão.

O diabo da vez é J.K.Rowling e Harry Potter. Depois deles o diabo da vez será JRR Tolkien e seu "O Senhor dos Anéis", um dos maiores best-sellers ingleses. Para aqueles irmãos que usam "óculos coloridos" (em contraste aos que usam apenas 'preto-e-branco) JRR Tolkien foi um dos contemporâneos de C.S.Lewis em Oxford. Numa noite de Setembro de 1931, Lewis teve uma longa discussão com Tolkien (um católico romano devoto) acerca do Cristianismo, e com Hugo Dyson. A discussão da noite anterior teve importância no evento do dia seguinte que C.S.Lewis registrou em "Surprised by Joy": "Quando nós [Warnie e Jack] saímos [para o Zoológico Whipsnade] eu não acreditava que
Jesus Cristo era o Filho de Deus, quando nós chegamos ao Zoológico, eu acreditava".

Bem, desses 'diabos' que levam as pessoas a praticar o bem, a reconhecer o valor da amizade, a despertar jovens e crianças para a leitura, ou ainda melhor de tudo, a chegarem ao conhecimento de Jesus Cristo, eu não tenho vergonha. Mas desses cristãos que chamam tudo de diabo, eu me envergonho.

Abraço Bento Souto

OS CRISTÃOS E A BEBIDA ALCOÓLICA

Poucas pessoas conhecem, no Brasil, uma frase famosa dita por Martinho Lutero com relação à cerveja. Indagado sobre ter sido responsável pelo grande cisma na Igreja Católica Romana, Lutero respondeu:

"Eu não fiz nada, eu apenas preguei a Palavra de Deus, e enquanto eu tomava a minha cerveja a Palavra de Deus foi destruindo todo aquele império".

Para nós, crentes brasileiros, tal afirmação soa quase como blasfêmia. Por quê? Pelo simples fato de que nós fomos evangelizados pelos americanos. No tempo em que os americanos nos evangelizaram, imperava nos EUA uma corrida muito grande contra o álcool, que culminou com a decretação da "Lei Seca". Por isso herdamos essa verdadeira ojeriza contra quase tudo que contém álcool. Fruto da cultura americana de uma época. Houvéssemos sido evangelizados pelos europeus, não teríamos esse trauma em nossos dias. [Aos ainda em dúvida quanto a essa "Lei-Seca" ter sido ensinada pelos americanos, sugiro uma pesquisa aos costumes dos países europeus que enviaram missionários ao Brasil. Se assim o fizerem, verão que não há nenhum país europeu com "Lei-Seca".]

Eu já ouvi vários tipos de argumentos favoráveis e contrários à bebida. Com certeza os irmãos também, mas só para recapitular deixe- me colocar aqui alguns:

- o povo bebia vinho nos tempos de Jesus por falta de água (isso não é verdade, pois Jesus transformou vinho da água, se faltasse água...)
- o vinho nos tempos de Jesus não continha álcool (infelizmente isso não é verdade, Noé já havia ficado bêbado com vinho muitos anos antes de Jesus, portanto o vinho continha álcool)
- Paulo diz em Rom 14:21 que é "bom não beber vinho"; (no mesmo = verso ele também diz que "não é bom comer carne ou fazer qualquer outra coisa que faça tropeçar o teu irmão")
- Em algumas igrejas, se condena beber até guaraná, pois tem "a aparência do mal".(cerveja)
- o que importa é o que sai pela boca e não o que entra diz Mat. 15:17-18 (sugiro aos que pensam assim tomar veneno para testar se isso é verdade). - etc.

Assim, os argumentos são intermináveis e muitas vezes distorcidos do real sentido que o autor estava dizendo. Em vista disso, qual é a posição do crente em relação a bebida?

Primeiro, deixe-me deixar bem claro que em nenhum lugar a Bíblia condena o beber pelo beber. Beber não se enquadra no mesmo grupo de ações condenadas pela Bíblia tais como: adultério; roubo; prostituição; etc., onde nunca há motivos que justifiquem essas ações. Sempre elas são consideradas Pecados. Portanto, beber não se enquadra nesse grupo. Se a Bíblia condenasse o beber pelo beber e considerasse isso pecado, nos estaríamos em grande problema, pois assim Jesus teria pecado, pois em Lucas 7:33-34 Jesus diz:

"Porquanto veio João, o Batista, não comendo pão nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio, veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores".

Tendo estabelecido que beber por beber não é condenado pela Bíblia, o que, então, é que a Bíblia condena em beber?

Embriagar-se. Claramente a Bíblia condena o beber até embriagar-se. Conforme Efésios 5:18 "Não vos embriagueis com vinho (ou qualquer outra bebida)..." Isaías 5:11 tem o mesmo conceito de condenação. Paulo diz que os irmãos em Corintío estavam se embriagando durante a celebração da ceia do Senhor (1Cor 11:21-22). Ele condena essa atitude, apesar de ficar claro que era permitido beber vinho, pois como poderiam os corintíos se embriagarem se não fosse com vinho de verdade?

Bom, tendo estabelecido que a Bíblia não condena o beber, mas o embriagar-se, deixe-me prosseguir para o ultimo ponto de minha exposição que é mostrar que, às vezes, beber é pecado. Sim, a bíblia considera beber em certas ocasiões como pecado.

Primeiro, na entrega da Lei a Moisés ficou claro que os sacerdotes não deveriam beber vinho e nenhuma outra bebida forte quando fossem entrar no tabernáculo, sob pena de serem mortos, conforme Lev. 10:9.

Segundo, quando alguém fizesse o voto de Nazireu, não poderia beber vinho, nem suco de uva e nem comer uvas frescas ou secas, conforme Num 6:2-3.

Terceiro e última, a Bíblia considera beber um pecado quando isto escandaliza um irmão mais fraco, este é o principio do capitulo 14 de Romanos e o capitulo 8 de 1Corintios.

Aqui é onde precisamos ser sábios e entender esses princípios. Eu sugiro que antes de fazer qualquer julgamento, façamos uma leitura de 1Coritios 8 substituindo a palavra comida sacrificada aos ídolos por "bebida"(cerveja, vinho, etc.). Se fizermos isso, veremos claramente que o princípio é que existiam pessoas para quem o comer era pecado [assim como existem pessoas para quem o beber é pecado], e existiam outras para quem o comer não era pecado [assim como existem aqueles para quem o beber não é pecado].

A grande tarefa é como conciliarmos essas duas posições, haja vista que Paulo claramente mostra que nenhuma das duas está completamente errada ou certa, pois diz ele: "Não é porém, a comida [bebida no nosso caso] que nos há de recomendar a Deus; pois não somos piores se não comermos [bebermos], nem melhores se comermos [bebermos]"(1Cor 8:8).

Assim, na minha opinião, o princípio é claro. Se a minha bebida faz tropeçar o irmão mais fraco, eu não devo beber em sua presença. Isso é bem simples, existem aqueles irmãos que foram resgatados por Deus de uma vida de escravidão do álcool, e que não podiam (às vezes, nem podem) tomar um gole sequer, que não conseguem mais parar, senão, num bordel com prostitutas, quando o dinheiro acaba. Diante desses irmãos não se deve recriminá-los por não beber nem incentivá-los a fazer isso.

Da mesma forma, que nos dias de Paulo, existiam aqueles em Corintío, que haviam sido resgatados do culto aos ídolos, que para eles aquela comida sacrificado aos ídolos traziam toda uma carga de lembranças de trevas e engano espiritual, aliado as orgias associadas ao culto aos ídolos. Por isso Paulo diz claramente: "Mas, vede que essa liberdade vossa [comida no caso deles e bebida no caso nosso] não venha a ser motivo de tropeço para os fracos"(1Cor 8:9). É por isso que o apóstolo toma a decisão de não fazer tropeçar o irmão mais fraco,

"Pelo que, se a comida [bebida no nosso caso] fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne [beberei vinho ou cerveja] para não servir de tropeço a meu irmão".

Vamos examinar agora qual deve ser a atitude daqueles que acham que o irmão que bebe - sem se embriagar - está errado. Para isso vamos ter que olhar mais detidamente Romanos 14:3

"Quem come [bebe, no nosso caso] não despreze a quem não come [bebe]; e quem não come [bebe] não despreze a quem come [bebe]; pois Deus o acolheu."

Aqui é onde está a verdadeira sabedoria do cristão nesse assunto. Se um cristão que bebe encontra outro cristão que não bebe, não deve julgá-lo inferior por isso. Assim também, se um cristão que não bebe encontra outro cristão que bebe, não deve julgá-lo inferior por isso. Um não deve impor ao outro o que fazer, pois ambos fazem isto para o Senhor com ação de graças, "E quem come [bebe] para o Senhor come [bebe], e quem não come [bebe] para o Senhor não come [bebe], e dá graças a Deus."(Rom 14:6)

O que eu quero dizer com tudo isso é que beber vinho ou cerveja (com álcool ou não) é uma questão de gosto pessoal, se não formos nazireus, ou sacerdotes indo a presença do Senhor no templo, ou estivermos fazendo tropeçar um irmão mais fraco, ou para embriagar- se. Se alguém não está infringindo nenhuma dessas regras acima e ainda assim quer desfrutar de sua bebida, faça-o com ações de graças.

"Portanto, não julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso [nosso] propósito não por tropeço ou escândalo ao vosso irmão"(Rom 14:13).

Em posto tudo isso, espero que tenhamos aprendido a separar Lei do Senhor de Tradição Humana. Encerro orando para que tenhamos o discernimento de saber quando beber é ou não é pecado. Faço questão de dizer mais uma vez, isto não é uma apologia à bebida, mas sim uma opinião minha, sobre assunto tão controvertido. Os comentários dos irmãos serão bem vindos.

Agora, fique claro que "irmãos fracos na fé" não são esses "cascas grossas" que se dizem crentes há séculos. Esses, estão muito mais pra judaizantes do que pra cristãos!

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A PARTIR DAQUI EU RESPONDO A ALGUMAS OBJEÇÕES
Só uma curiosidade!
Se Jesus sabia dos "escândalos", das "consciências fracas" e do grande mal que o alcóol faz, por que Ele bebia? Por que Paulo deixava os crentes tomarem vinho na Ceia a ponto de alguns se embriagarem?

Parece que tem gente por aqui que se acha mais sabido e santo que Jesus e os apóstolos... rsrsrs... Será que vai aparecer alguém para me mostrar um único versículo que mostre que é proibido beber? Duvido!

Larissa, você não tem nada a ver com isso, mas, respondendo a sua pergunta: não posso afirmar com certeza quais eram as "bebidas fortes" que o texto do VT fala... mas não havia recomendação pra se afastar delas, não. Havia era apenas recomendação para que os sacerdotes não bebessem-nas quando fossem ministrar no serviço do templo. Muito lógico, né?
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Respondendo a pergunta do Marcos
Marcos escreveu:
No primeiro capítulo de Lucas um anjo aparece a Zacarias e fala do filho que Isabel espera (João).O anjo cita algimas qualidades do bb que vai nascer:
1 - 15 porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe;
Por que motivo será esta citação contra o vinho?
Mas por que isto???

Querido Marcos, a resposta é muito simples, João era NAZIREU! Se você quiser saber mesmo o que era o voto de nazireado, sugiro que leia atentamente o capítulo 6 do livro de Números.

Lá, você encontrará entre outras coisas a seguinte pérola:

"Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto de nazireu, para se separar ao SENHOR, De vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá. Todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma, que se faz da vinha, desde os caroços até às cascas". Numeros 6:2-4

Não foi apenas João Batista que foi separado para ser Nazireu. Sansão também o foi, conforme Juízes 13.

Nazireu é o que desejam que sejamos todos aqueles que pregam absoluta abstemia. Só que eles, como sempre, não querem o pacote todo: deixar de comer até uvas e nunca cortar o cabelo! Também pudera, né? Homem chegar com o cabelão em várias igrejas é motivo para ser barrado na porta.

Espero ter ajudado.

Abçs Bento
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FARIA DIFERENÇA?
Pessoal, faria alguma diferença se eu tivesse dito no meu post inicial que o Álcool já fez estragos terríveis na minha família e em alguns amigos? Pois é, eu tenho um irmão de sangue que é alcoólatra. Também tenho um tio que perdeu tudo, inclusive a vida, pois ele suicidou-se, por causa do álcool.

E por que eu continuo dizendo que não há problema com o álcool? Simples, porque o problema não está no álcool, mas nesses meus parentes. Meu pai e minha mãe tiveram onze filhos e filhas e apenas um tem problemas com o álcool. Dos maridos de minhas irmãs apenas um tem problema com álcool.

Então, alguém pode perguntar se não seria bom, por causa desses dois (meu irmão e meu cunhado), que ninguém em nossa família tocasse em álcool?

Só que eu não terminei a história ainda. Há uma garota em nossa família que é chocólatra. Viciadésima em chocolates. Certa vez, quando ela tinha dez anos de idade, em visita a alguns parentes, esquecemos de avisá-los desse problema dela. O resultado foi que ela comeu tanto chocolate que acabou indo parar no hospital...

E aí? Devemos também parar de comer chocolates na família?

Bom, nós gostamos de churrasco. Só que tem um que quando começa a comer não pára mais... Paramos com o churrasco também?

Em suma, mesmo sem apelar para a Bíblia, quer quer vê claramente onde é que está o problema. Nos excessos... na embriaguez!

O resumo de tudo que há na Bíblia sobre bebida, penso estar aqui, nestes dois versículos.

"O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio."(Provérbios 20:1)

"Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras." (Eclesiastes 9:7)

Bjs Bento Souto
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Escândalo do café!
Chico, querido, você nos proporcionou um excelente exemplo.

Lembrei de um amigo e irmão batista brasileiro que foi fazer Doutorado em Física na Sorbonne, em Paris. Ele, sua esposa e filhas (duas) estavam escandalizados com as crianças francesas tomando vinho durante as refeições em casas de irmãos e até na igreja batista.

Certo dia, me disse ele, percebeu que os pais (franceses) estavam escandalizados com a quantidade de café (puro! preto, não descafeínado) que o meu amigo dava para suas filhas pequenas tomarem! Um copo cheio?!?!? Isso era inaceitável, lá, segundo me contou ele.

Bem, continua valendo o princípio do escândalo, não continua?

"Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da.....se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua......aquele por quem Cristo morreu" (Rom 14:14-15).

Minha enteada de sete anos adora um expresso... rsrsrs

Será que por causa do escândalo eu devo ir tomar vinho na Europa e ela continuar tomando o expresso aqui? rsrsr

Ou será que chegou a hora de nós crescermos em maturidade e ver que "tudo é puro para os puros", e que "não devemos nos deixar apriosionar por coisa alguma", pois "foi para a liberdade que Cristo nos chamou"?

Beijão Bento
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O fermento do Wagner
Mano Wagner, que confusão é essa que você fez? rsrsrs

Primeiro, você pega um texto (Êxodo 13:7) fora do contexto e liga-o a um outro (Gálatas 5:9) que está falando coisas completamente diferentes.

O texto de Êxodo 13:7 está falando da preparação da comida da Páscoa judaica - que era pra ser celebrada uma vez por ano. O fermento só era proibido durante a Páscoa. É só olhar a partir de Êxodo 12 que você verá isso!

Já o fermento que Paulo faz menção em Gálatas 5:9 é nada mais do que o oposto do que você está defendendo. Quem ler o texto verá que Paulo está chamando de fermento a circuncisão -- que os judaizantes queriam obrigar os cristãos a se submeterem. Ou seja, o fermento da Lei levedaria a Graça. Quem usasse o fermento da Lei estaria obrigado a guardar toda a Lei. Paulo diz claramente que quem põe o fermento da Lei na Graça: "De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes" (Gálatas 5:4)

Outra grande confusão é confundir fermento de pão (ou de padeiro) com o processo de fermentação a que são submetidas várias bebidas. Nada a ver uma coisa com outra!

204 vezes aparece a palavra vinho na Bíblia. Na primeira menção, Genesis 9:24, Noé embriaga-se ao tomá-lo. Na segunda, Genesis 14:18, Melquisedeque traz pão e vinho para Abraão. Nas quatro seguinte, Genesis 19:32-34, as filhas de Ló embriagam-no com vinho e deitam-se com ele... Ou seja, somente alguém que foi submetido a lavagem cerebral (ou nunca leu a Bíblia!) acredita nessa bobagem de que o vinho da Bíblia não continha álcool.

Sinceramente, mano, se a sua consciência o acusa ou você não gosta, não beba! Agora, ficar arrumando malabarismos para dizer o contrário do que a Bíblia diz, só com muita paciência para suportar esse fermento de fariseus.

Abçs Bento

terça-feira, julho 06, 2010

A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS?

Alguém escreveu:
Eu já percebi que pouca gente aqui acredita nas Escrituras (bíblia) como palavra de Deus. Mas, para quem ainda acredita e busca agradar a Deus em tudo, vai aqui o que diz o Apóstolo Paulo sobre conversações:

"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; (...) A prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. (...) Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros. Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz, aprovando o que é agradável ao Senhor. (...) Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. (...)Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo;" Efésio 5.

MINHA RESPOSTA:
Eu não sou contra ninguém citar as escrituras. Eu sou contra citá-la fora do contexto.

Afinal, nem quem recomenda que se faça respondeu com salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração. Pelo contrário, veio foi com o juízo que diz que "pouca gente acredita nas Escrituras como palavra de Deus".

Ora, abundam os tópicos e textos onde gente como eu afirma que a Bíblia não é Jesus em forma de papel e nem Jesus é a Bíblia em forma de gente. Pelo contrário, a escritura inteira diz que Jesus é a Palavra de Deus e que ela, a escritura, dá testemunho dEle, Jesus.

Também ela, a escritura, declara que em Jesus habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e q Ele tornou muita coisa caduca nas escrituras... eram sombras. Hebreus, especialmente, coloca Jesus numa Ordem acima de tudo que é Judaico, até do patriarca Abraão sendo abençoado por alguém maior do que ele, Melquisedeque.

Ou seja, Deus é muito maior do que a Bíblia -- que é o apanhado histórico eleito como "inspirado" por homens de uma época e "divinizado" por outros, de outra época.

Ou por acaso alguém pode me dizer qual das bíblias é a Palavra de Deus? A Judaica? A Católica Romana? A Ortodoxa? Ou a Protestante? Todas elas são diferentes umas das outras.

Ou será que o próprio Deus desceu do céu e disse: "esse livro é canônico e esse outro não é"? Nunca. O processo de escolha dos canônicos e não-canônicos é o mesmo usado na Igreja Católica Romana para decidir quem é "santo" e quem não é. Homens escolhem e depois dizem: foi Deus!

Ora, se a bíblia não é o relato de homens que viveram em uma determinada época, com um determinado conhecimento, mas é "verbalização" de Deus, "infalível e inerrante" (como defendem alguns), como explicar que em Levítico 21 se diga que

Fala a Arão, dizendo: Ninguém da tua descendência, nas suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a oferecer o pão do seu Deus.
Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos..
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e depois diz em 1 Samuel 16

Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

Ora, só um cego não vê que o texto de Levítico só trata de coisas exteriores, como um homem vê outro homem, não tem nada a ver com Deus. Já o texto de 1 Samuel já mostra um Deus que vê diferente do homem.

Afinal, qual das das afirmações é Palavra de Deus? Deus muda de opinião, conforme a consciência humana vai mudando? Ou será que os humanos escrevem "Deus falou", conforme eles entendem em suas épocas, e depois nós percebemos que essa fé "estética e exterior" é a mesma de silvícolas brasileiros que sacrificam o bebê que nasce com defeito, pois, defeito externo, para os silvícolas atuais e para os israelitas do tempo de Moisés, era um impedimento de se agradar a Deus, porque aquele deus só via o externo?

Assim é com a bíblia transformada em Palavra de Deus. Nessa palavra-de-deus usada para-condenar-e-destruir, ter a pele negra já foi "sinal de Caim", "sina de Cão", etc. Escravidão já foi defendida pois, segundo os defensores, não havia nada na palavra-de-deus usada para-condenar-e-destruir que condenasse o possuir escravos (e não há mesmo!)...

O que eu realmente acho incrível é que as pessoas não percebem que Jesus não quer saber se alguém "conhece a escritura". Pelo contrário, o que ele sempre quis saber foi como as pessoas "interpretavam" a escritura, conforme Lucas 10:26

Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas?

Ou seja, citar escritura sempre foi coisa que qualquer religioso (ou até o diabo) sempre fez. Interpretar corretamente é que é a tarefa de quem a lê ou cita-a.

Assim, confundir livros com Palavra de Deus "infalível e inerrante"é o primeiro erro interpretativo que eu vejo muitos cometerem.

É isso!


Abcs Bento Souto

terça-feira, junho 15, 2010

JESUS TINHA UNS AMIGOS ESTRANHOS

Jesus tinha uns amigos estranhos... gente adepta de religiões falsas... gente da pior reputação... gente metida com astros... gente que matava os judeus em nome de um exército invasor... enfim, gente que para os da religião em que Jesus cresceu... nem era gente... eram só "pecadores"...

O curioso é que Jesus tinha o feio costume de mandar os que achavam que conheciam Deus e o Livro imitarem essa gente estranha... é só olhar quantas vezes Ele disse: vá e faze o mesmo!

Eu não posso deixar de notar o que Jesus disse, em Mateus 8, ao centurião romano que argumentava com Ele, não usando as escrituras, mas o bom senso. Disse o centurião:

não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.

Jesus respondeu nesses termos:

Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.

Em Israel havia os sacerdotes, levitas, escribas, fariseus, saduceus, doutores e intérpretes da Lei, além de grande número de pessoas que se reuniam todos os sábados nas sinagogas. No entanto, Jesus disse que a fé desse oficial romano era maior do que a de todos em Israel.

Para reforçar o que estava dizendo, Jesus foi mais longe ainda ao dizer que:

Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.
Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.


Ou seja, muitos que se dizem cristãos podem ficar de fora do Reino enquanto outros, considerados "estranhos" por alguns cristãos, entrarem no Reino, pois são, na verdade, amigos de Jesus.

Só Jesus é quem sabe quem é dEle e quem não é!


Bento Souto

terça-feira, junho 08, 2010

VOCÊ ACREDITA EM OVNIS?

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VOCÊ ACREDITA EM OVNIS?

Essa pergunta deveria ser dirigida apenas àqueles que nunca viram um OVNI (Objeto Voador Não Identificado).

Afinal, quem viu um OVNI pode dizer que não acredita na existência dos mesmos?

Da mesma forma, pode alguém que teve uma experiência inconfundível com Deus dizer que não acredita em Deus?

Agora, em minha opinião, o grande problema se dá com os "apologetas", que nunca viram um OVNI ou tiveram uma experiência inconfundível com Deus, mas tentam provar uma teoria ou outra.

Sim, a cada dia que passa eu quero mais distância de "apologetas". Sejam eles, "apologetas" da doutrina, do ateísmo, dos OVNIS, ou de qualquer coisa.

O maior "apologeta" sobre quem eu já ouvi falar chamava-se Saulo de Tarso. Ele é o exemplo perfeito do comportamento de um "apologeta": respira ameaças, xinga, espanca, persegue, difama, mente, etc. Tudo isso para "defender" a doutrina em que ele acredita.

Aliás, isso que estou dizendo sobre o comportamento dos "apologetas" pode ser visto todos os dias, nos fóruns de discussão da Internet.

Já o que me fascina em Jesus é que Ele nunca convocou ninguém para ser "apologeta" dEle. Pelo contrário, Ele incentivou quem o seguia a ser "testemunha" dEle. Lembrando que "testemunha" fala do que viu e ouviu. Já o "apologeta" fala apenas do que acredita.

Por essa razão, cada dia mais eu quero distância de "apologetas".

A propósito, quando eu era criança, meu tio, irmão de meu pai, me mostrou um OVNI que fazia manobras sobre Campina Grande, à noite, e foi visto também por centenas de pessoas na cidade.

Também, em 1982, em plena Floresta Amazônica, sozinho, tive uma experiência inconfundível com Deus, que mudou minha vida dali em diante.

Portanto, eu dou testemunho do que vi e ouvi e deixo as discussões para os "apologetas".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 03, 2010

O QUE FALTA AO MUNDO É O AMOR?




Lendo o comentário que Zeca, um amigo do Orkut, fez sobre o meu tio, após ter visto o album de fotos sobre Bernadete, minha prima que padece de profundas limitações físicas e psíquicas, uma vez mais eu constato que o que falta ao Mundo e, principalmente, a mim, é AMOR!

Eu creio que Deus é AMOR. Então, por conseqüência, eu sou obrigado a admitir que o falta a mim e ao Mundo é Deus. Meu tio atribui a Deus o Amor que ele tem por Bernadete.

O comentário do Zeca mostra, claramente, o contraste entre o AMOR e o DESAMOR.

Veja o comentário e olhe as fotos:

Se de um lado há pai que espanca filho, joga filho no mundo como cão sem dono, "mãe" que joga filho no rio e na lixeira. A gente vê tanto amor e dedicação por parte de um PÃE = pai + mãe, desse. Emocionante.
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http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=1041006058646772682&aid=1267161687

E você, consegue achar algo além do AMOR que falte ao Mundo, a você e a nós?

Simples, não é?

Então, sigamos a recomendação mais comum de Jesus a todos que o procuravam: fazei aos homens o que quereis que eles vos façam

Bento Souto

terça-feira, março 23, 2010

FOI POR VOCÊ - Não se esqueça disso

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Achei esse texto na página de uma amiga que perdeu o irmão.

Salvei-o em meu coração.

Espero que você faça o mesmo.
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Mais um dia e uma noite de serviço, uma missão cumprida...

Momentos cheios de perigos, emoção, aventura, alegria, tristeza...

O sol ardente na pele, um cinturão de munição, botas pretas, boina na cabeça, um radio tagarela q não toca belas musicas, somente números, vozes, ocorrência que nos deslocam a todo tipo de lugar, asfalto, lama, mato, poeira...

Num local ermo, um corpo frio, um mistério...Um bêbado, um desordeiro, assaltos à banco.

Em nossas rondas noturnas, a lua, companheira de nossas noites de luta.

Nas corridas, faróis, velocidade, sirenes...

Uma louca corrida para o fim da estrada, sem o fim da chegada... um certo policial, chuvas de balas, coração que dispara, uma lagrima que cai, um amigo q se vai...

E assim vamos nós, nas lutas, nas rondas, nas madrugadas, nos dias de sol e de chuva, passando em sua rua, seu bairro, sua cidade, em seus olhos, em seu medo, seu pensamento, seu sorriso, em sua vida...

É assim o dever que abraçamos, para que se acentue ainda mais sua segurança e sua felicidade.

Deixamos nossos lares, famílias, nosso mundo, nossos sonhos e amigos, nossa companheira, nossos filhos, POR VOCÊ...

Cada vez que escutar a sirene de uma viatura, mesmo que distante, diga, mesmo que só em pensamento: ”Vão com DEUS, eu estou com vocês”.

Cada vez que uma estrela brilhar mais forte por você, lembre-se de que pode ser a vida de um de nós, que num ultimo suspiro tenta dizer “não se esqueça de mim, foi por você”.

sexta-feira, março 12, 2010

"ADORADORES DA LETRA MORTA"

"Adoradores da letra morta", em minha opinião, são todos aqueles que não se deixam conduzir pela consciência gerada pelo "espírito do Evangelho", em cada geração, e querem sempre conduzir as pessoas para um ambiente que eles imaginam ser perfeito, no passado, haja vista que tal ambiente ficou registrado em alguma "escritura", a quem eles dão mais valor do que ao "espírito".

Para ficar mais fácil a compreensão do que eu quero dizer, basta trazer a memória o caso da Escravidão. Qualquer um que pesquisar sobre o assunto verá que o argumento básico dos favoráveis a Escravidão era: não há nenhuma condenação a prática da mesma nas escrituras... se fosse errado possuir escravos, não teria Jesus e/ou os apóstolos deixado isso claro falando contra?... etc.

Detalhe, os favoráveis a Escravidão não eram considerados "hereges", mas eram aqueles que hoje são cultuados como ortodoxos, tradicionais, reformados, gente que "defende as escrituras", etc. Poderia citar inúmeras outras questões que o "apego a letra morta" expôs: a liberdade das mulheres (votar, pedir o divórcio, etc.), o fim da Monarquia como forma preferencial de governo (o Rei possuía o direito divino de reinar, conforme "a letra morta"), e por aí vai...

"Adoradores da letra morta" são aqueles que conferem a Escritura (seja ela de que qual religião for...Judaica, Cristã, Islâmica, Hindu, etc.) o mesmo papel que os juristas modernos conferem ao Código de Leis e a Constituição que regem um país. Eles não se deixam guiar pelo "espírito", mas sim pela "letra".

O melhor exemplo que eu posso dar disso é o caso do deputado Ronaldo Cunha Lima, réu num processo de tentativa de assassinato de um adversário político na Paraíba. Durante anos, ele evitou a punição por tal crime tendo uma cadeira no Congresso, por conta da Lei que diz que só o Supremo Tribunal Federal pode julgar um parlamentar. Quando o STF decidiu julgá-lo, ele renunciou ao mandato e o processo voltou ao início. O relator do processo no STF, ministro Joaquim Barbosa, queria continuar o julgamento, já que o STF é a última instância da Justiça no Brasil, e o réu renunciara apenas para fugir da punição prevista na Lei. Os colegas do ministro preferiram seguir "a letra da Lei" do que o "espírito da Lei". O resultado é que o ex-deputado continua impune.

No caso da Justiça humana, ainda há uma possibilidade de melhoria, haja vista os parlamentares podem criar novas Leis. No caso dos "adoradores da letra morta" das "escrituras sagradas", não há esperança de melhora, haja vista que não se pode mais criar "novas escrituras".

Abcs Bento

O "DEUS DESCONHECIDO" ENVIOU JESUS!

A história do "Deus desconhecido", mencionado em Atos 17:15-34, cujo altar Paulo faz alusão em seu discurso no Aéropago, não tem nada a ver com as "escrituras judaicas", mas tem tudo a ver com Aquele que é Senhor de tudo e todos.

As pessoas de Atenas, séculos antes do apóstolo Paulo aparecer por lá, criam que o motivo da "praga" que estava matando os habitantes havia sido uma covardia que eles haviam feito com um grupo inimigo com quem eles estavam em guerra, mas que havia aceito um acordo de rendição. Contudo, após eles terem se rendido, os atenienses os mataram.

Quando a "praga" irrompeu, eles tentaram agradar os deuses conhecidos com sacrifícios, mas a "praga" não parou. Daí, eles apelaram para o oráculo de Pítias, que instrui-os a chamar o profeta cretense, Epimênides (mencionado por Paulo em Tito 1:12), que ofereceu sacrifícios e ordenou que se construíssem altares ao "Deus desconhecido". A praga cessou e um dos altares lá ficou.

O mais interessante é que esse episódio em Atenas é uma narrativa de Diógenes Laércio, um autor grego do século 111 A.D., numa obra clássica denominada "As Vidas de Filósofos Eminentes" (vol. 1, p. 110), séculos antes de Jesus, sem ligação alguma com profetas e historiadores judaicos, conforme a narrativa de Don Richardson, no livro "O Fator Melquisedeque".

Essa idéia de Deus se revelando aos "pagãos" chocava os judeus dos dias de Jesus. Hoje, ela choca cristãos que reduziram Deus a um "deus tribal", que só se revela através das "escrituras judaicas"... rsrsrs

No entanto, alguém que seja curioso o suficiente para se perguntar apenas de onde vem a palavra "Deus" irá perceber que Ele (o gênero masculino, em si, já é um antropomorfismo) é "Desconhecido"... rsrsrs

Nós, latinos, usamos a palavra "Deus" sem nunca nos perguntarmos de onde essa palavra surgiu. Nós, que temos Português como língua materna, mantivemos a forma de nossa língua mãe, o Latim. O Espanhol usa "Dios", o Italiano usa "Dio", o Francês "Dieu". Ou seja, o Latim popularizou a palavra "Deus".

Mas o Latim não é a língua mais antiga do mundo. Logo, qualquer um pode concluir que "Deus" é apenas uma palavra humana usada por um povo para designar o "Desconhecido", ainda que em Latim o sentido original de "Deus" deriva do indo-europeu deiwos (resplandecente, luminoso), que designava originariamente os corpos celestes (Sol, Lua, estrelas etc.) por oposição aos humanos, terrestre por natureza.

Se alguém fizer a mesma pesquisa com "God", em Inglês, irá desembocar no mesmo problema, isto é, Inglês é um idioma que também descende de outro idioma... e assim prossegue numa sucessão que vai até antes da escrita -- ou talvez até da fala, como a conhecemos, hoje.

Aqueles que estudam Línguas acreditam que o Sânscrito talvez seja a língua mais antiga dos homens. Para surpresa de muitos, "God" significava, originariamente, "Aquele que se invoca", conforme aparece na Rig Veda, a mais antiga das escrituras Hindus e fazia referência ao "deus" Indra, aquele da "chuva e do trovão".

Ou seja, não dá para querer honrar "Deus" apenas com palavras, pois nenhuma palavra é suficiente para descrever quem Ele é!

Por isso, "Deus" é apenas uma tentativa humana de traduzir em palavra Aquele que só pode ser conhecido na existência.

Por isso, eu dou risada quando vejo cristãos querendo imitar os judeus, escrevendo "D'us", como forma de "honrá-lo" -- como se Ele ligasse para palavras criadas pelos humanos para se comunicar através da escrita.

Por isso, Paulo não viu nenhum problema em dizer aos atenienses que anunciava o "Deus desconhecido", numa alusão clara ao que ELE havia feito no passado, em Atenas, através da instrumentabilidade de Epimênides, e no Universo, ao criar todas as coisas.

Por isso, antes das tábuas da Lei, Ele é o "Deus" de Abraão, Isaque e Jacó!

Por isso, quando perguntado por Moisés quem o enviava, Ele diz apenas: EU SOU!

Por isso, Jesus disse a samaritana que "Deus" é Espírito, e importa que "os Seus adoradores O adorem em 'espírito e em verdade', não em lugares -- ou nomes, se me permitem a liberdade.

Todavia, eu sei que os "adoradores da letra morta" irão torcer o que escrevo e dirão que eu ensino que "todos os deuses são Deus". Seria ingenuidade minha não reconhecer que há aqueles que pensam que "Deus" é um ser do tipo "porta da caverna do tesouro de Ali Babá" - que só abre quando é pronunciada a palavra exata.

A esses eu pergunto: se eu sabia quando minha filhinha se dirigia a mim, mesmo quando ela pronunciava "gugu-dadá", pois ainda não sabia dizer "papai" ou "Bento", por que eu pensaria que Deus é menos inteligente que eu, não sendo capaz de reconhecer quando Seus filhos lhe chamam?

Quem entende essas coisas compreende porque os judeus perseguiam Paulo e também porque, ali mesmo no Aéropago. alguns creram que o "Deus desconhecido" enviara Jesus e ressuscitara-o dos mortos.


Abcs Bento Souto

segunda-feira, março 01, 2010

OUVINDO E CANTANDO O QUE NÃO É EVANGELHO!

Queridos(as),


Outro dia, acompanhando uma pessoa muito querida, eu fui a uma reunião em um templo evangélico. Ouvi e vi tudo em silêncio.

Ouvi canticos de "vitória" sobre os problemas e as catástrofes da vida. O pregador repetia exaustivamente que "Deus livra", "Deus salva", "Deus protege", etc... Ele apoiava o que dizia citando passagens das escrituras e dizendo que... Crente pode ir pra fornalha, mas não se queima... Deus manda leões fecharem a boca para não comer crente... Deus manda anjo pra abrir cela de prisão...

Depois, ele passou a contar o "testemunho" do irmão fulano que, o carro tombou, foi perda total, mas o irmão só teve um arranhão... irmã sicrana foi curada de uma doença que geralmente é mortal. Etc.

Tudo isso para concluir com a seguinte afirmação: "Deus protege o seus... mas, não garante que faz isso com os ímpios... com os do mundo".

Todos deram aleluias e améms!

Eu, baixinho, perguntei a quem lá me levara: "Pergunta pra esse sujeito se ele pregaria essa mensagem lá no Haiti?"

-- Não, claro que não -- ele me respondeu sorrindo.

Eu continuo me perguntando como as pessoas continuam dispostas a ouvir e a pregar aquilo que não é Evangelho? Aquilo que não tem aplicação na vida real das pessoas?

Sinceramente, eu não entendo!

Depois, quando a tragédia lhes bate a porta -- e saiba, um dia ela bate! --, e um dos seus mais queridos se vê com um câncer que lhes corrói o corpo por dentro, ou por uma morte brutal e inesperada, ou vítima da violência dos homens ou da natureza, esses mesmos que continuam dando ouvidos ao que não é Evangelho são os primeiros a ficarem decepcionados com Deus, por Deus não lhes ter protegido daquilo que Ele nunca prometeu que protegeria...

Jesus nunca prometeu carta de alforria contra as vicissitudes da vida para ninguém . Pelo contrário, Ele garantiu que na vida teríamos aflições. Ele também disse que, aqueles que Nele cressem, em verdade, receberiam conforto dEle mesmo para atravessar essas aflições.

A quem você dá ouvidos?

Bento Souto

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

TRADIÇÃO X TRADICIONALISMO

A palavra “tradição” aparece onze vezes no Novo Testamento (João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida). Das onze ocorrências, em apenas uma somos incentivados a “guardar a tradição” (2 Ts 3:6). Nas outras dez vezes a “tradição” havia se transformado em Tradicionalismo, e se encontrava em oposição aos desígnios de Deus.

Existe uma tradição que não podemos abrir mão, a saber, a tradição dos apóstolos. O próprio apóstolo Paulo nos declara isso no contexto da Segunda Epístola aos Tessalonicenses. E o que vem a ser isso? Talvez o “Credo dos Apóstolos” seja um sumário das grandes doutrinas cristãs. Nele, as principais doutrinas da Fé Cristã são apresentadas. Apesar desse exemplo de Tradição que deve ser preservada, tenho a impressão que há muita Tradição, em nossos dias, que acabou sendo transformada em Tradicionalismo. Qual a diferença entre Tradicionalismo e Tradição?

Tradicionalismo é “apego às tradições ou usos tradicionais; conservadorismo”. Tradição é “tudo o que se pratica por hábito ou costume adquirido”, e ainda “herança cultural, legado de crenças, técnicas etc. de uma geração para outra” (Dicionário Houaiss - 2001).

Sei de igrejas batistas que vem enfrentando críticas ferozes porque seus membros resolveram começar a cantar louvores a Deus em ritmos atuais ou regionais. Muitos dizem que essa igreja está se tornando “mundana” ao trocar os “hinos santos” pela música do mundo. O que esses críticos não sabem é que as mesmas críticas, que eles fazem em relação a ritmos atuais ou regionais, no passado, foram feitas aos hinos.

Vejamos um pouco da história dessa controvérsia.

Em 1 de Março de 1691, em sessão administrativa, a maioria dos membros da Igreja Batista em Horsleydown, Londres, seguindo a orientação do Pr. Benjamin Keach, aprovou a proposta de cantar um hino, todos os domingos, após o sermão.

O grupo de insatisfeitos com aquela inovação, liderados pelo irmão Isaac Marlow, promoveu uma grande resistência. Não só dividiram a igreja em Horsleydown, mas também publicaram livros e panfletos criticando a “nova moda”.

A discussão foi levada à Convenção das Igrejas Batista de Londres em Junho de 1692. O motivo de tanta discussão era porque o grupo de Marlow só aceitava que Salmos (pois os mesmos eram inspirados por Deus) fossem cantados na igreja. Diziam eles que cantar “hinos” era “imitar o mundo”.

Inúmeros livros e panfletos foram escritos a favor e contra os hinos. O debate escrito só acabou em 1698.

Entretanto, muitos historiadores afirmam que essa discussão só terminou mesmo em 1736. Naquele ano, a igreja Batista de Maze Pond, que havia sido estabelecida pelos contrários ao cântico de “hinos” de Horsleydown, convidou Abraham West para ser seu pastor. O pastor West condicionou sua ida à Maze Pond ao cântico de hinos pela congregação. A igreja aceitou. (J.Barry Vaughn - Baptist Theologians - B&H, págs.53-55)

Esse exemplo mostra como uma inovação, que sofreu tantas resistências em seu começo, se tornou “tradicional” em nosso meio.

Devemos lembrar que o Cantor Cristão não existia antes do Pr. Benjamin Keach. Ele também foi fruto de uma inovação.

Atualmente, muitos não conseguem ver que a forma tradicional de fazer as coisas foi uma inovação que alguém fez. Com o tempo, muitos imitaram aquela inovação e ela se tornou Tradição.

Ou seja, o Cantor Cristão (ou até o HCC) não foi criado por Deus, mas foi uma inovação “para o louvor de Deus”.

Não é obrigatório que essa inovação (que se tornou tradição) seja usada para sempre.

Não tentemos satanizar as inovações dos outros.

Quem sabe se elas não se transformarão em uma nova Tradição?

Portanto, cuidemos para que nossas “Tradições” não se tornem “Tradicionalismo”.


Abcs Bento Souto