sexta-feira, julho 23, 2010

PLASTIC PEOPLE (Gente de Plástico)

Gostei dessa expressão do idioma Inglês moderno desde que a ouvi pela primeira vez. PLASTIC PEOPLE (Gente de Plástico, daqui por diante), fora do contexto de pessoas que trabalham com objetos de plástico, parece ter sido usado, no início, para designar pessoas que teriam se submetido a cirurgias plásticas.

Logo em seguida, “Gente de Plástico” passou a significar gente que não fosse autêntica. Também ganhou o significado de pessoas que se “quebram” facilmente. Enfim, “Gente de Plástico” é gente que não suporta as agruras da vida e cuja imagem exterior não representa o que se é na verdade.

Um garoto que morava na mesma rua da casa de meu avô parece ter sido o primeiro participante que eu conheci desse grupo de “Gente de Plástico”. Certo dia eu fui convidado para brincar com aquele garoto, na casa dele, pois, ele era filho único e os pais dele não permitiam que ele brincasse, na rua, com os demais garotos da vizinhança.

Enquanto meu único brinquedo era um estilingue, aquele garoto tinha um quarto abarrotado de brinquedos. Eram tantos os brinquedos que o guarda-roupa e a cama dele ficavam em outro quarto. Eu não gostei de brincar com aquele garoto. Pra falar a verdade, eu só fui na casa dele uma vez. Não quis mais brincar com aquele garoto por uma razão simples: os brinquedos dele eram todos de plástico. Ele possuía exércitos de plástico. Carros de plástico. Casas de plástico. Carros de plástico. Heróis de plástico. Animais de plástico.

A única coisa de plástico com a qual eu gostava de brincar com meus amigos era uma bola “dente de leite”. Os pássaros que eu capturava e criava eram de verdade. Eu caçava animais de verdade com o meu estilingue. As batalhas que eu travava com os meus amigos, tanto no futebol quanto em pequenas lutas, eram de verdade. Por isso, nunca me encantei com aqueles bonecos e brinquedos de plástico.

Anos depois, fiquei sabendo o motivo daquele garoto ter todos aqueles brinquedos de plástico e não ter permissão para brincar com os demais garotos: os pais dele eram membros de uma igreja evangélica e não desejavam que o filho se misturasse ou se contaminasse com as pessoas e os costumes do mundo.

Foi por causa desse episódio que eu percebi que não só existe “Gente de Plástico”, mas também pessoas a quem eu chamei de “Cristãos de Plástico”.

Certa vez, numa grande capital brasileira, me perguntei se não estava vendo “Cristãos de Plástico” fazendo um “Evangelismo de Plástico”. Eu estava numa grande praça e vi quando eles chegaram, Era um grupo de cerca de vinte pessoas. Tocaram instrumentos. Cantaram canções. Fizeram orações. Disseram algumas palavras. Só conversaram entre si e não se dirigiram a qualquer pessoa que estava na praça.

Um homem que precisava de um vale-transporte se dirigiu a vários deles e sempre teve um não como resposta. Escutei que eles falavam sobre as demais atividades religiosas que ainda teriam que participar naquele dia. Depois, eles foram embora.

Aquele que pedia um vale-transporte veio até um outro homem que estava sentado ao meu lado. Depois de trocarem algumas palavras, o meu vizinho deu um vale-transporte ao que pedia. “Vá com Deus” e “Deus lhe pague”, foram as palavras finais que eles disseram um ao outro. Não pude deixar de confrontar aquilo tudo que eu presenciara com as palavras escritas pelo apóstolo Tiago em sua epístola:

Minhas irmãs e meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo? Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viverem, não adianta nada dizer: "Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem." Portanto, a fé é assim: Se não vier acompanhada de ações, é coisa morta. (Tiago 2:14-17)

Apesar de ter vivido numa época em que o plástico ainda não existia, o apóstolo Tiago já conhecia os “Cristãos de Plástico”. Esses eram os que “diziam” ter Fé, contudo, eram incapazes de por em prática a Fé que “diziam” possuir.

Fé é algo invisível!

Ninguém é capaz de mostrar a Fé!

Portanto, a Fé só pode ser demonstrada através de ações!

Os “Cristãos de Plástico” dizem ter Fé. Suas ações, ou melhor, a falta de suas ações prova que eles não possuem Fé.

Para compensar essa ausência de Fé genuína, os “Cristãos de Plástico” se contentam em alardear a Fé deles. Em contrapartida, “Cristãos Genuínos” transformam sua Fé em ações – como fez aquele homem que deu o vale-transporte ao necessitado.

O mais incrível é que em nome da “defesa da Fé” – como se a Fé precisasse de defesa – alguns Cristãos se envolvem em “Questões de Plástico”. Afinal, que nome se poderia dar à cruzada de grupos cristãos contra a Mattel – fabricante da boneca Barbie?

Em fevereiro último, num lance de marketing, a Mattel resolveu que a boneca Barbie e o namorado, Ken, juntos há 43 anos, iriam se separar. Se já havia inúmeras reclamações de uma versão da Barbie que usava lingerie sensual, imagine o que não aconteceu com o “divórcio” do casal de bonecos de plástico?

Isso mesmo que você está pensando!

“Cristãos de Plástico” gritaram e espernearam contra uma “Questão de Plástico” em defesa de uma “Fé de Plástico!”

Que Deus nos livre dessas “coisas de plástico!”

Abraço,

Bento Souto

quinta-feira, julho 22, 2010

HARRY POTTER E A VERGONHA DE SER CRISTÃO

ESSE TEXTO FOI ORIGINALMENTE ESCRITO QUANDO DO LANÇAMENTO DA SÉRIE HARRY POTTER

"Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê..." (Romanos 1:16)

Esse verso ainda ecoa nos meus ouvidos depois de quase vinte anos daquele sábado, à tarde, quando eu saí às ruas de Tucuruí na companhia de alguns irmãos, tendo uma Bíblia nas mãos, e com o objetivo de evangelizar pessoas.

Era a primeira vez que assumia publicamente que eu era um cristão. Contudo, apesar de continuar sem ter vergonha do Evangelho e nem de Jesus Cristo, às vezes, eu tenho vergonha de ser identificado como "evangélico". Pus a palavra entre aspas para demonstrar que a minha vergonha é com o sentido que essa palavra tem para algumas pessoas.

Somos um povo que só vê preto-e-branco; Deus e o Diabo. Falo isso sem
generalizações, pois sei que há exceções. Me preocupa essa visão míope. Me preocupa a quantidade de asneira que vejo dita em "defesa da Fé e do Evangelho" por pessoas absolutamente despreparadas. O que eu vejo os "evangélicos" dizendo sobre Harry Potter e sobre sua autora, J.K.Rowling me deixa envergonhado.

Me preocupa a maneira leviana e fofoqueira, ou melhor, o falso testemunho (no linguajar bíblico) com que alguns "evangélicos" disseminam "estórias" (sei que em Português, agora só existe 'história', mas prefiro a versão antiga pois ela evidenciava bem a diferença entre um fato e uma ficção!) a respeito de supostos "satanistas". Pessoas famosas são acusadas de satanistas e adoradores do Diabo com uma leviandade tal que eu me pergunto se os acusadores não sentem a "consciência pesar"? Será que o Espírito Santo não os "convence do pecado, da justiça e do juízo"? Como podem falar sobre
aquilo que não tem conhecem? Como podem "levantar falso testemunho" dessa maneira?

Domingo passado (e provavelmente no próximo domingo, repetirão) muitos professores de EBD disseram inúmeras tolices acerca de Harry Potter, o personagem criado pela escritora J.K.Rowling. Algumas de nossas crianças deixaram suas classes confusas. Saíram se sentindo mal porque leram o livro (ou assistiram o filme) e gostaram, o que não deveria acontecer segundo alguns irmãos. Ou sentiram que estão perdendo tempo na EBD pois puderam perceber que seus professores são uns despreparados. A esmagadora maioria dos que condenam J.K.Rowling e seus personagens nunca leu sequer um livro da série!

Quando eu vi as primeiras acusações contra os livros de Harry Potter, fui até uma livraria e comprei um exemplar. Li-o antes da passar para minhas filhas. Faço isso com todos os livros. Tenho consicência do meu dever como pai de ensinar minhas filhas a pensar e a fazer boas escolhas. Imediatamente, ao ler Harry Potter, lembrei-me de um dos maiores apologetas cristãos do século XX, C.S.Lewis. Esses cristãos não sabem (e não sabem porque não leem) que C.S.Lewis escreveu uma série de livros com o mesmo ambiente que J.K.Rowlings escreveu Harry Potter. Um ambiente onde bruxos, magos, faunos, duendes e outros seres do imaginário infantil, vivem. Como saberiam esses cristãos desinformados e analfabetos literários que "As Crônicas de Nárnia" foi o livro de cabeceira de muitos filhos de cristãos do século passado? C.S.Lewis tocou a vida de milhões de crianças, ensinando o
amor ao próximo e o valor da amizade, através de personagens do reino da fantasia.

Infelizmente esses cristãos "iluminados" só conseguem enxergar nessas coisas "obra do Diabo". Claro, como poderiam enxergar de outra forma? Afinal, as fontes literárias que eles escolhem para se informar são uma gozação (literalmente!). The Onion (www.theonion.com), o jornal citado diversas vezes nesses artigos contra J.K.Rowlings e Harry Potter, não passa de um jornal humorístico. Um cristão que vai buscar informações no The Onion (O Cebola, em português) é igual a um brasileiro que escolhe "Casseta e Planeta" como fonte de informações sobre a guerra no Afeganistão.

O diabo da vez é J.K.Rowling e Harry Potter. Depois deles o diabo da vez será JRR Tolkien e seu "O Senhor dos Anéis", um dos maiores best-sellers ingleses. Para aqueles irmãos que usam "óculos coloridos" (em contraste aos que usam apenas 'preto-e-branco) JRR Tolkien foi um dos contemporâneos de C.S.Lewis em Oxford. Numa noite de Setembro de 1931, Lewis teve uma longa discussão com Tolkien (um católico romano devoto) acerca do Cristianismo, e com Hugo Dyson. A discussão da noite anterior teve importância no evento do dia seguinte que C.S.Lewis registrou em "Surprised by Joy": "Quando nós [Warnie e Jack] saímos [para o Zoológico Whipsnade] eu não acreditava que
Jesus Cristo era o Filho de Deus, quando nós chegamos ao Zoológico, eu acreditava".

Bem, desses 'diabos' que levam as pessoas a praticar o bem, a reconhecer o valor da amizade, a despertar jovens e crianças para a leitura, ou ainda melhor de tudo, a chegarem ao conhecimento de Jesus Cristo, eu não tenho vergonha. Mas desses cristãos que chamam tudo de diabo, eu me envergonho.

Abraço Bento Souto

OS CRISTÃOS E A BEBIDA ALCOÓLICA

Poucas pessoas conhecem, no Brasil, uma frase famosa dita por Martinho Lutero com relação à cerveja. Indagado sobre ter sido responsável pelo grande cisma na Igreja Católica Romana, Lutero respondeu:

"Eu não fiz nada, eu apenas preguei a Palavra de Deus, e enquanto eu tomava a minha cerveja a Palavra de Deus foi destruindo todo aquele império".

Para nós, crentes brasileiros, tal afirmação soa quase como blasfêmia. Por quê? Pelo simples fato de que nós fomos evangelizados pelos americanos. No tempo em que os americanos nos evangelizaram, imperava nos EUA uma corrida muito grande contra o álcool, que culminou com a decretação da "Lei Seca". Por isso herdamos essa verdadeira ojeriza contra quase tudo que contém álcool. Fruto da cultura americana de uma época. Houvéssemos sido evangelizados pelos europeus, não teríamos esse trauma em nossos dias. [Aos ainda em dúvida quanto a essa "Lei-Seca" ter sido ensinada pelos americanos, sugiro uma pesquisa aos costumes dos países europeus que enviaram missionários ao Brasil. Se assim o fizerem, verão que não há nenhum país europeu com "Lei-Seca".]

Eu já ouvi vários tipos de argumentos favoráveis e contrários à bebida. Com certeza os irmãos também, mas só para recapitular deixe- me colocar aqui alguns:

- o povo bebia vinho nos tempos de Jesus por falta de água (isso não é verdade, pois Jesus transformou vinho da água, se faltasse água...)
- o vinho nos tempos de Jesus não continha álcool (infelizmente isso não é verdade, Noé já havia ficado bêbado com vinho muitos anos antes de Jesus, portanto o vinho continha álcool)
- Paulo diz em Rom 14:21 que é "bom não beber vinho"; (no mesmo = verso ele também diz que "não é bom comer carne ou fazer qualquer outra coisa que faça tropeçar o teu irmão")
- Em algumas igrejas, se condena beber até guaraná, pois tem "a aparência do mal".(cerveja)
- o que importa é o que sai pela boca e não o que entra diz Mat. 15:17-18 (sugiro aos que pensam assim tomar veneno para testar se isso é verdade). - etc.

Assim, os argumentos são intermináveis e muitas vezes distorcidos do real sentido que o autor estava dizendo. Em vista disso, qual é a posição do crente em relação a bebida?

Primeiro, deixe-me deixar bem claro que em nenhum lugar a Bíblia condena o beber pelo beber. Beber não se enquadra no mesmo grupo de ações condenadas pela Bíblia tais como: adultério; roubo; prostituição; etc., onde nunca há motivos que justifiquem essas ações. Sempre elas são consideradas Pecados. Portanto, beber não se enquadra nesse grupo. Se a Bíblia condenasse o beber pelo beber e considerasse isso pecado, nos estaríamos em grande problema, pois assim Jesus teria pecado, pois em Lucas 7:33-34 Jesus diz:

"Porquanto veio João, o Batista, não comendo pão nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demônio, veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores".

Tendo estabelecido que beber por beber não é condenado pela Bíblia, o que, então, é que a Bíblia condena em beber?

Embriagar-se. Claramente a Bíblia condena o beber até embriagar-se. Conforme Efésios 5:18 "Não vos embriagueis com vinho (ou qualquer outra bebida)..." Isaías 5:11 tem o mesmo conceito de condenação. Paulo diz que os irmãos em Corintío estavam se embriagando durante a celebração da ceia do Senhor (1Cor 11:21-22). Ele condena essa atitude, apesar de ficar claro que era permitido beber vinho, pois como poderiam os corintíos se embriagarem se não fosse com vinho de verdade?

Bom, tendo estabelecido que a Bíblia não condena o beber, mas o embriagar-se, deixe-me prosseguir para o ultimo ponto de minha exposição que é mostrar que, às vezes, beber é pecado. Sim, a bíblia considera beber em certas ocasiões como pecado.

Primeiro, na entrega da Lei a Moisés ficou claro que os sacerdotes não deveriam beber vinho e nenhuma outra bebida forte quando fossem entrar no tabernáculo, sob pena de serem mortos, conforme Lev. 10:9.

Segundo, quando alguém fizesse o voto de Nazireu, não poderia beber vinho, nem suco de uva e nem comer uvas frescas ou secas, conforme Num 6:2-3.

Terceiro e última, a Bíblia considera beber um pecado quando isto escandaliza um irmão mais fraco, este é o principio do capitulo 14 de Romanos e o capitulo 8 de 1Corintios.

Aqui é onde precisamos ser sábios e entender esses princípios. Eu sugiro que antes de fazer qualquer julgamento, façamos uma leitura de 1Coritios 8 substituindo a palavra comida sacrificada aos ídolos por "bebida"(cerveja, vinho, etc.). Se fizermos isso, veremos claramente que o princípio é que existiam pessoas para quem o comer era pecado [assim como existem pessoas para quem o beber é pecado], e existiam outras para quem o comer não era pecado [assim como existem aqueles para quem o beber não é pecado].

A grande tarefa é como conciliarmos essas duas posições, haja vista que Paulo claramente mostra que nenhuma das duas está completamente errada ou certa, pois diz ele: "Não é porém, a comida [bebida no nosso caso] que nos há de recomendar a Deus; pois não somos piores se não comermos [bebermos], nem melhores se comermos [bebermos]"(1Cor 8:8).

Assim, na minha opinião, o princípio é claro. Se a minha bebida faz tropeçar o irmão mais fraco, eu não devo beber em sua presença. Isso é bem simples, existem aqueles irmãos que foram resgatados por Deus de uma vida de escravidão do álcool, e que não podiam (às vezes, nem podem) tomar um gole sequer, que não conseguem mais parar, senão, num bordel com prostitutas, quando o dinheiro acaba. Diante desses irmãos não se deve recriminá-los por não beber nem incentivá-los a fazer isso.

Da mesma forma, que nos dias de Paulo, existiam aqueles em Corintío, que haviam sido resgatados do culto aos ídolos, que para eles aquela comida sacrificado aos ídolos traziam toda uma carga de lembranças de trevas e engano espiritual, aliado as orgias associadas ao culto aos ídolos. Por isso Paulo diz claramente: "Mas, vede que essa liberdade vossa [comida no caso deles e bebida no caso nosso] não venha a ser motivo de tropeço para os fracos"(1Cor 8:9). É por isso que o apóstolo toma a decisão de não fazer tropeçar o irmão mais fraco,

"Pelo que, se a comida [bebida no nosso caso] fizer tropeçar a meu irmão, nunca mais comerei carne [beberei vinho ou cerveja] para não servir de tropeço a meu irmão".

Vamos examinar agora qual deve ser a atitude daqueles que acham que o irmão que bebe - sem se embriagar - está errado. Para isso vamos ter que olhar mais detidamente Romanos 14:3

"Quem come [bebe, no nosso caso] não despreze a quem não come [bebe]; e quem não come [bebe] não despreze a quem come [bebe]; pois Deus o acolheu."

Aqui é onde está a verdadeira sabedoria do cristão nesse assunto. Se um cristão que bebe encontra outro cristão que não bebe, não deve julgá-lo inferior por isso. Assim também, se um cristão que não bebe encontra outro cristão que bebe, não deve julgá-lo inferior por isso. Um não deve impor ao outro o que fazer, pois ambos fazem isto para o Senhor com ação de graças, "E quem come [bebe] para o Senhor come [bebe], e quem não come [bebe] para o Senhor não come [bebe], e dá graças a Deus."(Rom 14:6)

O que eu quero dizer com tudo isso é que beber vinho ou cerveja (com álcool ou não) é uma questão de gosto pessoal, se não formos nazireus, ou sacerdotes indo a presença do Senhor no templo, ou estivermos fazendo tropeçar um irmão mais fraco, ou para embriagar- se. Se alguém não está infringindo nenhuma dessas regras acima e ainda assim quer desfrutar de sua bebida, faça-o com ações de graças.

"Portanto, não julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso [nosso] propósito não por tropeço ou escândalo ao vosso irmão"(Rom 14:13).

Em posto tudo isso, espero que tenhamos aprendido a separar Lei do Senhor de Tradição Humana. Encerro orando para que tenhamos o discernimento de saber quando beber é ou não é pecado. Faço questão de dizer mais uma vez, isto não é uma apologia à bebida, mas sim uma opinião minha, sobre assunto tão controvertido. Os comentários dos irmãos serão bem vindos.

Agora, fique claro que "irmãos fracos na fé" não são esses "cascas grossas" que se dizem crentes há séculos. Esses, estão muito mais pra judaizantes do que pra cristãos!

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A PARTIR DAQUI EU RESPONDO A ALGUMAS OBJEÇÕES
Só uma curiosidade!
Se Jesus sabia dos "escândalos", das "consciências fracas" e do grande mal que o alcóol faz, por que Ele bebia? Por que Paulo deixava os crentes tomarem vinho na Ceia a ponto de alguns se embriagarem?

Parece que tem gente por aqui que se acha mais sabido e santo que Jesus e os apóstolos... rsrsrs... Será que vai aparecer alguém para me mostrar um único versículo que mostre que é proibido beber? Duvido!

Larissa, você não tem nada a ver com isso, mas, respondendo a sua pergunta: não posso afirmar com certeza quais eram as "bebidas fortes" que o texto do VT fala... mas não havia recomendação pra se afastar delas, não. Havia era apenas recomendação para que os sacerdotes não bebessem-nas quando fossem ministrar no serviço do templo. Muito lógico, né?
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Respondendo a pergunta do Marcos
Marcos escreveu:
No primeiro capítulo de Lucas um anjo aparece a Zacarias e fala do filho que Isabel espera (João).O anjo cita algimas qualidades do bb que vai nascer:
1 - 15 porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe;
Por que motivo será esta citação contra o vinho?
Mas por que isto???

Querido Marcos, a resposta é muito simples, João era NAZIREU! Se você quiser saber mesmo o que era o voto de nazireado, sugiro que leia atentamente o capítulo 6 do livro de Números.

Lá, você encontrará entre outras coisas a seguinte pérola:

"Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto de nazireu, para se separar ao SENHOR, De vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá. Todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma, que se faz da vinha, desde os caroços até às cascas". Numeros 6:2-4

Não foi apenas João Batista que foi separado para ser Nazireu. Sansão também o foi, conforme Juízes 13.

Nazireu é o que desejam que sejamos todos aqueles que pregam absoluta abstemia. Só que eles, como sempre, não querem o pacote todo: deixar de comer até uvas e nunca cortar o cabelo! Também pudera, né? Homem chegar com o cabelão em várias igrejas é motivo para ser barrado na porta.

Espero ter ajudado.

Abçs Bento
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FARIA DIFERENÇA?
Pessoal, faria alguma diferença se eu tivesse dito no meu post inicial que o Álcool já fez estragos terríveis na minha família e em alguns amigos? Pois é, eu tenho um irmão de sangue que é alcoólatra. Também tenho um tio que perdeu tudo, inclusive a vida, pois ele suicidou-se, por causa do álcool.

E por que eu continuo dizendo que não há problema com o álcool? Simples, porque o problema não está no álcool, mas nesses meus parentes. Meu pai e minha mãe tiveram onze filhos e filhas e apenas um tem problemas com o álcool. Dos maridos de minhas irmãs apenas um tem problema com álcool.

Então, alguém pode perguntar se não seria bom, por causa desses dois (meu irmão e meu cunhado), que ninguém em nossa família tocasse em álcool?

Só que eu não terminei a história ainda. Há uma garota em nossa família que é chocólatra. Viciadésima em chocolates. Certa vez, quando ela tinha dez anos de idade, em visita a alguns parentes, esquecemos de avisá-los desse problema dela. O resultado foi que ela comeu tanto chocolate que acabou indo parar no hospital...

E aí? Devemos também parar de comer chocolates na família?

Bom, nós gostamos de churrasco. Só que tem um que quando começa a comer não pára mais... Paramos com o churrasco também?

Em suma, mesmo sem apelar para a Bíblia, quer quer vê claramente onde é que está o problema. Nos excessos... na embriaguez!

O resumo de tudo que há na Bíblia sobre bebida, penso estar aqui, nestes dois versículos.

"O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio."(Provérbios 20:1)

"Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras." (Eclesiastes 9:7)

Bjs Bento Souto
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Escândalo do café!
Chico, querido, você nos proporcionou um excelente exemplo.

Lembrei de um amigo e irmão batista brasileiro que foi fazer Doutorado em Física na Sorbonne, em Paris. Ele, sua esposa e filhas (duas) estavam escandalizados com as crianças francesas tomando vinho durante as refeições em casas de irmãos e até na igreja batista.

Certo dia, me disse ele, percebeu que os pais (franceses) estavam escandalizados com a quantidade de café (puro! preto, não descafeínado) que o meu amigo dava para suas filhas pequenas tomarem! Um copo cheio?!?!? Isso era inaceitável, lá, segundo me contou ele.

Bem, continua valendo o princípio do escândalo, não continua?

"Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da.....se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua......aquele por quem Cristo morreu" (Rom 14:14-15).

Minha enteada de sete anos adora um expresso... rsrsrs

Será que por causa do escândalo eu devo ir tomar vinho na Europa e ela continuar tomando o expresso aqui? rsrsr

Ou será que chegou a hora de nós crescermos em maturidade e ver que "tudo é puro para os puros", e que "não devemos nos deixar apriosionar por coisa alguma", pois "foi para a liberdade que Cristo nos chamou"?

Beijão Bento
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O fermento do Wagner
Mano Wagner, que confusão é essa que você fez? rsrsrs

Primeiro, você pega um texto (Êxodo 13:7) fora do contexto e liga-o a um outro (Gálatas 5:9) que está falando coisas completamente diferentes.

O texto de Êxodo 13:7 está falando da preparação da comida da Páscoa judaica - que era pra ser celebrada uma vez por ano. O fermento só era proibido durante a Páscoa. É só olhar a partir de Êxodo 12 que você verá isso!

Já o fermento que Paulo faz menção em Gálatas 5:9 é nada mais do que o oposto do que você está defendendo. Quem ler o texto verá que Paulo está chamando de fermento a circuncisão -- que os judaizantes queriam obrigar os cristãos a se submeterem. Ou seja, o fermento da Lei levedaria a Graça. Quem usasse o fermento da Lei estaria obrigado a guardar toda a Lei. Paulo diz claramente que quem põe o fermento da Lei na Graça: "De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes" (Gálatas 5:4)

Outra grande confusão é confundir fermento de pão (ou de padeiro) com o processo de fermentação a que são submetidas várias bebidas. Nada a ver uma coisa com outra!

204 vezes aparece a palavra vinho na Bíblia. Na primeira menção, Genesis 9:24, Noé embriaga-se ao tomá-lo. Na segunda, Genesis 14:18, Melquisedeque traz pão e vinho para Abraão. Nas quatro seguinte, Genesis 19:32-34, as filhas de Ló embriagam-no com vinho e deitam-se com ele... Ou seja, somente alguém que foi submetido a lavagem cerebral (ou nunca leu a Bíblia!) acredita nessa bobagem de que o vinho da Bíblia não continha álcool.

Sinceramente, mano, se a sua consciência o acusa ou você não gosta, não beba! Agora, ficar arrumando malabarismos para dizer o contrário do que a Bíblia diz, só com muita paciência para suportar esse fermento de fariseus.

Abçs Bento

terça-feira, julho 06, 2010

A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS?

Alguém escreveu:
Eu já percebi que pouca gente aqui acredita nas Escrituras (bíblia) como palavra de Deus. Mas, para quem ainda acredita e busca agradar a Deus em tudo, vai aqui o que diz o Apóstolo Paulo sobre conversações:

"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; (...) A prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. (...) Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros. Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz, aprovando o que é agradável ao Senhor. (...) Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. (...)Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo;" Efésio 5.

MINHA RESPOSTA:
Eu não sou contra ninguém citar as escrituras. Eu sou contra citá-la fora do contexto.

Afinal, nem quem recomenda que se faça respondeu com salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração. Pelo contrário, veio foi com o juízo que diz que "pouca gente acredita nas Escrituras como palavra de Deus".

Ora, abundam os tópicos e textos onde gente como eu afirma que a Bíblia não é Jesus em forma de papel e nem Jesus é a Bíblia em forma de gente. Pelo contrário, a escritura inteira diz que Jesus é a Palavra de Deus e que ela, a escritura, dá testemunho dEle, Jesus.

Também ela, a escritura, declara que em Jesus habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e q Ele tornou muita coisa caduca nas escrituras... eram sombras. Hebreus, especialmente, coloca Jesus numa Ordem acima de tudo que é Judaico, até do patriarca Abraão sendo abençoado por alguém maior do que ele, Melquisedeque.

Ou seja, Deus é muito maior do que a Bíblia -- que é o apanhado histórico eleito como "inspirado" por homens de uma época e "divinizado" por outros, de outra época.

Ou por acaso alguém pode me dizer qual das bíblias é a Palavra de Deus? A Judaica? A Católica Romana? A Ortodoxa? Ou a Protestante? Todas elas são diferentes umas das outras.

Ou será que o próprio Deus desceu do céu e disse: "esse livro é canônico e esse outro não é"? Nunca. O processo de escolha dos canônicos e não-canônicos é o mesmo usado na Igreja Católica Romana para decidir quem é "santo" e quem não é. Homens escolhem e depois dizem: foi Deus!

Ora, se a bíblia não é o relato de homens que viveram em uma determinada época, com um determinado conhecimento, mas é "verbalização" de Deus, "infalível e inerrante" (como defendem alguns), como explicar que em Levítico 21 se diga que

Fala a Arão, dizendo: Ninguém da tua descendência, nas suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a oferecer o pão do seu Deus.
Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos..
.

e depois diz em 1 Samuel 16

Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.

Ora, só um cego não vê que o texto de Levítico só trata de coisas exteriores, como um homem vê outro homem, não tem nada a ver com Deus. Já o texto de 1 Samuel já mostra um Deus que vê diferente do homem.

Afinal, qual das das afirmações é Palavra de Deus? Deus muda de opinião, conforme a consciência humana vai mudando? Ou será que os humanos escrevem "Deus falou", conforme eles entendem em suas épocas, e depois nós percebemos que essa fé "estética e exterior" é a mesma de silvícolas brasileiros que sacrificam o bebê que nasce com defeito, pois, defeito externo, para os silvícolas atuais e para os israelitas do tempo de Moisés, era um impedimento de se agradar a Deus, porque aquele deus só via o externo?

Assim é com a bíblia transformada em Palavra de Deus. Nessa palavra-de-deus usada para-condenar-e-destruir, ter a pele negra já foi "sinal de Caim", "sina de Cão", etc. Escravidão já foi defendida pois, segundo os defensores, não havia nada na palavra-de-deus usada para-condenar-e-destruir que condenasse o possuir escravos (e não há mesmo!)...

O que eu realmente acho incrível é que as pessoas não percebem que Jesus não quer saber se alguém "conhece a escritura". Pelo contrário, o que ele sempre quis saber foi como as pessoas "interpretavam" a escritura, conforme Lucas 10:26

Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas?

Ou seja, citar escritura sempre foi coisa que qualquer religioso (ou até o diabo) sempre fez. Interpretar corretamente é que é a tarefa de quem a lê ou cita-a.

Assim, confundir livros com Palavra de Deus "infalível e inerrante"é o primeiro erro interpretativo que eu vejo muitos cometerem.

É isso!


Abcs Bento Souto

terça-feira, junho 15, 2010

JESUS TINHA UNS AMIGOS ESTRANHOS

Jesus tinha uns amigos estranhos... gente adepta de religiões falsas... gente da pior reputação... gente metida com astros... gente que matava os judeus em nome de um exército invasor... enfim, gente que para os da religião em que Jesus cresceu... nem era gente... eram só "pecadores"...

O curioso é que Jesus tinha o feio costume de mandar os que achavam que conheciam Deus e o Livro imitarem essa gente estranha... é só olhar quantas vezes Ele disse: vá e faze o mesmo!

Eu não posso deixar de notar o que Jesus disse, em Mateus 8, ao centurião romano que argumentava com Ele, não usando as escrituras, mas o bom senso. Disse o centurião:

não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.

Jesus respondeu nesses termos:

Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.

Em Israel havia os sacerdotes, levitas, escribas, fariseus, saduceus, doutores e intérpretes da Lei, além de grande número de pessoas que se reuniam todos os sábados nas sinagogas. No entanto, Jesus disse que a fé desse oficial romano era maior do que a de todos em Israel.

Para reforçar o que estava dizendo, Jesus foi mais longe ainda ao dizer que:

Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.
Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.


Ou seja, muitos que se dizem cristãos podem ficar de fora do Reino enquanto outros, considerados "estranhos" por alguns cristãos, entrarem no Reino, pois são, na verdade, amigos de Jesus.

Só Jesus é quem sabe quem é dEle e quem não é!


Bento Souto

terça-feira, junho 08, 2010

VOCÊ ACREDITA EM OVNIS?

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VOCÊ ACREDITA EM OVNIS?

Essa pergunta deveria ser dirigida apenas àqueles que nunca viram um OVNI (Objeto Voador Não Identificado).

Afinal, quem viu um OVNI pode dizer que não acredita na existência dos mesmos?

Da mesma forma, pode alguém que teve uma experiência inconfundível com Deus dizer que não acredita em Deus?

Agora, em minha opinião, o grande problema se dá com os "apologetas", que nunca viram um OVNI ou tiveram uma experiência inconfundível com Deus, mas tentam provar uma teoria ou outra.

Sim, a cada dia que passa eu quero mais distância de "apologetas". Sejam eles, "apologetas" da doutrina, do ateísmo, dos OVNIS, ou de qualquer coisa.

O maior "apologeta" sobre quem eu já ouvi falar chamava-se Saulo de Tarso. Ele é o exemplo perfeito do comportamento de um "apologeta": respira ameaças, xinga, espanca, persegue, difama, mente, etc. Tudo isso para "defender" a doutrina em que ele acredita.

Aliás, isso que estou dizendo sobre o comportamento dos "apologetas" pode ser visto todos os dias, nos fóruns de discussão da Internet.

Já o que me fascina em Jesus é que Ele nunca convocou ninguém para ser "apologeta" dEle. Pelo contrário, Ele incentivou quem o seguia a ser "testemunha" dEle. Lembrando que "testemunha" fala do que viu e ouviu. Já o "apologeta" fala apenas do que acredita.

Por essa razão, cada dia mais eu quero distância de "apologetas".

A propósito, quando eu era criança, meu tio, irmão de meu pai, me mostrou um OVNI que fazia manobras sobre Campina Grande, à noite, e foi visto também por centenas de pessoas na cidade.

Também, em 1982, em plena Floresta Amazônica, sozinho, tive uma experiência inconfundível com Deus, que mudou minha vida dali em diante.

Portanto, eu dou testemunho do que vi e ouvi e deixo as discussões para os "apologetas".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 03, 2010

O QUE FALTA AO MUNDO É O AMOR?




Lendo o comentário que Zeca, um amigo do Orkut, fez sobre o meu tio, após ter visto o album de fotos sobre Bernadete, minha prima que padece de profundas limitações físicas e psíquicas, uma vez mais eu constato que o que falta ao Mundo e, principalmente, a mim, é AMOR!

Eu creio que Deus é AMOR. Então, por conseqüência, eu sou obrigado a admitir que o falta a mim e ao Mundo é Deus. Meu tio atribui a Deus o Amor que ele tem por Bernadete.

O comentário do Zeca mostra, claramente, o contraste entre o AMOR e o DESAMOR.

Veja o comentário e olhe as fotos:

Se de um lado há pai que espanca filho, joga filho no mundo como cão sem dono, "mãe" que joga filho no rio e na lixeira. A gente vê tanto amor e dedicação por parte de um PÃE = pai + mãe, desse. Emocionante.
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http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=1041006058646772682&aid=1267161687

E você, consegue achar algo além do AMOR que falte ao Mundo, a você e a nós?

Simples, não é?

Então, sigamos a recomendação mais comum de Jesus a todos que o procuravam: fazei aos homens o que quereis que eles vos façam

Bento Souto

terça-feira, março 23, 2010

FOI POR VOCÊ - Não se esqueça disso

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Achei esse texto na página de uma amiga que perdeu o irmão.

Salvei-o em meu coração.

Espero que você faça o mesmo.
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Mais um dia e uma noite de serviço, uma missão cumprida...

Momentos cheios de perigos, emoção, aventura, alegria, tristeza...

O sol ardente na pele, um cinturão de munição, botas pretas, boina na cabeça, um radio tagarela q não toca belas musicas, somente números, vozes, ocorrência que nos deslocam a todo tipo de lugar, asfalto, lama, mato, poeira...

Num local ermo, um corpo frio, um mistério...Um bêbado, um desordeiro, assaltos à banco.

Em nossas rondas noturnas, a lua, companheira de nossas noites de luta.

Nas corridas, faróis, velocidade, sirenes...

Uma louca corrida para o fim da estrada, sem o fim da chegada... um certo policial, chuvas de balas, coração que dispara, uma lagrima que cai, um amigo q se vai...

E assim vamos nós, nas lutas, nas rondas, nas madrugadas, nos dias de sol e de chuva, passando em sua rua, seu bairro, sua cidade, em seus olhos, em seu medo, seu pensamento, seu sorriso, em sua vida...

É assim o dever que abraçamos, para que se acentue ainda mais sua segurança e sua felicidade.

Deixamos nossos lares, famílias, nosso mundo, nossos sonhos e amigos, nossa companheira, nossos filhos, POR VOCÊ...

Cada vez que escutar a sirene de uma viatura, mesmo que distante, diga, mesmo que só em pensamento: ”Vão com DEUS, eu estou com vocês”.

Cada vez que uma estrela brilhar mais forte por você, lembre-se de que pode ser a vida de um de nós, que num ultimo suspiro tenta dizer “não se esqueça de mim, foi por você”.

sexta-feira, março 12, 2010

"ADORADORES DA LETRA MORTA"

"Adoradores da letra morta", em minha opinião, são todos aqueles que não se deixam conduzir pela consciência gerada pelo "espírito do Evangelho", em cada geração, e querem sempre conduzir as pessoas para um ambiente que eles imaginam ser perfeito, no passado, haja vista que tal ambiente ficou registrado em alguma "escritura", a quem eles dão mais valor do que ao "espírito".

Para ficar mais fácil a compreensão do que eu quero dizer, basta trazer a memória o caso da Escravidão. Qualquer um que pesquisar sobre o assunto verá que o argumento básico dos favoráveis a Escravidão era: não há nenhuma condenação a prática da mesma nas escrituras... se fosse errado possuir escravos, não teria Jesus e/ou os apóstolos deixado isso claro falando contra?... etc.

Detalhe, os favoráveis a Escravidão não eram considerados "hereges", mas eram aqueles que hoje são cultuados como ortodoxos, tradicionais, reformados, gente que "defende as escrituras", etc. Poderia citar inúmeras outras questões que o "apego a letra morta" expôs: a liberdade das mulheres (votar, pedir o divórcio, etc.), o fim da Monarquia como forma preferencial de governo (o Rei possuía o direito divino de reinar, conforme "a letra morta"), e por aí vai...

"Adoradores da letra morta" são aqueles que conferem a Escritura (seja ela de que qual religião for...Judaica, Cristã, Islâmica, Hindu, etc.) o mesmo papel que os juristas modernos conferem ao Código de Leis e a Constituição que regem um país. Eles não se deixam guiar pelo "espírito", mas sim pela "letra".

O melhor exemplo que eu posso dar disso é o caso do deputado Ronaldo Cunha Lima, réu num processo de tentativa de assassinato de um adversário político na Paraíba. Durante anos, ele evitou a punição por tal crime tendo uma cadeira no Congresso, por conta da Lei que diz que só o Supremo Tribunal Federal pode julgar um parlamentar. Quando o STF decidiu julgá-lo, ele renunciou ao mandato e o processo voltou ao início. O relator do processo no STF, ministro Joaquim Barbosa, queria continuar o julgamento, já que o STF é a última instância da Justiça no Brasil, e o réu renunciara apenas para fugir da punição prevista na Lei. Os colegas do ministro preferiram seguir "a letra da Lei" do que o "espírito da Lei". O resultado é que o ex-deputado continua impune.

No caso da Justiça humana, ainda há uma possibilidade de melhoria, haja vista os parlamentares podem criar novas Leis. No caso dos "adoradores da letra morta" das "escrituras sagradas", não há esperança de melhora, haja vista que não se pode mais criar "novas escrituras".

Abcs Bento

O "DEUS DESCONHECIDO" ENVIOU JESUS!

A história do "Deus desconhecido", mencionado em Atos 17:15-34, cujo altar Paulo faz alusão em seu discurso no Aéropago, não tem nada a ver com as "escrituras judaicas", mas tem tudo a ver com Aquele que é Senhor de tudo e todos.

As pessoas de Atenas, séculos antes do apóstolo Paulo aparecer por lá, criam que o motivo da "praga" que estava matando os habitantes havia sido uma covardia que eles haviam feito com um grupo inimigo com quem eles estavam em guerra, mas que havia aceito um acordo de rendição. Contudo, após eles terem se rendido, os atenienses os mataram.

Quando a "praga" irrompeu, eles tentaram agradar os deuses conhecidos com sacrifícios, mas a "praga" não parou. Daí, eles apelaram para o oráculo de Pítias, que instrui-os a chamar o profeta cretense, Epimênides (mencionado por Paulo em Tito 1:12), que ofereceu sacrifícios e ordenou que se construíssem altares ao "Deus desconhecido". A praga cessou e um dos altares lá ficou.

O mais interessante é que esse episódio em Atenas é uma narrativa de Diógenes Laércio, um autor grego do século 111 A.D., numa obra clássica denominada "As Vidas de Filósofos Eminentes" (vol. 1, p. 110), séculos antes de Jesus, sem ligação alguma com profetas e historiadores judaicos, conforme a narrativa de Don Richardson, no livro "O Fator Melquisedeque".

Essa idéia de Deus se revelando aos "pagãos" chocava os judeus dos dias de Jesus. Hoje, ela choca cristãos que reduziram Deus a um "deus tribal", que só se revela através das "escrituras judaicas"... rsrsrs

No entanto, alguém que seja curioso o suficiente para se perguntar apenas de onde vem a palavra "Deus" irá perceber que Ele (o gênero masculino, em si, já é um antropomorfismo) é "Desconhecido"... rsrsrs

Nós, latinos, usamos a palavra "Deus" sem nunca nos perguntarmos de onde essa palavra surgiu. Nós, que temos Português como língua materna, mantivemos a forma de nossa língua mãe, o Latim. O Espanhol usa "Dios", o Italiano usa "Dio", o Francês "Dieu". Ou seja, o Latim popularizou a palavra "Deus".

Mas o Latim não é a língua mais antiga do mundo. Logo, qualquer um pode concluir que "Deus" é apenas uma palavra humana usada por um povo para designar o "Desconhecido", ainda que em Latim o sentido original de "Deus" deriva do indo-europeu deiwos (resplandecente, luminoso), que designava originariamente os corpos celestes (Sol, Lua, estrelas etc.) por oposição aos humanos, terrestre por natureza.

Se alguém fizer a mesma pesquisa com "God", em Inglês, irá desembocar no mesmo problema, isto é, Inglês é um idioma que também descende de outro idioma... e assim prossegue numa sucessão que vai até antes da escrita -- ou talvez até da fala, como a conhecemos, hoje.

Aqueles que estudam Línguas acreditam que o Sânscrito talvez seja a língua mais antiga dos homens. Para surpresa de muitos, "God" significava, originariamente, "Aquele que se invoca", conforme aparece na Rig Veda, a mais antiga das escrituras Hindus e fazia referência ao "deus" Indra, aquele da "chuva e do trovão".

Ou seja, não dá para querer honrar "Deus" apenas com palavras, pois nenhuma palavra é suficiente para descrever quem Ele é!

Por isso, "Deus" é apenas uma tentativa humana de traduzir em palavra Aquele que só pode ser conhecido na existência.

Por isso, eu dou risada quando vejo cristãos querendo imitar os judeus, escrevendo "D'us", como forma de "honrá-lo" -- como se Ele ligasse para palavras criadas pelos humanos para se comunicar através da escrita.

Por isso, Paulo não viu nenhum problema em dizer aos atenienses que anunciava o "Deus desconhecido", numa alusão clara ao que ELE havia feito no passado, em Atenas, através da instrumentabilidade de Epimênides, e no Universo, ao criar todas as coisas.

Por isso, antes das tábuas da Lei, Ele é o "Deus" de Abraão, Isaque e Jacó!

Por isso, quando perguntado por Moisés quem o enviava, Ele diz apenas: EU SOU!

Por isso, Jesus disse a samaritana que "Deus" é Espírito, e importa que "os Seus adoradores O adorem em 'espírito e em verdade', não em lugares -- ou nomes, se me permitem a liberdade.

Todavia, eu sei que os "adoradores da letra morta" irão torcer o que escrevo e dirão que eu ensino que "todos os deuses são Deus". Seria ingenuidade minha não reconhecer que há aqueles que pensam que "Deus" é um ser do tipo "porta da caverna do tesouro de Ali Babá" - que só abre quando é pronunciada a palavra exata.

A esses eu pergunto: se eu sabia quando minha filhinha se dirigia a mim, mesmo quando ela pronunciava "gugu-dadá", pois ainda não sabia dizer "papai" ou "Bento", por que eu pensaria que Deus é menos inteligente que eu, não sendo capaz de reconhecer quando Seus filhos lhe chamam?

Quem entende essas coisas compreende porque os judeus perseguiam Paulo e também porque, ali mesmo no Aéropago. alguns creram que o "Deus desconhecido" enviara Jesus e ressuscitara-o dos mortos.


Abcs Bento Souto

segunda-feira, março 01, 2010

OUVINDO E CANTANDO O QUE NÃO É EVANGELHO!

Queridos(as),


Outro dia, acompanhando uma pessoa muito querida, eu fui a uma reunião em um templo evangélico. Ouvi e vi tudo em silêncio.

Ouvi canticos de "vitória" sobre os problemas e as catástrofes da vida. O pregador repetia exaustivamente que "Deus livra", "Deus salva", "Deus protege", etc... Ele apoiava o que dizia citando passagens das escrituras e dizendo que... Crente pode ir pra fornalha, mas não se queima... Deus manda leões fecharem a boca para não comer crente... Deus manda anjo pra abrir cela de prisão...

Depois, ele passou a contar o "testemunho" do irmão fulano que, o carro tombou, foi perda total, mas o irmão só teve um arranhão... irmã sicrana foi curada de uma doença que geralmente é mortal. Etc.

Tudo isso para concluir com a seguinte afirmação: "Deus protege o seus... mas, não garante que faz isso com os ímpios... com os do mundo".

Todos deram aleluias e améms!

Eu, baixinho, perguntei a quem lá me levara: "Pergunta pra esse sujeito se ele pregaria essa mensagem lá no Haiti?"

-- Não, claro que não -- ele me respondeu sorrindo.

Eu continuo me perguntando como as pessoas continuam dispostas a ouvir e a pregar aquilo que não é Evangelho? Aquilo que não tem aplicação na vida real das pessoas?

Sinceramente, eu não entendo!

Depois, quando a tragédia lhes bate a porta -- e saiba, um dia ela bate! --, e um dos seus mais queridos se vê com um câncer que lhes corrói o corpo por dentro, ou por uma morte brutal e inesperada, ou vítima da violência dos homens ou da natureza, esses mesmos que continuam dando ouvidos ao que não é Evangelho são os primeiros a ficarem decepcionados com Deus, por Deus não lhes ter protegido daquilo que Ele nunca prometeu que protegeria...

Jesus nunca prometeu carta de alforria contra as vicissitudes da vida para ninguém . Pelo contrário, Ele garantiu que na vida teríamos aflições. Ele também disse que, aqueles que Nele cressem, em verdade, receberiam conforto dEle mesmo para atravessar essas aflições.

A quem você dá ouvidos?

Bento Souto

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

TRADIÇÃO X TRADICIONALISMO

A palavra “tradição” aparece onze vezes no Novo Testamento (João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida). Das onze ocorrências, em apenas uma somos incentivados a “guardar a tradição” (2 Ts 3:6). Nas outras dez vezes a “tradição” havia se transformado em Tradicionalismo, e se encontrava em oposição aos desígnios de Deus.

Existe uma tradição que não podemos abrir mão, a saber, a tradição dos apóstolos. O próprio apóstolo Paulo nos declara isso no contexto da Segunda Epístola aos Tessalonicenses. E o que vem a ser isso? Talvez o “Credo dos Apóstolos” seja um sumário das grandes doutrinas cristãs. Nele, as principais doutrinas da Fé Cristã são apresentadas. Apesar desse exemplo de Tradição que deve ser preservada, tenho a impressão que há muita Tradição, em nossos dias, que acabou sendo transformada em Tradicionalismo. Qual a diferença entre Tradicionalismo e Tradição?

Tradicionalismo é “apego às tradições ou usos tradicionais; conservadorismo”. Tradição é “tudo o que se pratica por hábito ou costume adquirido”, e ainda “herança cultural, legado de crenças, técnicas etc. de uma geração para outra” (Dicionário Houaiss - 2001).

Sei de igrejas batistas que vem enfrentando críticas ferozes porque seus membros resolveram começar a cantar louvores a Deus em ritmos atuais ou regionais. Muitos dizem que essa igreja está se tornando “mundana” ao trocar os “hinos santos” pela música do mundo. O que esses críticos não sabem é que as mesmas críticas, que eles fazem em relação a ritmos atuais ou regionais, no passado, foram feitas aos hinos.

Vejamos um pouco da história dessa controvérsia.

Em 1 de Março de 1691, em sessão administrativa, a maioria dos membros da Igreja Batista em Horsleydown, Londres, seguindo a orientação do Pr. Benjamin Keach, aprovou a proposta de cantar um hino, todos os domingos, após o sermão.

O grupo de insatisfeitos com aquela inovação, liderados pelo irmão Isaac Marlow, promoveu uma grande resistência. Não só dividiram a igreja em Horsleydown, mas também publicaram livros e panfletos criticando a “nova moda”.

A discussão foi levada à Convenção das Igrejas Batista de Londres em Junho de 1692. O motivo de tanta discussão era porque o grupo de Marlow só aceitava que Salmos (pois os mesmos eram inspirados por Deus) fossem cantados na igreja. Diziam eles que cantar “hinos” era “imitar o mundo”.

Inúmeros livros e panfletos foram escritos a favor e contra os hinos. O debate escrito só acabou em 1698.

Entretanto, muitos historiadores afirmam que essa discussão só terminou mesmo em 1736. Naquele ano, a igreja Batista de Maze Pond, que havia sido estabelecida pelos contrários ao cântico de “hinos” de Horsleydown, convidou Abraham West para ser seu pastor. O pastor West condicionou sua ida à Maze Pond ao cântico de hinos pela congregação. A igreja aceitou. (J.Barry Vaughn - Baptist Theologians - B&H, págs.53-55)

Esse exemplo mostra como uma inovação, que sofreu tantas resistências em seu começo, se tornou “tradicional” em nosso meio.

Devemos lembrar que o Cantor Cristão não existia antes do Pr. Benjamin Keach. Ele também foi fruto de uma inovação.

Atualmente, muitos não conseguem ver que a forma tradicional de fazer as coisas foi uma inovação que alguém fez. Com o tempo, muitos imitaram aquela inovação e ela se tornou Tradição.

Ou seja, o Cantor Cristão (ou até o HCC) não foi criado por Deus, mas foi uma inovação “para o louvor de Deus”.

Não é obrigatório que essa inovação (que se tornou tradição) seja usada para sempre.

Não tentemos satanizar as inovações dos outros.

Quem sabe se elas não se transformarão em uma nova Tradição?

Portanto, cuidemos para que nossas “Tradições” não se tornem “Tradicionalismo”.


Abcs Bento Souto

terça-feira, janeiro 19, 2010

O "deus" EM QUEM EU SOU ATEU!

Certo médico descobriu a cura para uma doença que matava a todos na cidade onde ele vivia. Como era de se esperar, o médico vacinou seus familiares contra a doença. Contudo, mesmo havendo vacina suficiente para todos na cidade, aquele médico decidiu que somente uns poucos iriam ter acesso à vacina.

Durante anos, aquele médico vacinou apenas alguns pacientes de quem ele gostava. Alguns deles, o médico vacinou-os enquanto eles dormiam, sem que eles sequer houvessem tomado conhecimento. Os demais, o médico deixou que morreressem sem aplicar neles a vacina.

Alguém que age assim pode ser chamado de um "médico que ama seus pacientes"?

Lindemberg matou Eloá porque ela se recusou a continuar namorando com ele. Lindemberg amava verdadeiramente Eloá?

Hitler acreditava na superiodade da Raça Ariana e considerava os Judeus a escória do mundo, por isso dicidiu exterminá-los.

O que os três exemplos anteriores possuem em comum?

Eles são retratos humanos do "deus" em que muitos cristãos crêem. Um "deus" que, se humano fosse, e fizesse o que os cristãos dizem que ele faz com toda a raça humana, seria condenado em todos os tribunais humanos.

Um "deus" que não oferece escolhas... mas que só é seguido e obedecido se usar da "força" da aplicação da vacina...

Um "deus-lindemberg" que se não for amado... não apenas mata... mas põe aquele que se recusa a amá-lo numa churrasqueira sem fim...

Um "deus" que tem a vacina -- mas só aplica em quem ele quer -- e culpa os que morrem da doença que ele se recusou a curar... (e ainda joga os doentes que morrem na mesma churrasqueira sem fim!)

Sem rodeios: num "deus" assim, eu sou ateu!

De um "deus" desse, eu quero distância!

Do "amor" de um "deus" desse, eu peço que Deus me livre!

Chamar o "amor" de um "deus" desse de "evangelho" é a piada de mais mau gosto que eu já ouvi na vida!

O Pai que anseia pela volta do filho que foi pra longe e o recebe com festas, quando o filho decide voltar, não tem nada a ver com esse "deus".

O Jesus que pode ser encontrado por todo aquele que usa de misericórdia e amor para com seu próximo, não tem nada a ver com esse "deus".

O Cordeiro que foi morto, antes da fundação do mundo, em remissão pelos pecados de toda a humanidade, não tem nada a ver com esse "deus".

O Deus que estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, não tem nada a ver com esse "deus".

Portanto, Evangelho é essa notícia... de que da parte de Deus já está tudo pago; tudo reconciliado; e que, como o Pai do filho pródigo, Deus nos aguarda de braços abertos para a reconciliação que Ele mesmo já promoveu em Cristo.

Um "deus" cujos caminhos são facilmente inteligíveis aos humanos -- como são os caminhos desse "deus" descrito acima -- é um "deus-humano", criado à nossa imagem e semelhança.

Já o Deus que governa o Universo e os corações dos homens, enquanto eles tomam decisões próprias -- o que torna qualquer escolha inexplicável -- é um Deus maior do que nossos pensamentos!

Isso talvez se dê porque Amor não se explica... Amor se mostra, amando!

Considere se o que eu lhe digo faz sentido.


Bjs Bento Souto

sábado, novembro 07, 2009

quinta-feira, novembro 05, 2009

"ALFREDINHO" - MAIS UM DOS ANÔNIMOS DE JESUS

Ele viveu entre nós

Frei Betto


Salão do Sindicato dos Cozinheiros de Paris, início da década de 40. 0 presidente indaga quantos trabalhadores tem um mes de férias por ano. Uns tantos se levantam. Quem tem apenas uma semana de descanso. Uns poucos ficam de pé. Quem só obtém licença do patrão para descansar apenas no fim de semana. Outro punhado de pé. Quem nunca descansa? Um rapaz suíço, com pouco mais de um metro e meio de altura, levanta-se ao fundo. Era Alfredo Kunz, um militante cristão.

Meses depois, Alfredinho, como era conhecido, foi mobilizado pelo Exército francês para lutar contra o avanço das tropas de Hitler. Aprisionado, passou a guerra num campo de concentração na Áustria, ao lado de prisioneiros soviéticos. Aprendeu russo para pregar o Evangelho a seus companheiros de infortúnio. Em 1945, logrou fugir do campo, onde morreram cerca de 40 mil pessoas. Estranhou a indiferença dos soldados nazistas que cruzavam com ele, um notório evadido, com uniforme azul e cabeça raspada. Naquele dia, a guerra terminara.

Alfredinho tomou três decisões: tornar-se padre, trabalhar com os mais pobres entre os pobres e jamais vestir outra roupa que não reproduzisse o modelo do uniforme do campo, em memória de seus companheiros mortos.

Ingressou na congregação dos Filhos da Caridade e, a convite de dom Antônio Fragoso, em 1968 veio para a Diocese de Crateús (CE). Perguntou ao bispo qual era a paróquia mais miserável da diocese. Dom Fragoso apontou Tauá, região de seca e flagelo. Alfredinho instalou-se na capela local. Desprovida de casa paroquial, ele dormia no colchão estendido junto ao altar e cozinhava num fogareiro.

Certa noite, foi chamado para atender uma prostituta que, cancerosa, agonizava em seu barraco de taipa, na zona boêmia. Antonieta queria confessar-se. Padre Alfredinho disse a ela: "Somos nós que devemos pedir perdão a você. Perdão pelos pecados de uma sociedade que não Ihe ofereceu outra alternativa de vida. Como Jesus prometeu, Antonieta, você nos precederá no Reino de Deus. Interceda por nós."

Após receber a absolvição e a unção dos enfermos, a mulher faleceu. Não havia dinheiro para o caixão. As prostitutas enrolaram a companheira num lençol e arrancaram a porta de madeira do barraco para levar o corpo a vala comum do cemitério. Ao retornar para colocar a porta no lugar, Alfredinho teve uma inspiração. Durante anos, o vigário de Tauá habitou aquele casebre em plena zona boêmia da cidade.

Num tempo de seca, os flagelados invadiam as cidades do Ceará. Temerosos, muitos fechavam as portas. Alfredinho criou a campanha da Porta Aberta ao Faminto (PAF), cartaz que cerca de 2 mil fami1ias ostentaram em suas casas, acolhendo as vítimas do descaso do poder público.

Fomos amigos e bebi de sua espiritualidade. Barbado, vestido com a roupa azul que lembrava um macacão, sandálias nos pés e mochila nas costas, o aspecto de Alfredinho não diferia do de um mendigo. Convidado a pregar o retiro dos franciscanos, em Campina Grande, chegou de madrugada e dormiu na escada da igreja do convento. Ao acordar, catou as moedas que encontrou em volta e bateu a porta. "Quero falar com o superior", disse ao porteiro. "O superior não pode atender. Está em retiro." Alfredinho tentou esclarecer: "Sim, eu sei, pois vim pregar o retiro." O porteiro já ia expulsá-lo quando Alfredinho foi reconhecido por um frade que passava.

Testemunhei fato idêntico em Vitória, nos anos 70. A cozinheira interrompeu meu jantar com dom João Batista da Motta Albuquerque para comunicar: "Um mendigo insiste em falar com o senhor." O arcebispo reagiu: "Diga a ele que espere, minha filha. Vou atende-lo após o jantar." Era o padre Alfredinho, que viera pregar o retiro do clero local.

Em 1988, Alfredinho mudou-se para a Favela Lamartine, em Santo André (SP). Passou a viver entre o povo da rua e a dedicar-se a confraria que fundou, a Irmandade do Servo Sofredor (Isso), hoje congregando pessoas consagradas aos mais pobres em dez Estados do Brasil e vários países. Sua trajetória espiritual entre os excluídos está narrada em seus livros, muitos traduzidos no exterior: A sombra do Nabucodonosor, A Ovelha de Urias, A Burrinha de Balaão, A Espada de Gedeão e O Cobrador.

No domingo, 13 de agosto, Alfredinho transvivenciou, acolhido por Aquele que era o seu caso de Amor. Deixou como herança o testemunho de que uma Igreja afastada do pobre é uma Igreja de costas para Jesus..

Frei Betto, escritor, é autor do romance sobre exclusão social Hotel Brasil (Ática), entre outros livros

sábado, setembro 19, 2009

O DEUS QUE É DISCRETO, SIMPLES, GENTIL E HUMILDE

O negócio da religião é simples de discernir e difícil dele sair de dentro da gente.

Na religião há uma bandeira, um time e uma torcida para cada uma delas.

Um ser religioso é um ser de rituais e costumes, aliados a um "respeito" a letra morta da escritura --- seja ela qual for: Cristã, Muçulmana, Budista, etc. --, a quem ele proclama defender.

O Deus da religião tem nome e é carente de adoração via "sacerdotes" em reuniões coletivas.

Já o Deus em quem eu creio é aquele que é O NOME, o Deus que é!

O Deus que é discreto, simples, gentil e humilde -- para a surpresa de muitos.

Sim, o Deus que não aceita adoração senão a da vida em misericórdia para com o próximo.

Sim, o Deus humilde, pois Ele só se dá a conhecer aos que falam a língua universal do AMOR -- que é a essência dEle mesmo -- e só busca adoradores que o adorem, não em um "lugar", mas, no íntimo do ser, em espírito e em verdade; que o adorem na vida -- mesmo quando escrevem, falam, comem, bebem, e, principalmente, quando se relacionam com outros seres humanos e com o Planeta.

Sim, o Deus humilde que quando vestiu cara de gente, só se fez discernir por quem creu nEle, pois não havia aparência nenhuma exterior de poder ou pompa real.

Quem é da religião (do time, da bandeira e da torcida), de qualquer uma delas, quando vê um hindu amar como Gandhi ou um muçulmano como Yunus, se não for do mesmo time, tende a sentir pena que alguém tão bom possa estar tão enganado.

Quando eu vejo alguém que ama o próximo, independente da etiqueta religiosa ou cultural, eu ligo na hora com os personagens dos evangelhos a quem Jesus elogiou a fé -- a mulher sírio fenícia, o samaritano, o centurião romano, etc. --, e que não eram da "religião" de Jesus... rsrsrs Como se Jesus tivesse "outra religião" que não a do AMOR.

Assim, querido(a), "escritura", para mim, é a história do relacionamento de um povo com Deus. Palavra, é aquela que é impressa na nossa alma, e não em páginas de um livro.

É isso que eu discerni.


Abcs Bento

quinta-feira, julho 02, 2009

O BANQUEIRO DOS POBRES – SUBORNO E DESVIO DE DINHEIRO!

Em 1984, quando ficou claro para o Banco Mundial que não permitiríamos que se metessem na direção do Grameen, eles desistiram de nós e resolveram formar a sua própria organização de microcrédito em Bangladesh, onde mesclavam nosso modelo de empréstimo a atividades não ligadas a crédito de outras organizações sem fins lucrativos bem-sucedidas no país. Achei a idéia não realista e lhes disse isso.


 

O governo de Bangladesh aceitou nossa avaliação e resistiu à iniciativa do Banco Mundial, o qual parece não ter aprendido nada com nossa argumentação da inviabilidade da sua proposta. Pelo contrário, retirou do documento do projeto recusado o nome "Bangladesh" e o ofereceu ao governo de Sri Lanka.


 

As instituições de ajuda multilateral têm muito dinheiro para distribuir com quantias estabelecidas para cada país. Quanto mais dinheiro concederem, melhor seu conceito como doadores de empréstimo.


 

Em meu trabalho em Bangladesh vi o desespero dos funcionários dos organismos doadores para conceder maiores quantidades de dinheiro. Eles fazem o que for preciso para conseguir isso: subornam direta ou indiretamente funcionários do governo ou políticos; alugam casas para instalar o escritório do projeto; providenciam viagens ao exterior para o funcionário do governo, organizando seminários e congressos em cidades que ele quer visitar.


 

Um funcionário de uma instituição financeira doadora me confidenciou que não conseguia fazer seu projeto avançar, atravancado pela burocracia de Bangladesh. Ele teria então aceitado uma proposta de financiar um outro projeto, de 5 milhões de dólares, na área residencial do funcionário do governo responsável pela aprovação do projeto inicial, este de 100 milhões. (Considerei inútil até mesmo esse projeto maior, para o qual ele estava tão ansioso em obter aprovação do governo de Bangladesh.)


 

Fiquei chocado quando ouvi essa história e os detalhes do projeto de 5 milhões de dólares que ele concordara em financiar.

- Você sabe muito bem que esse dinheiro simplesmente irá para o bolso dos amigos dos funcionários do governo.

O funcionário do organismo doador disse:

- Claro que sei. Mas esse é o preço que estou disposto a pagar pela aprovação do meu projeto.

- Você quer dizer que está havendo suborno! - disse, indignado.

- Bom, eu não penso assim. Esse é um projeto legítimo, que vai ser submetido ao processo de avaliação.


 

O dinheiro do suborno seria fornecido por uma instituição internacional. E o pior disso tudo: o povo de Bangladesh é que iria pagá-lo, com juros.


 

Em outros casos os consultores, fornecedores e empreiteiros facilitam o mecanismo do suborno. Afinal de contas eles são os maiores beneficiários dos projetos financiados. Os cálculos de uma instituição de pesquisa nos mostram que, dos mais de 30 bilhões de dólares em ajuda externa recebidos nos últimos 26 anos, 75% nunca chegaram realmente a Bangladesh na forma de dinheiro. Em vez disso eles vieram como equipamento, commodities, suprimentos e o custo de consultorias, contratantes, conselheiros e especialistas.


 

Alguns países ricos usam o orçamento de ajuda externa para empregar suas próprias pessoas e vender seus próprios bens. Os 25% restantes que efetivamente chegaram a Bangladesh na forma de dinheiro foram para as mãos de uma pequena elite local de fornecedores, empreiteiros, consultores e especialistas. A maior parte desse dinheiro é usada na compra de bens de consumo importados que de nada valem para a nossa economia ou para a força de trabalho do nosso país. E há uma crença generalizada de que grande parte do dinheiro dos doadores acaba sendo dada a funcionários e políticos como suborno para definir decisões de compras e assinaturas de contratos.


 

O problema é o mesmo em todo o mundo. A base da ajuda internacional é de 50 a 55 bilhões de dólares anuais. E muitos dos projetos financiados com esse dinheiro criam burocracias governamentais imensas, que se tornam corruptas e ineficientes e logo se desviam dos objetivos originais. A ajuda é dada com a suposição de que o dinheiro deve ir para os governos. Num sistema que alardeia a superioridade da economia de mercado e da livre empresa, o dinheiro da ajuda internacional acaba sendo destinado à expansão dos gastos governamentais, atuando freqüentemente contra o interesse da economia de mercado.


 

Já afirmei muitas vezes que o dinheiro gasto em infindáveis burocracias seria muito mais bem aproveitado se fosse dado como crédito às pessoas mais necessitadas do nosso país. Por exemplo, pôr nas mãos dos 10 milhões de famílias mais pobres de Bangladesh, como crédito, a soma de 100 dólares exigiria 1 bilhão de dólares à vista. As famílias beneficiárias poderiam investir esse dinheiro em empreendimentos que aumentariam a sua renda. Se 90% do dinheiro fosse recuperado, teríamos criado um fundo rotatório de 900 milhões de dólares, a ser reciclado como empréstimos sucessivas vezes.


 

A ajuda externa normalmente vai para a construção de estradas, pontes, etc. que supostamente ajudam "a longo prazo" os pobres. Mas a longo prazo o pobre e faminto vai morrer. E do mundo real nada vai para ele.


 

Não me oponho à construção de estradas e pontes. Mas elas fazem sentido apenas quando os pobres podem se beneficiar da sua existência. E isso normalmente não acontece.


 

Os principais beneficiados, direta e indiretamente, por essa ajuda são os ricos, embora tudo seja feito em nome dos pobres. A ajuda externa se torna caridade para os poderosos. Se se pretende que ela tenha algum impacto na vida dos pobres, é preciso redirecioná-la de modo que atinja os domicílios diretamente, sobretudo as mulheres dos lares mais pobres. Acho que uma nova metodologia de ajuda precisa ser pensada com novos objetivos.


 

Atacar diretamente a pobreza deve ser o objetivo de toda ajuda para o desenvolvimento, que deve ser considerado uma questão de direitos humanos, e não uma questão de crescimento do PNB, que considera que, se uma economia nacional melhora, os pobres se beneficiarão disso.


 

A concepção de desenvolvimento precisa ser redefinida: desenvolvimento deve significar uma mudança positiva no status econômico dos 50% da população que vivem em condições de vida inferior. Se não ajudar a melhorar a condição econômica dessa faixa da população, então não se trata de ajuda para o desenvolvimento. Em outras palavras, é preciso julgar e medir o desenvolvimento econômico pela renda real per capita dessa população.


 

terça-feira, junho 30, 2009

O BANQUEIRO DOS POBRES – “OS CONSULTORES”

A consultoria é uma atividade respeitável. Mas em países dependentes da ajuda de doadores ela perdeu o seu significado original e se tornou algo muito preocupante. Todos sabem o quanto os países do Terceiro Mundo se tornaram dependentes dos doadores. Mas não se avalia o quanto a burocracia os tornam dependentes dos consultores.


 

Uma categoria específica de consultores é exímia em produzir pilhas de documentos, bem-encadernados e bem-impressos. A qualidade desses documentos não interessa a ninguém. Um número cada vez maior de consultores internacionais está se notabilizando em vender seus serviços no ramo de ajuda externa. Atualmente é considerado o melhor consultor aquele que pode justificar, convincentemente, decisões que já foram tomadas pelos funcionários dos doadores.


 

Quando visitam um candidato a doação, os consultores fingem que estão interessados em seus apelos. Mas suas conclusões, em quase todos os casos, já estão preestabelecidas pelos organismos doadores que representam. Eles trabalham dentro daquela orientação, porque assim vão poder ser novamente contratados. Muitas vezes, os consultores são como técnicos de futebol que nunca jogaram ou viram um jogo de futebol em sua vida. Técnicos de futebol cujo único jogo que já jogaram foi o vôlei.


 

Considero que o crescimento da atividade de consultoria desencaminhou gravemente os organismos doadores internacionais. A existência do consultor pressupõe que o país beneficiário precisa ser guiado passo a passo na identificação, preparação e implementação do projeto. Os doadores, e os consultores por eles empregados, tendem a assumir uma atitude arrogante em relação aos países beneficiários.


 

Os consultores têm um efeito paralisante sobre os países beneficiários. Atualmente os funcionários e os acadêmicos dos países beneficiários aceitam os números mencionados nos documentos dos doadores preparados pelos consultores. Não apresentam seus próprios fatos e números.


 

Sei que os organismos doadores são bastante pressionados para usar a verba destinada para fins de doação dentro de cada ano fiscal; e os caros consultores têm a excepcional qualidade de dar ao trabalho um aspecto de profissionalismo. Os países beneficiários acham ótimo poder deixar os detalhes para os consultores, pois quase sempre só estão interessados na quantia que irão receber. Quando o acordo é assinado e os projetos são lançados, começam a surgir os problemas reais. Mas ninguém pensa em culpar os consultores; estes, por sua vez, lançam toda a culpa nos ombros dos países beneficiários. Brincando com os projetos que tratam do destino das pessoas, acabam por ficar com uma parte considerável do dinheiro.

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Esse negócio de doações acabarem enchendo os bolsos de quem diz que quer resolver um problema social se torna explícita nas palavras de José Padilha, diretor dos filmes "Tropa de Elite" e "Ônibus 174"


 

"Tem ONGs seriíssimas, mas há também as que não são. Quando fiz 'Ônibus 174', olhei a estatística de meninos de rua e ONGs no Rio [Rio de Janeiro]. Eram 3.400 meninos de rua e 1.615 ONGs. Se cada uma pegasse dois, acabava o problema. As ONGs são importantes, mas desconfio da proliferação."

segunda-feira, junho 29, 2009

O BANQUEIRO DOS POBRES – O BANCO MUNDIAL


 

Banco Mundial Washington D.C., 1993


 

Foi um longo caminho percorrido, dos 27 dólares emprestados a 42 pessoas em 1976 até os 2,3 bilhões de dólares emprestados a 2,3 milhões de famílias em 1998. Em 1997 realizou-se a Conferência do Microcrédito, que lançou uma campanha de âmbito mundial para atingir 100 milhões de famílias no ano 2005. Os programas do Grameen se estendem por todo o mundo, do Equador à Eritréia, de ilhas no círculo polar ártico até Papua-Nova Guiné, no sul, dos guetos do centro de Chicago até as comunidades remotas das montanhas do Nepal.


 

Mas estamos em novembro de 1993, uma ocasião extremamente importante para o Grameen, porque finalmente as nossas idéias chegaram ao local sagrado dos países doadores. Fui convidado pelo presidente do Banco Mundial para falar à Conferência Mundial da Fome, na sede do Banco Mundial, em Washington D.C. Ao me levantar para falar, imagens daquelas mulheres batalhadoras passam por minha mente.


 

Detenho-me e olho pensativamente para a audiência. Quem teria imaginado que, vindo de meu escritório em Mirpur, um bairro de Daca, localizado defronte a uma favela, eu estaria aqui, no centro internacional do mundo financeiro, desafiando o Banco Mundial com um discurso que relataria nossas experiências e nossos métodos?


 

Como o Banco Mundial e o Grameen tiveram, ao longo dos anos, tantas contendas e discordâncias, às vezes se comenta que ambos prezam essa briga. Alguns funcionários do Banco Mundial até entenderam a razão do microcrédito, mas nossos estilos são tão radicalmente diferentes que eles não poderiam nos dar a assistência ou a ajuda de que precisávamos. Durante muitos anos o Grameen gastou muito tempo e energia nessa contenda com o Banco Mundial.


 

Diante daquela audiência me lembrei da teleconferência ocorrida no Dia Mundial da Alimentação, em 1986. Patricia Young, coordenadora nacional da Comissão Americana do Dia Mundial da Alimentação, havia me convidado para participar de uma mesa-redonda, junto com o então presidente do Banco Mundial, Barber Conable, numa teleconferência que seria televisionada para trinta países. Apesar de não ter idéia do que fosse uma teleconferência, aceitei o convite. Era uma oportunidade para explicar por que eu achava que o crédito devia ser considerado um direito do homem e como ele podia exercer papel estratégico na eliminação da fome da face da Terra.


 

Essa teleconferência deu início à rixa. Não tinha intenção de chamar para briga o presidente do Banco Mundial, mas fui forçado. Ele comentara que o Banco Mundial fornecia ajuda econômica ao banco Grameen em Bangladesh. Achando que devia corrigir a informação errada, educadamente disse que o Banco Mundial não fizera isso. Duas vezes mais, ignorando meus protestos, Conable repetiu que o Banco Mundial dava ajuda financeira ao banco Grameen. Não queria passar por mentiroso, então insisti: "Nós, do banco Grameen, nunca quisemos ou aceitamos dinheiro do Banco Mundial, porque não gostamos do modo como ele realiza seus negócios. Qualquer projeto que financiam acaba sendo assumido por seus especialistas e consultores. Eles não descansam enquanto não moldam o projeto do seu modo. Não queremos intromissão no sistema que nós construímos e não aceitamos ordens que modifiquem nossa maneira de conduzir o negócio".


 

Foi nesse ano que rejeitamos a oferta de um empréstimo a juros reduzidos de 200 milhões de dólares feita pelo Banco Mundial.


 

Já que o sr. Conable havia me levado para o ringue, eu o enfrentaria. Segundo ele, o Banco Mundial empregava os melhores cérebros do mundo, portanto as suas soluções eram sempre as melhores. Contestei: "A contratação de grandes cérebros não se traduz necessariamente em políticas e programas que ajudam as pessoas, particularmente os pobres. De que adianta serem eles os melhores do mundo, se pairam acima das nuvens e não conhecem a vida terrena? O Banco Mundial devia contratar pessoas que entendessem o pobre e a sua vida. Esse conhecimento tornaria esta instituição mais útil do que é atualmente".


 

Acho muito constrangedor o estilo dos doadores multilaterais de fazer negócios com os pobres. Posso citar minha experiência com o Projeto Dunganon na ilha de Negros, nas Filipinas. A ilha era muito pobre e mais da metade de suas crianças eram subnutridas. Em 1988, foi iniciado o Projeto Dunganon, que era baseado no nosso. Em 1993, a dra. Cecile del Castillo, ainda inocente com relação à natureza e aos hábitos de trabalho dos consultores internacionais, pediu dinheiro ao IFAD (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola) para ajudar a expandir o seu programa. O IFAD, organismo das Nações Unidas, com sede em Roma, criado para dar ajuda à população rural carente, concordou prontamente com o pedido de ajuda feito por Cecile del Castillo, mandando quatro missões para investigar a sua proposta. Gastou milhares de dólares em passagens aéreas, diárias e honorários, mas o projeto nunca recebeu um único centavo.


 

Entretanto isso resultou num acordo assinado, em 1996, entre o governo das Filipinas, o Banco do Desenvolvimento da Ásia e o IFAD. O acordo determinava que o Banco do Desenvolvimento da Ásia e o IFAD deviam emprestar 37 milhões de dólares às Filipinas para dar sustentação a programas de microcrédito. Devido a complicações burocráticas, até março de 1998 esse dinheiro ainda não estava disponível. Depois de cinco anos, durante os quais especialistas analisaram o projeto e gastaram centenas de milhares de dólares, as famílias pobres da ilha de Negros ainda não tiveram o aumento dos empréstimos do programa de microcrédito que a sua situação calamitosa exigia.


 

Não posso deixar de pensar que se o projeto da ilha de Negros simplesmente tivesse recebido uma quantidade igual à do custo de uma única missão do IFAD o microcrédito teria sido capaz de atingir muitas centenas de famílias pobres.

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Não posso deixar de notar as similaridades entre o "mundo social" e o "mundo religioso". Em ambos, alguns participantes de certas organizações acham que são os "senhores do saber", mesmo que nem conheçam a vida daqueles a quem dizem desejar ajudar.


 

Outra similaridade inquietante é que os recursos, muitas vezes, se esvaem em "despesas administrativas e com o staff" e não atingem quem se deseja ajudar.


 


 

Bento Souto

segunda-feira, junho 22, 2009

PARABÉNS KAKÁ!

Como todo brasileiro eu vibrei com a vitória do Brasil sobre a Itália.


 

Todavia, além do futebol, o que eu mais gostei de ver foi a atitude de Kaká em um lance do jogo. Ao cometer uma falta em Pirlo, jogador da Itália, mesmo sem o árbrito marcar, Kaká parou o lance, reconheceu a falta e pediu desculpas ao Pirlo.


 

Ah, naquele momento eu vibrei. Vibrei porque esse é o comportamento que eu espero que um cristão tenha dentro de campo. Chega de ver aquelas mensagens nas camisas por baixo do uniforme com o nome de Jesus. Chega de ver mãos levantadas ao céu e gritos de "glória a Deus". O que eu quero ver são gestos como esse de Kaká, onde a Justiça prevalece sobre o desejo de vencer. Sim, em minha opinião, Kaká fez a jogada mais bonita de todo o jogo, ainda que não tenha mandado nenhuma bola para as redes da Itália.


 

Talvez essa minha vibração se deva ao fato de que detestava o comportamento de um pastor que jogava bola conosco quando eu era um garoto. A bola saía e ele dizia que não. A bola batia nele e ao invés dele dizer que era escanteio, ela negava. Ele cometia falta e dizia que o lance era normal. Isso me irritava e contribui para que eu visse que a religião do pastor só era praticada nos templos e não no campo de futebol.


 

Por isso, eu dou os parabéns ao Kaká e gostaria de ver mais cristãos fazendo o que ele fez hoje.


 

Sei que os críticos dirão que Kaká segue os ensinamentos de líderes inescrupulosos. Pra mim, isso é problema do Kaká. Aliás, um problema até pequeno em vista aa pouca idade dele. Eu, do alto dos meus 48 anos, já aprendi que nem sempre se acerta em tudo na vida. Todavia, eu me alegro quando vejo que alguém valoriza mais o agir com Justiça do que ganhar. Isso serve pra mim como sinal de aprendizado. Quem segue por esse caminho, não seguirá falsos ensinos por muito tempo.


 

Parabéns, Kaká!


 

Alguns dirão que Kaká não merece os parabéns porque o comportamento dele nada mais é do que o que se espera de um cristão. Eu concordo com isso. Entretanto, quando apenas um faz o que deveria ser regra, esse merece os parabéns.


 

Pense nisso na próxima vez que você for jogar futebol ou fazer qualquer outra coisa. Maradona venceu uma Copa do Mundo fazendo um gol com a mão. Vencer, violando a Justiça. parece não combinar com o ensino de Jesus. Talvez tenha sido por isso que Ele disse:


 

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?


 


 

Abração


 


 

Bento Souto