quarta-feira, maio 25, 2011

MEU AMOR ME DEIXOU! O QUE EU FAÇO AGORA?



Eles já haviam rompido o relacionamento outras vezes. Ela sempre fora quem pedira para eles reatarem. Agora, era ela quem dizia que não queria mais. Ele não se conformava e por isso veio pedir meus conselhos.

- Você não percebeu nenhum sinal que o fim se aproximava? - perguntei.

- Percebi, sim - disse ele -, mas não dei a devida importância. Depois da última vez que reatamos, eu parei de chamá-la de "meu amor", não havia mais sinais públicos e nem privados de carinho, cessaram as conversas até que o sono nos dominasse, paramos de dormir abraçados e o sexo passou a ser feito como se fosse uma necessidade fisiológica.

- Puxa, mas por que você não tomou uma atitude para mudar esse quadro?

- Porque para mim tanto fazia continuar ou terminar o relacionamento.

- E o que mudou agora para você não querer que termine?

- Eu a amo e descobri que o nosso erro foi cair na rotina. Não soubemos como conviver com atrasos, falta de grana, dissabores no trabalho, preferências divergentes (eu sou caseiro e ela gosta de sair para dançar, por exemplo), desavenças com os filhos, etc.

- Sim, mas me parece que essas coisas não irão mudar facilmente, nem se vocês reatarem.

- Concordo com você. Essas coisas que nos separaram não irão mudar.

- Então, como você espera superar essas dificuldades?

- Nós já enfrentávamos as mesmas dificuldades quando começamos. Assim, não foram as dificuldades que provocaram o fim. Foi a nossa atitude.

- Como assim?

- No começo, nós não nos víamos todos os dias. Mas a antecipação do novo encontro era tão grande que a gente ficava trocando SMS e telefonemas o tempo todo. Quando íamos nos encontrar, nos dedicávamos exclusivamente um ao outro. Celulares desligados. Atenção exclusiva ao outro. Muito carinho. Muitos beijos demorados. Nenhuma pressa. Muito olho no olho. Muitos sussuros no ouvido. Muitos urros de prazer. Etc.

Enquanto ele descrevia como eram os encontros deles, antes de caírem na rotina, vi, claramente, que o que ele mais sentia falta era da "rotina dos amantes". Festas, jantares e motéis são a "rotina dos amantes". Essa é a melhor parte de um relacionamento. Conta de água, luz, telefone, internet, vazamento de pia, entupimento de vaso sanitário, etc, eram coisas que ficavam de fora do encontro deles. Por isso que as amantes levam vantagem sobre as esposas. Elas ficam só com a parte da relação que os homens mais gostam.

- Agora, sabe o que eu acho um desperdício? - continuou ele. É a gente jogar fora toda a cumplicidade, confiança e carinho, que desenvolvemos um pelo outro só porque não descobrimos o que estava nos separando há mais tempo. Começar do zero com outra pessoa é desperdiçar todo o caminho que já trilhamos.

- E por que você não diz a ela o que está me dizendo e propõe que vocês voltem a fazer o que os tornava tão felizes?

- Eu já propus. Ela até concordou com a minha avaliação. Mas, infelizmente, ela começou a trilhar esse caminho de novo com outra pessoa - respondeu ele, com a voz embargada.

- E o que eu posso fazer por você? - perguntei, solidarizando-me com a dor dele.

- Eu quero que você me diga, o que eu devo fazer para esquecê-la?

- Agradeço de coração a sua amizade e a confiança em mim depositada. Porém, eu não posso dizer o que você deve fazer. Direi apenas o que eu faria se estivesse no seu lugar.

1. Não se desvie do seu caminho. Você é um homem bom e íntegro. Portanto, não permita que sentimentos ruins acerca dela habitem a sua mente. Não deseje que ela se estrepe para poder voltar para você. Resista a tentação de falar mal dela. Continue sendo quem você sempre foi e não permita que a amargura se instale em seu coração.

2. Aceite que a relação de vocês acabou mesmo. Não alimente pensamentos do tipo: "vou arrumar uma mais bonita e mais nova para esfregar na cara dela"; "vou aumentar o meu patrimônio e/ou minha renda para ela ver o que perdeu me deixando"; etc. Qualquer coisa que você disser que vai fazer, no futuro, para que ela veja que você fez, irá te deixar ainda ligado a ela.

3. Dê graças a Deus por hoje e por esse momento. Sim, diga a Deus que você gostaria que ela ainda estivesse com você, mas que você reconhece que ela não mais está. Confie que Deus está no controle de tudo. Faça como os Salmistas que conversavam com a alma e perguntavam: "por que estás abatida ó minha alma? lembra-te do Senhor e das suas bençãos". Foi Deus quem te fez encontrar ela.

4. Reeduque a sua mente para não pensar nela. Se você pensava nela - e tinha prazer nisso -, vigie-se para não continuar com o hábito. Evite pensar nela porque senão você vai ficar como programa de computador em "looping" (travado e sem produzir nada).

5. Procure não saber nada sobre ela. Apague todas as mensagens e fotos dela do seu celular. Nada de telefonemas ou SMS para ela. Não fique olhando fotos de vocês, nem visitando o perfil dela no Orkut ou no Facebook. Não faça isso nem como "anônimo" e nem como fake, sob a desculpa de que "ela não vai saber". O objetivo não é "ela não saber", mas você não alimentar as lembranças que se transformarão em "idealização" e manterão sua alma presa a dela.

6. Comece a fazer algo novo durante os horários em que vocês costumavam ficar juntos. Corra. Vá malhar numa academia. Aprenda a jogar xadrez. Frequente novos ambientes. não fique no trabalho até tarde com a desculpa de que "agora você não tem para quem voltar". Conheça novas pessoas. Etc.

7. Não envolva outras pessoas em um problema que é apenas seu. Resista a tentação de "dar o troco" saindo com alguém por quem você nada sente. A pessoa não merece ser usada por você, assim como você não gostaria que te usassem.

8. Não use a saudade dela como desculpa para encher a cara de bebida ou drogas. Fuja da fuga. Mantenha-se sóbrio.

Essa é uma lista minha. Muita gente boa pode ter outras sugestões. Mas isso é o que eu faria se estivesse no seu lugar.

Ele ouviu tudo em silêncio reverente. Pedi autorização para escrever sobre o assunto, sem mencioná-lo, pois acho que o drama dele também é o de muitos. Ele concordou e disse que será bom poder ler esse texto para lembrar do que deve fazer (ou não fazer!). Mas também se alegrou em saber que a exposição do drama dele carrega a possibilidade de ajudar outros a não cometerem os erros que eles cometeram.

Desejo de coração que ele supere esse rompimento e siga alegre e feliz como sempre foi. Como diz o meu amigo Caio: "é uma pena que gente boa como eles se separem".


Bjs Bento Souto

terça-feira, maio 24, 2011

VOCÊ SABE O QUE É BOM OU RUIM PARA OS HUMANOS?

Cada dia que passa eu me convenço mais ainda da minha incapacidade de determinar o que é Bom ou Ruim para a raça que pertenço: a Humana. Esse sentimento aflora em coisas e ambientes simples como a cozinha lá de casa, o Asilo, a Horta, etc.

Há poucos meses, meus pais me incentivaram a experimentar café sem açúcar ou adoçante. Eles diziam que assim eu iria sentir o verdadeiro sabor do café. O curioso é que os Baristas (profissionais especializados em cafés de alta qualidade) também dizem a mesma coisa. Como eu já havia trocado o açúcar pelo adoçante, desde que descobri que tenho Diabetes, e como eu gosto de experimentar novos sabores, aceitei o desafio e fiz o teste. Amargava, no início. Mas, depois de algum tempo, o sabor do café começou a aparecer e passei a gostar. Hoje, só tomo puro.

Então, com a descoberta do sabor do café, sem a máscara do açúcar, eu parti para "novas descobertas". Estou fazendo a viagem de Pedro Álvares Cabral ao contrário. Sou uma espécie de Benjamin Button regredindo para um mundo sem açúcar. Muita coisa ganhou um novo sabor. Uns mais gostosos. Outros, nem tanto. "Quebra Queixos", por exemplo, iria pra extinção... Que pena!

Todavia, o Benjamin Button que há em mim não parou num mundo anterior ao Açúcar. Nós voltamos até tempos imemoriais quando os Humanos ainda não tinham descoberto o sabor do Sal. Sim, essa é minha sina: pensar que tudo teve um começo e imaginar esse começo. Só que essa "viagem do Sal" eu fiz só na mente. Definitivamente, eu confesso que sou viciado em Sal. Mas quem não é?

Espere aí, mas o que Açúcar e Sal tem a ver com saber o que é Bom ou Ruim para a Raça Humana? Imagine um mundo onde milhões de Humanos não morrem ou são afetados pela Diabetes ou Hipertensão; você está imaginando um mundo sem Açúcar e Sal.

Isso é Bom ou Ruim?

Eu não sei.

Você sabe?


Abcs Bento Souto

BOBBY, UM CÃO FORA DOS PADRÕES




Escrevi o texto abaixo no Natal de 2006. Mas como o assunto não sai de pauta, republico-o.
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BOBBY, UM CÃO FORA DOS PADRÕES

Eu fui passar o Natal com meus pais e familiares lá em Campina Grande-PB. Em meio aos papos com meu pai, perguntei sobre um cão que da última vez que eu os visitei estava lá e que agora não estava mais.

Meu pai sempre gostou de criar cães. Só que ele sempre gostou de
vira-latas. Ele sempre quis cães que fossem bons guardas. De dia, ele os mantinha presos. À noite, o lado de fora da casa era dos cães. Só soltava-os de dia, quando todos saíam de casa.

He-man foi o cão que meu pai mais se apegou. Silencioso, ele era o típico cão que não latia, mas mordia. Pequeno e franzino, He-man era capaz de enfrentar qualquer cão e qualquer pessoa. Só latia depois que mordia, e mordeu a muitos. Os Correios suspenderam a entrega da correspondência porque três carteiros foram mordidos por He-man.

Um vizinho que quando estava bêbado passava pelo portão da casa provocando He-man foi mordido na primeira oportunidade que o cão escapou. Parecia vingança. He-man fugiu de casa e foi parar na casa do bêbado e o mordeu lá.

O ódio contra He-man cresceu tanto que deram "bola" pra ele. Para os que não sabem, "bola" é uma bola de carne moída com caco de vidro ralado dentro. O cão come a "bola" e os pedaços de vidro cortam o intestino dele. He-man morreu.

Meu pai tentou encontrar um substituto para He-man. Criou vários até chegar em Bobby - o cão que eu notei a ausência. Bobby era um cão vira-lata pequeno
e forte. O corpo parecia o de um bulldog, cheio de músculos. Ele também não latia, pois meu pai detesta cães que latem. Bobby quase não obedecia a comando algum. Mas era um excelente cão de guarda. Ninguém entrava na casa de meu pai se Bobby estivesse solto. Pular o muro, com Bobby solto, pra fazer pequenos roubos - como fazem aqueles garotos que vivem na vizinhança - estava fora de questão. Bobby não era um He-man, mas desempenhava o papel que meu pai queria.

Daí, a minha pergunta:
- Pai, cadê o Bobby?
- Ele foi embora -, disse meu pai.
- Como assim "ele foi embora"? Ele fugiu? - perguntei eu.

Meu pai fez uma expressão de quem não estava gostando do assunto. A meia-voz, disse:
- Ele foi embora. Bobby era boiola. De vez em quando dava a louca nele. Ele fugia de casa e depois aparecia com mais dois ou três cães, como uma cadela no cio. Assim, ele foi embora.

Soube depois por uma irmã que meu pai não suportara a idéia de ter um bom cão de guarda que fosse homossexual. O "homo" aqui não é de Homem, mas do idioma Grego, "homo", que significa "do mesmo", assim como "homônimo".

A cultura do macho Paraibano falou mais alto e meu pai soltou Bobby na rua para não ter que ouvir as piadas dos amigos aposentados. A casa agora se modernizou. Cerca elétrica e alarme substituíram o Bobby.

Ouvi a história do Bobby e me pus a pensar. Quantas pessoas não agem com seres humanos igual ao meu pai agiu com o Bobby? Elas crêem que ninguém nasce homossexual. Assim, quando se deparam com o que contradiz suas crenças, tratam de tirar essa pessoa da vista o mais rápido possível. Bobby é um cão. Cães não estão sujeitos a dilemas se vão para o céu ou não. Cães não estão sujeitos a questões morais. Meu pai é quem está sujeito a essas coisas.
Bobby, mesmo sendo um bom cão de guarda, não se encaixou nos padrões morais e culturais de meu pai. Assim, para meu pai, o que se havia de fazer era descartá-lo.

Eu sei que cães homossexuais são raros. Pessoas homossexuais que nasceram homossexuais também são raros. Mas ambos existem. Negá-los é ir contra a realidade. Nós podemos dizer que não sabemos o porquê disso. Podemos não entender, como eu não entendo. Só não acho que seja sábio descartá-los por isso.

Há muita gente que prefere não ter um bom filho, caso ele seja homossexual. Só que não existe uma forma de substituir esse bom filho por equipamentos elétricos e eletrônicos, como fez meu pai com o Bobby. Seres humanos são únicos e mais valiosos do que o mundo inteiro, disse Jesus.

Na maioria das vezes, nós montamos um presépio das coisas. Aí, quando aparece alguém que não é Maria, nem José, nem o menino Jesus, nem animais ou pastores, a gente descarta quem apareceu porque aquilo não se encaixa no nosso presépio. Só que a vida não é um presépio estático. A vida é como ela é! Não transforme a sua vida em um presépio.

Medite no que eu disse aqui e, por favor, não permita que sua cultura faça-o descartar seres humanos. Que tal começar 2007 com uma nova postura sobre esse assunto? Ou você vai fazer como meu pai fez com Bobby, descartar aqueles que não se encaixam naquilo que você crê ser a realidade? Ou como os amigos dele que fazem piadas a respeito do que não entendem?

Pessoas não são peças de presépio!

Feliz 2007!

Um beijão Bento Souto

segunda-feira, maio 23, 2011

SE NÃO CHAMAREM SEU DEUS DE “JESUS” ELE NÃO ATENDE?





SE NÃO CHAMAREM SEU DEUS DE “JESUS” ELE NÃO ATENDE?

“Quem conhece a Deus ama, quem não o conhece não ama”.

Uma coisa interessante quando se trata do modo como Jesus vai sendo apresentado no Novo Testamento tem a ver com o Seu nome relacional com a História, os indivíduos e com a Trans-história; ou seja: com a eternidade.

Primeiro Ele é o Emanuel, que quer dizer Deus conosco. Ora, Emanuel é o nome do trans-fenômeno da Encarnação na História.

Depois se diz a Maria que Ele seria chamado pelo nome Jesus, que quer dizer: Ele salvará o povo dos seus pecados; remetendo-nos assim para a Sua relação com os indivíduos que viessem a conhecer o Evangelho como Informação; ou seja: na base mais simples da relação existencial entre uma pessoa e sua consciência existencial acerca de Jesus em sua própria vida.

A seguir Ele é chamado de o Cristo, e, com isso, se afirmava a promessa feita aos Patriarcas quanto ao fato de que da descendência de Abraão e Davi viria o “Enviado”; ou seja: o Messias, o Ungido, e, portanto, segundo a língua grega, o Cristo.

Então vem Paulo...

Ora, mais do que qualquer outro é Paulo quem o chama de Jesus, de Jesus Cristo, de Cristo Jesus, e, além disso, o chama de Deus mesmo; ou seja: de Emanuel; isto ao ponto de dizer que Nele subsistem todas as coisas, que Ele é a imagem do Deus invisível; e mais que isto: Aquele em Quem, por Quem e para Quem todas as coisas são e foram criadas.

A seguir vem João...

João o chama de Verbo, usando um conceito existente entre os pensadores Iônicos da Ásia Menor; sendo que em João o conceito é ampliado para significar não a Razão Pura por trás de tudo, mas, antes disso, o Sentido Absoluto e Amoroso de todas as coisas na criação.

Desde João Batista Ele, Jesus, fora chamado de Cordeiro; embora seja já no Apocalipse de João que a figura de Jesus como o Cordeiro de Deus se sobreponha a todas as demais designações relacionadas ao Deus Encarnado, ao Messias, ao Cristo, ao Salvador; e mais que isto: apontava para a Revelação de Deus em Sua amplidão trans-histórica; ou seja: falava do Emanuel para os que Dele sabiam e para os que Dele nunca nada souberam.

Jesus, como nome, está irremediavelmente vinculado à história individual de todos os que receberam a informação do Evangelho.

O Cristo está aberto ao sentido da esperança pessoal de cada um, e, além disso, não determina que o professante saiba qualquer coisa da história de Jesus, mas apenas da experiência existencial com Ele, tenha havido consciência de Sua História entre os humanos ou não para aquele que tenha tal Esperança.

Cristo Jesus designa o fato de que Aquele que é a Esperança de todos os homens, ainda quando não saibam nada sobre Ele, é o Jesus da história dos que conheceram o Evangelho como Informação.

Jesus Cristo é um nome de afirmação na pregação que visa dizer: a Esperança dos humanos tem nome e uma história a ser contada.

O Cordeiro, todavia, se diz que é desde antes de haver Cosmos; e mais: é Ele quem encerra os nomes de Deus na História, quando, no Apocalipse, depois das Cartas às Sete Igrejas e mais três outras afirmações no corpo do texto, Aquele que é o Emanuel, Jesus, Cristo, Verbo, etc. — transcende tudo, e volta ao Principio antes de todos os começos, e passa a ser chamado apenas e tão somente de Cordeiro.

Jesus, Jesus Cristo e Cristo Jesus são designações temporais; porém o Cordeiro é atemporal e eterno: existia antes de tudo e será assim depois de tudo.

A mente religiosa, todavia, só enxerga Jesus onde Ele seja nomeado pelas letras J-E-S-U-S.

Até mesmo a designação “o Cristo” não é bem sentida na alma pela maioria das pessoas da religião; pois, para elas, o Cristo que não diga “Muito Prazer em conhecê-lo. Meu nome é Jesus!” — não serve ao propósito de fazer crentes se reunirem.

Então vem o João do Verbo e do Cordeiro; o João do Apocalipse, e, como ninguém antes [...], apenas insiste que a Igreja saiba Seu nome, mas que Ele mesmo é o Cordeiro sobre tudo e todos; até sobre os que nunca nada Dele souberam.

No fim o Apocalipse nos mostra apenas o Cordeiro; e diz que em Sua Cidade ou Sociedade Eterna, não haverá nomes históricos de Deus a serem pronunciados; visto que lá não haverá [não há] religião e nem santuário; sendo que os humanos subirão para adorar apenas Aquele que se chama de modo indesignável pelo nome de Cordeiro.

Quem entende isso hoje já começa a ver Jesus onde o Seu nome é anunciado; e também passa a discerni-Lo até mesmo onde Seu nome não seja conhecido historicamente como uma Informação, mas que, nem por causa disso, Ele deixe de se revelar aos homens como a verdadeira Luz que vinda ao mundo ilumina a todo homem.

Afinal, João começa o Evangelho do mesmo modo como encerra seu Evangelho Eterno e Escatológico, o Apocalipse; ou seja: chamando-O apenas de Verbo e de Cordeiro; e mais: afirmando que todos os humanos apenas e tão somente viverão da Sua Luz, a qual é e será sobre todos, sem que as nomenclaturas sirvam mais para designar ou mesmo para ideologizar a revelação, conforme acontece hoje com o nome Jesus; o qual é genuíno, mas foi pervertido pela religião para significar “Aquele que nós conhecemos”, em contraposição aos que “não o conheçam” — conforme os “cristãos” imaginam que exclusivamente se possa conhecê-Lo; ou seja: como uma Informação.

Afinal, tudo isto não tem valor eterno; posto que Aquele que me diz que eu tenho um novo nome que eu mesmo não conheço, é o mesmo que diz que nos revelará o Seu nome, o qual ninguém conhece, exceto aquele a quem Ele o revelar.

Portanto, calem-se os lábios que usam o nome de Jesus como grife, e não deixam que as pessoas apenas vejam, saibam e creiam que Deus é amor, e que o resto é a finitização da revelação para compreensão humana nas contingencias da história, do tempo, do espaço, da cultura e da finitude de nossas próprias percepções.

Nele, que é a Luz, o Cordeiro, o Amor e a Vida Eterna,

O texto acima é do meu amigo "Caio Fábio"

Eu assino embaixo.


Abcs Bento Souto

quinta-feira, maio 19, 2011

A MULHER INVISÍVEL

Vale a pena assistir.

NUNCA PENSEI QUE UM DIA ESTARIA AQUI




-- Bento, eu nunca pensei que um dia estaria aqui -- me confidenciou Paulo Panarello, meu amigo e, à época, patrão.

Nós (eu, ele e a esposa dele) estávamos no Musikverein em Viena, na Áustria. Lá, todos os anos, no dia 1 de Janeiro, a Filarmônica de Viena dá um concerto especial que é televisionado e assistido por um bilhão de pessoas em mais de cinquenta países. Paulo perdera o pai com oito anos de idade e como eu conhecera a pobreza de perto. Lá, no Musikverein, que é um templo da música clássica mundial, vestidos de trajes de gala, nós estávamos embasbacados pela beleza de um concerto ao vivo.

-- Pois é, eu também nunca pensei que um dia estaria aqui. Mas, para mim, é melhor do que para você -- disse eu.

-- Mas por quê você diz isso? -- quis saber Paulo.

-- Ora, porque você está aqui gastando do seu dinheiro. Já eu estou sendo pago por você para estar aqui. Tem coisa melhor que isso? -- respondi, enquanto ríamos baixinho para não atrapalhar o concerto.

Lembrei desse episódio porque nenhum dos internos do Asilo com quem eu tenho conversado pensou que iria viver os últimos dias deles lá. Mas a vida sempre nos surpreende.

Outro dia fui apresentado a um dos sujeitos mais odiados da cidade. Ele foi flagrado cometendo um ato ilícito, o vídeo foi exibido no noticiário nacional, e agora ele paga pena alternativa no Asilo. Ele também nunca deve ter pensado que um dia estaria lá.

Claro, estar no Asilo para mim também é melhor do que para ele. Afinal, eu estou lá por livre e espontânea vontade. Ele está lá por decisão judicial.

No entanto, não importa a razão porque estamos no Asilo. Se for para estar lá, mesmo que nunca tenhamos pensado nisso, que sejamos como a "Juninha". Ela, mesmo sendo uma interna, sempre está com um sorriso nos lábios. Ainda há pouco, antes de ir almoçar, ela veio até mim, me deu um beijo, como sempre faz, e foi até onde estava o "Aurélio", que é cego (saiba mais sobre "Aurélio" em AVELOZ (Euphorbia tirucalli), pegou-o pelo braço e o conduziu até o refeitório.

Ah, eu vi Jesus na atitude daquela velhinha.

Que privilégio, Senhor!


Bjs Bento Souto

sexta-feira, maio 13, 2011

DINHEIRO E FELICIDADE





Quando um dos meus amigos -- que era riquíssimo -- se suicidou, eu confirmei minha crença de que felicidade não tem nada a ver com dinheiro.

Muitos dizem que é melhor ser infeliz mas ter o bolso cheio de dinheiro.

Eu tenho o bolso vazio, mas sou feliz, e ele tinha bilhões no bolso, mas não era feliz.

Lembre-se apenas disso: Deus não inventou o dinheiro!

Então, caso você não tenha ainda entendido: dinheiro não é essencial.

Amor é essencial.

Não é o amor ao dinheiro que é essencial.

O que é essencial é amar ao próximo.

Não conheço nada que possa fazer alguém mais feliz do que amar ao próximo. Amar de verdade, de fato, com ações e não apenas com palavras.

Uma sobrinha minha diz que ama o gato dela. Porém, é a mãe dela quem alimenta o gato...

Já sacou? Preciso dizer mais alguma coisa?


Bjs Bento Souto

O QUE EU JÁ APRENDI COM A MORTE?




Morreram duas Marias --sobre quem eu nada sabia. Uma morreu na semana passada e outra anteontem. Ontem, morreu Wellington (nome verdadeiro). Eu havia visto, ao sair para o almoço, ontem, a Irmã Aída dando a comida na boca dele, como ela sempre fazia. Hoje, Wellington não está mais lá. "Ele foi fazer a última viagem; aquela que todos nós vamos fazer um dia", disse-me "O Pato", um dos meus parceiros de Dominó no Asilo.

Salomão, o famoso sábio rei de Israel, disse que [i][blue]Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração.[/i][/blue] Eu concordo com ele. Salomão também disse que [i][blue]O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria.[/i][/blue] Isso me torna um sábio? De jeito nenhum. Madre Tereza de Calcutá assistiu milhares de famintos e outros milhares que estavam à beira da morte. Estou ciente da enorme distância que há entre eu e ela.

Contudo, uma coisa eu já aprendi: O Asilo é o inverso do Orfanato.

No Orfanato, a Consciência das crianças cresce a cada dia.

No Asilo, os velhinhos vão perdendo a Consciência a cada dia.

No Orfanato, as crianças se movimentam cada dia mais.

No Asilo, os velhinhos se movimentam cada dia menos.

Quando são adotadas, as crianças saem do Orfanato e vão viver em uma família.

Os velhinhos vão viver no Asilo porque não conseguem mais viver em família -- e do Asilo, vivos, não saem mais.

Aprendi também que Asilos e Orfanatos tem uma coisa essencial em comum: eles só funcionam por causa de gente de coração generoso e compassivo, como Madre Tereza de Calcutá, George Muller e tantos outros anônimos como a Irmã Aída e aqueles que contribuem com seus trabalhos, suas vidas e seus recursos.

Isso foi o que eu já aprendi... Mas ainda há muito o que aprender.


Beijão Bento Souto

segunda-feira, maio 09, 2011

"MISERÁVEIS" ou "MILIONÁRIOS"?



Definir o que é ser POBRE é algo difícil até para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Já, definir o que é ser "MISERÁVEL", para a OMS e vários países, é bem mais fácil: basta que alguém tenha uma renda diária inferior a 1 Dólar Americano. Como o Dólar está muito barato, o Governo Brasileiro declarou que quem ganha menos de R$ 70 reais por mês é "MISERÁVEL".

Nós éramos 14 pessoas em nossa família (pai, mãe, 11 filhos e uma prima). Meu pai sempre ganhou salário mínimo. Portanto, segundo a OMS e o Governo Brasileiro, nós éramos "MISERÁVEIS".

Minha irmã Edijane (que está comigo na foto acima), que antes de completar 9 anos de idade já ficava em casa fazendo o almoço e cuidando dos irmãos menores, enquanto eu ia com minha mãe lavar roupa num riacho próximo de casa, tem uma opinião diferente. Ao comentar o meu texto ENTRE DOIS AMORES ela disse:

"A falta de amor é maior de todas as misérias. Por isso, nós da família Souto fomos e somos uma família milionária."

Concordo totalmente com o que ela disse. Nós podíamos ser "MISERÁVEIS" em relação ao Dinheiro. Porém, nós éramos e somos "MILIONÁRIOS" em relação ao AMOR.

Jesus, ao ouvir o pedido de um homem para que interviesse numa questão de herança, disse:

"Tenham cuidado com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas."(Lucas 12:15)

Quantos de nós acredita nisso de verdade? Quantos de nós não achamos que se a nossa renda ou patrimônio aumentar, aí é que seremos felizes?

Talvez tenha sido por isso que Jesus advertiu muitas vezes os "MISERÁVEIS" que O ouviam sobre o "amor ao dinheiro". Aliás, segundo os padrões da OMS, Jesus também era "MISERÁVEL". Adão e Eva, então, meu Pai, que nem um teto sobre as cabeças tinham, eram o quê?

Veja abaixo uma foto dos nossos "milhões"... rsrs



Beijão Bento Souto

sexta-feira, maio 06, 2011

ENTRE DOIS AMORES

Dizem que um homem não pode amar duas mulheres ao mesmo tempo. Discordo. Dizem que os três não podem ser felizes num triângulo amoroso. Discordo também.

Quando eu nasci, fui batizado seguindo a tradição dos Católicos Romanos. Meus pais escolheram meu avô, Bento Souto, e minha tia, irmã de meu pai, Maria Daluz, como meu padrinho e minha madrinha.

Naquela época, padrinhos e madrinhas tinham a responsabilidade de ajudar os pais a cuidar dos afilhados. Ou, no caso da morte do pai, ou da mãe, assumir o afilhado como filho. Numa época em que Seguro de Vida era privilégio de poucos e a expectativa de vida dos brasileiros não chegava aos 50 anos de idade, os padrinhos e madrinhas eram a melhor maneira de garantir o futuro dos filhos

Sendo o primeiro filho dos 13 que meus pais tiveram -- dos quais 11 sobreviveram--, pude experimentar de fato o amor de minha mãe e de minha madrinha. Segundo os padrões da Organização Mundial de Saúde, nós não éramos pobres, mas, sim, "MISERÁVEIS". A Pobreza é relativa, segundo a OMS, mas a "MISÉRIA" é absoluta. Portanto, qualquer pessoa que viva numa família cuja renda per capita seja inferior a 1 Dólar americano por dia, é considerada "MISERÁVEL".

Por isso, minha madrinha entrou em ação logo que eu nasci. Foi ela quem saiu de Pedra Lavrada e veio trabalhar e morar em Campina Grande. Depois que ela se estabeleceu, foi arrumando trabalho para todos e acabou provocando o êxodo da família inteira, transformando agricultores em habitantes urbanos.

Meus pais e meus irmãos ficaram em Pedra Lavrada e eu vim morar com minha madrinha em Campina Grande. Ela se encarregou de tudo que eu precisava: roupas, escola, fardamento, livros, etc. Somente quando meus pais vieram morar em Campina Grande, uns cinco anos depois, é que eu me reuni a eles. Porém, minha madrinha nunca deixou de cuidar de mim.

O amor dela por mim era tão grande que eu suspeitei que ela fosse minha mãe. Eu tinha um amigo que era filho de "mãe solteira" e por isso pensei que eu também fosse. Claro, eu nunca disse isso pra ninguém até o dia em que ela ia ser operada de emergência para tentar remover um coágulo do cérebro, há uns quinze anos. Estando nos Estados Unidos e aquela podendo ser nossa última conversa, eu contei pra ela da minha suspeita e agradeci o amor dela. Graças a Deus, ela sobreviveu a cirurgia e nesse ano completa 80 anos. Minha mãe completa 70 e eu 50. Portanto, essa é uma história de 200 anos de Amor.

No entanto, o que eu quero enfatizar aqui não é apenas o amor da minha madrinha por mim. Eu também quero falar do amor da minha mãe por mim. Ela sempre me amou como se deve amar um filho. Ela amou querendo o meu bem e a minha felicidade. O amor de minha mãe nunca foi egoísta. Ela nunca demonstrou qualquer ciúme do amor de madrinha Maria por mim, ou do meu amor por madrinha. Naqueles dias, deixar eu morar com minha madrinha era investir naquilo que seria bom pra mim. Nunca vou esquecer das lágrimas que ela derramou quando eu parti para longe dela, aos 5 anos de idade. Minha mãe é o melhor exemplo que conheço do que é amar.

Claro, esse triângulo amoroso só é possível porque minha Mãe e minha Madrinha se amam de verdade.










Eu ser o mais filho mais velho e chamar ela de Madrinha fez com que todos os meus irmãos também chamassem ela de Madrinha. Porém, eles e eu também tivemos uma outra mãe, que é tia Tetê, irmã de Madrinha Maria.





Elas nunca casaram e todos nós vivemos por algum tempo na casa delas. Minha irmã, Jeane, também foi tão amada por elas que há poucos anos comprou a casa vizinha a delas para poder ficar perto e cuidar delas.

Ou seja, minha mãe me amou como se deve amar um filho e minha madrinha me amou como se deve amar um afilhado. Realmente, eu sou Bento -- aquele que é abençoado. Portanto, nesse Dia das Mães, eu presto minha homenagem a vocês duas e rendo louvores a Deus pelo amor de vocês por mim.

Enfim, a OMS pode dizer que eu era "MISERÁVEL". Contudo, eu jamais trocaria o Amor de vocês por nenhuma das coisas que a OMS diz ser necessário para alguém deixar de ser "MISERÁVEL".

Obrigado, Jesus, por teres me dado o Amor da minha Mãe, da minha Madrinha e ainda o de Tia Tetê.

FELIZ DIA DAS MÃES


Bento Souto

O QUE MUDA COM A DECISÃO DO STF SOBRE OS GAYS?




O que mudou com o reconhecimento oficial do que já existe? Pra mim, nada.

Eu nunca tive tesão por outro homem... Pode ser legal, agora, mas pra mim, não muda nada.

Muda para aqueles que abriram mão de pensar e acham que podem virar gays a qualquer instante... Os antigays se parecem muito com aqueles caras de Brokeback Mountain... "tá frio... a gente tá sozinho aqui... vamos transar?" rsrs

Ou seja, os antigays parece que vivem se coçando pra transar com os gays, por isso lutam pra que a coisa não fique legal, pois, se ficar legal, a coceira vai vencê-los... rsrsrs

Eu ficaria preocupado e teria lutado contra se a Lei fosse me obrigar a ser homossexual. Aí, eu esbravejaria e, se passassem tal Lei aqui, eu mudaria de país.

Mas, me diga, seriamente, a Lei aprovada agora obriga você a ser gay? Não? Então, qual é o problema? Você quer mandar nos órgãos sexuais dos outros? Saiba, nos meus mando eu -- e eles só gostam de mulher.

Ah, por favor, pare com a hipocrisia. Acabe com essa história de que "vai ser horrível para as crianças que eles agora poderão adotar". Por que vocês não adotaram todas as crianças abandonadas, antes? Ou seja, as crianças continuarem sem um lar, abandonadas, nunca foi um problema para vocês. Problema é se os gays derem a elas o lar que vocês se recusaram a dar? Ou são os gays que abandonam suas crianças em latas de lixo?

Você acha que os gays vão influenciar, com o exemplo, os filhos adotados a serem gays? Ora, então, por que o exemplo dos héteros não surtiu o mesmo efeito? Afinal, os gays são filhos de héteros e tiveram pais héteros como exemplo.

Ah, isso é contra a sua fé? Ora, a fé é sua. Eu não quero ser obrigado a obedecer a sua fé. Por que obrigaria outros a obedecer a minha?

Isso é contra a Lei de Deus? Ora, os ministros do Supremo não são Aiatolás e nem Papas. Eles julgam apenas o que é Constitucional. E eles já julgaram.

Ponto final.


Abcs Bento

quarta-feira, maio 04, 2011

ELE "MUCREVAVA" COM A GENTE!




-- Que nada, ele era do "mucrevo" e "mucrevava" com a gente -- respondeu do alto dos seus mais de cem anos de idade, meu tio-avô, sobre meu avô materno, acabando ali com uma teoria que eu estava alimentando havia anos.

Meu avô materno, "Zé Melo", foi uma das pessoas que mais me influenciaram na vida. O legado que ele deixou em mim é algo que até hoje, cinquenta anos depois, eu ainda não consigo mensurar. Ele é a influência mais perene em minha vida e a que sempre cresceu, conforme eu fui crescendo em consciência.

Eu ia completar onze anos de idade quando ele me presenteou com uma espingarda de caça, daquelas que se carrega pela "boca do cano". As palavras que ele pronunciou quando me deu aquela espingarda demonstram toda a sabedoria que ele era possuidor.

-- É sua. Mas só atire no que for comer -- me disse ele, numa lógica irretocável para qualquer ambientalista.

Claro, para uma geração que pensa que leite dá em geladeira e carne em prateleiras de supermercado, um garoto de dez anos jamais deveria possuir uma arma. No entanto, para o garoto que ajudou o avô a fazer uma nova casa de pau-a-pique, a espingarda representava apenas a evolução dos animais que eu já caçava para comer. Se eu antes eu caçava pássaros com um estilingue, com a espingarda eu poderia tentar matar um mocó, o que garantiria a carne de uma refeição.

No entanto, você deve estar morrendo de curiosidade sobre o significado das palavras de meu tio-avô que dá título a este texto: "ELE "MUCREVAVA" COM A GENTE!"


Pois bem, em 2001, eu fui até o interior do Rio Grande do Norte para conversar com algum dos parentes de meu avô que ainda estivesse vivo e que pudesse me dar detalhes sobre o meu avô materno. Afinal, minha mãe nunca conheceu nenhum parente sanguíneo do pai dela. Minhas tias tinham nomes estranhos que ele dera. Jaci, Juraci, Jurila, por exemplo, são nomes indígenas.

Meu avô também tinha uma sabedoria para lá de especial. Ele era capaz de levantar no meio da noite, olhar o céu e dizer que horas eram. Claro, morando no campo, numa casa sem energia elétrica, rádio de pilha ou relógio. Ele conhecia os astros, as constelações, e pelas posições deles no céu era capaz de saber a hora da noite.

Ele nunca foi a um médico e produzia os próprios remédios a partir de raízes, cascas e folhas de plantas. Eu adorava a companhia dele. Aos dois anos de idade eu já segurava a corda da ovelha ou do cabrito que ele matava, tirava o couro e cortava em pedaços, todos os sábados, para ser servido no almoço do pequeno restaurante que minha avó tinha na feira semanal do domingo, em Pedra Lavrada-PB.

Foi com ele que eu aprendi a reconhecer a Faúna e a Flora locais. Ele era o meu Google, o Youtube, o Natgeo e o Animal Planet da época -- só que ao vivo e em cores. Nunca vou esquecer do dia em que minha mãe e minha tia correram para chamá-lo para matar uma cobra que elas haviam encontrado perto de casa. Ele foi até lá, olhou para a cobra e disse:

-- Essa é do bem. Ela come outras cobras. Deixe ela por aí. Só tenham cuidado para ela não comer os pintos -- ensinando-nos que nem todas as cobras são venenosas e oferecem perigo aos humanos.

Por conta desse conhecimento, do cabelo e da fisionomia de minhas tias -- que parecem autênticas indígenas -- e da ausência de parentes dele, eu comecei a pensar que meu avô fosse um dos índigenas "convertidos" ao Cristianismo. Tudo parecia fazer sentido para mim. Daí, o motivo de eu ter viajado na busca de testemunhas vivas, pois meu avô nasceu em 1901 e morreu por volta de 1985, quando eu já não morava mais na Paraíba.

-- Que nada, ele era do "mucrevo" e "mucrevava" com a gente -- foi com essas palavras que meu tio-avô, irmão da minha avó, sepultou minha teoria sobre meu avô materno e cunhado dele. Claro, não fora a ajuda de meu pai em traduzir o que isso significava, eu não teria entendido nada.

"Mucrevo", segundo meu pai me disse, era o ofício de transportar os bens de consumo da época (açúcar, café, farinha, carne de charque, fumo, etc.), de uma cidade para outra, em lombos de jumentos. Sim, numa época em que automóveis e estradas asfaltadas eram uma raridade, as pessoas transportavam os bens em animais. Portanto, "mucrevo" foi a forma semi-analfabeta que meu tio-avô usou para dizer que meu avô materno era ALMOCREVE (do Árabe "mukãri"), significando que ele não era um indígena, como eu pensava até então, mas um transportador, ou, como se diz hoje, um homem de logística.

Ainda espero escrever mais sobre esse meu avô e os ensinos maravilhosos dele, além de outros homens que também me influenciaram. Mas por hoje é só.


Beijos

Bento Souto

P.S. A foto abaixo é da comemoração de 50 anos de casamento de meus avós e a única que eu tenho dele.

terça-feira, maio 03, 2011

AINDA SOBRE A VELHA CANTORA EVANGÉLICA!




-- Ó Deus, tem misericórdia de mim. Tem misericórdia de mim... -- essa era a oração que com todo fervor fazia a velha cantora evangélica.

Todas as vezes em que ouço a lucidez de um coração submisso a Deus, eu me considero um privilegiado por estar em "terra santa". Muitas foram as vezes que eu conversei com a velha cantora evangélica. Ouso dizer que nos tornamos amigos. Sim, o Dominó foi só um lazer que nos aproximou. Depois de várias conversas eu admiro aquela velha senhora de 81 anos cada vez mais. Ela foi uma das que mais sentiu a minha ausência de duas semanas por causa da Dengue que me pegou.

-- Não, esses ladrões que estão enganando o povo não são pastores, são falsos profetas. Esse tal de Edir Macedo é o principal deles -- são os argumentos mais lúcidos que eu ouço aquela velhinha dizer.

Claro, nem sempre a mente enxerga a realidade. Muitas vezes, a mente prega peças e aqueles idosos enxergam o que somente para eles é realidade.

-- Tem um velho ruim lá na minha casa. Ele já estuprou 22 mulheres. Enquanto eu estou aqui, no Asilo, ele se apossou da minha casa e está dormindo na minha cama. Ele tem um celular diferente. Ele colocou um chip no meu ouvido. Ele fala no celular lá e eu ouço dentro da minha cabeça. Agora mesmo ele está apertando um botão que faz meu braço queimar. Tá queimando. Tem misericórdia, ó Deus! -- diz ela, enquanto chora e coça o braço tentando se livrar da queimadura invisível.

Querer separar o que achamos real do que eles dizem ser real me parece ser tarefa de tolos. Entender e aprender a conviver com o que é realidade, para eles, me parece ser o mais sábio a fazer.

-- Eu canto nas igrejas. Sou da Assembléia de Deus. Já cantei em mais de 10 estados do Brasil. Eu vivo de cantar para Jesus -- repete ela para todos. Outro dia eu fiquei sabendo através de uma vizinha que a velhinha também lutava karatê; e isso me fascinou.

Porém, o que mais me fascina é ver os cuidados diários dispensados àquela velhinha pela equipe que lá trabalha. Outro dia eu vi ela dando um beijo de gratidão na menina que corta as unhas. Aquele sorriso de quem se sente amada é algo que não tem preço.

Como eu já disse outras vezes, creio que o amor sempre vence!


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 26, 2011

A PÁSCOA NO ASILO



Muitos dos personagens sobre os quais eu tenho escrito aqui aparecem nessa matéria. Claro, como eu disse no primeiro post, troquei os nomes deles para poder preservá-los.

Na semana que passou eu não pude ir lá. Estava convalescendo de uma Dengue. No entanto, meu coração se encheu de alegria ao ver o "JR" mandando ver no violão. Na semana anterior, eu havia perguntado a ele se estava tudo bem. Ele respondeu que faltava uma palheta para tocar. Consegui uma com meu sobrinho.

Como se pode fazer alguém feliz com tão pouco, com aquilo que estão ao nosso alcance.


Abcs Bento Souto

segunda-feira, abril 25, 2011

EU GOSTO É DE SATANÁS!






-- Eu gosto é de Satanás. Eu não gosto de Deus. Já estou condenado ao Inferno -- era isso que "Dario" bradava a plenos pulmões.

Me aproximei de "Dario", olhando nos olhos dele, buscando algum sinal de possessão demoníaca. Afinal, eu já conversara com ele algumas vezes e ele sempre se mostrara um sujeito muito afável, apesar de nem sempre conseguir dizer coisa com coisa. Enquanto orava, no Espírito, pedindo a Deus por discernimento, também chegou perto de mim uma Irmã e disse:

-- Ligue para isso não, Bento. Ele não sabe o que está dizendo. Isso ainda é crise de abstinência do alcóol. Há dois anos ele chegou aqui. Morava na rua e bebia mais de três litros de cachaça por dia. Doutor João, o médico do Asilo, nos disse que não cortássemos o alcóol de uma vez, pois isso poderia matá-lo. Nós dávamos um copo de cachaça por dia para ele. Mas ele esteve muito mal de saúde, no final do ano, e tivemos que cortar a cachaça por causa dos medicamentos. Por isso, quando está agoniado pela falta da cachaça, ele fala essas coisas. Mas Deus releva isso. "Dario" não sabe o que está dizendo.

Eu pensei comigo mesmo. Se nós, seres imperfeitos, somos capazes de perceber algumas loucuras e relevá-las, que dirá Deus?

Desde os dia em que uma moradora de rua disse o nome completo de um amigo meu, sem o conhecê-lo, e em Inglês perfeito, eu já vi muita loucura sendo tratada com exorcismo e possessos sendo tratados com Gardenal. Outro amigo, com muito mais experiência nessa área, me disse que, certa vez, olhou para um possesso com tanto amor, mas com tanto amor, que o demônio não resistiu e saiu sem que meu amigo dissesse uma palavra.

Após alguns minutos de carinho e cuidado, "Dario" voltou a ficar tranquilo e eu lembrei da recomendação do apóstolo Pedro.

"Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados" (1 Pedro 4:8).

E a vida no Asilo voltou ao normal. Sem a neurose e o espetáculo que afirmações como a que "Dario" fez provocaria em certos ambientes ditos "cristãos".

Dei graças a Deus por tudo que presenciei e, principalmente, por ver que "o Amor sempre vence".


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 19, 2011

O QUE É AQUILO?




"Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação" Eclo 3,14:17


Abcs Bento Souto

segunda-feira, abril 18, 2011

O LAMENTO QUE MAIS OUÇO NO ASILO





De vez em quando eu ouço gemidos e lamentos abafados dos internos do Asilo. São dores físicas, emocionais e psiquícas que acometem alguns deles -- mulheres, principalmente, por serem mais sensíveis.

O que dizem esses sussurros? Com certeza, eu não sei. Mas, se tivesse que tentar adivinhar, eu diria que é mais ou menos isso, a seguir, que aquelas almas me falam, ainda que seja sem palavras:

"Eu os gerei. Por nove meses, carreguei-os em meu próprio ventre. Eles se alimentaram dos meus peitos e do que eu comprei e cozinhei para eles. Limpei cocô e xixi que eles faziam em qualquer lugar. Dei um duro danado para que eles pudessem ir para a escola e se formassem. Abri mão de minha carreira profissional para ficar em casa cuidando deles. Agora, em recompensa por todo meu esforço, eles me mandaram para cá. Alegam que eu agora incomodo. Eles já me incomodaram muito mais. Mas, por amá-los, tudo fiz e faria de novo.

Será que eles entendem o que estão fazendo comigo? Talvez não. Bom, quando eles ficarem velhos irão entender da maneira mais dura: quando os filhos deles os mandarem pra cá."



Abcs Bento Souto

domingo, abril 17, 2011

DOMINGO DE RAMOS





Hoje, há muitos cristãos nas ruas carregando ramos de palmeira para celebrar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Só espero que não esqueçamos que os mesmos que saudaram Jesus com "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor", são os mesmos que, na sexta, disseram "Crucifica-o" e gritaram: "queremos Barrabás".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 16, 2011

A VELHA CANTORA EVANGÉLICA 2





Depois da internação forçada, o dia seguinte da velha cantora evangélica me pareceu bem melhor.

Quando eu cheguei ao Asilo, no meio da manhã, a Irmã Fabíola estava fazendo curativos e cortando as unhas da velhinha. Com um sorriso no rosto, roupas limpas e uma aparência bem melhor, ela falava quase sem parar.

-- Eu sou missionária. Prego o Evangelho de Jesus nas igrejas -- dizia ela, entre outras coisas.

-- Como é o seu nome? -- perguntei.

Ela me olhou, sorrindo, mas sem entender o que eu havia perguntado. Então, eu percebi duas coisas. A primeira é que ela é mesmo evangélica. Pois, eu nunca vi gente para falar tanto como os evangélicos. Como falam. Quase não escutam. Quando a gente pensa que eles estão ouvindo o que a está gente dizendo, na verdade, não estão, mas preparando a o que vão dizer em seguida... rsrs

A segunda coisa foi que a velhinha tem dificuldades de audição. Sim, um dos sintomas de que pessoas idosas estão com dificuldade de audição é falar sem parar. Elas não dão chances para que os outros falem porque elas não escutam o que os outros dizem.

Me retirei para uma mesa distante onde outros velhinhos me aguardavam para o Dominó. De lá, fiquei olhando para o Evangelho que a Irmã Fabíola pregava para a velhinha: o do Amor sem palavras, que cuida, que ama, que faz o bem sem esperar nada em troca.

Absorto pelo Dominó, que atrai mais velhinhos a cada dia, não percebi a chegada da velha cantora evangélica ao grupo que estava comigo. Quando me dei conta, ela estava ao meu lado, olhando as minhas pedras.

-- A senhora joga Dominó? -- perguntei.

-- Jogo, sim -- disse ela.

Dei as minhas pedras para ela e pedi que ela assumisse o meu lugar. Pensei que iria ter que ajudá-la a reconhecer as pedras, pois muitos não enxergam o suficiente. Que nada. A velhinha não só enxerga como joga Dominó muito bem. Depois da terceira partida que ela ganhou, ninguém teve dúvidas de que temos uma nova parceira de Dominó.

A disputa só terminou quando o cheiro da comida venceu a vontade de jogar. Ela levantou-se e caminhou na direção do refeitório. Agora, sem mais greve de fome por ficar num lugar em que não queria. Mas, sorrindo, com um novo brilho nos olhos.

Acho que Rob Bell está certo no que diz: O Amor Vence!


Abcs Bento Souto

sexta-feira, abril 15, 2011

QUEM É CONTRA O ABORTO?





Até hoje eu só soube de um Cristão que era verdadeiramente contra o Aborto de qualquer criança: Madre Teresa de Calcutá.

Ela pedia para quem estivesse pensando em abortar, que desse a criança para ela, que ela criaria.

Os demais Cristãos não são contra.

Eles apenas falam que são.

Eu, inclusive.


Abcs Bento Souto

quinta-feira, abril 14, 2011

FALANDO NA IGREJA QUE EU AMO




Muitos me perguntam qual Igreja que estou frequentando. Esta minha fala do vídeo foi gravada lá, no domingo passado, 10/04/2011.

Nós somos 11 filhos (6 mulheres e 5 homens) que se reúnem uma vez por mês com nossos pais, cônjuges, filhos, sobrinhos, netos, genros, noras, tias, etc, para um almoço em que celebramos a união da nossa família e damos graças a Deus por todos.

Apesar de simples, tudo é muito bem planejado. Cada um dos filhos(as) traz um ingrediente de acordo com o planejamento feito e com as habilidades culinárias e financeiras que cada um possui. Há décadas que temos esse hábito.

Eu tenho insistido em chamar esse ajuntamento de Igreja, mesmo com a maioria sendo Católica e uma minoria sendo Evangélica.

Minha família é a minha Igreja mais querida, mais amada, a que eu mais gosto de congregar.

Outros grupos eu frequento ou até dirijo. Mas nenhum deles se assemelha a minha igreja-familia, familia-igreja.

Lá, a gente é tudo igual. Lá, nao há "ungidos" e não ungidos. Lá, não há sacerdotes e leigos e nem clero e laicato.

Lá, com o mais novo dos 11 irmaos com 31 anos, nao há mais hierarquia de autoridade, mas apenas submissão em amor. Eu me submeto a minha mãe e meu pai por causa do meu amor por eles e por causa da certeza do amor deles por mim. Não porque eles sejam a "autoridade" da igreja, mas porque eles são meus pais e me amam de verdade.

Lá, eles me ouvem porque crêem que em minha boca Deus põe palavras. Palavras de reconciliação; de amor fraternal; palavras que unem pais e filhos, irmãos e irmãs.

Lá, eles me ouvem, não porque eu seja o mais velho. Nada disso. Mas porque eles reconhecem a Palavra na minha boca; e sao abençoados pela Palavra tanto quanto eu sou.

Somos a melhor igreja que eu conheço. Assim, eu posso dizer que estou congregando na melhor congregaçao que eu conheço na face da Terra. Em nenhum outra eu me sinto tão bem e tão abençoado por Deus quanto nela.

Um detalhe, o tom de voz alto é porque eu estava falando sem microfone e tinha que vencer o barulho.


Abcs Bento Souto

quarta-feira, abril 13, 2011

A VELHA CANTORA EVANGÉLICA!




Ela chegou ao Asilo em um veículo do Corpo de Bombeiros. Agentes Sociais do Município e Representantes do Ministério Público acompanharam a internação dela. Uma internação difícil, diga-se de passagem, pois ela não queria ficar. Porém, como ela havia sido atropelada -- a perna dela tem um ferimento que precisa de curativos diários --, morava sozinha, sem ter quem cuidasse dela, estava suja e sem cuidados higiênicos, as autoridades decidiram que era melhor entregar a velha senhora aos cuidados das Irmãs devotas do Santo Católico, mas que cuidam dos velhinhos indefesos e incapazes.

-- Não, eu não quero ficar aqui. Quero ir pra casa. Eu sou uma cantora evangélica. Canto hinos e músicas para louvar a Deus -- dizia ela, tentando convencer as Irmãs a deixá-la ir.

-- Pronto, aqui está um violão. Cante. Louve a Deus conosco -- disse uma das várias Irmãs que davam as boas vindas e tentavam convencer a velha senhora a ficar.

Ela cantou. Ou, pelo menos, tentou. Nenhuma das músicas era conhecida. Talvez fossem muito antigas ou apenas canções de grupos restritos que nunca gravaram LP e/ou, muito menos, CDs. Porém, isso não foi empecilho para a Irmã que tentava acompanhá-la ao violão. Ao final, a velha cantora ouviu muitas palmas como incentivo. Os olhos dela brilharam. Mas ela ainda não queria ficar.

Dando atenção a três velhinhos que jogavam Dominó comigo, e a outros três que aprenderam a gostar da algazarra que eu faço enquanto jogo, eu pensava no que estaria se passando na mente daquela velha cantora evangélica.

À semelhança de vários pastores evangélicos idosos que vivem em Asilos como aquele, pois as Denominações e Igrejas a quem eles serviram os abandonaram a própria sorte, aquela velhinha agora passará a depender dos cuidados daqueles a quem por toda a vida foram tratados como ímpios e idólatras. Eles ficam parecendo Judeus sendo alvo do amor de Samaritanos.

Deve ser muito doloroso para eles perceberem que não há um único Asilo Evangélico na cidade, nem em todo o Estado -- gostaria de saber se há no Brasil, alguém sabe? Sei de alguns evangélicos que estão internos naquele Asilo que são arredios, maleducados e malagradecidos. Ser abandonado pelos próprios parentes não é fácil. Imagine ser abandonado por aqueles a quem se cria serem "os filhos de Deus"? Mas isso é assunto para um outro dia.

Na hora do almoço, ela veio para o Refeitório. Mais calma, de banho tomado e com roupas limpas, ela parecia outra. No entanto, me parece claro que a adaptação dela levará algum tempo. Ouvi-a pedir:

-- Jesus, me tira daqui.

Ao ouvir isso fiquei pensando. Para onde Jesus a levará? Onde ela será amada e cuidada como naquele Asilo? Só se for para algum lugar depois do túmulo. Pois, aqui na Terra, entre os Evangélicos, não conheço tal lugar.


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 12, 2011

"Seu Manoel", MERCÊS e JEAN-DOMINIQUE BAUBY





"Seu Manoel" se encontrava sentado/deitado numa cadeira, impossibilitado de se mover, a menos de dois metros da mesa em que eu jogava Dominó com outros internos. O "anjo de Deus" que cuida da cozinha se aproximou dele e disse:

-- "Seu Manoel", isso aqui ainda não é o almoço. É só um lanche -- e começou a colocar aquele líquido pastoso na boca do "Seu Manoel".

Achei ter visto um brilho de satisfação nos olhos de "Seu Manoel", após ele ter engolido a primeira colherada.

-- Olá, Bento, bom dia. Que bom que você veio -- disse a Irmã Fabíola, o "anjo de Deus" que é o "faz tudo" naquele Asilo, cerca de uma hora depois, ao passar por mim e se dirigir ao "Seu Manoel".

-- Olá, "Seu Manoel", como vai o senhor, hoje? -- perguntou a Irmã Fabíola, enquanto removia o mosquiteiro que o cobria e começava a examiná-lo.

Mais uma vez, eu pensei ter visto os olhos de "Seu Manoel" se iluminarem quando a Irmã Fabíola o tocou e começou a dizer-lhe palavras carinhosas e de estímulo. Não resisti e perguntei:

-- O que é que ele tem?

-- Ah, são tantas coisas...

-- Ele consegue falar?

-- Uma palavra aqui e acolá com extrema dificuldade.

O Dominó e os internos com os quais eu jogava demandavam a minha atenção. Porém, de soslaio, (sempre quis escrever essa palavra num texto.. rsrs) eu continuava prestando atenção no trabalho da Irmã Fabíola e esperando que algum sorriso brotasse da boca sem dentes de "Seu Manoel".

Uns três minutos depois, "Seu Manoel" pronunciou uma palavra. Por mais que eu tente, não consigo lembrar que palavra foi. Contudo, naquele instante uma possibilidade criou raízes em meu coração. Permita-me explicar.

Eu já exercito a comunicação de uma só palavra com pessoas portadoras de deficiências auditivas profundas. Há alguns meses, eu visitei Mercês, que faleceu na semana passada, aos 90 anos. Mercês ficou muito feliz com apenas duas palavras que eu pronunciei separadas uma da outra por minutos.

ELEGANTE. Era assim que eu lembrava de Mercês há quarenta e poucos anos, quando minha tia me levava ao escritório onde elas trabalhavam.

CHEIROSA. Por onde Mercês passava, o cheiro agradável dos perfumes que ela usava impregnavam o ambiente.

Mercês riu muito e discorreu durante vários minutos, com os olhos brilhando de alegria, sobre aquele tempo maravilhoso em que eu convivi com elas. A mente dela estava lúcida. As palavras fluíam claras e cheias de significado. Naquele instante, eu entendi que ela apenas não conseguia ouvir. Mas a mente continuava a funcionar perfeitamente.

Juntando a experiência de Mercês com a do jornalista francês Jean-Dominique Bauby, que sofreu um acidente vascular cerebral e ficou "preso no próprio corpo" (Locked-in Syndrom), completamente imobilizado (a exceção da sobrancelha esquerda, que ele passou a usar para se comunicar com o mundo), eu acalentei no meu coração a possibilidade de que a mente de "Seu Manoel" possa estar funcionando.

Sim, em ambientes como aquele Asilo, há muitas pessoas com a Mente em pior estado do que o Corpo. São aqueles para quem o Alzheimer já é uma realidade visível. Ou, outros, para quem o exagero no uso de substâncias entorpecentes (como o alcóol e as drogas) provocaram danos irreversíveis na Mente.

No entanto, aquela experiência com o "Seu Manoel" me fez considerar, seriamente, a possibilidade de que ali mesmo, perto de mim, possa haver pessoas com a Mente funcionando, mas sem poder responder com o Corpo.

Que Deus continue me ensinando aquilo que Salomão já dizia há milênios atrás:

"Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 09, 2011

SUICIDAS E/OU ASSASSINOS?

Hoje, minha amiga Marinah, que vive na Holanda, falou que um outro jovem entrou num shopping de lá, matou seis pessoas e depois se matou.

Esse foi mais um daqueles que disseram: VOCÊS VÃO TER QUE CHORAR QUANDO EU MORRER!

Pessoalmente, sem entrar em análises psíquicas e de circunstâncias que levam as pessoas a cometer uma loucura dessas, quero dizer que não considero essas pessoas como SUICIDAS, mas como ASSASSINOS.

Há pessoas a quem a gente ama e a quem chamamos de AMIGOS. São poucas, mas há. Entre os meus AMIGOS há dois que se suicidaram. Os motivos que os levaram a cometer tal ato não me parecem suficientes para que se decida terminar uma vida. Porém, eles acharam que não valia mais a pena continuar vivendo daquela maneira e quiseram dar um fim a dor que sentiam. Só que eles causaram dor apenas a familiares e amigos que sentem a ausência deles.

Esses que matam outros e depois se matam causam dor aos familiares e amigos deles e acabam com a vida de gente que quer viver. Ou seja, eles tiram a vida de outros que não querem morrer e fazem isso apenas para causar dor.

Eles podem ser insanos --e eu acho que são mesmo!--, mas eles não são inocentes. Eles são ASSASSINOS. SUICIDA é aquele que se mata para acabar com a própria dor. ASSASSINO é aquele que MATA para causar dor nos outros.

Enfim, meus amigos foram SUICIDAS. Esses, que matam muitos antes de se matar, não são SUICIDAS. Esses são ASSASSINOS que se SUICIDARAM.


Abcs Bento Souto

sexta-feira, abril 08, 2011

VOCÊS VÃO TER QUE CHORAR QUANDO EU MORRER!





Quando soube dos detalhes do planejamento que fez o autor do massacre das crianças da escola de Realengo, no Rio de Janeiro, lembrei de um outro indíviduo.

"Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos". (Mateus 2:16)

Em nenhuma outra fonte, senão no Novo Testamento, há o registro desse massacre de, provavelmente, umas 20 crianças, da pequena população que habitava aquela região. Porém, devido ao histórico de bárbaries cometidas por Herodes, o Grande (como ele ficou conhecido), ninguém duvida de que ele tenha mesmo ordenado tal massacre. Na História há registros de que Herodes matou ou mandou matar todos aqueles que se opuseram a ele, e até esposas e filhos que poderiam usurpar o seu trono.

No entanto, a ligação que eu fiz entre Herodes e o jovem que assassinou as crianças na escola do Rio de Janeiro se deu por causa do último desejo de Herodes. Segundo nos conta Flávio Josefo, historiador Judeu que viveu no século I, ao sentir que ia morrer devido a uma grave enfermidade, Herodes fez um último pedido a Salomé, sua irmã, e a Alexas, marido dela.

Herodes sabia que os Judeus o odiavam e que se alegrariam com a morte dele. Ele não queria que houvesse alegria quando morresse mas, sim, pranto. Para que o povo chorasse a morte dele, Herodes mandou colocar todos os líderes Judeus, queridos e amados pelo povo, no Hipódromo de Jericó. O pedido que Herodes fez a Salomé e Alexas foi que, quando ele desse o último suspiro, sem contar que ele havia morrido, eles ordenassem a morte de todos os líderes queridos pelo povo. Ou seja, na mente de Herodes, a morte dele seria a mais lamentada dentre todos os reis. Graças a Deus que Salomé e Alexas não fizeram conforme o planejado por Herodes.

Herodes e o jovem assassino das crianças na escola do Rio de Janeiro tinham o mesmo propósito: queriam que as pessoas chorassem quando eles morressem. Infelizmente, o último conseguiu o seu intento.


Abcs Bento Souto

quinta-feira, abril 07, 2011

NÃO SEI PORQUE ME ABANDONARAM AQUI

-- Você é feliz? -- perguntei, sem saber que essa pergunta inundaria o coração de Luzia de dores.

-- Não, sou não -- respondeu ela, começando a chorar.

-- Mas, por que não? Aqui tem quem cuide de você; te dão comida; você tem uma cama; há muitos com quem você pode conversar, etc -- tentei argumentar.

-- Não sei porque me abandonaram aqui. Eu não fiz nada de errado. Trabalhei a vida toda na casa de Dr. Fulano. Cuidei da casa. Cuidei dos filhos dele. Cuidei dos netos. Agora, que estou velha e não sirvo mais pra nada, eles me abandonaram aqui e foram embora. Isso não é justo! -- Luzia pronunciava as palavras entrecortadas por gemidos e soluços.

Eu ainda não sei se a história de Luzia é real ou se é fruto de uma mente que já não consegue distinguir a realidade da imaginação. Muitos daqueles que vivem naquele asilo com Luzia já não sabem mais o que é realidade. As memórias deles são de mais de 50 anos atrás. Possivelmente, o Alzheimer danificou suas mentes.

No dia seguinte, Luzia me pergunta quase tudo que me perguntou no dia anterior. Onde mora? Com quem mora? Quantos filhos? Como é o seu nome? Etc. Respondo tudo como se fosse a primeira vez. Enquanto olho para ela, não deixo de pensar que ninguém sabe o que se passa na mente de Luzia.

Conversando com Luzia, sinto que estou diante de "solo sagrado" onde o "é assim para a glória de Deus" é a única explicação que consola a minha alma.

Muitos dizem estar prontos a "morrer por Cristo". Uns poucos dizem que estão prontos a "viver para Cristo". Porém, raros são os que dizem: "Senhor, sou teu, faça de mim o que te apraz".


Bjs Bento Souto

AVELOZ (Euphorbia tirucalli)




Hoje conheci Aurélio, 51, cego desde os 27 anos de idade.

-- Como foi que você ficou cego, Aurélio?

-- Foi "Aveloz" -- disse ele.

Lembrei de que eu mesmo recolhi folhas secas (que mais parecem talos) de "Aveloz" para acender o fogo da casa do meu avô.

-- "Aveloz" cega, fique longe dele -- sempre me dizia meu avô.

Porém, meu avô nunca pode me mostrar alguém que tinha ficado cego por causa de "Aveloz". Aurélio estava diante de mim. Agora, aquela advertência fazia outro sentido. Eu pensei que poderia estar cego também.

-- Do que você mais tem saudade do tempo em que enxergava? -- perguntei, de olhos fechados, tentando entender um pouco mais o mundo em que Aurélio vive.

-- De quando eu trabalhava; de quando eu podia ir sozinho para onde quisesse. -- respondeu Aurélio; demonstrando que não sentia falta da visão, mas do que ela proporcionava. Agora, confinado em um asilo para idosos, Aurélio só sairá para ir ao Hospital fazer exames, ou para o cemitério, quando morrer.

Eu havia me aproximado de Aurélio movido pelo desejo de presenteá-lo com um Novo Testamento escrito em Braille. Achei que seria um presente que ele poderia ler até quando apagassem a luz do quarto em que ele dorme com outros, que também aguardam a inevitável viagem. Aurélio é analfabeto e eu não tenho nenhuma idéia de como alfabetizá-lo. Na verdade, eu nem sei se ele quer ser alfabetizado.

Bom, eu não sei se conseguirei fazer algum bem ao Aurélio, apesar de que ele disse que gostou de me conhecer e perguntou se eu voltaria no dia seguinte. Achei que isso foi um bom sinal. No entanto, uma coisa eu sei: está me fazendo um bem imenso conviver com pessoas como Aurélio.

Antes de continuar devo dizer algumas coisas. 1. "Aurélio" é o nome fictício de uma pessoa real. 2. Nada mais é fictício. 3. Pretendo contar outras histórias nos próximos posts.


Bjs Bento Souto

terça-feira, março 29, 2011

AINDA SOBRE A PLS N.º 480

Lembrem-se, também era inconstitucional derrubar o Mubarak... ele saiu... sem o banho de sangue da Líbia...

Aqui, no nosso País, nós temos hoje o seguinte:

Se você é do Serviço Público Federal, o limite de sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é uma coisa.

Se você é do Serviço Público Estadual, o limite da sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é outra coisa.

Se você é do Serviço Público Municipal, o limite da sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é uma coisa diferente.

Agora, se você é da "inciativa privada", o limite da sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é uma coisa que ninguém do Serviço Público, de qualquer esfera quer. Ou seja, é uma M....

Estas são as nossas "castas" e nossas forma de "segregação"!

Gandhi venceu o Império Britânico sem armas e sem disparar nenhum tiro. Por que nós não podemos vencer esse Império dos Privilégios aqui no Brasil? O que nos falta?

Sabe o que eu realmente acho que falta?

Falta a gente acreditar que a gente pode vencer. Que a gente é maioria nesse País. Que se nós crermos e nos unirmos para reivindicar nossos direitos, nós conseguiremos ser ouvidos e respeitados.

Eu estou fazendo a minha parte, nesse momento.

Faça a sua.

Acredite.

Vamos mudar isso.

Vamos apoiar a PLS N.º 480.

Vamos informar aos nossos Senadores que nós apoiamos e queremos que eles também apoiem. Eles são nossos representantes. Somos nós que os elegemos. Eles trabalham pra gente. Acredite nisso.


Abcs Bento Souto

PROJETO DE LEI N.º 480

PROJETO DE LEI DO SENADO N.º 480, DE 2007, DETERMINA A OBRIGATORIEDADE DE OS AGENTES PÚBLICOS ELEITOS MATRICULAREM SEUS FILHOS E DEMAIS DEPENDENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS ATÉ 2014.



Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Uma ideia muito boa do Senador Cristovam Buarque. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, Deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As consequências seriam as melhores possíveis. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDEIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.

Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

Ainda que você ache que não pode fazer nada a respeito, pelo menos passe adiante essa ideia.


www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166


Faça a sua parte.

Divulgue.


Abcs Bento Souto

segunda-feira, março 21, 2011

O deus que mandou o Tsunami é o DIABO?!?!

Sim, corre solto na Internet o argumento de alguns de que "O deus que mandou o Tsunami é o DIABO". Minhas perguntas aos que afirmam isso são as seguintes:

E esse deus é tão poderoso, mas tão poderoso, que Deus não controla ele, é?

Esse deus aí está fora de controle?

Ou esse deus-diabo já virou todo-poderoso?

Os caras transformam o Criador do Universo num engenheiro japonês que criou Fukushima, e agora fica se curvando pedindo desculpas porque vazou radiação que pode matar milhares, e pensam que descobriram a roda com umas respostas tão tolas como essa.

Será que esses caras nunca vão aprender que Deus é Deus de vivos, que pra Ele ninguém morre, como disse Jesus? E que os caminhos dEle são mais altos que os nossos? E que não há ninguém que possa ensiná-lo a ser Deus?

Claro, como disse Paulo, os que esperam somente nessa existência aqui na Terra e se acham Cristãos são "os mais miseráveis entre os homens". Prova é a montanha de textos com argumentos tão tolos como esses.

Talvez, mais miseráveis que esses são os que crêem que pra Deus ninguém morre, mas ficam a emitir juízos de que o Tsunami é castigo de Deus porque os japoneses são mais pecadores que os demais humanos, dizem eles. Quem disse isso a eles? Deus? Não, eles dizem que foi a Palavra. Sendo que a Palavra diz exatamente o contrário.

Jesus disse que a morte de alguns, por causa da queda de uma torre, e de outros que foram chacinados por Herodes, não foi porque eles eram mais pecadores do que os que assim pensavam. Jesus, porém, não diz mais que isso. Não explica. Não diz que Deus se surpreendeu e nem que castigou ninguém. Ele fica apenas na simplicidade de dizer que todos deveriam estar preparados para o próprio fim.

Parece que essas coisas não são suficientes para alguns. Eles precisam explicar o que Deus não explicou.


Bento Souto

sábado, março 19, 2011

O "CONTO DO VIGÁRIO" EM NOME DE JESUS

A maioria das pessoas que são vítimas de golpes tipo "Conto do Vigário" não procura a Polícia por causa da vergonha de ter sido enganada, dizem os especialistas. Por esse motivo os enganadores seguem enganando novas vítimas.

Outro dia, na companhia de meu amigo Ivanildo Vilanova, eu viajava pelo interior do Nordeste, visitando pequenas cidades, quando notei a ausência de templos dessas igrejas que pregam sucesso financeiro e curas milagrosas.

- Tem não, Bento. Aqui, o engano fica patente pois todos se conhecem - afirmou sabiamente o grande repentista, que conhece o Nordeste como poucos.

Juntando as duas coisas, eu me dei conta porque esses charlatões insistem tanto em estar no Rádio e na TV: porque os que caem no "Conto do Vigário" deles não se conhecem e ficam com vergonha de denunciar que foram enganados.

Simples, não?

quarta-feira, março 16, 2011

TRAGÉDIAS SÃO "CASTIGOS DE DEUS"?

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Naquela mesma ocasião, chegando alguns Cristãos, falavam a Jesus a respeito dos Líbios cujo sangue Gadafi misturara com o sonho de liberdade deles.
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Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses Líbios eram mais pecadores do que todos os outros Árabes, por terem padecido estas coisas?
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Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.
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Ou cuidais que os milhares de Japoneses sobre os quais desabou o Tsunami e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes do Ocidente Cristão?
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Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.

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Uma atualização de Lucas 13 para aqueles que vivem a bradar: Sola Scriptura! Porém, pelos comentários que emitem demonstram não crer no que está escrito nas Escrituras.


Bento Souto

quarta-feira, março 09, 2011

EVANGÉLICOS IDÓLATRAS


Na esteira de comentários que recebi por VOCÊ É EVANGÉLICO? FAÇA O TESTE alguém me indicou esse texto do Revdo. JULIO ZAMPARETTI FERNANDES, Pároco da Comunidade Episcopal de Tubarão / REINA-SC, que a seguir reproduzo.

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EVANGÉLICOS IDÓLATRAS

Evangélicos são, muitas vezes, idolatras... eu diria até arcólatras, oleólatras, fitólatras, gedozólatras, salólatras, corredorólatras, campanhólatras e até bibliólatras.

Muitas igrejas não admitem o uso da imagem do crucifixo que é um ícone da nova aliança, mas usam e abusam de qualquer réplica mal feita da arca, que é ícone da antiga aliança.

Isso sem contar com a devoção que o povo evangélico, não raras vezes, emprega à arca; enfrentam filas para tocá-la e o fazem muitas vezes chorando e confiando que ao simples toque serão abençoados.

Que diferença tem isso da devoção empregada no santuário de Aparecida? Na verdade, a maioria dos crentes apenas mudou de idolatria (se é que a imagem dos santos constitui idolatria).

Os santos são ícones do cristianismo; são exemplos a serem seguidos; gente que andou com Cristo e viveu Sua cruz e ressurreição, portanto, apontam para Cristo.

Mas quem são os ídolos evangélicos?

Arca, castiçal de sete velas (sem velas! rsrs), óleo ungido (e você não vê católicos com vidrinho de óleo lambuzando tudo o que possui), lencinho, fitinha, toalhinha, sal e rosa ungidos e por aí vai.

Acaso alguma dessas coisas pode ser ícone perfeito de cristo?

Apontam para Cristo? Seguiram Cristo?

Viveram a morte e ressurreição de Cristo?

NÃO.

Alguns são ícones da velha aliança, outros apontam somente para a avareza de seus líderes sem escrúpulo.

Logo, a cultura invangélica (assim mesmo, pois de evangélica não tem nada) está mais impregnada de idolatria do que aquela que os invangélicos acusam e condenam.

Todavia não se pode negar a desvirtuação da iconologia católica, que contraria as Escrituras e o próprio catecismo católico e a ICAR simplesmente fecha os olhos para isso.

Santos são ícones, não mediadores.

A idolatria evangélica nem para ícone serve.


Revdo. JULIO ZAMPARETTI FERNANDES
http://juliozamparetti.blogspot.com/2010/04/evangelicos-idolatras.html

sexta-feira, março 04, 2011

VOCÊ É EVANGÉLICO? FAÇA O TESTE!

Muitos se ofendem com críticas feitas ao Evangélicos, pois se consideram como tais. Porém, pergunto, para que alguém seja considerado Evangélico, basta que essa pessoa diga: "eu sou"? Não há nenhum teste que a própria pessoa possa fazer para saber se ela é Evangélica ou não?

Foi com o intuito de responder essa questão que eu criei esse teste de uma só pergunta. Sim, uma só pergunta. Aqui está ela:

Você diria a alguém que quisesse saber onde poderia aprender mais sobre Jesus para que esse alguém procurasse a Igreja Evangélica mais próxima?

Se a sua resposta for SIM, você pode se considerar Evangélico.

Se a sua for NÃO, você não pode se considerar Evangélico.

Simples, não?

Não concorda com a conclusão do teste?

Você acha que pode se considerar Evangélico e não recomendar a Igreja Evangélica mais próxima?

Então, saiba, você não é mais Evangélico e nem sabe ainda.

Sabe por que eu digo isso?

Porque eu já fui Evangélico. Eu fui Evangélico no tempo em que a gente pregava nas ruas, praças, feiras, rádios, etc., e dizia para aqueles que quisessem aprender mais sobre Jesus para que procurassem a Igreja Evangélica mais próxima de suas casas.

Hoje, eu não faço mais isso de jeito nenhum.

Eu mudei?

Não, eu continuo crendo em quase tudo que cria naquela época.

E o que mudou para que eu diga que não sou mais Evangélico?

Mudaram os Evangélicos. E, mudaram para uma direção que eu não tenho a menor vontade de seguir.

Antes, ser Evangélico era crer que Jesus veio para servir e não para ser servido -- e que, portanto, nós devíamos seguir o exemplo dEle. Hoje, ser Evangélico é crer que Jesus faz com que os Ímpios (os não-evangélicos) nos sirvam, pois, segundo os Evangélicos atuais, nós nascemos para ser cabeça e não cauda.

Antes, ser Evangélico era crer no Deus dos homens. Hoje, é crer nos "homens de Deus".

Antes, ser Evangélico era crer que a vida do homem não consiste na abundância dos bens que possui. Hoje, quem não possui bens está em pecado ou tem maldição sobre a vida.

Antes, ser Evangélico era estar coberto pelo sangue de Jesus. Hoje, é estar coberto pela pretensa autoridade espiritual de outro homem.

Antes, ser Evangélico era crer que nós éramos o templo que Deus habitava. Hoje, é crer que Deus vai habitar os templos suntuosos, de ferro e concreto, que estão sendo construídos supostamente para a "glória de Deus".

A lista de diferenças entre o que era e o que é ser Evangélico é imensa. No entanto, se você quiser saber que tipo de Evangélico eu era e qual era o meio em que vivia, leia o texto que escrevi sobre EDILSON BRAGA em http://blogdobento.blogspot.com/2011/03/edilson-braga-o-louco-de-deus.html

Mesmo depois de tudo que você leu até aqui, ainda assim você acha que o meu critério de seleção para quem é e quem não é Evangélico não retrata a realidade? Então, a prova é simples. Faça o mesmo teste com um Católico Romano. Pergunte se ele indica a igreja mais próxima da casa dele para quem quiser saber mais sobre Jesus.


Abcs Bento Souto

P.S. Não precisa nem pedir autorização. Quem quiser pode reproduzir esse texto onde achar que deve.