segunda-feira, dezembro 22, 2008

1 - Jesus escolheu APÓSTOLOS e não "APÓSTOLAS".

Queridos,

"Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas?" (Lucas 10:26)

Quando vejo textos como esse, sempre sou lembrado de que não é suficiente apenas saber o que está escrito na Bíblia. Precisamos ir além. Necessitamos ter a interpretação correta. Tenho acompanhado o debate sobre a Ordenação de Mulheres ao Pastorado e pude observar que dentre os argumentos contrários, alguns são predominantes. Pretendo examiná-los e ver se são consistentes. Talvez o mais usado seja:

1 - Jesus escolheu APÓSTOLOS e não "APÓSTOLAS".

Quantas vezes não já vimos esse argumento? A lógica dele é que se Jesus quisesse que tivéssemos mulheres como pastoras Ele teria convocado mulheres para o Apostolado. Como todos os 12 apóstolos eram homens fica provado que Jesus nunca quis mulher no ministério. Portanto, todos aqueles que são favoráveis ao ministério pastoral feminino são contrários ao exemplo de Jesus. Será isso mesmo?

Se aplicarmos essa mesma lógica acima em outras situações teremos um grande problema. Em Lucas 9:57-62 é tratada a questão daqueles que "querem seguir à Jesus". O primeiro é identificado como "alguém" (v. 57), portanto, de gênero indefinido. Todavia, a resposta de Jesus (v. 58) é atribuída como sendo a um homem por várias traduções (King James, American Standard, Revised Standard, Geneva Bible, etc.). As versões portuguesas (Almeida, Bíblia de Jerusalém e na Linguagem de Hoje) preferem manter o gênero indefinido.

Contudo, quando nos é apresentado o segundo personagem (v.59), todas as versões nos dizem que era um homem, pois traduzem dessa forma "A outro disse Jesus: "Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai". As próprias versões portuguesas são unânimes nessa tradução. Também, o uso de "A outro" significa que consideram o primeiro candidato como Homem.

O terceiro candidato também é um homem. O verso 61 inicia assim "Outro lhe disse...". Portanto, todos os três candidatos a seguir Jesus são homens. Ademais, não há nenhum registro nos Evangelhos de Jesus conclamando uma mulher a seguí-lo. Será que isso significa que nenhuma mulher deve seguir Jesus, haja visto que ele não convidou nenhuma?

Porém, o problema maior aparece logo em seguida ao texto anterior. Em Lucas 10 temos o relato de Jesus enviando setenta missionários. Em nossas traduções, o gênero das palavras usadas são masculinas. O próprio verso primeiro inicia com essa expressão "E, depois disso, designou o Senhor ainda [outros] setenta..." Como se não bastasse o uso de palavras masculinas ainda existe o uso de "outros". Isso significa que esse "outros" está ligando o verso primeiro do capítulo 10 ao contexto dos versos 57 a 62 do capítulo 9. Portanto, pela mesma lógica, os setenta seriam homens.

A exegese desses textos demonstra que os missionários enviados por Jesus eram homens. Também, vale salientar que os missionários enviados pelas Igrejas do Novo Testamento eram homens. Se essa era a regra, onde foi que nós, batistas, fomos buscar autorização para enviar "missionárias"? Onde está o embasamento bíblico para essa prática? Jesus não escolheu e nem enviou "missionárias", por que nós temos essa prática?

Em resumo, se alguém se opõe a Ordenação de Mulheres ao Pastorado baseado na premissa de que Jesus não chamou "apóstolas", então, da mesma forma, se esse alguém for honesto, terá que se opor também ao envio de "missionárias", pois Jesus também não enviou mulheres.

Que atitude tomaremos?

Reconhecemos que o argumento da ausência de "apóstolas" é falho para impedir a Ordenação de Mulheres, ou vamos impedir qualquer mulher de ser missionária?

Abraço

Bento Souto

Um comentário:

Charles Fernando (Phoenix7) disse...

Puxa, gostei dos seus artigos, já compartilhei ambos via google reader até porque meu artigo mais popular trata sobre ordenação feminina na CCB etc...

Se quiser dá uma passadinha no baptizedinfire.wordpress.com e ver eles lá ;)