sexta-feira, maio 13, 2011

DINHEIRO E FELICIDADE





Quando um dos meus amigos -- que era riquíssimo -- se suicidou, eu confirmei minha crença de que felicidade não tem nada a ver com dinheiro.

Muitos dizem que é melhor ser infeliz mas ter o bolso cheio de dinheiro.

Eu tenho o bolso vazio, mas sou feliz, e ele tinha bilhões no bolso, mas não era feliz.

Lembre-se apenas disso: Deus não inventou o dinheiro!

Então, caso você não tenha ainda entendido: dinheiro não é essencial.

Amor é essencial.

Não é o amor ao dinheiro que é essencial.

O que é essencial é amar ao próximo.

Não conheço nada que possa fazer alguém mais feliz do que amar ao próximo. Amar de verdade, de fato, com ações e não apenas com palavras.

Uma sobrinha minha diz que ama o gato dela. Porém, é a mãe dela quem alimenta o gato...

Já sacou? Preciso dizer mais alguma coisa?


Bjs Bento Souto

O QUE EU JÁ APRENDI COM A MORTE?




Morreram duas Marias --sobre quem eu nada sabia. Uma morreu na semana passada e outra anteontem. Ontem, morreu Wellington (nome verdadeiro). Eu havia visto, ao sair para o almoço, ontem, a Irmã Aída dando a comida na boca dele, como ela sempre fazia. Hoje, Wellington não está mais lá. "Ele foi fazer a última viagem; aquela que todos nós vamos fazer um dia", disse-me "O Pato", um dos meus parceiros de Dominó no Asilo.

Salomão, o famoso sábio rei de Israel, disse que [i][blue]Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração.[/i][/blue] Eu concordo com ele. Salomão também disse que [i][blue]O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria.[/i][/blue] Isso me torna um sábio? De jeito nenhum. Madre Tereza de Calcutá assistiu milhares de famintos e outros milhares que estavam à beira da morte. Estou ciente da enorme distância que há entre eu e ela.

Contudo, uma coisa eu já aprendi: O Asilo é o inverso do Orfanato.

No Orfanato, a Consciência das crianças cresce a cada dia.

No Asilo, os velhinhos vão perdendo a Consciência a cada dia.

No Orfanato, as crianças se movimentam cada dia mais.

No Asilo, os velhinhos se movimentam cada dia menos.

Quando são adotadas, as crianças saem do Orfanato e vão viver em uma família.

Os velhinhos vão viver no Asilo porque não conseguem mais viver em família -- e do Asilo, vivos, não saem mais.

Aprendi também que Asilos e Orfanatos tem uma coisa essencial em comum: eles só funcionam por causa de gente de coração generoso e compassivo, como Madre Tereza de Calcutá, George Muller e tantos outros anônimos como a Irmã Aída e aqueles que contribuem com seus trabalhos, suas vidas e seus recursos.

Isso foi o que eu já aprendi... Mas ainda há muito o que aprender.


Beijão Bento Souto

segunda-feira, maio 09, 2011

"MISERÁVEIS" ou "MILIONÁRIOS"?



Definir o que é ser POBRE é algo difícil até para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Já, definir o que é ser "MISERÁVEL", para a OMS e vários países, é bem mais fácil: basta que alguém tenha uma renda diária inferior a 1 Dólar Americano. Como o Dólar está muito barato, o Governo Brasileiro declarou que quem ganha menos de R$ 70 reais por mês é "MISERÁVEL".

Nós éramos 14 pessoas em nossa família (pai, mãe, 11 filhos e uma prima). Meu pai sempre ganhou salário mínimo. Portanto, segundo a OMS e o Governo Brasileiro, nós éramos "MISERÁVEIS".

Minha irmã Edijane (que está comigo na foto acima), que antes de completar 9 anos de idade já ficava em casa fazendo o almoço e cuidando dos irmãos menores, enquanto eu ia com minha mãe lavar roupa num riacho próximo de casa, tem uma opinião diferente. Ao comentar o meu texto ENTRE DOIS AMORES ela disse:

"A falta de amor é maior de todas as misérias. Por isso, nós da família Souto fomos e somos uma família milionária."

Concordo totalmente com o que ela disse. Nós podíamos ser "MISERÁVEIS" em relação ao Dinheiro. Porém, nós éramos e somos "MILIONÁRIOS" em relação ao AMOR.

Jesus, ao ouvir o pedido de um homem para que interviesse numa questão de herança, disse:

"Tenham cuidado com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas."(Lucas 12:15)

Quantos de nós acredita nisso de verdade? Quantos de nós não achamos que se a nossa renda ou patrimônio aumentar, aí é que seremos felizes?

Talvez tenha sido por isso que Jesus advertiu muitas vezes os "MISERÁVEIS" que O ouviam sobre o "amor ao dinheiro". Aliás, segundo os padrões da OMS, Jesus também era "MISERÁVEL". Adão e Eva, então, meu Pai, que nem um teto sobre as cabeças tinham, eram o quê?

Veja abaixo uma foto dos nossos "milhões"... rsrs



Beijão Bento Souto

sexta-feira, maio 06, 2011

ENTRE DOIS AMORES

Dizem que um homem não pode amar duas mulheres ao mesmo tempo. Discordo. Dizem que os três não podem ser felizes num triângulo amoroso. Discordo também.

Quando eu nasci, fui batizado seguindo a tradição dos Católicos Romanos. Meus pais escolheram meu avô, Bento Souto, e minha tia, irmã de meu pai, Maria Daluz, como meu padrinho e minha madrinha.

Naquela época, padrinhos e madrinhas tinham a responsabilidade de ajudar os pais a cuidar dos afilhados. Ou, no caso da morte do pai, ou da mãe, assumir o afilhado como filho. Numa época em que Seguro de Vida era privilégio de poucos e a expectativa de vida dos brasileiros não chegava aos 50 anos de idade, os padrinhos e madrinhas eram a melhor maneira de garantir o futuro dos filhos

Sendo o primeiro filho dos 13 que meus pais tiveram -- dos quais 11 sobreviveram--, pude experimentar de fato o amor de minha mãe e de minha madrinha. Segundo os padrões da Organização Mundial de Saúde, nós não éramos pobres, mas, sim, "MISERÁVEIS". A Pobreza é relativa, segundo a OMS, mas a "MISÉRIA" é absoluta. Portanto, qualquer pessoa que viva numa família cuja renda per capita seja inferior a 1 Dólar americano por dia, é considerada "MISERÁVEL".

Por isso, minha madrinha entrou em ação logo que eu nasci. Foi ela quem saiu de Pedra Lavrada e veio trabalhar e morar em Campina Grande. Depois que ela se estabeleceu, foi arrumando trabalho para todos e acabou provocando o êxodo da família inteira, transformando agricultores em habitantes urbanos.

Meus pais e meus irmãos ficaram em Pedra Lavrada e eu vim morar com minha madrinha em Campina Grande. Ela se encarregou de tudo que eu precisava: roupas, escola, fardamento, livros, etc. Somente quando meus pais vieram morar em Campina Grande, uns cinco anos depois, é que eu me reuni a eles. Porém, minha madrinha nunca deixou de cuidar de mim.

O amor dela por mim era tão grande que eu suspeitei que ela fosse minha mãe. Eu tinha um amigo que era filho de "mãe solteira" e por isso pensei que eu também fosse. Claro, eu nunca disse isso pra ninguém até o dia em que ela ia ser operada de emergência para tentar remover um coágulo do cérebro, há uns quinze anos. Estando nos Estados Unidos e aquela podendo ser nossa última conversa, eu contei pra ela da minha suspeita e agradeci o amor dela. Graças a Deus, ela sobreviveu a cirurgia e nesse ano completa 80 anos. Minha mãe completa 70 e eu 50. Portanto, essa é uma história de 200 anos de Amor.

No entanto, o que eu quero enfatizar aqui não é apenas o amor da minha madrinha por mim. Eu também quero falar do amor da minha mãe por mim. Ela sempre me amou como se deve amar um filho. Ela amou querendo o meu bem e a minha felicidade. O amor de minha mãe nunca foi egoísta. Ela nunca demonstrou qualquer ciúme do amor de madrinha Maria por mim, ou do meu amor por madrinha. Naqueles dias, deixar eu morar com minha madrinha era investir naquilo que seria bom pra mim. Nunca vou esquecer das lágrimas que ela derramou quando eu parti para longe dela, aos 5 anos de idade. Minha mãe é o melhor exemplo que conheço do que é amar.

Claro, esse triângulo amoroso só é possível porque minha Mãe e minha Madrinha se amam de verdade.










Eu ser o mais filho mais velho e chamar ela de Madrinha fez com que todos os meus irmãos também chamassem ela de Madrinha. Porém, eles e eu também tivemos uma outra mãe, que é tia Tetê, irmã de Madrinha Maria.





Elas nunca casaram e todos nós vivemos por algum tempo na casa delas. Minha irmã, Jeane, também foi tão amada por elas que há poucos anos comprou a casa vizinha a delas para poder ficar perto e cuidar delas.

Ou seja, minha mãe me amou como se deve amar um filho e minha madrinha me amou como se deve amar um afilhado. Realmente, eu sou Bento -- aquele que é abençoado. Portanto, nesse Dia das Mães, eu presto minha homenagem a vocês duas e rendo louvores a Deus pelo amor de vocês por mim.

Enfim, a OMS pode dizer que eu era "MISERÁVEL". Contudo, eu jamais trocaria o Amor de vocês por nenhuma das coisas que a OMS diz ser necessário para alguém deixar de ser "MISERÁVEL".

Obrigado, Jesus, por teres me dado o Amor da minha Mãe, da minha Madrinha e ainda o de Tia Tetê.

FELIZ DIA DAS MÃES


Bento Souto

O QUE MUDA COM A DECISÃO DO STF SOBRE OS GAYS?




O que mudou com o reconhecimento oficial do que já existe? Pra mim, nada.

Eu nunca tive tesão por outro homem... Pode ser legal, agora, mas pra mim, não muda nada.

Muda para aqueles que abriram mão de pensar e acham que podem virar gays a qualquer instante... Os antigays se parecem muito com aqueles caras de Brokeback Mountain... "tá frio... a gente tá sozinho aqui... vamos transar?" rsrs

Ou seja, os antigays parece que vivem se coçando pra transar com os gays, por isso lutam pra que a coisa não fique legal, pois, se ficar legal, a coceira vai vencê-los... rsrsrs

Eu ficaria preocupado e teria lutado contra se a Lei fosse me obrigar a ser homossexual. Aí, eu esbravejaria e, se passassem tal Lei aqui, eu mudaria de país.

Mas, me diga, seriamente, a Lei aprovada agora obriga você a ser gay? Não? Então, qual é o problema? Você quer mandar nos órgãos sexuais dos outros? Saiba, nos meus mando eu -- e eles só gostam de mulher.

Ah, por favor, pare com a hipocrisia. Acabe com essa história de que "vai ser horrível para as crianças que eles agora poderão adotar". Por que vocês não adotaram todas as crianças abandonadas, antes? Ou seja, as crianças continuarem sem um lar, abandonadas, nunca foi um problema para vocês. Problema é se os gays derem a elas o lar que vocês se recusaram a dar? Ou são os gays que abandonam suas crianças em latas de lixo?

Você acha que os gays vão influenciar, com o exemplo, os filhos adotados a serem gays? Ora, então, por que o exemplo dos héteros não surtiu o mesmo efeito? Afinal, os gays são filhos de héteros e tiveram pais héteros como exemplo.

Ah, isso é contra a sua fé? Ora, a fé é sua. Eu não quero ser obrigado a obedecer a sua fé. Por que obrigaria outros a obedecer a minha?

Isso é contra a Lei de Deus? Ora, os ministros do Supremo não são Aiatolás e nem Papas. Eles julgam apenas o que é Constitucional. E eles já julgaram.

Ponto final.


Abcs Bento

quarta-feira, maio 04, 2011

ELE "MUCREVAVA" COM A GENTE!




-- Que nada, ele era do "mucrevo" e "mucrevava" com a gente -- respondeu do alto dos seus mais de cem anos de idade, meu tio-avô, sobre meu avô materno, acabando ali com uma teoria que eu estava alimentando havia anos.

Meu avô materno, "Zé Melo", foi uma das pessoas que mais me influenciaram na vida. O legado que ele deixou em mim é algo que até hoje, cinquenta anos depois, eu ainda não consigo mensurar. Ele é a influência mais perene em minha vida e a que sempre cresceu, conforme eu fui crescendo em consciência.

Eu ia completar onze anos de idade quando ele me presenteou com uma espingarda de caça, daquelas que se carrega pela "boca do cano". As palavras que ele pronunciou quando me deu aquela espingarda demonstram toda a sabedoria que ele era possuidor.

-- É sua. Mas só atire no que for comer -- me disse ele, numa lógica irretocável para qualquer ambientalista.

Claro, para uma geração que pensa que leite dá em geladeira e carne em prateleiras de supermercado, um garoto de dez anos jamais deveria possuir uma arma. No entanto, para o garoto que ajudou o avô a fazer uma nova casa de pau-a-pique, a espingarda representava apenas a evolução dos animais que eu já caçava para comer. Se eu antes eu caçava pássaros com um estilingue, com a espingarda eu poderia tentar matar um mocó, o que garantiria a carne de uma refeição.

No entanto, você deve estar morrendo de curiosidade sobre o significado das palavras de meu tio-avô que dá título a este texto: "ELE "MUCREVAVA" COM A GENTE!"


Pois bem, em 2001, eu fui até o interior do Rio Grande do Norte para conversar com algum dos parentes de meu avô que ainda estivesse vivo e que pudesse me dar detalhes sobre o meu avô materno. Afinal, minha mãe nunca conheceu nenhum parente sanguíneo do pai dela. Minhas tias tinham nomes estranhos que ele dera. Jaci, Juraci, Jurila, por exemplo, são nomes indígenas.

Meu avô também tinha uma sabedoria para lá de especial. Ele era capaz de levantar no meio da noite, olhar o céu e dizer que horas eram. Claro, morando no campo, numa casa sem energia elétrica, rádio de pilha ou relógio. Ele conhecia os astros, as constelações, e pelas posições deles no céu era capaz de saber a hora da noite.

Ele nunca foi a um médico e produzia os próprios remédios a partir de raízes, cascas e folhas de plantas. Eu adorava a companhia dele. Aos dois anos de idade eu já segurava a corda da ovelha ou do cabrito que ele matava, tirava o couro e cortava em pedaços, todos os sábados, para ser servido no almoço do pequeno restaurante que minha avó tinha na feira semanal do domingo, em Pedra Lavrada-PB.

Foi com ele que eu aprendi a reconhecer a Faúna e a Flora locais. Ele era o meu Google, o Youtube, o Natgeo e o Animal Planet da época -- só que ao vivo e em cores. Nunca vou esquecer do dia em que minha mãe e minha tia correram para chamá-lo para matar uma cobra que elas haviam encontrado perto de casa. Ele foi até lá, olhou para a cobra e disse:

-- Essa é do bem. Ela come outras cobras. Deixe ela por aí. Só tenham cuidado para ela não comer os pintos -- ensinando-nos que nem todas as cobras são venenosas e oferecem perigo aos humanos.

Por conta desse conhecimento, do cabelo e da fisionomia de minhas tias -- que parecem autênticas indígenas -- e da ausência de parentes dele, eu comecei a pensar que meu avô fosse um dos índigenas "convertidos" ao Cristianismo. Tudo parecia fazer sentido para mim. Daí, o motivo de eu ter viajado na busca de testemunhas vivas, pois meu avô nasceu em 1901 e morreu por volta de 1985, quando eu já não morava mais na Paraíba.

-- Que nada, ele era do "mucrevo" e "mucrevava" com a gente -- foi com essas palavras que meu tio-avô, irmão da minha avó, sepultou minha teoria sobre meu avô materno e cunhado dele. Claro, não fora a ajuda de meu pai em traduzir o que isso significava, eu não teria entendido nada.

"Mucrevo", segundo meu pai me disse, era o ofício de transportar os bens de consumo da época (açúcar, café, farinha, carne de charque, fumo, etc.), de uma cidade para outra, em lombos de jumentos. Sim, numa época em que automóveis e estradas asfaltadas eram uma raridade, as pessoas transportavam os bens em animais. Portanto, "mucrevo" foi a forma semi-analfabeta que meu tio-avô usou para dizer que meu avô materno era ALMOCREVE (do Árabe "mukãri"), significando que ele não era um indígena, como eu pensava até então, mas um transportador, ou, como se diz hoje, um homem de logística.

Ainda espero escrever mais sobre esse meu avô e os ensinos maravilhosos dele, além de outros homens que também me influenciaram. Mas por hoje é só.


Beijos

Bento Souto

P.S. A foto abaixo é da comemoração de 50 anos de casamento de meus avós e a única que eu tenho dele.

terça-feira, maio 03, 2011

AINDA SOBRE A VELHA CANTORA EVANGÉLICA!




-- Ó Deus, tem misericórdia de mim. Tem misericórdia de mim... -- essa era a oração que com todo fervor fazia a velha cantora evangélica.

Todas as vezes em que ouço a lucidez de um coração submisso a Deus, eu me considero um privilegiado por estar em "terra santa". Muitas foram as vezes que eu conversei com a velha cantora evangélica. Ouso dizer que nos tornamos amigos. Sim, o Dominó foi só um lazer que nos aproximou. Depois de várias conversas eu admiro aquela velha senhora de 81 anos cada vez mais. Ela foi uma das que mais sentiu a minha ausência de duas semanas por causa da Dengue que me pegou.

-- Não, esses ladrões que estão enganando o povo não são pastores, são falsos profetas. Esse tal de Edir Macedo é o principal deles -- são os argumentos mais lúcidos que eu ouço aquela velhinha dizer.

Claro, nem sempre a mente enxerga a realidade. Muitas vezes, a mente prega peças e aqueles idosos enxergam o que somente para eles é realidade.

-- Tem um velho ruim lá na minha casa. Ele já estuprou 22 mulheres. Enquanto eu estou aqui, no Asilo, ele se apossou da minha casa e está dormindo na minha cama. Ele tem um celular diferente. Ele colocou um chip no meu ouvido. Ele fala no celular lá e eu ouço dentro da minha cabeça. Agora mesmo ele está apertando um botão que faz meu braço queimar. Tá queimando. Tem misericórdia, ó Deus! -- diz ela, enquanto chora e coça o braço tentando se livrar da queimadura invisível.

Querer separar o que achamos real do que eles dizem ser real me parece ser tarefa de tolos. Entender e aprender a conviver com o que é realidade, para eles, me parece ser o mais sábio a fazer.

-- Eu canto nas igrejas. Sou da Assembléia de Deus. Já cantei em mais de 10 estados do Brasil. Eu vivo de cantar para Jesus -- repete ela para todos. Outro dia eu fiquei sabendo através de uma vizinha que a velhinha também lutava karatê; e isso me fascinou.

Porém, o que mais me fascina é ver os cuidados diários dispensados àquela velhinha pela equipe que lá trabalha. Outro dia eu vi ela dando um beijo de gratidão na menina que corta as unhas. Aquele sorriso de quem se sente amada é algo que não tem preço.

Como eu já disse outras vezes, creio que o amor sempre vence!


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 26, 2011

A PÁSCOA NO ASILO



Muitos dos personagens sobre os quais eu tenho escrito aqui aparecem nessa matéria. Claro, como eu disse no primeiro post, troquei os nomes deles para poder preservá-los.

Na semana que passou eu não pude ir lá. Estava convalescendo de uma Dengue. No entanto, meu coração se encheu de alegria ao ver o "JR" mandando ver no violão. Na semana anterior, eu havia perguntado a ele se estava tudo bem. Ele respondeu que faltava uma palheta para tocar. Consegui uma com meu sobrinho.

Como se pode fazer alguém feliz com tão pouco, com aquilo que estão ao nosso alcance.


Abcs Bento Souto

segunda-feira, abril 25, 2011

EU GOSTO É DE SATANÁS!






-- Eu gosto é de Satanás. Eu não gosto de Deus. Já estou condenado ao Inferno -- era isso que "Dario" bradava a plenos pulmões.

Me aproximei de "Dario", olhando nos olhos dele, buscando algum sinal de possessão demoníaca. Afinal, eu já conversara com ele algumas vezes e ele sempre se mostrara um sujeito muito afável, apesar de nem sempre conseguir dizer coisa com coisa. Enquanto orava, no Espírito, pedindo a Deus por discernimento, também chegou perto de mim uma Irmã e disse:

-- Ligue para isso não, Bento. Ele não sabe o que está dizendo. Isso ainda é crise de abstinência do alcóol. Há dois anos ele chegou aqui. Morava na rua e bebia mais de três litros de cachaça por dia. Doutor João, o médico do Asilo, nos disse que não cortássemos o alcóol de uma vez, pois isso poderia matá-lo. Nós dávamos um copo de cachaça por dia para ele. Mas ele esteve muito mal de saúde, no final do ano, e tivemos que cortar a cachaça por causa dos medicamentos. Por isso, quando está agoniado pela falta da cachaça, ele fala essas coisas. Mas Deus releva isso. "Dario" não sabe o que está dizendo.

Eu pensei comigo mesmo. Se nós, seres imperfeitos, somos capazes de perceber algumas loucuras e relevá-las, que dirá Deus?

Desde os dia em que uma moradora de rua disse o nome completo de um amigo meu, sem o conhecê-lo, e em Inglês perfeito, eu já vi muita loucura sendo tratada com exorcismo e possessos sendo tratados com Gardenal. Outro amigo, com muito mais experiência nessa área, me disse que, certa vez, olhou para um possesso com tanto amor, mas com tanto amor, que o demônio não resistiu e saiu sem que meu amigo dissesse uma palavra.

Após alguns minutos de carinho e cuidado, "Dario" voltou a ficar tranquilo e eu lembrei da recomendação do apóstolo Pedro.

"Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados" (1 Pedro 4:8).

E a vida no Asilo voltou ao normal. Sem a neurose e o espetáculo que afirmações como a que "Dario" fez provocaria em certos ambientes ditos "cristãos".

Dei graças a Deus por tudo que presenciei e, principalmente, por ver que "o Amor sempre vence".


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 19, 2011

O QUE É AQUILO?




"Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação" Eclo 3,14:17


Abcs Bento Souto

segunda-feira, abril 18, 2011

O LAMENTO QUE MAIS OUÇO NO ASILO





De vez em quando eu ouço gemidos e lamentos abafados dos internos do Asilo. São dores físicas, emocionais e psiquícas que acometem alguns deles -- mulheres, principalmente, por serem mais sensíveis.

O que dizem esses sussurros? Com certeza, eu não sei. Mas, se tivesse que tentar adivinhar, eu diria que é mais ou menos isso, a seguir, que aquelas almas me falam, ainda que seja sem palavras:

"Eu os gerei. Por nove meses, carreguei-os em meu próprio ventre. Eles se alimentaram dos meus peitos e do que eu comprei e cozinhei para eles. Limpei cocô e xixi que eles faziam em qualquer lugar. Dei um duro danado para que eles pudessem ir para a escola e se formassem. Abri mão de minha carreira profissional para ficar em casa cuidando deles. Agora, em recompensa por todo meu esforço, eles me mandaram para cá. Alegam que eu agora incomodo. Eles já me incomodaram muito mais. Mas, por amá-los, tudo fiz e faria de novo.

Será que eles entendem o que estão fazendo comigo? Talvez não. Bom, quando eles ficarem velhos irão entender da maneira mais dura: quando os filhos deles os mandarem pra cá."



Abcs Bento Souto

domingo, abril 17, 2011

DOMINGO DE RAMOS





Hoje, há muitos cristãos nas ruas carregando ramos de palmeira para celebrar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Só espero que não esqueçamos que os mesmos que saudaram Jesus com "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor", são os mesmos que, na sexta, disseram "Crucifica-o" e gritaram: "queremos Barrabás".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 16, 2011

A VELHA CANTORA EVANGÉLICA 2





Depois da internação forçada, o dia seguinte da velha cantora evangélica me pareceu bem melhor.

Quando eu cheguei ao Asilo, no meio da manhã, a Irmã Fabíola estava fazendo curativos e cortando as unhas da velhinha. Com um sorriso no rosto, roupas limpas e uma aparência bem melhor, ela falava quase sem parar.

-- Eu sou missionária. Prego o Evangelho de Jesus nas igrejas -- dizia ela, entre outras coisas.

-- Como é o seu nome? -- perguntei.

Ela me olhou, sorrindo, mas sem entender o que eu havia perguntado. Então, eu percebi duas coisas. A primeira é que ela é mesmo evangélica. Pois, eu nunca vi gente para falar tanto como os evangélicos. Como falam. Quase não escutam. Quando a gente pensa que eles estão ouvindo o que a está gente dizendo, na verdade, não estão, mas preparando a o que vão dizer em seguida... rsrs

A segunda coisa foi que a velhinha tem dificuldades de audição. Sim, um dos sintomas de que pessoas idosas estão com dificuldade de audição é falar sem parar. Elas não dão chances para que os outros falem porque elas não escutam o que os outros dizem.

Me retirei para uma mesa distante onde outros velhinhos me aguardavam para o Dominó. De lá, fiquei olhando para o Evangelho que a Irmã Fabíola pregava para a velhinha: o do Amor sem palavras, que cuida, que ama, que faz o bem sem esperar nada em troca.

Absorto pelo Dominó, que atrai mais velhinhos a cada dia, não percebi a chegada da velha cantora evangélica ao grupo que estava comigo. Quando me dei conta, ela estava ao meu lado, olhando as minhas pedras.

-- A senhora joga Dominó? -- perguntei.

-- Jogo, sim -- disse ela.

Dei as minhas pedras para ela e pedi que ela assumisse o meu lugar. Pensei que iria ter que ajudá-la a reconhecer as pedras, pois muitos não enxergam o suficiente. Que nada. A velhinha não só enxerga como joga Dominó muito bem. Depois da terceira partida que ela ganhou, ninguém teve dúvidas de que temos uma nova parceira de Dominó.

A disputa só terminou quando o cheiro da comida venceu a vontade de jogar. Ela levantou-se e caminhou na direção do refeitório. Agora, sem mais greve de fome por ficar num lugar em que não queria. Mas, sorrindo, com um novo brilho nos olhos.

Acho que Rob Bell está certo no que diz: O Amor Vence!


Abcs Bento Souto

sexta-feira, abril 15, 2011

QUEM É CONTRA O ABORTO?





Até hoje eu só soube de um Cristão que era verdadeiramente contra o Aborto de qualquer criança: Madre Teresa de Calcutá.

Ela pedia para quem estivesse pensando em abortar, que desse a criança para ela, que ela criaria.

Os demais Cristãos não são contra.

Eles apenas falam que são.

Eu, inclusive.


Abcs Bento Souto

quinta-feira, abril 14, 2011

FALANDO NA IGREJA QUE EU AMO




Muitos me perguntam qual Igreja que estou frequentando. Esta minha fala do vídeo foi gravada lá, no domingo passado, 10/04/2011.

Nós somos 11 filhos (6 mulheres e 5 homens) que se reúnem uma vez por mês com nossos pais, cônjuges, filhos, sobrinhos, netos, genros, noras, tias, etc, para um almoço em que celebramos a união da nossa família e damos graças a Deus por todos.

Apesar de simples, tudo é muito bem planejado. Cada um dos filhos(as) traz um ingrediente de acordo com o planejamento feito e com as habilidades culinárias e financeiras que cada um possui. Há décadas que temos esse hábito.

Eu tenho insistido em chamar esse ajuntamento de Igreja, mesmo com a maioria sendo Católica e uma minoria sendo Evangélica.

Minha família é a minha Igreja mais querida, mais amada, a que eu mais gosto de congregar.

Outros grupos eu frequento ou até dirijo. Mas nenhum deles se assemelha a minha igreja-familia, familia-igreja.

Lá, a gente é tudo igual. Lá, nao há "ungidos" e não ungidos. Lá, não há sacerdotes e leigos e nem clero e laicato.

Lá, com o mais novo dos 11 irmaos com 31 anos, nao há mais hierarquia de autoridade, mas apenas submissão em amor. Eu me submeto a minha mãe e meu pai por causa do meu amor por eles e por causa da certeza do amor deles por mim. Não porque eles sejam a "autoridade" da igreja, mas porque eles são meus pais e me amam de verdade.

Lá, eles me ouvem porque crêem que em minha boca Deus põe palavras. Palavras de reconciliação; de amor fraternal; palavras que unem pais e filhos, irmãos e irmãs.

Lá, eles me ouvem, não porque eu seja o mais velho. Nada disso. Mas porque eles reconhecem a Palavra na minha boca; e sao abençoados pela Palavra tanto quanto eu sou.

Somos a melhor igreja que eu conheço. Assim, eu posso dizer que estou congregando na melhor congregaçao que eu conheço na face da Terra. Em nenhum outra eu me sinto tão bem e tão abençoado por Deus quanto nela.

Um detalhe, o tom de voz alto é porque eu estava falando sem microfone e tinha que vencer o barulho.


Abcs Bento Souto

quarta-feira, abril 13, 2011

A VELHA CANTORA EVANGÉLICA!




Ela chegou ao Asilo em um veículo do Corpo de Bombeiros. Agentes Sociais do Município e Representantes do Ministério Público acompanharam a internação dela. Uma internação difícil, diga-se de passagem, pois ela não queria ficar. Porém, como ela havia sido atropelada -- a perna dela tem um ferimento que precisa de curativos diários --, morava sozinha, sem ter quem cuidasse dela, estava suja e sem cuidados higiênicos, as autoridades decidiram que era melhor entregar a velha senhora aos cuidados das Irmãs devotas do Santo Católico, mas que cuidam dos velhinhos indefesos e incapazes.

-- Não, eu não quero ficar aqui. Quero ir pra casa. Eu sou uma cantora evangélica. Canto hinos e músicas para louvar a Deus -- dizia ela, tentando convencer as Irmãs a deixá-la ir.

-- Pronto, aqui está um violão. Cante. Louve a Deus conosco -- disse uma das várias Irmãs que davam as boas vindas e tentavam convencer a velha senhora a ficar.

Ela cantou. Ou, pelo menos, tentou. Nenhuma das músicas era conhecida. Talvez fossem muito antigas ou apenas canções de grupos restritos que nunca gravaram LP e/ou, muito menos, CDs. Porém, isso não foi empecilho para a Irmã que tentava acompanhá-la ao violão. Ao final, a velha cantora ouviu muitas palmas como incentivo. Os olhos dela brilharam. Mas ela ainda não queria ficar.

Dando atenção a três velhinhos que jogavam Dominó comigo, e a outros três que aprenderam a gostar da algazarra que eu faço enquanto jogo, eu pensava no que estaria se passando na mente daquela velha cantora evangélica.

À semelhança de vários pastores evangélicos idosos que vivem em Asilos como aquele, pois as Denominações e Igrejas a quem eles serviram os abandonaram a própria sorte, aquela velhinha agora passará a depender dos cuidados daqueles a quem por toda a vida foram tratados como ímpios e idólatras. Eles ficam parecendo Judeus sendo alvo do amor de Samaritanos.

Deve ser muito doloroso para eles perceberem que não há um único Asilo Evangélico na cidade, nem em todo o Estado -- gostaria de saber se há no Brasil, alguém sabe? Sei de alguns evangélicos que estão internos naquele Asilo que são arredios, maleducados e malagradecidos. Ser abandonado pelos próprios parentes não é fácil. Imagine ser abandonado por aqueles a quem se cria serem "os filhos de Deus"? Mas isso é assunto para um outro dia.

Na hora do almoço, ela veio para o Refeitório. Mais calma, de banho tomado e com roupas limpas, ela parecia outra. No entanto, me parece claro que a adaptação dela levará algum tempo. Ouvi-a pedir:

-- Jesus, me tira daqui.

Ao ouvir isso fiquei pensando. Para onde Jesus a levará? Onde ela será amada e cuidada como naquele Asilo? Só se for para algum lugar depois do túmulo. Pois, aqui na Terra, entre os Evangélicos, não conheço tal lugar.


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 12, 2011

"Seu Manoel", MERCÊS e JEAN-DOMINIQUE BAUBY





"Seu Manoel" se encontrava sentado/deitado numa cadeira, impossibilitado de se mover, a menos de dois metros da mesa em que eu jogava Dominó com outros internos. O "anjo de Deus" que cuida da cozinha se aproximou dele e disse:

-- "Seu Manoel", isso aqui ainda não é o almoço. É só um lanche -- e começou a colocar aquele líquido pastoso na boca do "Seu Manoel".

Achei ter visto um brilho de satisfação nos olhos de "Seu Manoel", após ele ter engolido a primeira colherada.

-- Olá, Bento, bom dia. Que bom que você veio -- disse a Irmã Fabíola, o "anjo de Deus" que é o "faz tudo" naquele Asilo, cerca de uma hora depois, ao passar por mim e se dirigir ao "Seu Manoel".

-- Olá, "Seu Manoel", como vai o senhor, hoje? -- perguntou a Irmã Fabíola, enquanto removia o mosquiteiro que o cobria e começava a examiná-lo.

Mais uma vez, eu pensei ter visto os olhos de "Seu Manoel" se iluminarem quando a Irmã Fabíola o tocou e começou a dizer-lhe palavras carinhosas e de estímulo. Não resisti e perguntei:

-- O que é que ele tem?

-- Ah, são tantas coisas...

-- Ele consegue falar?

-- Uma palavra aqui e acolá com extrema dificuldade.

O Dominó e os internos com os quais eu jogava demandavam a minha atenção. Porém, de soslaio, (sempre quis escrever essa palavra num texto.. rsrs) eu continuava prestando atenção no trabalho da Irmã Fabíola e esperando que algum sorriso brotasse da boca sem dentes de "Seu Manoel".

Uns três minutos depois, "Seu Manoel" pronunciou uma palavra. Por mais que eu tente, não consigo lembrar que palavra foi. Contudo, naquele instante uma possibilidade criou raízes em meu coração. Permita-me explicar.

Eu já exercito a comunicação de uma só palavra com pessoas portadoras de deficiências auditivas profundas. Há alguns meses, eu visitei Mercês, que faleceu na semana passada, aos 90 anos. Mercês ficou muito feliz com apenas duas palavras que eu pronunciei separadas uma da outra por minutos.

ELEGANTE. Era assim que eu lembrava de Mercês há quarenta e poucos anos, quando minha tia me levava ao escritório onde elas trabalhavam.

CHEIROSA. Por onde Mercês passava, o cheiro agradável dos perfumes que ela usava impregnavam o ambiente.

Mercês riu muito e discorreu durante vários minutos, com os olhos brilhando de alegria, sobre aquele tempo maravilhoso em que eu convivi com elas. A mente dela estava lúcida. As palavras fluíam claras e cheias de significado. Naquele instante, eu entendi que ela apenas não conseguia ouvir. Mas a mente continuava a funcionar perfeitamente.

Juntando a experiência de Mercês com a do jornalista francês Jean-Dominique Bauby, que sofreu um acidente vascular cerebral e ficou "preso no próprio corpo" (Locked-in Syndrom), completamente imobilizado (a exceção da sobrancelha esquerda, que ele passou a usar para se comunicar com o mundo), eu acalentei no meu coração a possibilidade de que a mente de "Seu Manoel" possa estar funcionando.

Sim, em ambientes como aquele Asilo, há muitas pessoas com a Mente em pior estado do que o Corpo. São aqueles para quem o Alzheimer já é uma realidade visível. Ou, outros, para quem o exagero no uso de substâncias entorpecentes (como o alcóol e as drogas) provocaram danos irreversíveis na Mente.

No entanto, aquela experiência com o "Seu Manoel" me fez considerar, seriamente, a possibilidade de que ali mesmo, perto de mim, possa haver pessoas com a Mente funcionando, mas sem poder responder com o Corpo.

Que Deus continue me ensinando aquilo que Salomão já dizia há milênios atrás:

"Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 09, 2011

SUICIDAS E/OU ASSASSINOS?

Hoje, minha amiga Marinah, que vive na Holanda, falou que um outro jovem entrou num shopping de lá, matou seis pessoas e depois se matou.

Esse foi mais um daqueles que disseram: VOCÊS VÃO TER QUE CHORAR QUANDO EU MORRER!

Pessoalmente, sem entrar em análises psíquicas e de circunstâncias que levam as pessoas a cometer uma loucura dessas, quero dizer que não considero essas pessoas como SUICIDAS, mas como ASSASSINOS.

Há pessoas a quem a gente ama e a quem chamamos de AMIGOS. São poucas, mas há. Entre os meus AMIGOS há dois que se suicidaram. Os motivos que os levaram a cometer tal ato não me parecem suficientes para que se decida terminar uma vida. Porém, eles acharam que não valia mais a pena continuar vivendo daquela maneira e quiseram dar um fim a dor que sentiam. Só que eles causaram dor apenas a familiares e amigos que sentem a ausência deles.

Esses que matam outros e depois se matam causam dor aos familiares e amigos deles e acabam com a vida de gente que quer viver. Ou seja, eles tiram a vida de outros que não querem morrer e fazem isso apenas para causar dor.

Eles podem ser insanos --e eu acho que são mesmo!--, mas eles não são inocentes. Eles são ASSASSINOS. SUICIDA é aquele que se mata para acabar com a própria dor. ASSASSINO é aquele que MATA para causar dor nos outros.

Enfim, meus amigos foram SUICIDAS. Esses, que matam muitos antes de se matar, não são SUICIDAS. Esses são ASSASSINOS que se SUICIDARAM.


Abcs Bento Souto

sexta-feira, abril 08, 2011

VOCÊS VÃO TER QUE CHORAR QUANDO EU MORRER!





Quando soube dos detalhes do planejamento que fez o autor do massacre das crianças da escola de Realengo, no Rio de Janeiro, lembrei de um outro indíviduo.

"Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos". (Mateus 2:16)

Em nenhuma outra fonte, senão no Novo Testamento, há o registro desse massacre de, provavelmente, umas 20 crianças, da pequena população que habitava aquela região. Porém, devido ao histórico de bárbaries cometidas por Herodes, o Grande (como ele ficou conhecido), ninguém duvida de que ele tenha mesmo ordenado tal massacre. Na História há registros de que Herodes matou ou mandou matar todos aqueles que se opuseram a ele, e até esposas e filhos que poderiam usurpar o seu trono.

No entanto, a ligação que eu fiz entre Herodes e o jovem que assassinou as crianças na escola do Rio de Janeiro se deu por causa do último desejo de Herodes. Segundo nos conta Flávio Josefo, historiador Judeu que viveu no século I, ao sentir que ia morrer devido a uma grave enfermidade, Herodes fez um último pedido a Salomé, sua irmã, e a Alexas, marido dela.

Herodes sabia que os Judeus o odiavam e que se alegrariam com a morte dele. Ele não queria que houvesse alegria quando morresse mas, sim, pranto. Para que o povo chorasse a morte dele, Herodes mandou colocar todos os líderes Judeus, queridos e amados pelo povo, no Hipódromo de Jericó. O pedido que Herodes fez a Salomé e Alexas foi que, quando ele desse o último suspiro, sem contar que ele havia morrido, eles ordenassem a morte de todos os líderes queridos pelo povo. Ou seja, na mente de Herodes, a morte dele seria a mais lamentada dentre todos os reis. Graças a Deus que Salomé e Alexas não fizeram conforme o planejado por Herodes.

Herodes e o jovem assassino das crianças na escola do Rio de Janeiro tinham o mesmo propósito: queriam que as pessoas chorassem quando eles morressem. Infelizmente, o último conseguiu o seu intento.


Abcs Bento Souto

quinta-feira, abril 07, 2011

NÃO SEI PORQUE ME ABANDONARAM AQUI

-- Você é feliz? -- perguntei, sem saber que essa pergunta inundaria o coração de Luzia de dores.

-- Não, sou não -- respondeu ela, começando a chorar.

-- Mas, por que não? Aqui tem quem cuide de você; te dão comida; você tem uma cama; há muitos com quem você pode conversar, etc -- tentei argumentar.

-- Não sei porque me abandonaram aqui. Eu não fiz nada de errado. Trabalhei a vida toda na casa de Dr. Fulano. Cuidei da casa. Cuidei dos filhos dele. Cuidei dos netos. Agora, que estou velha e não sirvo mais pra nada, eles me abandonaram aqui e foram embora. Isso não é justo! -- Luzia pronunciava as palavras entrecortadas por gemidos e soluços.

Eu ainda não sei se a história de Luzia é real ou se é fruto de uma mente que já não consegue distinguir a realidade da imaginação. Muitos daqueles que vivem naquele asilo com Luzia já não sabem mais o que é realidade. As memórias deles são de mais de 50 anos atrás. Possivelmente, o Alzheimer danificou suas mentes.

No dia seguinte, Luzia me pergunta quase tudo que me perguntou no dia anterior. Onde mora? Com quem mora? Quantos filhos? Como é o seu nome? Etc. Respondo tudo como se fosse a primeira vez. Enquanto olho para ela, não deixo de pensar que ninguém sabe o que se passa na mente de Luzia.

Conversando com Luzia, sinto que estou diante de "solo sagrado" onde o "é assim para a glória de Deus" é a única explicação que consola a minha alma.

Muitos dizem estar prontos a "morrer por Cristo". Uns poucos dizem que estão prontos a "viver para Cristo". Porém, raros são os que dizem: "Senhor, sou teu, faça de mim o que te apraz".


Bjs Bento Souto