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sexta-feira, outubro 07, 2011

EU NÃO QUERO SER “DOUTOR EM BÍBLIA”

 doutor em biblia

Quando eu estudava Inglês numa escola em Boca Raton, na Flórida, nos Estados Unidos, uma das tarefas escolares era escrever uma redação a cada semana para acompanhar a melhora no domínio do idioma.

Certo dia eu escrevi uma redação cujo título era "EU NÃO QUERO APRENDER INGLÊS". Nela, eu dizia que se aprender Inglês fosse me fazer perder a harmonia existente no convívio com os demais alunos, eu não queria aprender Inglês.

A razão era simples, na minha classe havia gente de vários países e de diferentes culturas e religiões. Judeus, Muçulmanos, Católicos, Ateus, Evangélicos, Comunistas, etc, e todos conviviam pacíficamente. Eu trabalhava em um grande Cinema e trazia todos os dias um saco com mais de 100 litros de pipoca para distribuir entre os alunos. Ali, em volta de um gigantesco saco de pipocas, nós trocávamos amabilidades – gestos simples como oferecer um copo dágua, por exemplo – na maioria das vezes, sem quaisquer palavras, pois nosso domínio do Inglês ainda era muito básico.

Portanto, dizia eu na minha redação, se aprender Inglês fosse servir para ficar com porfias de palavras e argumentos tolos, eu preferia ficar sem aprender o Inglês. Prefiria continuar falando a linguagem universal do Amor, reconhecida como linguagem, mesmo sem palavras, do que aprender um novo idioma para deixar de amar.

Hoje, escrevo essa "redação" para dizer também que eu não quero ser "Doutor em Bíblia".

Se ser "doutor em Bíblia" significa ensinar que Deus só tem filhos dentre os adeptos do Cristianismo, eu não quero ser "doutor em Bíblia".

Se ser "doutor em Bíblia" significa ensinar que a Mulher é um ser inferior ao Homem e que, por isso, não pode desempenhar certas funções "espirituais", eu não quero ser "doutor em Bíblia".

Se ser "doutor em Bíblia" significa ensinar que os Homens foram divididos em Castas, tendo uns acesso a Deus mais facilmente que outros, eu não quero ser "doutor em Bíblia".

Se ser "doutor em Bíblia" significa ensinar que é necessário obedecer muitas "doutrinas", conhecer as opiniões de vários outros "doutores em Bíblia", mas agir de tal forma que os “analfabetos em Bíblia” não enxerguem Jesus na minha vida, eu não quero ser "doutor em Bíblia".

Hoje, aos cinquenta anos de idade, eu estou plenamente satisfeito em saber apenas o básico que foi ensinado por Jesus a um “doutor em Bíblia”, que foi o seguinte:

“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

Entretanto, como ainda assim é possível complicar uma coisa tão simples como essa, eu prefiro o mais básico ainda, que segundo Jesus é:

“Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.”

E isso, eu não quero apenas saber, mas é algo que quero que Deus me ajude a praticar em todos os dias que me restam aqui na terra.

Bjs

Bento Souto

http://blogdobento.blogspot.com/

blogdobento@hotmail.com

sexta-feira, março 12, 2010

"ADORADORES DA LETRA MORTA"

"Adoradores da letra morta", em minha opinião, são todos aqueles que não se deixam conduzir pela consciência gerada pelo "espírito do Evangelho", em cada geração, e querem sempre conduzir as pessoas para um ambiente que eles imaginam ser perfeito, no passado, haja vista que tal ambiente ficou registrado em alguma "escritura", a quem eles dão mais valor do que ao "espírito".

Para ficar mais fácil a compreensão do que eu quero dizer, basta trazer a memória o caso da Escravidão. Qualquer um que pesquisar sobre o assunto verá que o argumento básico dos favoráveis a Escravidão era: não há nenhuma condenação a prática da mesma nas escrituras... se fosse errado possuir escravos, não teria Jesus e/ou os apóstolos deixado isso claro falando contra?... etc.

Detalhe, os favoráveis a Escravidão não eram considerados "hereges", mas eram aqueles que hoje são cultuados como ortodoxos, tradicionais, reformados, gente que "defende as escrituras", etc. Poderia citar inúmeras outras questões que o "apego a letra morta" expôs: a liberdade das mulheres (votar, pedir o divórcio, etc.), o fim da Monarquia como forma preferencial de governo (o Rei possuía o direito divino de reinar, conforme "a letra morta"), e por aí vai...

"Adoradores da letra morta" são aqueles que conferem a Escritura (seja ela de que qual religião for...Judaica, Cristã, Islâmica, Hindu, etc.) o mesmo papel que os juristas modernos conferem ao Código de Leis e a Constituição que regem um país. Eles não se deixam guiar pelo "espírito", mas sim pela "letra".

O melhor exemplo que eu posso dar disso é o caso do deputado Ronaldo Cunha Lima, réu num processo de tentativa de assassinato de um adversário político na Paraíba. Durante anos, ele evitou a punição por tal crime tendo uma cadeira no Congresso, por conta da Lei que diz que só o Supremo Tribunal Federal pode julgar um parlamentar. Quando o STF decidiu julgá-lo, ele renunciou ao mandato e o processo voltou ao início. O relator do processo no STF, ministro Joaquim Barbosa, queria continuar o julgamento, já que o STF é a última instância da Justiça no Brasil, e o réu renunciara apenas para fugir da punição prevista na Lei. Os colegas do ministro preferiram seguir "a letra da Lei" do que o "espírito da Lei". O resultado é que o ex-deputado continua impune.

No caso da Justiça humana, ainda há uma possibilidade de melhoria, haja vista os parlamentares podem criar novas Leis. No caso dos "adoradores da letra morta" das "escrituras sagradas", não há esperança de melhora, haja vista que não se pode mais criar "novas escrituras".

Abcs Bento