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sexta-feira, outubro 14, 2011

FESTIVAL DE BESTEIRA QUE ASSOLA O PAÍS (FEBEAPA)

febeapa

O Festival de Besteira Que Assola o País

Stanislaw Ponte Preta
(Sérgio Porto)


Disse Stanislaw no FEBEAPA 2:


"É difícil ao historiador precisar o dia em que o Festival de Besteira começou a assolar o País. Pouco depois da "redentora", cocorocas de diversas classes sociais e algumas autoridades que geralmente se dizem "otoridades", sentindo a oportunidade de aparecer, já que a "redentora", entre outras coisas, incentivou a política do dedurismo (corruptela de dedo-durismo, isto é, a arte de apontar com o dedo um colega, um vizinho, o próximo enfim, como corrupto ou subversivo — alguns apontavam dois dedos duros, para ambas as coisas), iniciaram essa feia prática, advindo daí cada besteira que eu vou te contar".

Vamos a algumas amostras:

"O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros" (Deputado Índio do Brasil, Assembléia do Rio).


O cidadão Aírton Gomes de Araújo, natural de Brejo Santo, no Ceará, era preso pelo 23.º Batalhão de Caçadores, acusado de ter ofendido "um símbolo nacional", só porque disse que o pescoço do Marechal Castelo Branco parecia pescoço de tartaruga e logo depois desagravava o dito símbolo, quando declarava que não era o pescoço de S. Exa. que parecia com o da tartaruga: o da tartaruga é que parecia com o de S. Exa.


Cerca de 51 bandeiras dos países que mantêm relação com o Brasil foram colocadas no Aeroporto de Congonhas. O Secretário de Turismo de São Paulo — Deputado Orlando Zancaner — quando inaugurou a ala das bandeiras, disse que "era para incrementar o turismo externo".


Quando a Censura Federal proibiu em Brasília a encenação da peça Um Bonde Chamado Desejo, a atriz Maria Fernanda foi procurar o Deputado Ernani Sátiro para que o mesmo agisse em defesa da classe teatral. Lá pelas tantas, a atriz deu um grito de "viva a Democracia". O senhor Ernani Sátiro na mesma hora retrucou: "Insulto eu não tolero".


O Diário Oficial publica "Disposições de Seguros Privados" e mete lá:   "O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (...), "Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário".


Em Niterói o professor Carlos Roberto Borba iniciou ação de desquite contra a professora Eneida Borba, alegando que sua esposa não lhe dá a menor atenção e recebe mal seus carinhos quando é hora de programas de Roberto Carlos na televisão. A professora vai aprender que mais vale um Carlos Roberto ao vivo que um Roberto Carlos no vídeo.


Colhemos num coleguinha do Jornal do Brasil: 
"O General José Horácio da Cunha Garcia fez uma firme apologia da Revolução e manifestou-se contrariamente às teses de pacificação, bem como condenou o abrandamento da ação revolucionária. O conferencista foi aplaudido de pé". O distraído Rosamundo leu e, na sua proverbial vaguidão, comentou: "Não seria mais distinto se aplaudissem com as mãos?".


Enquanto o Marechal Presidente declarava que em hipótese alguma permitiria fosse alterada a ordem democrática por estudantes totalitários, insuflados por comunistas notórios, quem passasse pela Cinelândia no dia 1.º de abril depararia com o prédio da assembléia Legislativa totalmente cercado por tropas da Polícia Militar. Na certa, a separação de poderes, prevista na Constituição, passará a ser feita com cordão de isolamento e muita cacetada.
 

Notícia publicada pelo jornal O Povo, de Fortaleza (CE): "O Dr. Josias Correia Barbosa, advogado e professor, esteve à beira de um IPM (Inquérito Policial Militar) por haver passado um telegrama para sua sobrinha Loberi, em Salvador, comunicando-lhe que a bicicleta e as pitombas tinham seguido. Houve diligencias pelas vizinhanças, parentes foram procurados e outras providências tomadas. Passados dois dias, soube o Dr. Josias que o despacho telegráfico não fora transmitido porque um James Bond do DCT (Departamento de Correios e Telégrafos) estranhara os termos "bicicleta", "pitombas" e "Loberi", que "deviam ser de um código secreto".


"Os jornalistas deveriam apanhar da polícia não só durante a passeata, mas antes também. Eles são incapazes de reconhecer o valor da polícia. Os fotógrafos, por exemplo, nunca fotografam os estudantes batendo no policial". Essa declaração foi feita pelo Secretário de Segurança de Minas Gerais, coronel Joaquim Gonçalves.


A peça "Liberdade, Liberdade" estreou em Belo Horizonte e a Censura cortou apenas a palavra prostituta, substituindo-a pela expressão: "Mulher de vida fácil", o que, na atual conjuntura, nos parece um tanto difícil. Ninguém mais tá levando vida fácil. 


Segundo Tia Zulmira "o policial é sempre suspeito" e — por isso mesmo — a Polícia de Mato Grosso não é nem mais nem menos brilhante do que as outras polícias. Tanto assim que um delegado de lá, terminou seu relatório sobre um crime político, com estas palavras: "A vítima foi encontrada às margens do riu sucuriu, retalhada em 4 pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio".


Em Campos (RJ) ocorria um fato espantoso: a Associação Comercial da cidade organizou um júri simbólico de Adolph Hitler, sob o patrocínio do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Ao final do julgamento Hitler foi absolvido.


A mini-saia era lançada no Rio e execrada em Belo Horizonte, onde o Delegado de Costumes (inclusive costumes femininos), declarava aos jornais que prenderia o costureiro francês Pierre Cardin (bicharoca parisiense responsável pelo referido lançamento), caso aparecesse na capital mineira "para dar espetáculos obscenos, com seus vestidos decotados e saias curtas". E acrescentava furioso: "A tradição de moral e pudor dos mineiros será preservada sempre". Toda essa cocorocada iria influenciar um deputado estadual de lá — Lourival Pereira da Silva — que fez um discurso na Câmara sobre o tema "Ninguém levantará a saia da Mulher Mineira". 


Em Brasília, depois de um dos maiores movimentos do Festival de Besteira, que bagunçou a Universidade local, o Reitor Laerte Ramos — figurinha que ama tanto uma marafa que cachaça no Distrito Federal passou a se chamar "Reitor" — nomeava um professor para a cadeira de Direito Penal.  O ilustre lente nomeado começou com estas palavras a sua primeira aula: "A ciência do Direito é aquela que estuda o Direito".


A Igreja se pronunciou, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sobre recentes publicações pretensamente científicas, "que abordam problemas relacionados ao sexo com evidente abuso". O documento não explicou se o abuso era do problema ou se o abuso era do sexo. Em compensação, nessa mesma conferência, Dom José Delgado, Arcebispo de Fortaleza, dava entrevista à Agência Meridional sobre pílulas anticoncepcionais, uma pílula formidável para fazer efeito no Festival de Besteira. Como se disse bobagem sobre o uso ou não da pílula, meus Deus!!! Dom Delgado, por exemplo, dizia: "A protelação do casamento é a única conclusão a que chego, atualmente, para a planificação da família e o controle da natalidade. E, depois disso, só existe um caminho seguro: o da continência na vida conjugal". Como vêem, o piedoso sacerdote era um bocado radical e queria acabar com a alegria do pobre. Ainda mais, falando em sexo e em continência na vida conjugal, deixou muito cocoroca achando que, dali por diante, era preciso bater continência para o sexo também.


Textos extraídos dos livros "O Festival de Besteira que Assola o País", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1966, "2.º Festival de Besteira que Assola o País", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, e "Na Terra do Crioulo (A máquina de fazer) Doido - FEBEAPA 3", Editora Sabiá - Rio de Janeiro,  1968, págs. diversas.

Sérgio Porto (1923–1968), que usava o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, criou as mais engrançadas crônicas, criou moda, criou até muito da gíria que usamos até hoje.

Bento Souto

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quinta-feira, setembro 15, 2011

“LAMPIÃO” DE MINISSAIA

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Muitos foram os personagens que enriqueceram minha infância e adolescência na Paraíba. Um dos mais curiosos foi “Lampião”. Claro, não estou falando do “capitão” Virgulino Ferreira, o mais famoso entre todos os cangaceiros que viveram no Nordeste, que foi imortalizado em incontáveis histórias contadas em verso e prosa, em livros, peças teatrais, estátuas e museus, novelas “globais” e filmes, etc.

Não, não lhes falo daquele que ficou conhecido como o Rei do Cangaço. Até porque quando eu nasci há muito ele já havia morrido. Pelo contrário, quero lhes falar acerca de uma outra pessoa que também ficou conhecida como “Lampião”, nas décadas de 60 e 70, em Campina Grande-PB.

Judite, nome pelo qual a “Lampião” da nossa história fora batizada, era vizinha da minha família no “Buraco da Gia” – o bairro mais “barra pesada” que havia em Campina Grande, à época, e que hoje, vejam só que ironia, mudaram o nome para “Rosa Mística”.

Judite, a “Lampião” de nossa história, ganhava o pão de cada dia exercendo uma das mais antigas profissões existentes na face da Terra: prostituta profissional. Ou, como se diz na Paraíba, Judite era uma “rapariga”.

Judite ganhara o apelido de “Lampião” por diversos fatores físicos e comportamentais. Ela foi a mulher mais forte que eu já vi na vida. Os braços de Judite eram cheios de músculos bem torneados. As pernas dela tinham panturrilhas enormes e mais bem delineadas do que as de muitos atletas. Enfim, a pessoa que eu acho que mais se parece com Judite é Ben Johnson – aquele jamaicano/canadense, recordista olímpico dos 100 metros rasos, flagrado no exame anti-doping por ter tomado anabolizantes.

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Judite era apelidada de “Lampião”, principalmente, por causa do seu destemor em enfrentar os homens na porrada. Cliente que se metesse a besta com ela, isto é, fazer o “programa” e não querer pagar, apanhava muito. Também não foram poucas as vezes em que Judite enfrentou a Polícia. Apenas dois ou três policiais não eram suficientes para dominá-la.

A amizade de minha mãe com Judite se devia ao fato dela [Judite] gostar muito do meu irmão pequeno, João Batista, a quem Judite gostava de pegar no colo e ficar acariciando os cabelos loiros dele. Aliás, por falar em cabelos, os de Judite eram curtíssimos. Ela dizia que era para que, numa briga, ninguém pudesse agarrá-la pelos cabelos.

Lembro do dia em que minha mãe, em sua santa ingenuidade, perguntou pra Judite, por que ela sempre usava saias e vestidos curtíssimos.

– É para não atrapalhar se eu não puder vencer uma briga e tiver que fugir na carreira – respondeu a “Lampião de minissaia”, destruindo a minha certeza que o figurino se devia a profissão dela.

Após todos esses anos, duas coisas continuam me intrigando; quem se sentia atraído sexualmente por Judite e era doido o suficiente para fazer um “programa” com ela?

Bjs

Bento Souto

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sexta-feira, setembro 09, 2011

O PSICANALISADO

freud

Era uma vez um cara que entrou num bar, sentou no balcão do dito bar e, depois de chamar o garçom, pediu um chope. O garçom encheu uma caneca e deu pro cara. Este agradeceu e bebeu de uma talagada só, até o meio da caneca. Depois, balançou o chope que ainda restava, balançou, balançou… o garçom olhando pra ele… balançou e pimba! atirou o resto na cara do garçom.

É claro que o garçom já ia sair no tapa, quando o cara, quase chorando, pediu muitas desculpas, falou que aquilo era um gesto incontornável que ele tinha e – por isso mesmo – carregava na consciência um complexo desgraçado.

E tanto falou e se desmanchou em desculpas, que o garçom aceitou a situação e aconselhou o cara a ir consultar um psicanalista, conselho que foi logo aceito. O cara se despediu, tornou a pedir desculpas e prometeu que, no dia seguinte, ia procurar um psicanalista.

Passaram-se alguns dias, até que o cara apareceu outra vez no bar e pediu um chope. O garçom trouxe, ele virou metada de uma talagada só e começou a balançar o chope na caneca. Foi balançando, balançando… o garçom tá olhando pra ele… Outra vez! balançou mais uma e pimba!… novo banho na cara do garçom. E este ainda estava enxugando os respingos, quando o cara pediu outro chope.

Mas o garçom se queimou e falou: – Escuta aqui, seu chato. Da outra vez você me de o banho, mas depois pediu desculpas. Desta vez você piorou. Nem desculpas pediu.

– Piorei nada. Melhorei – disse o cara: – Fui ao psicanalista e melhorei. Ele me tirou o complexo. Agora eu ando tão desinibido quefaço a mesma coisa, mas sem o menor remorso.

(Dois amigos e um chato – Stanislaw Ponte Preta – Editora Moderna)

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Sérgio Porto (1923–1968), que usava o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, criou as mais engrançadas crônicas, criou moda, criou até muito da gíria que usamos até hoje.

terça-feira, julho 26, 2011

O QUE ESTAMOS ENSINANDO AOS NOSSOS FILHOS?

O cartunista argentino Joaquin Salvador Lavado, o QUINO, com a série de desenhos, abaixo, retratou como nossas crianças estão sendo ensinadas a viver. Abandonemos os valores que já tenhamos absorvido enquanto ainda há tempo.










Bento Souto

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quarta-feira, julho 20, 2011

MULHERES NÃO DEVEM BANHAR-SE TODOS OS DIAS


Enquanto eu fazia uma pesquisa na Patrística (série de documentos antigos atribuídos aos Pais da Igreja) encontrei essa raridade no volume 8, em um documento chamado "Constituição Apostólica", que supostamente foi escrito pelos apóstolos, mas que os eruditos dizem ter sido escritos por volta do final do século IV.

“Mas, se o banho for apropriado para as mulheres, ela deve banhar-se com ordem, modéstia, e moderação. Mas ela não deve banhar-se sem ocasião, nem muito, nem várias vezes, nem no meio do dia, nem, se possível, todo dia; e deve ser às quatro da tarde que é o tempo definido e apropriado para tais banhos. Por isso é conveniente que tu, que és uma mulher cristã, deves constantemente evitar a curiosidade que tem muitos olhos.”

Alguém duvida que algumas mulheres daquela época foram “disciplinadas” por desobedecerem recomendações como essas, feitas por supostos “representantes de Deus”?

Você consegue identificar recomendações tão absurdas como essas nos dias atuais?

Bjs

Bento Souto


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quinta-feira, julho 14, 2011

A MULHER PERFEITA - NASRUDIN


A MULHER PERFEITA

Nasrudin
(Khawajah Nasr Al-Din)

Nasrudin conversava com um amigo, que lhe perguntou:

- Então, mullah, nunca pensaste em casamento?

- Já pensei. Em minha juventude, resolvi conhecer a mulher perfeita. Atravessei o deserto, cheguei a Damasco, e conheci uma mulher espiritualizada e linda; mas ela não sabia nada das coisas do mundo. Continuei a viagem, e fui a Isfahan; lá encontrei uma mulher que conhecia o reino da matéria e do espírito, mas não era uma moça bonita. Então resolvi ir até o Cairo, onde jantei na casa de uma moça bonita, religiosa e conhecedora da realidade material.

- E por que não casaste com ela?

- Ah, meu companheiro! Infelizmente ela também procurava um homem perfeito.

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O Mullá Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) escreveu, no século XIV em que viveu, histórias onde ele mesmo era personagem. São histórias que atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, seita religiosa ou de sabedoria de vida, de antiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. Como o budismo e o zen-budismo, o sufismo sempre aliou o (bom) humor com sabedoria.

O texto acima foi extraído do livro "Contos de Ensinamento do Mestre Sufi Nasrudin", Éditions Dervish.

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Bjs

Bento Souto

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quarta-feira, junho 29, 2011

CONQUISTANDO UMA MULHER - NASRUDIN


CONQUISTANDO UMA MULHER

Nasrudin
(Khawajah Nasr Al-Din)


 

Nasrudin não tinha muito jeito com as mulheres. Certa dia ele ia se encontrar com uma jovem pela primeira vez. Resolveu então pedir conselhos a um amigo.

"Qual o segredo? Como posso fazer que ela me dê atenção e que se interesse por mim? Você sabe fazer isso e eu não, portanto diga-me o que devo fazer." Disse Nasrudin ao amigo.

"É simples! Lembre-se de três coisas: Comida, família e filosofia! Comece falando dessas três coisas." disse o amigo.

"Por que comida?" perguntou Nasrudin.

"Toda mulher se interessa por comida. O alimento está ligado a criança e a humanidade. Faz a mulher se sentir bem!" respondeu o amigo.

"E porque família?" perguntou Nasrudin.

"Falar de família faz a mulher perceber que você tem boas intenções!" respondeu o amigo.

"E porque filosofia?" perguntou Nasrudin.

"Falar de filosofia faz com que as mulheres sintam que são inteligentes!" respondeu o amigo.

Nasrudin foi então ao encontro com a jovem. Assim que se colocou em frente dela, perguntou:

"Alô! Prazer em conhecê-la! Você gosta de carne de caranguejo?"

A moça assustada respondeu que: "Não!".

Nasrudin fez então a segunda pergunta:

"Você tem um irmão?"

A jovem, achando tudo aquilo muito estranho disse: "Não!".

Nasrudin ficou confuso e perdido com as respostas negativas à suas duas perguntas e pensou: "E agora como falar de filosofia?" Mas, sem perda de tempo e no impulso, perguntou:

"Supondo que você tivesse um irmão, ele gostaria de carne de caranguejo?"

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O Mullá Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) escreveu, no século XIV em que viveu, histórias onde ele mesmo era personagem. São histórias que atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, seita religiosa ou de sabedoria de vida, de antiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. Como o budismo e o zen-budismo, o sufismo sempre aliou o (bom) humor com sabedoria.

O texto acima foi extraído do livro "Contos de Ensinamento do Mestre Sufi Nasrudin", Éditions Dervish.

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sábado, junho 25, 2011

O SERMÃO DE NASRUDIM


O SERMÃO DE NASRUDIN

Nasrudin
(Khawajah Nasr Al-Din)


 

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita. Ele concordou. Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:

- Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?

- Não, não sabemos

- Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja - disse o Mulla, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.

Desceu do púlpito e foi para casa. Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração. Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes. Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:

- Sim, sabemos

- Neste caso não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora.

E voltou para casa. Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.

- Sabem ou não sabem?

A congregação estava preparada.

- Alguns sabem, outros não.

- Excelente - disse Nasrudin - então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem.

E foi para casa.

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O Mullá Nasrudin (Khawajah Nasr Al-Din) escreveu, no século XIV em que viveu, histórias onde ele mesmo era personagem. São histórias que atravessaram fronteiras desde sua época, enraizando-se em várias culturas. Elas compõem um imenso conjunto que integra a chamada Tradição Sufi, ou o Sufismo, seita religiosa ou de sabedoria de vida, de antiga tradição persa e que se espalha pelo mundo até hoje. Como o budismo e o zen-budismo, o sufismo sempre aliou o (bom) humor com sabedoria.

O texto acima foi publicado no livro "Histoires de Nasroudin", Éditions Dervish, s.d., e extraído do livro "Os 100 melhores contos de humor da literatura universal", Ediouro – Rio de Janeiro, 2001, pág. 50. Organização de Flávio Moreira da Costa.

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Bjs

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sábado, junho 11, 2011

À BEIRA DA MORTE, MAS CHEIO DE PRECONCEITO


De: Marinah Flor de Maio


 

Ontem fui atender um paciente que está internado devido a uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) que o faz necessitar uma adição de uns dez litros de oxigênio por minuto. Cheguei na cama, ele abriu o olho e me disse:

– Eu disse claramente ao médico que não queria ser atendido por nenhum negro!

Depois disso, passou uns cinco minutos tentando regular sua respiração. Ajeitei-lhe a capinha do oxigênio, dei-lhe um copo de água e o ajudei a sentar numa posição menos inclinada para que pudesse respirar com mais facilidade. Quando se acalmou, ele me perguntou:

– E aí? O que a senhora acha?

– Eu acho q o senhor deve se sentir um miserável por lhe faltar o fôlego para expressar livremente seu preconceito em relação aos negros. E para piorar a sua situação, a única assistente social que tem fôlego para te amar apesar do senhor mesmo, sou eu, a assistente social negra da equipe. Maior inferno será quando o senhor morrer e se encontrar com Deus nos céus e Ele lhe revelar que de fato pintou Adão e Eva de preto, à Sua imagem, e que os homens brancos que andam por aí foi meramente por um erro de orçamento – acabou a tinta.

O velhinho riu, riu, riu, chamei o paramédico pra aumentar o oxigênio, preocupada que sufocasse no riso. Quando acabou de rir, passou uns dez minutos tentando recuperar o fôlego. O paramédico me olhando e rindo e dizendo:

– O quê? O que você disse?

Meio que aliviada por não ter matado o homem de rir, eu perguntei:

– E aí? O que o senhor acha?

– Eu acho que prefiro morrer rindo, volte, por favor.

Amanhã vou visitá-lo de novo. Vou ler-lhe a criação em Gênesis:

"E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente"

Já pensou se Deus não tivesse lhe soprado bastante fôlego? Não seria nem um homem branco, mas um homem azul... rsrsrsrs

Cuidar de gente é tudo de bom!


 

*Marinah é uma amiga brasileira/holandesa, assistente social em um grande hospital, mãe de duas crianças, Aisha e Caio (ela ainda vai me dizer as idades deles rsrsrs), casada com Michel (um policial holandês), reside em Hoofddorp, na Holanda, e que escreve coisas maravilhosas como essa, cheias de sensibilidade e humor, que eu pretendo publicar aqui no blog.