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sexta-feira, setembro 30, 2011

A HIPOCRISIA NOSSA DE CADA DIA 1 - PROSTITUIÇÃO


prostitutas

Em 1999, no Recife, enquanto me dirigia pela escada rolante ao piso superior de um shopping, ouvi o que dizia, ao telefone celular, uma jovem que não percebera que eu estava a menos de um metro dela:

-- Sou morena, bonita, tenho dezoito anos, um metro e sessenta e cinco, cabelos pretos, seios médios e firmes, bundinha arrebitada, corpo de modelo, gosto de beijar na boca, faço tudo e... -- ela interrompeu o que dizia, ao perceber a minha presença e se afastar com um sorriso malicioso de quem estava "à venda".

Ainda chocado com o que eu acabara de presenciar, comentei o fato com o taxista que me levava de volta para o trabalho. Aquele homem simples me disse:

-- Mas, "doutor", o que era de se esperar? Essas meninas são bombardeadas o dia todo com propagandas do tênis da moda, do jeans, da bolsa, do celular, do óculos, etc. Aí, elas querem essas coisas, mas não tem dinheiro. Então, para conseguir o dinheiro, elas vendem a única coisa que elas tem: o corpo!

Ontem, 07/10/09, o jornal O Estado de São Paulo publicou reportagem sobre o resultado de uma pesquisa conduzida por psicológos do Instituto WCF (World Childhood Foundation) -- uma ONG criada pela rainha Sílvia, da Suécia, que tem como objetivo "promover e defender os direitos da infância em todo o mundo". A pesquisa apontou entre outras coisas que, diferentemente do que as pessoas pensam, 88% dessas meninas moram com a família; 52% delas são aliciadas para a prostituição pelas próprias amigas; 65% do dinheiro que elas ganham é usado para comprar os mesmos bens de consumo citados pelo taxista do Recife. Ou seja, o taxista além de simples era sábio.

No entanto, eu não estou escrevendo isso para falar que a pesquisa comprova o que o taxista já sabia. Não, estou escrevendo para denunciar a "hipocrisia nossa de cada dia". Sim, pois, veja você que o mesmo jornal que apresenta os resultados dessa pesquisa e publica os escândalos sexuais envolvendo personalidades públicas e prostitutas, também publica em seus Classificados, na seção Relax - Acompanhantes, anúncios do tipo a seguir, com telefones para contato:

"Abigail, virgem, R$ 200, p/ brincar";

"Satiko, japonesinha, 18 anos, iniciante carinhosa";

"Any, 18 anos (loira belíssima), liberal c/ massagem"; etc.

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Ora, qualquer um percebe que esses são anúncios de prostituição. Detalhe, essa não é uma prática exclusiva do jornal paulistano. Anúncios de prostituição estão presentes em quase todos os periódicos brasileiros. Que palavra usaremos para descrever essa prática de promover aquilo que se condena? Informação? Serviço? Não, eu prefiro chamar de... hipocrisia.

Hipocrisia, dos jornais, porque lucram com aquilo que aparentam denunciar.

Hipocrisia, das autoridades, que fingem que as prostitutas não existem ao negar-lhes os direitos dos demais cidadãos, para agradar aos religiosos.

Hipocrisia, dos religiosos, que são rápidos em sacar suas bíblias para mostrar nelas que Deus condena a prostituição e que, portanto, reconhecer a profissão de prostituta é ir contra Deus. Entretanto, esses mesmos religiosos esquecem-se que Moisés não inventou e nem concordava com o divórcio -- algo que na bíblia é dito que Deus odeia. No entanto, o legislador do olho por olho e dente por dente não fez de conta que o divórcio não existia. Pelo contrário, ele estabeleceu regras para o divórcio, a fim de salvaguardar as mulheres das injustiças cometidas contra elas pelos homens.

Hipocrisia, dos homens, pois, raros são aqueles que nunca utilizaram os "serviços" de uma prostituta.

Hipocrisia, da sociedade, que finge não ver que as prostitutas existem. Outro dia, enquanto percorríamos a Av. Conselheiro Aguiar, em Recife, a mãe de minhas filhas contou 83 (oitenta e três!) prostitutas (apenas em uma avenida) aguardando homens que as contratassem. Isso sem contar as milhares disponíveis na Internet e nos anúncios classificados dos jornais.

Portanto, somos hipócritas quando negamos às prostitutas os direitos dos demais trabalhadores desse país.

Isso é o que eu penso!

Bento Souto

http://blogdobento.blogspot.com/

blogdobento@hotmail.com

quarta-feira, julho 20, 2011

MULHERES NÃO DEVEM BANHAR-SE TODOS OS DIAS


Enquanto eu fazia uma pesquisa na Patrística (série de documentos antigos atribuídos aos Pais da Igreja) encontrei essa raridade no volume 8, em um documento chamado "Constituição Apostólica", que supostamente foi escrito pelos apóstolos, mas que os eruditos dizem ter sido escritos por volta do final do século IV.

“Mas, se o banho for apropriado para as mulheres, ela deve banhar-se com ordem, modéstia, e moderação. Mas ela não deve banhar-se sem ocasião, nem muito, nem várias vezes, nem no meio do dia, nem, se possível, todo dia; e deve ser às quatro da tarde que é o tempo definido e apropriado para tais banhos. Por isso é conveniente que tu, que és uma mulher cristã, deves constantemente evitar a curiosidade que tem muitos olhos.”

Alguém duvida que algumas mulheres daquela época foram “disciplinadas” por desobedecerem recomendações como essas, feitas por supostos “representantes de Deus”?

Você consegue identificar recomendações tão absurdas como essas nos dias atuais?

Bjs

Bento Souto


http://blogdobento.blogspot.com/
blogdobento@hotmail.com

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

TRADIÇÃO X TRADICIONALISMO

A palavra “tradição” aparece onze vezes no Novo Testamento (João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida). Das onze ocorrências, em apenas uma somos incentivados a “guardar a tradição” (2 Ts 3:6). Nas outras dez vezes a “tradição” havia se transformado em Tradicionalismo, e se encontrava em oposição aos desígnios de Deus.

Existe uma tradição que não podemos abrir mão, a saber, a tradição dos apóstolos. O próprio apóstolo Paulo nos declara isso no contexto da Segunda Epístola aos Tessalonicenses. E o que vem a ser isso? Talvez o “Credo dos Apóstolos” seja um sumário das grandes doutrinas cristãs. Nele, as principais doutrinas da Fé Cristã são apresentadas. Apesar desse exemplo de Tradição que deve ser preservada, tenho a impressão que há muita Tradição, em nossos dias, que acabou sendo transformada em Tradicionalismo. Qual a diferença entre Tradicionalismo e Tradição?

Tradicionalismo é “apego às tradições ou usos tradicionais; conservadorismo”. Tradição é “tudo o que se pratica por hábito ou costume adquirido”, e ainda “herança cultural, legado de crenças, técnicas etc. de uma geração para outra” (Dicionário Houaiss - 2001).

Sei de igrejas batistas que vem enfrentando críticas ferozes porque seus membros resolveram começar a cantar louvores a Deus em ritmos atuais ou regionais. Muitos dizem que essa igreja está se tornando “mundana” ao trocar os “hinos santos” pela música do mundo. O que esses críticos não sabem é que as mesmas críticas, que eles fazem em relação a ritmos atuais ou regionais, no passado, foram feitas aos hinos.

Vejamos um pouco da história dessa controvérsia.

Em 1 de Março de 1691, em sessão administrativa, a maioria dos membros da Igreja Batista em Horsleydown, Londres, seguindo a orientação do Pr. Benjamin Keach, aprovou a proposta de cantar um hino, todos os domingos, após o sermão.

O grupo de insatisfeitos com aquela inovação, liderados pelo irmão Isaac Marlow, promoveu uma grande resistência. Não só dividiram a igreja em Horsleydown, mas também publicaram livros e panfletos criticando a “nova moda”.

A discussão foi levada à Convenção das Igrejas Batista de Londres em Junho de 1692. O motivo de tanta discussão era porque o grupo de Marlow só aceitava que Salmos (pois os mesmos eram inspirados por Deus) fossem cantados na igreja. Diziam eles que cantar “hinos” era “imitar o mundo”.

Inúmeros livros e panfletos foram escritos a favor e contra os hinos. O debate escrito só acabou em 1698.

Entretanto, muitos historiadores afirmam que essa discussão só terminou mesmo em 1736. Naquele ano, a igreja Batista de Maze Pond, que havia sido estabelecida pelos contrários ao cântico de “hinos” de Horsleydown, convidou Abraham West para ser seu pastor. O pastor West condicionou sua ida à Maze Pond ao cântico de hinos pela congregação. A igreja aceitou. (J.Barry Vaughn - Baptist Theologians - B&H, págs.53-55)

Esse exemplo mostra como uma inovação, que sofreu tantas resistências em seu começo, se tornou “tradicional” em nosso meio.

Devemos lembrar que o Cantor Cristão não existia antes do Pr. Benjamin Keach. Ele também foi fruto de uma inovação.

Atualmente, muitos não conseguem ver que a forma tradicional de fazer as coisas foi uma inovação que alguém fez. Com o tempo, muitos imitaram aquela inovação e ela se tornou Tradição.

Ou seja, o Cantor Cristão (ou até o HCC) não foi criado por Deus, mas foi uma inovação “para o louvor de Deus”.

Não é obrigatório que essa inovação (que se tornou tradição) seja usada para sempre.

Não tentemos satanizar as inovações dos outros.

Quem sabe se elas não se transformarão em uma nova Tradição?

Portanto, cuidemos para que nossas “Tradições” não se tornem “Tradicionalismo”.


Abcs Bento Souto