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segunda-feira, setembro 05, 2011

PARA VIVER UM GRANDE AMOR

Sábios conselhos do poeta Vinicíus de Moraes para todos e todas que desejam viver um grande amor.

Para Viver Um Grande Amor

Vinicius de Moraes


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

Conheça a vida e a obra do autor em "
Biografias".

Bjs

Bento Souto

http://blogdobento.blogspot.com/

blogdobento@hotmail.com

quinta-feira, abril 14, 2011

FALANDO NA IGREJA QUE EU AMO




Muitos me perguntam qual Igreja que estou frequentando. Esta minha fala do vídeo foi gravada lá, no domingo passado, 10/04/2011.

Nós somos 11 filhos (6 mulheres e 5 homens) que se reúnem uma vez por mês com nossos pais, cônjuges, filhos, sobrinhos, netos, genros, noras, tias, etc, para um almoço em que celebramos a união da nossa família e damos graças a Deus por todos.

Apesar de simples, tudo é muito bem planejado. Cada um dos filhos(as) traz um ingrediente de acordo com o planejamento feito e com as habilidades culinárias e financeiras que cada um possui. Há décadas que temos esse hábito.

Eu tenho insistido em chamar esse ajuntamento de Igreja, mesmo com a maioria sendo Católica e uma minoria sendo Evangélica.

Minha família é a minha Igreja mais querida, mais amada, a que eu mais gosto de congregar.

Outros grupos eu frequento ou até dirijo. Mas nenhum deles se assemelha a minha igreja-familia, familia-igreja.

Lá, a gente é tudo igual. Lá, nao há "ungidos" e não ungidos. Lá, não há sacerdotes e leigos e nem clero e laicato.

Lá, com o mais novo dos 11 irmaos com 31 anos, nao há mais hierarquia de autoridade, mas apenas submissão em amor. Eu me submeto a minha mãe e meu pai por causa do meu amor por eles e por causa da certeza do amor deles por mim. Não porque eles sejam a "autoridade" da igreja, mas porque eles são meus pais e me amam de verdade.

Lá, eles me ouvem porque crêem que em minha boca Deus põe palavras. Palavras de reconciliação; de amor fraternal; palavras que unem pais e filhos, irmãos e irmãs.

Lá, eles me ouvem, não porque eu seja o mais velho. Nada disso. Mas porque eles reconhecem a Palavra na minha boca; e sao abençoados pela Palavra tanto quanto eu sou.

Somos a melhor igreja que eu conheço. Assim, eu posso dizer que estou congregando na melhor congregaçao que eu conheço na face da Terra. Em nenhum outra eu me sinto tão bem e tão abençoado por Deus quanto nela.

Um detalhe, o tom de voz alto é porque eu estava falando sem microfone e tinha que vencer o barulho.


Abcs Bento Souto