terça-feira, maio 03, 2011

AINDA SOBRE A VELHA CANTORA EVANGÉLICA!




-- Ó Deus, tem misericórdia de mim. Tem misericórdia de mim... -- essa era a oração que com todo fervor fazia a velha cantora evangélica.

Todas as vezes em que ouço a lucidez de um coração submisso a Deus, eu me considero um privilegiado por estar em "terra santa". Muitas foram as vezes que eu conversei com a velha cantora evangélica. Ouso dizer que nos tornamos amigos. Sim, o Dominó foi só um lazer que nos aproximou. Depois de várias conversas eu admiro aquela velha senhora de 81 anos cada vez mais. Ela foi uma das que mais sentiu a minha ausência de duas semanas por causa da Dengue que me pegou.

-- Não, esses ladrões que estão enganando o povo não são pastores, são falsos profetas. Esse tal de Edir Macedo é o principal deles -- são os argumentos mais lúcidos que eu ouço aquela velhinha dizer.

Claro, nem sempre a mente enxerga a realidade. Muitas vezes, a mente prega peças e aqueles idosos enxergam o que somente para eles é realidade.

-- Tem um velho ruim lá na minha casa. Ele já estuprou 22 mulheres. Enquanto eu estou aqui, no Asilo, ele se apossou da minha casa e está dormindo na minha cama. Ele tem um celular diferente. Ele colocou um chip no meu ouvido. Ele fala no celular lá e eu ouço dentro da minha cabeça. Agora mesmo ele está apertando um botão que faz meu braço queimar. Tá queimando. Tem misericórdia, ó Deus! -- diz ela, enquanto chora e coça o braço tentando se livrar da queimadura invisível.

Querer separar o que achamos real do que eles dizem ser real me parece ser tarefa de tolos. Entender e aprender a conviver com o que é realidade, para eles, me parece ser o mais sábio a fazer.

-- Eu canto nas igrejas. Sou da Assembléia de Deus. Já cantei em mais de 10 estados do Brasil. Eu vivo de cantar para Jesus -- repete ela para todos. Outro dia eu fiquei sabendo através de uma vizinha que a velhinha também lutava karatê; e isso me fascinou.

Porém, o que mais me fascina é ver os cuidados diários dispensados àquela velhinha pela equipe que lá trabalha. Outro dia eu vi ela dando um beijo de gratidão na menina que corta as unhas. Aquele sorriso de quem se sente amada é algo que não tem preço.

Como eu já disse outras vezes, creio que o amor sempre vence!


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 26, 2011

A PÁSCOA NO ASILO



Muitos dos personagens sobre os quais eu tenho escrito aqui aparecem nessa matéria. Claro, como eu disse no primeiro post, troquei os nomes deles para poder preservá-los.

Na semana que passou eu não pude ir lá. Estava convalescendo de uma Dengue. No entanto, meu coração se encheu de alegria ao ver o "JR" mandando ver no violão. Na semana anterior, eu havia perguntado a ele se estava tudo bem. Ele respondeu que faltava uma palheta para tocar. Consegui uma com meu sobrinho.

Como se pode fazer alguém feliz com tão pouco, com aquilo que estão ao nosso alcance.


Abcs Bento Souto

segunda-feira, abril 25, 2011

EU GOSTO É DE SATANÁS!






-- Eu gosto é de Satanás. Eu não gosto de Deus. Já estou condenado ao Inferno -- era isso que "Dario" bradava a plenos pulmões.

Me aproximei de "Dario", olhando nos olhos dele, buscando algum sinal de possessão demoníaca. Afinal, eu já conversara com ele algumas vezes e ele sempre se mostrara um sujeito muito afável, apesar de nem sempre conseguir dizer coisa com coisa. Enquanto orava, no Espírito, pedindo a Deus por discernimento, também chegou perto de mim uma Irmã e disse:

-- Ligue para isso não, Bento. Ele não sabe o que está dizendo. Isso ainda é crise de abstinência do alcóol. Há dois anos ele chegou aqui. Morava na rua e bebia mais de três litros de cachaça por dia. Doutor João, o médico do Asilo, nos disse que não cortássemos o alcóol de uma vez, pois isso poderia matá-lo. Nós dávamos um copo de cachaça por dia para ele. Mas ele esteve muito mal de saúde, no final do ano, e tivemos que cortar a cachaça por causa dos medicamentos. Por isso, quando está agoniado pela falta da cachaça, ele fala essas coisas. Mas Deus releva isso. "Dario" não sabe o que está dizendo.

Eu pensei comigo mesmo. Se nós, seres imperfeitos, somos capazes de perceber algumas loucuras e relevá-las, que dirá Deus?

Desde os dia em que uma moradora de rua disse o nome completo de um amigo meu, sem o conhecê-lo, e em Inglês perfeito, eu já vi muita loucura sendo tratada com exorcismo e possessos sendo tratados com Gardenal. Outro amigo, com muito mais experiência nessa área, me disse que, certa vez, olhou para um possesso com tanto amor, mas com tanto amor, que o demônio não resistiu e saiu sem que meu amigo dissesse uma palavra.

Após alguns minutos de carinho e cuidado, "Dario" voltou a ficar tranquilo e eu lembrei da recomendação do apóstolo Pedro.

"Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados" (1 Pedro 4:8).

E a vida no Asilo voltou ao normal. Sem a neurose e o espetáculo que afirmações como a que "Dario" fez provocaria em certos ambientes ditos "cristãos".

Dei graças a Deus por tudo que presenciei e, principalmente, por ver que "o Amor sempre vence".


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 19, 2011

O QUE É AQUILO?




"Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação" Eclo 3,14:17


Abcs Bento Souto

segunda-feira, abril 18, 2011

O LAMENTO QUE MAIS OUÇO NO ASILO





De vez em quando eu ouço gemidos e lamentos abafados dos internos do Asilo. São dores físicas, emocionais e psiquícas que acometem alguns deles -- mulheres, principalmente, por serem mais sensíveis.

O que dizem esses sussurros? Com certeza, eu não sei. Mas, se tivesse que tentar adivinhar, eu diria que é mais ou menos isso, a seguir, que aquelas almas me falam, ainda que seja sem palavras:

"Eu os gerei. Por nove meses, carreguei-os em meu próprio ventre. Eles se alimentaram dos meus peitos e do que eu comprei e cozinhei para eles. Limpei cocô e xixi que eles faziam em qualquer lugar. Dei um duro danado para que eles pudessem ir para a escola e se formassem. Abri mão de minha carreira profissional para ficar em casa cuidando deles. Agora, em recompensa por todo meu esforço, eles me mandaram para cá. Alegam que eu agora incomodo. Eles já me incomodaram muito mais. Mas, por amá-los, tudo fiz e faria de novo.

Será que eles entendem o que estão fazendo comigo? Talvez não. Bom, quando eles ficarem velhos irão entender da maneira mais dura: quando os filhos deles os mandarem pra cá."



Abcs Bento Souto

domingo, abril 17, 2011

DOMINGO DE RAMOS





Hoje, há muitos cristãos nas ruas carregando ramos de palmeira para celebrar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Só espero que não esqueçamos que os mesmos que saudaram Jesus com "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor", são os mesmos que, na sexta, disseram "Crucifica-o" e gritaram: "queremos Barrabás".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 16, 2011

A VELHA CANTORA EVANGÉLICA 2





Depois da internação forçada, o dia seguinte da velha cantora evangélica me pareceu bem melhor.

Quando eu cheguei ao Asilo, no meio da manhã, a Irmã Fabíola estava fazendo curativos e cortando as unhas da velhinha. Com um sorriso no rosto, roupas limpas e uma aparência bem melhor, ela falava quase sem parar.

-- Eu sou missionária. Prego o Evangelho de Jesus nas igrejas -- dizia ela, entre outras coisas.

-- Como é o seu nome? -- perguntei.

Ela me olhou, sorrindo, mas sem entender o que eu havia perguntado. Então, eu percebi duas coisas. A primeira é que ela é mesmo evangélica. Pois, eu nunca vi gente para falar tanto como os evangélicos. Como falam. Quase não escutam. Quando a gente pensa que eles estão ouvindo o que a está gente dizendo, na verdade, não estão, mas preparando a o que vão dizer em seguida... rsrs

A segunda coisa foi que a velhinha tem dificuldades de audição. Sim, um dos sintomas de que pessoas idosas estão com dificuldade de audição é falar sem parar. Elas não dão chances para que os outros falem porque elas não escutam o que os outros dizem.

Me retirei para uma mesa distante onde outros velhinhos me aguardavam para o Dominó. De lá, fiquei olhando para o Evangelho que a Irmã Fabíola pregava para a velhinha: o do Amor sem palavras, que cuida, que ama, que faz o bem sem esperar nada em troca.

Absorto pelo Dominó, que atrai mais velhinhos a cada dia, não percebi a chegada da velha cantora evangélica ao grupo que estava comigo. Quando me dei conta, ela estava ao meu lado, olhando as minhas pedras.

-- A senhora joga Dominó? -- perguntei.

-- Jogo, sim -- disse ela.

Dei as minhas pedras para ela e pedi que ela assumisse o meu lugar. Pensei que iria ter que ajudá-la a reconhecer as pedras, pois muitos não enxergam o suficiente. Que nada. A velhinha não só enxerga como joga Dominó muito bem. Depois da terceira partida que ela ganhou, ninguém teve dúvidas de que temos uma nova parceira de Dominó.

A disputa só terminou quando o cheiro da comida venceu a vontade de jogar. Ela levantou-se e caminhou na direção do refeitório. Agora, sem mais greve de fome por ficar num lugar em que não queria. Mas, sorrindo, com um novo brilho nos olhos.

Acho que Rob Bell está certo no que diz: O Amor Vence!


Abcs Bento Souto

sexta-feira, abril 15, 2011

QUEM É CONTRA O ABORTO?





Até hoje eu só soube de um Cristão que era verdadeiramente contra o Aborto de qualquer criança: Madre Teresa de Calcutá.

Ela pedia para quem estivesse pensando em abortar, que desse a criança para ela, que ela criaria.

Os demais Cristãos não são contra.

Eles apenas falam que são.

Eu, inclusive.


Abcs Bento Souto

quinta-feira, abril 14, 2011

FALANDO NA IGREJA QUE EU AMO




Muitos me perguntam qual Igreja que estou frequentando. Esta minha fala do vídeo foi gravada lá, no domingo passado, 10/04/2011.

Nós somos 11 filhos (6 mulheres e 5 homens) que se reúnem uma vez por mês com nossos pais, cônjuges, filhos, sobrinhos, netos, genros, noras, tias, etc, para um almoço em que celebramos a união da nossa família e damos graças a Deus por todos.

Apesar de simples, tudo é muito bem planejado. Cada um dos filhos(as) traz um ingrediente de acordo com o planejamento feito e com as habilidades culinárias e financeiras que cada um possui. Há décadas que temos esse hábito.

Eu tenho insistido em chamar esse ajuntamento de Igreja, mesmo com a maioria sendo Católica e uma minoria sendo Evangélica.

Minha família é a minha Igreja mais querida, mais amada, a que eu mais gosto de congregar.

Outros grupos eu frequento ou até dirijo. Mas nenhum deles se assemelha a minha igreja-familia, familia-igreja.

Lá, a gente é tudo igual. Lá, nao há "ungidos" e não ungidos. Lá, não há sacerdotes e leigos e nem clero e laicato.

Lá, com o mais novo dos 11 irmaos com 31 anos, nao há mais hierarquia de autoridade, mas apenas submissão em amor. Eu me submeto a minha mãe e meu pai por causa do meu amor por eles e por causa da certeza do amor deles por mim. Não porque eles sejam a "autoridade" da igreja, mas porque eles são meus pais e me amam de verdade.

Lá, eles me ouvem porque crêem que em minha boca Deus põe palavras. Palavras de reconciliação; de amor fraternal; palavras que unem pais e filhos, irmãos e irmãs.

Lá, eles me ouvem, não porque eu seja o mais velho. Nada disso. Mas porque eles reconhecem a Palavra na minha boca; e sao abençoados pela Palavra tanto quanto eu sou.

Somos a melhor igreja que eu conheço. Assim, eu posso dizer que estou congregando na melhor congregaçao que eu conheço na face da Terra. Em nenhum outra eu me sinto tão bem e tão abençoado por Deus quanto nela.

Um detalhe, o tom de voz alto é porque eu estava falando sem microfone e tinha que vencer o barulho.


Abcs Bento Souto

quarta-feira, abril 13, 2011

A VELHA CANTORA EVANGÉLICA!




Ela chegou ao Asilo em um veículo do Corpo de Bombeiros. Agentes Sociais do Município e Representantes do Ministério Público acompanharam a internação dela. Uma internação difícil, diga-se de passagem, pois ela não queria ficar. Porém, como ela havia sido atropelada -- a perna dela tem um ferimento que precisa de curativos diários --, morava sozinha, sem ter quem cuidasse dela, estava suja e sem cuidados higiênicos, as autoridades decidiram que era melhor entregar a velha senhora aos cuidados das Irmãs devotas do Santo Católico, mas que cuidam dos velhinhos indefesos e incapazes.

-- Não, eu não quero ficar aqui. Quero ir pra casa. Eu sou uma cantora evangélica. Canto hinos e músicas para louvar a Deus -- dizia ela, tentando convencer as Irmãs a deixá-la ir.

-- Pronto, aqui está um violão. Cante. Louve a Deus conosco -- disse uma das várias Irmãs que davam as boas vindas e tentavam convencer a velha senhora a ficar.

Ela cantou. Ou, pelo menos, tentou. Nenhuma das músicas era conhecida. Talvez fossem muito antigas ou apenas canções de grupos restritos que nunca gravaram LP e/ou, muito menos, CDs. Porém, isso não foi empecilho para a Irmã que tentava acompanhá-la ao violão. Ao final, a velha cantora ouviu muitas palmas como incentivo. Os olhos dela brilharam. Mas ela ainda não queria ficar.

Dando atenção a três velhinhos que jogavam Dominó comigo, e a outros três que aprenderam a gostar da algazarra que eu faço enquanto jogo, eu pensava no que estaria se passando na mente daquela velha cantora evangélica.

À semelhança de vários pastores evangélicos idosos que vivem em Asilos como aquele, pois as Denominações e Igrejas a quem eles serviram os abandonaram a própria sorte, aquela velhinha agora passará a depender dos cuidados daqueles a quem por toda a vida foram tratados como ímpios e idólatras. Eles ficam parecendo Judeus sendo alvo do amor de Samaritanos.

Deve ser muito doloroso para eles perceberem que não há um único Asilo Evangélico na cidade, nem em todo o Estado -- gostaria de saber se há no Brasil, alguém sabe? Sei de alguns evangélicos que estão internos naquele Asilo que são arredios, maleducados e malagradecidos. Ser abandonado pelos próprios parentes não é fácil. Imagine ser abandonado por aqueles a quem se cria serem "os filhos de Deus"? Mas isso é assunto para um outro dia.

Na hora do almoço, ela veio para o Refeitório. Mais calma, de banho tomado e com roupas limpas, ela parecia outra. No entanto, me parece claro que a adaptação dela levará algum tempo. Ouvi-a pedir:

-- Jesus, me tira daqui.

Ao ouvir isso fiquei pensando. Para onde Jesus a levará? Onde ela será amada e cuidada como naquele Asilo? Só se for para algum lugar depois do túmulo. Pois, aqui na Terra, entre os Evangélicos, não conheço tal lugar.


Abcs Bento Souto

terça-feira, abril 12, 2011

"Seu Manoel", MERCÊS e JEAN-DOMINIQUE BAUBY





"Seu Manoel" se encontrava sentado/deitado numa cadeira, impossibilitado de se mover, a menos de dois metros da mesa em que eu jogava Dominó com outros internos. O "anjo de Deus" que cuida da cozinha se aproximou dele e disse:

-- "Seu Manoel", isso aqui ainda não é o almoço. É só um lanche -- e começou a colocar aquele líquido pastoso na boca do "Seu Manoel".

Achei ter visto um brilho de satisfação nos olhos de "Seu Manoel", após ele ter engolido a primeira colherada.

-- Olá, Bento, bom dia. Que bom que você veio -- disse a Irmã Fabíola, o "anjo de Deus" que é o "faz tudo" naquele Asilo, cerca de uma hora depois, ao passar por mim e se dirigir ao "Seu Manoel".

-- Olá, "Seu Manoel", como vai o senhor, hoje? -- perguntou a Irmã Fabíola, enquanto removia o mosquiteiro que o cobria e começava a examiná-lo.

Mais uma vez, eu pensei ter visto os olhos de "Seu Manoel" se iluminarem quando a Irmã Fabíola o tocou e começou a dizer-lhe palavras carinhosas e de estímulo. Não resisti e perguntei:

-- O que é que ele tem?

-- Ah, são tantas coisas...

-- Ele consegue falar?

-- Uma palavra aqui e acolá com extrema dificuldade.

O Dominó e os internos com os quais eu jogava demandavam a minha atenção. Porém, de soslaio, (sempre quis escrever essa palavra num texto.. rsrs) eu continuava prestando atenção no trabalho da Irmã Fabíola e esperando que algum sorriso brotasse da boca sem dentes de "Seu Manoel".

Uns três minutos depois, "Seu Manoel" pronunciou uma palavra. Por mais que eu tente, não consigo lembrar que palavra foi. Contudo, naquele instante uma possibilidade criou raízes em meu coração. Permita-me explicar.

Eu já exercito a comunicação de uma só palavra com pessoas portadoras de deficiências auditivas profundas. Há alguns meses, eu visitei Mercês, que faleceu na semana passada, aos 90 anos. Mercês ficou muito feliz com apenas duas palavras que eu pronunciei separadas uma da outra por minutos.

ELEGANTE. Era assim que eu lembrava de Mercês há quarenta e poucos anos, quando minha tia me levava ao escritório onde elas trabalhavam.

CHEIROSA. Por onde Mercês passava, o cheiro agradável dos perfumes que ela usava impregnavam o ambiente.

Mercês riu muito e discorreu durante vários minutos, com os olhos brilhando de alegria, sobre aquele tempo maravilhoso em que eu convivi com elas. A mente dela estava lúcida. As palavras fluíam claras e cheias de significado. Naquele instante, eu entendi que ela apenas não conseguia ouvir. Mas a mente continuava a funcionar perfeitamente.

Juntando a experiência de Mercês com a do jornalista francês Jean-Dominique Bauby, que sofreu um acidente vascular cerebral e ficou "preso no próprio corpo" (Locked-in Syndrom), completamente imobilizado (a exceção da sobrancelha esquerda, que ele passou a usar para se comunicar com o mundo), eu acalentei no meu coração a possibilidade de que a mente de "Seu Manoel" possa estar funcionando.

Sim, em ambientes como aquele Asilo, há muitas pessoas com a Mente em pior estado do que o Corpo. São aqueles para quem o Alzheimer já é uma realidade visível. Ou, outros, para quem o exagero no uso de substâncias entorpecentes (como o alcóol e as drogas) provocaram danos irreversíveis na Mente.

No entanto, aquela experiência com o "Seu Manoel" me fez considerar, seriamente, a possibilidade de que ali mesmo, perto de mim, possa haver pessoas com a Mente funcionando, mas sem poder responder com o Corpo.

Que Deus continue me ensinando aquilo que Salomão já dizia há milênios atrás:

"Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração".


Abcs Bento Souto

sábado, abril 09, 2011

SUICIDAS E/OU ASSASSINOS?

Hoje, minha amiga Marinah, que vive na Holanda, falou que um outro jovem entrou num shopping de lá, matou seis pessoas e depois se matou.

Esse foi mais um daqueles que disseram: VOCÊS VÃO TER QUE CHORAR QUANDO EU MORRER!

Pessoalmente, sem entrar em análises psíquicas e de circunstâncias que levam as pessoas a cometer uma loucura dessas, quero dizer que não considero essas pessoas como SUICIDAS, mas como ASSASSINOS.

Há pessoas a quem a gente ama e a quem chamamos de AMIGOS. São poucas, mas há. Entre os meus AMIGOS há dois que se suicidaram. Os motivos que os levaram a cometer tal ato não me parecem suficientes para que se decida terminar uma vida. Porém, eles acharam que não valia mais a pena continuar vivendo daquela maneira e quiseram dar um fim a dor que sentiam. Só que eles causaram dor apenas a familiares e amigos que sentem a ausência deles.

Esses que matam outros e depois se matam causam dor aos familiares e amigos deles e acabam com a vida de gente que quer viver. Ou seja, eles tiram a vida de outros que não querem morrer e fazem isso apenas para causar dor.

Eles podem ser insanos --e eu acho que são mesmo!--, mas eles não são inocentes. Eles são ASSASSINOS. SUICIDA é aquele que se mata para acabar com a própria dor. ASSASSINO é aquele que MATA para causar dor nos outros.

Enfim, meus amigos foram SUICIDAS. Esses, que matam muitos antes de se matar, não são SUICIDAS. Esses são ASSASSINOS que se SUICIDARAM.


Abcs Bento Souto

sexta-feira, abril 08, 2011

VOCÊS VÃO TER QUE CHORAR QUANDO EU MORRER!





Quando soube dos detalhes do planejamento que fez o autor do massacre das crianças da escola de Realengo, no Rio de Janeiro, lembrei de um outro indíviduo.

"Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos". (Mateus 2:16)

Em nenhuma outra fonte, senão no Novo Testamento, há o registro desse massacre de, provavelmente, umas 20 crianças, da pequena população que habitava aquela região. Porém, devido ao histórico de bárbaries cometidas por Herodes, o Grande (como ele ficou conhecido), ninguém duvida de que ele tenha mesmo ordenado tal massacre. Na História há registros de que Herodes matou ou mandou matar todos aqueles que se opuseram a ele, e até esposas e filhos que poderiam usurpar o seu trono.

No entanto, a ligação que eu fiz entre Herodes e o jovem que assassinou as crianças na escola do Rio de Janeiro se deu por causa do último desejo de Herodes. Segundo nos conta Flávio Josefo, historiador Judeu que viveu no século I, ao sentir que ia morrer devido a uma grave enfermidade, Herodes fez um último pedido a Salomé, sua irmã, e a Alexas, marido dela.

Herodes sabia que os Judeus o odiavam e que se alegrariam com a morte dele. Ele não queria que houvesse alegria quando morresse mas, sim, pranto. Para que o povo chorasse a morte dele, Herodes mandou colocar todos os líderes Judeus, queridos e amados pelo povo, no Hipódromo de Jericó. O pedido que Herodes fez a Salomé e Alexas foi que, quando ele desse o último suspiro, sem contar que ele havia morrido, eles ordenassem a morte de todos os líderes queridos pelo povo. Ou seja, na mente de Herodes, a morte dele seria a mais lamentada dentre todos os reis. Graças a Deus que Salomé e Alexas não fizeram conforme o planejado por Herodes.

Herodes e o jovem assassino das crianças na escola do Rio de Janeiro tinham o mesmo propósito: queriam que as pessoas chorassem quando eles morressem. Infelizmente, o último conseguiu o seu intento.


Abcs Bento Souto

quinta-feira, abril 07, 2011

NÃO SEI PORQUE ME ABANDONARAM AQUI

-- Você é feliz? -- perguntei, sem saber que essa pergunta inundaria o coração de Luzia de dores.

-- Não, sou não -- respondeu ela, começando a chorar.

-- Mas, por que não? Aqui tem quem cuide de você; te dão comida; você tem uma cama; há muitos com quem você pode conversar, etc -- tentei argumentar.

-- Não sei porque me abandonaram aqui. Eu não fiz nada de errado. Trabalhei a vida toda na casa de Dr. Fulano. Cuidei da casa. Cuidei dos filhos dele. Cuidei dos netos. Agora, que estou velha e não sirvo mais pra nada, eles me abandonaram aqui e foram embora. Isso não é justo! -- Luzia pronunciava as palavras entrecortadas por gemidos e soluços.

Eu ainda não sei se a história de Luzia é real ou se é fruto de uma mente que já não consegue distinguir a realidade da imaginação. Muitos daqueles que vivem naquele asilo com Luzia já não sabem mais o que é realidade. As memórias deles são de mais de 50 anos atrás. Possivelmente, o Alzheimer danificou suas mentes.

No dia seguinte, Luzia me pergunta quase tudo que me perguntou no dia anterior. Onde mora? Com quem mora? Quantos filhos? Como é o seu nome? Etc. Respondo tudo como se fosse a primeira vez. Enquanto olho para ela, não deixo de pensar que ninguém sabe o que se passa na mente de Luzia.

Conversando com Luzia, sinto que estou diante de "solo sagrado" onde o "é assim para a glória de Deus" é a única explicação que consola a minha alma.

Muitos dizem estar prontos a "morrer por Cristo". Uns poucos dizem que estão prontos a "viver para Cristo". Porém, raros são os que dizem: "Senhor, sou teu, faça de mim o que te apraz".


Bjs Bento Souto

AVELOZ (Euphorbia tirucalli)




Hoje conheci Aurélio, 51, cego desde os 27 anos de idade.

-- Como foi que você ficou cego, Aurélio?

-- Foi "Aveloz" -- disse ele.

Lembrei de que eu mesmo recolhi folhas secas (que mais parecem talos) de "Aveloz" para acender o fogo da casa do meu avô.

-- "Aveloz" cega, fique longe dele -- sempre me dizia meu avô.

Porém, meu avô nunca pode me mostrar alguém que tinha ficado cego por causa de "Aveloz". Aurélio estava diante de mim. Agora, aquela advertência fazia outro sentido. Eu pensei que poderia estar cego também.

-- Do que você mais tem saudade do tempo em que enxergava? -- perguntei, de olhos fechados, tentando entender um pouco mais o mundo em que Aurélio vive.

-- De quando eu trabalhava; de quando eu podia ir sozinho para onde quisesse. -- respondeu Aurélio; demonstrando que não sentia falta da visão, mas do que ela proporcionava. Agora, confinado em um asilo para idosos, Aurélio só sairá para ir ao Hospital fazer exames, ou para o cemitério, quando morrer.

Eu havia me aproximado de Aurélio movido pelo desejo de presenteá-lo com um Novo Testamento escrito em Braille. Achei que seria um presente que ele poderia ler até quando apagassem a luz do quarto em que ele dorme com outros, que também aguardam a inevitável viagem. Aurélio é analfabeto e eu não tenho nenhuma idéia de como alfabetizá-lo. Na verdade, eu nem sei se ele quer ser alfabetizado.

Bom, eu não sei se conseguirei fazer algum bem ao Aurélio, apesar de que ele disse que gostou de me conhecer e perguntou se eu voltaria no dia seguinte. Achei que isso foi um bom sinal. No entanto, uma coisa eu sei: está me fazendo um bem imenso conviver com pessoas como Aurélio.

Antes de continuar devo dizer algumas coisas. 1. "Aurélio" é o nome fictício de uma pessoa real. 2. Nada mais é fictício. 3. Pretendo contar outras histórias nos próximos posts.


Bjs Bento Souto

terça-feira, março 29, 2011

AINDA SOBRE A PLS N.º 480

Lembrem-se, também era inconstitucional derrubar o Mubarak... ele saiu... sem o banho de sangue da Líbia...

Aqui, no nosso País, nós temos hoje o seguinte:

Se você é do Serviço Público Federal, o limite de sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é uma coisa.

Se você é do Serviço Público Estadual, o limite da sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é outra coisa.

Se você é do Serviço Público Municipal, o limite da sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é uma coisa diferente.

Agora, se você é da "inciativa privada", o limite da sua aposentadoria, o plano de saúde, o salário, a carga horária e a estabilidade do seu emprego é uma coisa que ninguém do Serviço Público, de qualquer esfera quer. Ou seja, é uma M....

Estas são as nossas "castas" e nossas forma de "segregação"!

Gandhi venceu o Império Britânico sem armas e sem disparar nenhum tiro. Por que nós não podemos vencer esse Império dos Privilégios aqui no Brasil? O que nos falta?

Sabe o que eu realmente acho que falta?

Falta a gente acreditar que a gente pode vencer. Que a gente é maioria nesse País. Que se nós crermos e nos unirmos para reivindicar nossos direitos, nós conseguiremos ser ouvidos e respeitados.

Eu estou fazendo a minha parte, nesse momento.

Faça a sua.

Acredite.

Vamos mudar isso.

Vamos apoiar a PLS N.º 480.

Vamos informar aos nossos Senadores que nós apoiamos e queremos que eles também apoiem. Eles são nossos representantes. Somos nós que os elegemos. Eles trabalham pra gente. Acredite nisso.


Abcs Bento Souto

PROJETO DE LEI N.º 480

PROJETO DE LEI DO SENADO N.º 480, DE 2007, DETERMINA A OBRIGATORIEDADE DE OS AGENTES PÚBLICOS ELEITOS MATRICULAREM SEUS FILHOS E DEMAIS DEPENDENTES EM ESCOLAS PÚBLICAS ATÉ 2014.



Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Uma ideia muito boa do Senador Cristovam Buarque. Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, Deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública. As consequências seriam as melhores possíveis. Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDEIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.

Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país. O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

Ainda que você ache que não pode fazer nada a respeito, pelo menos passe adiante essa ideia.


www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166


Faça a sua parte.

Divulgue.


Abcs Bento Souto

segunda-feira, março 21, 2011

O deus que mandou o Tsunami é o DIABO?!?!

Sim, corre solto na Internet o argumento de alguns de que "O deus que mandou o Tsunami é o DIABO". Minhas perguntas aos que afirmam isso são as seguintes:

E esse deus é tão poderoso, mas tão poderoso, que Deus não controla ele, é?

Esse deus aí está fora de controle?

Ou esse deus-diabo já virou todo-poderoso?

Os caras transformam o Criador do Universo num engenheiro japonês que criou Fukushima, e agora fica se curvando pedindo desculpas porque vazou radiação que pode matar milhares, e pensam que descobriram a roda com umas respostas tão tolas como essa.

Será que esses caras nunca vão aprender que Deus é Deus de vivos, que pra Ele ninguém morre, como disse Jesus? E que os caminhos dEle são mais altos que os nossos? E que não há ninguém que possa ensiná-lo a ser Deus?

Claro, como disse Paulo, os que esperam somente nessa existência aqui na Terra e se acham Cristãos são "os mais miseráveis entre os homens". Prova é a montanha de textos com argumentos tão tolos como esses.

Talvez, mais miseráveis que esses são os que crêem que pra Deus ninguém morre, mas ficam a emitir juízos de que o Tsunami é castigo de Deus porque os japoneses são mais pecadores que os demais humanos, dizem eles. Quem disse isso a eles? Deus? Não, eles dizem que foi a Palavra. Sendo que a Palavra diz exatamente o contrário.

Jesus disse que a morte de alguns, por causa da queda de uma torre, e de outros que foram chacinados por Herodes, não foi porque eles eram mais pecadores do que os que assim pensavam. Jesus, porém, não diz mais que isso. Não explica. Não diz que Deus se surpreendeu e nem que castigou ninguém. Ele fica apenas na simplicidade de dizer que todos deveriam estar preparados para o próprio fim.

Parece que essas coisas não são suficientes para alguns. Eles precisam explicar o que Deus não explicou.


Bento Souto

sábado, março 19, 2011

O "CONTO DO VIGÁRIO" EM NOME DE JESUS

A maioria das pessoas que são vítimas de golpes tipo "Conto do Vigário" não procura a Polícia por causa da vergonha de ter sido enganada, dizem os especialistas. Por esse motivo os enganadores seguem enganando novas vítimas.

Outro dia, na companhia de meu amigo Ivanildo Vilanova, eu viajava pelo interior do Nordeste, visitando pequenas cidades, quando notei a ausência de templos dessas igrejas que pregam sucesso financeiro e curas milagrosas.

- Tem não, Bento. Aqui, o engano fica patente pois todos se conhecem - afirmou sabiamente o grande repentista, que conhece o Nordeste como poucos.

Juntando as duas coisas, eu me dei conta porque esses charlatões insistem tanto em estar no Rádio e na TV: porque os que caem no "Conto do Vigário" deles não se conhecem e ficam com vergonha de denunciar que foram enganados.

Simples, não?

quarta-feira, março 16, 2011

TRAGÉDIAS SÃO "CASTIGOS DE DEUS"?

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Naquela mesma ocasião, chegando alguns Cristãos, falavam a Jesus a respeito dos Líbios cujo sangue Gadafi misturara com o sonho de liberdade deles.
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Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses Líbios eram mais pecadores do que todos os outros Árabes, por terem padecido estas coisas?
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Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.
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Ou cuidais que os milhares de Japoneses sobre os quais desabou o Tsunami e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes do Ocidente Cristão?
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Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.

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Uma atualização de Lucas 13 para aqueles que vivem a bradar: Sola Scriptura! Porém, pelos comentários que emitem demonstram não crer no que está escrito nas Escrituras.


Bento Souto

quarta-feira, março 09, 2011

EVANGÉLICOS IDÓLATRAS


Na esteira de comentários que recebi por VOCÊ É EVANGÉLICO? FAÇA O TESTE alguém me indicou esse texto do Revdo. JULIO ZAMPARETTI FERNANDES, Pároco da Comunidade Episcopal de Tubarão / REINA-SC, que a seguir reproduzo.

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EVANGÉLICOS IDÓLATRAS

Evangélicos são, muitas vezes, idolatras... eu diria até arcólatras, oleólatras, fitólatras, gedozólatras, salólatras, corredorólatras, campanhólatras e até bibliólatras.

Muitas igrejas não admitem o uso da imagem do crucifixo que é um ícone da nova aliança, mas usam e abusam de qualquer réplica mal feita da arca, que é ícone da antiga aliança.

Isso sem contar com a devoção que o povo evangélico, não raras vezes, emprega à arca; enfrentam filas para tocá-la e o fazem muitas vezes chorando e confiando que ao simples toque serão abençoados.

Que diferença tem isso da devoção empregada no santuário de Aparecida? Na verdade, a maioria dos crentes apenas mudou de idolatria (se é que a imagem dos santos constitui idolatria).

Os santos são ícones do cristianismo; são exemplos a serem seguidos; gente que andou com Cristo e viveu Sua cruz e ressurreição, portanto, apontam para Cristo.

Mas quem são os ídolos evangélicos?

Arca, castiçal de sete velas (sem velas! rsrs), óleo ungido (e você não vê católicos com vidrinho de óleo lambuzando tudo o que possui), lencinho, fitinha, toalhinha, sal e rosa ungidos e por aí vai.

Acaso alguma dessas coisas pode ser ícone perfeito de cristo?

Apontam para Cristo? Seguiram Cristo?

Viveram a morte e ressurreição de Cristo?

NÃO.

Alguns são ícones da velha aliança, outros apontam somente para a avareza de seus líderes sem escrúpulo.

Logo, a cultura invangélica (assim mesmo, pois de evangélica não tem nada) está mais impregnada de idolatria do que aquela que os invangélicos acusam e condenam.

Todavia não se pode negar a desvirtuação da iconologia católica, que contraria as Escrituras e o próprio catecismo católico e a ICAR simplesmente fecha os olhos para isso.

Santos são ícones, não mediadores.

A idolatria evangélica nem para ícone serve.


Revdo. JULIO ZAMPARETTI FERNANDES
http://juliozamparetti.blogspot.com/2010/04/evangelicos-idolatras.html

sexta-feira, março 04, 2011

VOCÊ É EVANGÉLICO? FAÇA O TESTE!

Muitos se ofendem com críticas feitas ao Evangélicos, pois se consideram como tais. Porém, pergunto, para que alguém seja considerado Evangélico, basta que essa pessoa diga: "eu sou"? Não há nenhum teste que a própria pessoa possa fazer para saber se ela é Evangélica ou não?

Foi com o intuito de responder essa questão que eu criei esse teste de uma só pergunta. Sim, uma só pergunta. Aqui está ela:

Você diria a alguém que quisesse saber onde poderia aprender mais sobre Jesus para que esse alguém procurasse a Igreja Evangélica mais próxima?

Se a sua resposta for SIM, você pode se considerar Evangélico.

Se a sua for NÃO, você não pode se considerar Evangélico.

Simples, não?

Não concorda com a conclusão do teste?

Você acha que pode se considerar Evangélico e não recomendar a Igreja Evangélica mais próxima?

Então, saiba, você não é mais Evangélico e nem sabe ainda.

Sabe por que eu digo isso?

Porque eu já fui Evangélico. Eu fui Evangélico no tempo em que a gente pregava nas ruas, praças, feiras, rádios, etc., e dizia para aqueles que quisessem aprender mais sobre Jesus para que procurassem a Igreja Evangélica mais próxima de suas casas.

Hoje, eu não faço mais isso de jeito nenhum.

Eu mudei?

Não, eu continuo crendo em quase tudo que cria naquela época.

E o que mudou para que eu diga que não sou mais Evangélico?

Mudaram os Evangélicos. E, mudaram para uma direção que eu não tenho a menor vontade de seguir.

Antes, ser Evangélico era crer que Jesus veio para servir e não para ser servido -- e que, portanto, nós devíamos seguir o exemplo dEle. Hoje, ser Evangélico é crer que Jesus faz com que os Ímpios (os não-evangélicos) nos sirvam, pois, segundo os Evangélicos atuais, nós nascemos para ser cabeça e não cauda.

Antes, ser Evangélico era crer no Deus dos homens. Hoje, é crer nos "homens de Deus".

Antes, ser Evangélico era crer que a vida do homem não consiste na abundância dos bens que possui. Hoje, quem não possui bens está em pecado ou tem maldição sobre a vida.

Antes, ser Evangélico era estar coberto pelo sangue de Jesus. Hoje, é estar coberto pela pretensa autoridade espiritual de outro homem.

Antes, ser Evangélico era crer que nós éramos o templo que Deus habitava. Hoje, é crer que Deus vai habitar os templos suntuosos, de ferro e concreto, que estão sendo construídos supostamente para a "glória de Deus".

A lista de diferenças entre o que era e o que é ser Evangélico é imensa. No entanto, se você quiser saber que tipo de Evangélico eu era e qual era o meio em que vivia, leia o texto que escrevi sobre EDILSON BRAGA em http://blogdobento.blogspot.com/2011/03/edilson-braga-o-louco-de-deus.html

Mesmo depois de tudo que você leu até aqui, ainda assim você acha que o meu critério de seleção para quem é e quem não é Evangélico não retrata a realidade? Então, a prova é simples. Faça o mesmo teste com um Católico Romano. Pergunte se ele indica a igreja mais próxima da casa dele para quem quiser saber mais sobre Jesus.


Abcs Bento Souto

P.S. Não precisa nem pedir autorização. Quem quiser pode reproduzir esse texto onde achar que deve.

terça-feira, março 01, 2011

EDILSON BRAGA, O LOUCO DE DEUS

Se Dona Luizinha deixou marcas indeléveis em minha capacidade de aprendizado, Pr. Edilson de Holanda Braga ensinou-me "como crescer no conhecimento e na graça do Senhor" através do método mais eficiente que se tem notícia -- o exemplo.

Em 1992, quando íamos ao Chile, numa caravana de pastores batistas (só eu de leigo) para um trabalho promovido pela Junta de Missões Mundiais, ouvi Pr. Eli Fernandes contando uma das "loucuras" do Pr. Edilson. Eles (Eli e Edilson) eram jovens seminaristas e estavam participando da Primeira Transtotal -- um esforço evangelístico no estado do Pará, em localidades próximas a Rodovia Transamazônica. Eli conta que viajavam numa "Rural velha", ele, Edilson e Gérson Matos (outro seminarista). Em dado momento, Edilson Braga, que conduzia o veículo, deixou a Rodovia Transamazônica -- que já era uma temeridade devido as péssimas condições de tráfego -- e entrou numa das estradas vicinais começando a adentrar cada vez mais na mata. Eli e Gérson perguntavam o por quê daquilo, e Edilson respondia que "sentia que Deus quer que eu vá por aqui". O temor de que aquilo fosse uma "loucura" começou a crescer em Eli e Gérson pois a noite se aproximava e se a velha Rural tivesse um problema ou atolasse eles teriam que dormir no "meio do mato" pois não havia viva alma naquela vicinal. Edilson continou mata adentro até que parou em frente a uma casa que ficava às margens da estrada. "Deus manda que nós paremos aqui. É naquela casa", disse Edilson. Ao iniciarem a conversa com os moradores daquela casa, ficaram sabendo que todos eles haviam se convertido ouvindo rádio (talvez a Transmundial) e estavam orando para que "Deus enviasse alguém até eles".

Assim é Edilson de Holanda Braga, um "louco de Deus"! Eu já havia ouvido esta mesma narrativa contada do mesmo jeito por Pr. Gérson Matos e Eli Fernandes confirmava que a mesma não fora "um delírio para glória de Deus". "Louco de Deus" foi a definição que Reis Pereira encontrou para definir Edilson Braga. Eu também tive o privilégio de compartilhar dessa "loucura santa"! Quando Deus fez com que o meu caminho cruzasse o de Edilson Braga, providenciou para que nunca mais eu fosse o mesmo.

O meu ateísmo era muito mais fruto de uma escolha espiritual do que uma aversão a "burrice dos religiosos", apesar de que essa última contribuía também. Minha mãe não conseguia explicar por que se o meu irmão mais novo morresse sem ser batizado iria para um lugar diferente do outro que era um ano mais velho e era batizado. "Se todos dois são incapazes de andar, comer sozinhos, falar ou cumprir qualquer tarefa, e um irá para o céu e o outro para o 'limbo' porque vocês não o levaram para ser batizado, acho que esse Deus que vocês crêem não é justo e pende para a idiotice, pois se alguém merece ser punido pelo mais novo não ser batizado, são vocês e não ele", era o meu arrazoado.

Com os "crentes" a situação não era diferente. O primeiro que tentou me evangelizar, num dormitório de uma das construtoras da Hidroelétrica de Tucuruí, foi um fracasso. Depois de ouvi-lo falar por um pouco, perguntei: "e os discos voadores? e as pirâmides?", com interesse de saber o que ele pensava e não em invalidar o que ele havia exposto. "Não dêem ouvidos a isso, pois isso é coisa do diabo", foi a resposta dele, virando as costas para mim e se dirigindo aos meus dois companheiros de quarto. "Pois caia fora daqui senão o diabo vai mandar a mão no seu pé-do ouvido" foi a minha reação. Se ele tivesse tido a honestidade de dizer "sobre isso eu não sei nada, mas o que eu sei sobre Jesus talvez você não saiba", possivelmente teria ganho a minha amizade.

Com Edilson Braga o contato foi diferente. Quando eu apareci, já convertido, tendo lido toda a Bíblia, e fazendo perguntas, obtive o exemplo como resposta. Nunca senti nenhum medo da parte dele em me deixar brincar com os seus filhos, ou de me levar para sua casa para comermos ovo com farinha, apesar de todos saberem da minha ex-dependência das drogas. Edilson Braga se assemelhava muito a Barnabé. Ninguém confiava em Saulo de Tarso, mas ele o recebia e encorajava, pois confiava mais em Deus do que nos homens. Quando manifestei ao Edilson Braga o desejo de trabalhar na igreja dirigindo uma Kombi que servia a obra missionária, ele não titubeou e aceitou na hora. Não só fez isso, como também investiu em meu próprio crescimento, dando-me livros para ler e surprendendo-me com oportunidades para dar o meu testemunho público perante não só a igreja, como também nas feiras e praças.

Edilson Braga sempre teve um comportamento considerado "louco". Quando terminou o curso no seminário, ele foi até a Junta Executiva da Convenção Batista do Pará e Amapá pedir ajuda para "abrir um trabalho" em Tucuruí. Nosso querido irmão Johnny Natananel Burnet, secretário executivo, seguindo os trâmites normais da Junta, disse que a Junta iria avaliar o pedido de Edilson e em seis meses daria a resposta. "Quando tiver a resposta o irmão mande lá para Tucuruí, pois eu e minha família estamos embarcando para lá, amanhã", foi a resposta dele. Seis meses depois, Edilson já havia conseguido formar uma congregação de mais de
100 pessoas que se reuniam num velho barracão de madeira coberto com telha "brasilit" (de cimento amianto) quente de fazer todos suarem. Aquilo era uma igreja "quente" de verdade. A Junta de Richmond resolveu ajudar e enviaram através do Dr. Burnet uma oferta para construir um pequeno templo.

Três meses após a oferta haver sido enviada, quando foram olhar o novo templo de tijolo e telha de barro, se surpreenderam mais uma vez. Edilson havia usado o dinheiro para comprar um terreno vinte vezes maior do que aquele onde se localizava a pequena congregação. Dez anos após essas "loucuras", quando a Convenção Batista do Pará e Amapá se realizou em Tucuruí, o maior prédio de cimento existente na cidade era a Primeira Igreja Batista de Tucuruí, com seus 150 lugares só para o Coral, e capacidade para mais de 1.500 pessoas no total. Essa igreja foi durante muitos anos (não sei se ainda é) a segunda maior igreja do estado do Pará, em número de membros e em contribuição para o plano cooperativo e ofertas de Missões.

Muito mais do que um homem de ação, Edilson Braga sempre foi um homem de visão. Foi com ele que eu aprendi que a obra é de Deus, e é Deus quem "trabalha até agora". Todos os dias, as 6:00 horas da manhã, eu ia pregar na feira-livre da cidade. Um detalhe, meu companheiro era um pastor da Igreja Cristã Evangélica do Brasil. Apesar de ser comprometidíssimo com os ideais batistas -- ele batizava pessoas em pleno Rio Tocantins, com direito a desfile em cima de caminhão, vestido de batas brancas (eu mesmo passei por isso)-- Edilson Braga sempre soube que o reino de Deus era maior que sua denominação. Nunca se recusou a ajudar um pastor ou irmão de outra denominação, até mesmo mostrando locais para que eles abrissem suas igrejas. Foi assim com a Igreja do Evangelho Quadrangular, em Belém do Pará, onde o líder máximo dessa denominação, missionário Josué Benção, seu amigo pessoal, começou a realizar cultos num local apresentado por Edilson Braga.

Edilson Braga cria no Deus a quem orava e na poder da palavra que pregava. Talvez não haja no Brasil nenhum pastor batista brasileiro que tenha distribuído tantos "Novo Testamento - O Mais Importante é o Amor" quanto Edilson Braga. As vezes chegavam caminhões desses livros e eram armazenados em salas de aula e onde mais pudesse abrigá-los do sol e da chuva. Pr. Fanini parece saber disso pois em 1983 quando a Associação Billy Graham convidou líderes do mundo inteiro para o seu Congresso em Amsterdã, Edilson Braga foi um dos poucos pastores batistas do Norte do Brasil a ser convidado.

Mas não havia preocupação apenas com o "lado espiritual" das pessoas. Todas as congregações da igreja em bairros pobres, como também nas dependências da PIB de Tucuruí, abrigavam uma escola para crianças carentes, o Projeto Casulo. Devido ao fato de Edilson Braga receber mais crianças do que era autorizado, as verbas para merenda escolar e materiais tornavam-se insuficientes. O problema era resolvido com mais uma "loucura". Lembro de quando ele me enviou a cidade de Sapé na Paraíba com a missão de comprar 15.000 abacaxis. Esse carregamento foi comprado com o dinheiro que o governo enviou para comprar a merenda escolar. Transcorrido o percurso de mais de 2.000 quilometros de distância entre as cidades de Sapé-PB e Tucuruí-Pa, tive a incumbência de vender os 15.000 abacaxis. Vários irmãos foram localizados em esquinas da cidade, com montes de abacaxis sendo vendidos aos traseuntes e pessoas que passavam de carro. Apesar do esforço, 15.000 abacaxis para uma cidade que tinha uma população menor que 30.000 habitantes era um exagero. Tive que ir vender abacaxis em outras cidades como Marabá e Curionopólis. Ao final daquela "loucura" havia dinheiro suficiente para alimentar todas aquelas crianças durante todo o ano!

Essa característica de "aumentar o dinheiro" destinado a obra do Senhor sempre foi uma característica dele. Lembro de muitas vezes, perto do dia de ofertas para missões, quando ele via um daqueles agricultores vendendo sua produção as margens da rodovia. Edilson Braga me fazia parar o veículo, comprava o que estivesse a venda; fossem mangas, cacau ou qualquer coisa comestível. Já em Tucuruí, no período da tarde, após os seus filhos haverem chegado da escola, ele os colocava para vender aquilo dizendo: "Filho, o papai tinha dez reais para dar a você para que você ofertasse para missões. Comprei isso, você agora vai vender e ao invés dos dez que o papai te deu, você vai poder ofertar 20 ou trinta, dependendo do caso". Talvez esse comportamento sejo o motivo de todos os seus filhos terem concluído curso superior e serem completamente dedicados a causa do Senhor. Sem mencionar que eles próprios se mantém, e faziam isso mesmo antes de completar dezoito anos.

Que eles próprios se mantenham, sempre foi um necessidade, pois Edilson Braga nunca pôs no bolso um salário da igreja que pastoreava. Receber, ele recebia, e fazia questão, mas imediatamente devolvia aos cofres da igreja em forma de oferta. Fazia isso pois dizia que os irmãos precisavam saber que "o obreiro é digno do seu salário", e que talvez aquele que o substituísse não fosse "negociante". Através desses gestos Edilson Braga estava demovendo de minha mente a idéia mercantilista dos líderes religiosos e me ensinando a depender de Deus para sobreviver. Ele também me dava uma lição de humildade, pois como ele não tinha salário, quem arcava com as despesas de casa era sua fiel esposa, Irmã Lídia Barros Braga, filha do Pr. Sóstenes Barros e da irmã Dalva Barros, verdadeiros baluartes dos batistas brasileiros. A irmã Lídia era a diretora geral de todas as escolas que a Eletronorte mantinha em Tucuruí.

Edilson Braga e sua família sempre tiveram um ardor missionário tremendo. Parece que ele tomou para si a responsabilidade de continuar a obra de Eurico Alfredo Nelson, missionário americano, a quem um historiador batista que escreveu sua biografia chamou de "o apóstolo da Amazônia". Existem inúmeras cidades no estado do Pará que possuem trabalho batista, graças a Deus e as "loucuras" de Edilson Braga. Carajás, Paraopebas, Curionopólis, Marabá, Repartimento, Breu Branco, Goianésia, etc., e muitas outras que são posteriores ao meu tempo, foram cidades que os métodos não-ortodoxos de Edilson Braga e o apoio das Juntas de Missões Estaduais e Nacionais ajudaram a estabelecer o trabalho batista. A maioria dos trabalhos nessas cidades foi iniciado por irmãos sem o menor preparo acadêmico.

Lembro especialmente do irmão Pedro Ciriano, semi-anafalbeto, que começou o trabalho batista em Curionopólis e em Paraopebas. A estratégia usada foi mais ou menos a seguinte. Pedro Ciriano viajou até aqueles vilarejos. Lá chegando, começou a procurar de casa em casa onde moravam os crentes. Achado um crente, duas perguntas básicas: frequentava alguma igreja? era batista? Quando ele achava crentes batistas ou não, sem igrejas, convidava-os para participar de um grupo de estudo bíblico. Com esse pequeno grupo, começava-se o trabalho de evangelismo e doutrinamento de práticas batistas. Quando o grupo ficava grande para se reunir numa casa, alugava-se um local, até que pudessem ter um templo. Normalmente, quando o grupo atingia tamanho e maturidade para se tornar uma igreja, a Junta era convidada a enviar um obreiro. Nascia assim mais uma igreja batista. Quem sabe Pedro Ciriano não andou treinando César Castelhanos?

O sustento desses "missionários" era um "negócio de louco". Geralmente, durante um dos cultos da igreja, Edilson Braga chamava o "candidato a missionário a frente" e pedia que o mesmo desse testemunho dos motivos da sua ida, das perspectivas para o trabalho e dos custos do projeto. Naquela mesma hora era feito um "apelo" em busca de mantenedores. Alguns irmãos se comprometiam a irem ajudar com suas presenças. Outros se comprometiam em ajudar financeiramente dizendo nominalmente o valor que destinariam mensalmente para o projeto. Enfim, tudo era decidido "na hora" e todos se comprometiam. Cada projeto tinha uma característica. Em uns o "missionário" pedia para alugarem uma máquina Xerox, e com os rendimentos obtidos com os serviços de fotocópias, as despesas totais ou em parte eram pagas. Noutros, uma serra era comprada e com a venda de madeiras se pagavam as despesas.

Além de um homem de ação e de visão, Edilson Braga sempre foi um homem de oração. Qualquer local e hora é bom para oração. Certa vez, enquanto aguardávamos a chegada de um avião, um vereador amigo dele perguntou se ele tinha coragem de começar a pregar ali mesmo, naquele instante, para aquelas pessoas que juntamente conosco aguardavam a chegada do avião. "Nesse instante, não tenho, mas se eu tiver dois minutos para ficar a sós com Deus, eu saio de lá ardendo de desejo de pregar", foi a sua resposta. Total dependência de Deus sempre foi o seu lema. Quantas vezes presenciei a cena de pessoas que foram evangelizar - de casa em casa ou em praças públicas - dizendo que não conseguiram ver ninguém se decidindo pór Jesus? Muitas, e em todas elas a receita de Edilson Braga era sempre a mesma: "vamos orar". Terminado o período de oração, ele mandava que as pessoas voltassem ao mesmo local e evangelizassem de novo. Quase sempre o resultado era decisões ao lado de Cristo!

Depender de Deus! Esse era o lema! Orar e esperar que Deus agisse. No meu segundo domingo indo a igreja, Edilson Braga me levou para visitar e pregar aos presos, além de levar um caldeirão de K-suco com pão doce. Ele fazia isso todos os domingos, logo após o almoço e antes de sair com os demais irmãos para as pequeninas congregações nos bairros mais distantes onde os irmãos não tinham condições de ir para a igreja, à noite. Havia também as visitas aos enfermos nos hospitais. Durante a semana, antes de irmos para alguma congregação, ele nos levava para pregar em algum acampamento dos trabalhadores das empresas que construíam a barragem de Tucuruí. O método era sempre o mesmo. Ligar o som da kombi e deixar tocando uma música enquanto distribuíamos folhetos e convidávamos as pessoas para que viessem ouvir a palavra. Em seguida, cantávamos um hino ou cântico e pregavámos a palavra. Nós, que o acompanhavámos, dávamos testemunho, e ele sempre pregava e fazia o apelo.

Um dia, quando já me preparava para ir, ele disse que não poderia ir comigo. Oramos e ele mandou que fosse pegar alguém para ir comigo. Por mais que buscasse, infelizmente, não achei ninguém que pudesse ir comigo. Vendo o seu exemplo, decidi ir sozinho. Chegando lá, quase me arrependo. Lá estava eu morrendo de vergonha e tendo que fazer tudo sozinho. Dei testemunho, preguei e quando cheguei ao final, fiz o apelo mais "maluco" de toda a minha vida. Disse a todos que enquanto eu cantasse uma música (quem me conhece sabe que isso é quase impossível, pois sou o "maior dos desafinados" e fora de ritmo) todos aqueles que quisessem entregar suas vidas a Jesus viessem até a plataforma onde eu estava e se colocassem ali de joelhos. Lógico que eu esperava que ninguém viesse. Ademais, por causa da vergonha que era desafinar e cantar fora de ritmo em público e num solo, eu fechei os olhos. Contudo, com a ajuda de Deus, de olhos fechados, eu cantei toda a letra até o final. Lembro até hoje da letra daquela música que eu só ouvira uma vez e nunca soube quem era o autor.

Quando Jesus me salvou
eu andava perdido
sem consolação
as trevas já eram tantas
que luz eu não via
só escuridão
Hoje me sinto feliz
pois fui redimido
por Cristo Jesus
pois só me falta a familia
meus entes queridos
levarem sua cruz

Ó meu Jesus tão amado
já me sinto salvo
do mundo de horror
de todos os vícios malditos
Jesus com sua graça
já me libertou

Os companheiros que eu tinha
zombavam e diziam
"ele não fica lá"
outros diziam "coitado
já depois de velho
quer regenarar"
mas eu clamava e pedia
Jesus me segura
não deixa eu cair
já que salvastes minha alma
ilumina a estrada
e me deixas seguir

Ó meu Jesus tão amado
já me sinto salvo
do mundo de horror
de todos os vícios malditos
Jesus com sua graça
já me libertou

Ah! Aquela voz desafinada, fora de ritmo, cantando um hino desses, sem acompanhamento de instumentos, acapella (sem instrumentos), e sozinho?! Os olhos fechados por causa da vegonha e ainda por cima um apelo "maluco" daqueles!? O que era de se esperar?? Quando eu abri os olhos, havia cerca de vinte homens de joelhos, em atitude de oração, ao meu redor na plataforma. Depender de Deus, depender de Deus, a obra é de Deus, é Deus quem "trabalha" e Ele escolheu as coisas loucas desse mundo para escandalizar os "sábios"! Edilson Braga havia me ensinado a mais importante lição teológica que um cristão pode aprender: depender de Deus!

Quando li o que Agostinho escreveu sobre seus sentimentos acerca do grande Ambrózio, percebi que aquela situação me era familiar. Nunca discuti teologia com Edilson Braga. Nunca lembro de ter visto ele falando mal de alguém. Eu até que gostaria mas não ele não tinha tempo. Não que ele não estivesse a altura. Pelo contrário, Edilson Braga foi um dos individuos que eu vi ler mais livros em toda a minha vida. Qualquer minuto de espera em algum lugar, lá estava ele lendo. O que o inspirava era o testemunho de outros cristãos. Miller, Carey, Hudson Taylor, Finney, Moody, Bunyan eram figuras que sempre estavam presentes entre seus livros. Também haviam escritores atuais. Fossem dos tipo auto-ajuda, Schuller, Peale, Osborne, etc. Fossem os que estão na última moda: Cho, Colson, Schaeffer, Caio Fábio. Enfim, não importava o assunto, lá estava ele se informando, mas mantendo o nível de pregação para que uma criança pudesse entender. A esposa era responsável, a pedido dele, por anotar qualquer palavra difícil para que a mesma não fosse mais usada. O lema era simples: "alimento para ovelhas, se as girafas quiserem se alimentar que se baixem".

Bem, acho que vou parar senão isso se transforma em livro, ainda que Edilson Braga mereça uma biografia. Acho que ele nunca esreverá, pois não me recordo de jamais ter visto uma única folha de papel escrita por ele. Ah, ia esquecendo. Certa vez, eu escrevi uma carta para ele. Era uma carta desaforada. Eu fiquei transtornado quando após ter contado a ele que eu havia me apaixonado por aquela que viria a ser minha esposa, ele sugeriu que eu casasse logo. Na carta eu disse a ele que ele sugeria aquilo pois a moça não era filha dele, pois se fosse ele não sugeriria aquilo. Afinal, eu não possuía nenhuma renda e vivia das doações dos irmãos na igreja. Ele nunca comentou sobre a carta comigo. Acho que deve ter lido e jogado no lixo. Ao invés de perder tempo tentando demonstrar que eu estava errado, ele arranjou um trabalho para mim em Belém e me recomendou ao futuro patrão. Menos de um ano depois eu estava casado. Hoje, analisando de novo a situação, acho que o conselho dele seria o mesmo, ainda que a moça fosse a filha dele.

De qualquer forma eu gostaria de deixar registrado o profundo impacto que o exemplo dele produziu em minha vida. Que Deus nos dê homens como Pr. Edilson Braga e que conceda a ele ainda muitos anos de vida.

Abraços Bento Souto

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

A "SAÚDE QUASE PERFEITA" NO BRASIL

Quem vai a uma Emergência de Hospital Público sabe muito bem que a Saúde no Brasil está muito longe da perfeição. Nosso ex-presidente talvez tenha andado visitando muito o ex-vice-presidente, José Alencar, no Hospital Sírio Libabês, em São Paulo, e pensou que a Saúde no Brasil é tratada como são tratados os pacientes do Sírio Libanês. Ledo engano.

Aqui, em Campina Grande-PB, o Hospital Regional de Traumas e Urgências funciona porque se for fechado o caos será maior ainda. São cidadãos jogados pelos corredores, gente tomando soro em cadeiras, médicos e enfermeiros sem condições de trabalho, faltam meicamentos e equipamentos, e, mesmo sem ser da ANVISA, acho que aquele hospital não tem condições de funcionar.

Porém, diante de um quadro desses, temos duas alternativas. A primeira é exigir o fechamento daquele hospital. Essa é a alternativa daqueles que querem fazer o problema desaparecer. Porém, uma pergunta precisa ser respondida: para onde irão os pacientes que hoje são lá atendidos? Está ruim com essas condições? Ficará pior ainda sem o hospital.

Esse é o mesmo dilema que a gente vê quando os comerciantes ilegais são despejados do local onde estão comerciando, ou quando as mercadorias deles são apreendidas. Quando algum deles pergunta: -- e o governo vai nos dar trabalho, é? A resposta ninguém dá. Apenas dizem que eles não podem exercer aquela atividade.

Ora, será que ninguém percebe que eles só exercem aquela atividade porque lhes falta trabalho? Você já viu alguém recusar um trabalho pra ir ser camelô? não ter os direitos trabalhistas reconhecidos?

Assim, o dilema enfrentado pelos pacientes nos hospitais públicos e pelos camelôs é o mesmo.

Alguém tem algo a oferecer como solução que foque nas pessoas e não nos problemas?

Eu tenho: exigir que os Servidores Públicos sejam atendidos pelo Serviço Público de Saúde que eles oferecem ao público. Sim, os políticos (de todos os partidos) deveriam ser os primeiros a dar o exemplo -- já que para eles "a Saúde no Brasil está perto da perfeição".

Alguém tem uma idéia melhor?


Abcs Bento Souto

quarta-feira, janeiro 12, 2011

SUA FÉ É UMA RELIGIÃO?


Transformaram a fé em Jesus numa Religião. Dizem que constroem templos para Ele. Professam adorá-lo em cultos, cânticos, missas, novenas, procissões, romarias, correntes, etc.

No entanto, o Jesus apresentado nos Evangelhos parece que só aceita ser adorado no próximo -- de preferência, no fraco, no faminto, no enfermo, no falido, no preso, naquele sem roupa e agasalho, etc.

Mas, quem quer mesmo adorar Jesus assim? Sem templos, sem cultos, sem missas, sem novenas, sem sacerdotes, sem lugares e templos especiais e sem reconhecimento humano?

Outro dia, aqui em Campina Grande-PB, uma criança morreu na emergência de um hospital público devido a falta de Anestesistas -- eles estavam em greve.

Vi aquilo e me pus a pensar. Quantos dos 21 anestesistas daquele hospital não correriam para a Emergência caso eles cressem que aquela criança era mesmo Jesus? Creio que todos eles.

No entanto, como eles não creêm no Jesus dos Evangelhos, nenhum deles apareceu no Hospital e a criança morreu engasgada com um caroço de feijão.

Tenho quase certeza que durante o Natal, aqueles anestesistas trocaram presentes, foram a "cultos de vitória", missa do Galo, deram ofertas de gratidão, cantaram louvores a Jesus e não faltaram ao encontro comunitário nos templos, etc. -- tudo sob a supervisão dos "representantes de Deus".

O Jesus dos Evangelhos, em Mateus 25, disse que só seria servido quando os pequeninos fossem servidos em suas necessidades. Ele nunca pediu que ninguém O adorasse como os chamados "cristãos" estão fazendo. Pelo contrário, Ele advertiu que não queria adoração religiosa, mas serviço ao próximo.

Vendo tudo isso eu fico me perguntando por que se insiste em adorar Jesus de uma maneira que Ele condenou?

Pense nisso!


Abcs Bento

domingo, dezembro 12, 2010

SOBRE A FESTA DE NATAL DO ESCRITÓRIO

A seguir uma série de memorandos que demonstram a dificuldade em agradar atodos na sociedade moderna atual. Divirtam-se! O original estava publicado no site da Catho.

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Memorando: A festa de Natal do escritório
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 01 de dezembro

Tenho o prazer de informar que a festa de Natal da empresa será realizada no dia 23 de dezembro, começando ao meio-dia, no salão de festas da Churrascaria Grill. Antes haverá um pequeno coquetel com muitas bebidas.
Teremos uma pequena banda tocando canções natalinas... e vocês podem cantar junto! E não se surpreendam se nosso presidente aparecer vestido de Papai Noel!
À uma da tarde acenderemos as luzes da árvore de Natal. Nesse horário poderão ser feitas as trocas de presentes entre vocês, mas os presentes terão valor limitado a R$ 20,00 para atender a todos os bolsos.
A festa é somente para empregados.
Um pronunciamento especial será feito pelo presidente.
Feliz Natal para você e para sua família.

Patrícia


Memorando: A festa de fim de ano do escritório
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 02 de dezembro

De modo algum pretendemos excluir de nossa festa de fim de ano os companheiros judeus. Reconhecemos que o Chanukah é um importante feriado que muitas vezes coincide com o Natal, embora infelizmente isto não ocorra neste ano.
No entanto, de agora em diante, nós nos referiremos à festa como festa de fim de ano. A mesma política se aplica a todos os outros empregados que não sejam cristãos ou aqueles que ainda celebram o dia da Reconciliação.
Cancelamos a árvore de Natal. Cancelamos também as canções natalinas.
Teremos outros tipos de música para o seu entretenimento.
Felizes agora?
Feliz fim de ano para você e para sua família.

Patrícia


Memorando: A festa de fim de ano
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 03 de dezembro

Em relação à mensagem que recebi de um membro dos Alcoólicos Anônimos, requisitando uma mesa para empregados que não bebem... você não assinou. Eu gostaria muito de atender, mas imagine que se eu puser uma placa AA na mesa, quem se sentar ali não será anônimo mais.
Como resolver isto?

Patrícia


Memorando: A festa de fim de ano
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 05 de dezembro

Tudo bem, vamos esquecer a troca de presentes. O Sindicato achou que R$ 20,00 é muito dinheiro e os executivos que é muito pouco para comprar os presentes.
NÃO SERÁ PERMITIDA TROCA DE PRESENTES.

Patrícia


Memorando: Festa de fim de ano
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os colaboradores
Data: 07 de dezembro

Que grupo diversificado nós temos!
Eu não fazia idéia de que em 20 de dezembro começa o mês sagrado do Ramadã muçulmano, que proíbe comer e beber durante o dia. Lá se vai a festa! De verdade, não sei como acomodar os nossos companheiros muçulmanos na festa.
Talvez a churrascaria possa segurar o almoço deles até o fim da festa, ou empacotar para que eles levem para casa. Será que assim funcionaria?
Entrementes, consegui que os membros dos Vigilantes do Peso se sentem bem longe do buffet de sobremesa e que as grávidas fiquem em mesas próximos dos banheiros.
Gays poderão se sentar com outros gays, e as lésbicas não serão obrigadas a se sentar com os gays, se não quiserem. Sim, haverá um arranjo de flores nas mesas dos gays, também. No entanto, não vai ser permitida a presença de pessoas travestidas.
Conseguimos banquinhos para pessoas de baixa estatura.
Conseguimos comida com baixo teor de caloria para quem está de dieta. Mas não vamos conseguir controlar o sal usado na comida, por isso sugerimos que quem tem pressão alta prove o teor de sal antes de comer.
Haverá frutas frescas para os diabéticos, mas o restaurante não vai poder oferecer sobremesas diet.
Desculpem? Esqueci de alguma coisa?

Patrícia


Memorando: A porcaria da festa de fim de ano!
De: Patrícia Mangueira, diretora de Recursos Humanos
Para: Todos os #%&$!!! colaboradores
Data: 10 de dezembro

Vegetarianos?
Chega!
A festa vai ser na Churrascaria Grill, quer vocês gostem quer não! Tratem de arranjar uma mesa bem longe da "carne fatal" e comam salada - incluindo os tomates hidropônicos. Mas, como sabem, os tomates também têm sentimentos. Eles gritam quando você os fatia.
Espero que seja um fim de ano horroroso para todos!
Bebam muito, peguem o carro e se matem, tá?!

A bruxa do inferno


De: Suzy Watanabe, diretora-substituta de Recursos Humanos
Data: 14 de dezembro
Assunto: A festa de fim de ano da Patrícia Mangueira

Creio que falo em nome de todos ao desejar uma rápida recuperação à Patrícia do mal de estresse que está sofrendo, e vou continuar a encaminhar para ela, no sanatório, os cartões que estão chegando.
Nesse meio tempo, a diretoria decidiu cancelar a festa de fim de ano e dar folga para todos na tarde de 23 de dezembro.
Felizes feriados!

Suzy Watanabe

O QUE OS MAGOS NOS ENSINAM SOBRE O NATAL?!

Gaspar, Baltazar e Melchior, eram os nomes dos “três” “reis” “magos”, segundo a tradição da Igreja Católica Romana. Brahmas hindus, segundo “Os Lusíadas”, épico da Literatura Portuguesa, escrito em 1572. “Homens sábios” (wise men), segundo a Versão do Rei Tiago. “Homem amável” (kind man), ou “homem que sempre fez a coisa certa” (man who always did the right thing), segundo a Contemporary English Version, American Bible Society. Esses são exemplos de “mitos” tanto do lado católico romano quanto do lado protestante, sem falar dos “maçons” e de outras sociedades secretas, e de tantos outros mitos criados para explicar quem eram esses homens.

“Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo.” (Mateus 2.1-2)

Uma das formas de fazer com que algo que realmente aconteceu perca a credibilidade é “mitologizar” o fato. Já está no inconsciente coletivo que “quem conta uma história sempre aumenta um pouquinho”. Imaginem se permitimos que aconteça isso com o texto sagrado das escrituras.

A verdade é que a Bíblia não diz que eram “três” e nem quantos eram os “magos”. O texto diz apenas que eram “alguns”. Também não diz que eles eram “reis”. A nossa tradução é que diz que eles eram “magos”. Porém, o sentido da palavra “mago” era diferente do sentido atual. A raiz grega da palavra é a mesma de: mágico; magistrado; magistério; magistral etc. E esse era o papel desses homens da antiguidade. Eles eram os “cientistas” da época, daí muitos associarem seu ofício com o dos mágicos. Eles eram os experts em leis, especialmente no império Medo-Persa, daí a origem de “magistrado”. Tinham também o papel de professores, no sentido que ensinavam suas artes aos jovens. Os jovens judeus tomados cativos e levados à Babilônia estiveram aprendendo as artes deles. Alguns enganavam os homens com suas artimanhas, em nada diferindo dos charlatões religiosos atuais. Um dos campos prediletos do engano deles era mistura entre Astrologia e Astronomia. Se, atualmente, há pessoas que não sabem a diferença entre essas duas disciplinas, imaginem naquela época.

Mas isso não faz a menor diferença em relação a Jesus. Sabe por quê? Porque o enfoque do texto de Mateus é claro. Eles vieram adorar Jesus! Os teólogos sabiam onde “o Rei dos Judeus nasceria” (Mat. 2.4-6), mas não foram adorá-lo. Isso se parece muito com os nossos dias. Muitos de nós, cristãos, sabemos como se deve ajudar os pobres de acordo com a Bíblia; sabemos da nossa responsabilidade com os necessitados (orfãos, viúvas etc). Enfim, às vezes, temos a teologia correta e a prática errada, nem praticamos o que sabemos ser teologicamente correto. Qual teria mais valor diante de Deus? Ter a teologia correta e a prática errada? Ou ter a teologia errada e a prática correta? O caso dos nossos “magos” parece indicar que Deus se agradou mais da adoração deles do que da atitude dos “teológos”, que segundo um dos evangelistas: “não o receberam”!

Em segundo lugar, os “magos” vieram de longe para adorar Jesus e trouxeram “presentes” para o Rei. Isso nos faz perceber que não há adoração sem oferta ao adorado. Quem adora, oferece! Alguém sabiamente já disse que “se pode dar sem adorar (como fazemos com muitas de nossas ‘esmolas’ que têm a intenção de fazer com que nos livremos daquele que pede), mas não se pode adorar sem dar”. Precisamos nos lembrar disso. Adoração não acontece dos lábios para fora, ela se manifesta visivelmente em direção ao adorado na forma mais generosa, que é dar daquilo que se possui.

Em terceiro lugar, os “magos” adoraram oferecendo “ouro, incenso e mirra”. Diz-se que o ouro, metal mais precioso, era presente que se oferecia aos reis. Ao oferecerem ouro a Jesus, os “magos” estão reconhecendo que Ele é Rei. E Rei, naquela época, não era nada parecido com ser Juan Carlos (rei da Espanha) ou Elisabeth (rainha da Inglaterra). Os reis de hoje são de enfeite. Não têm poder. Os reis da época de Jesus eram soberanos que ditavam e interpretavam a Lei. Em algumas sociedades eles eram a Lei. Os reis protegiam os seus súditos com os seus exércitos. Os reis dominavam os exércitos e os súditos. Todos os súditos deviam obediência ao rei. Suas palavras significavam vida ou morte. Esse é o tipo de Rei que os “magos” viam em Jesus, e adoraram. Jesus é para nós o Rei que era para os “magos”? Ou é rei igual aos atuais reis da Espanha e Inglaterra? Um pequeno teste disso pode ser feito apenas olhando se adoramos Jesus oferecendo-lhe “ouro”, nosso “vil metal”.

Os magos ofereceram “incenso”. Incenso é algo que só se oferta a deuses, em qualquer religião. Os “magos” reconheciam que Jesus é Deus, e ofereceram-lhe algo que só a Deus é apropriado oferecer. Há muitos que reconhecem em Jesus apenas “um bom homem”, “um sábio”, “um guia” etc. Contudo, Jesus é mais do que isso. Ele é Deus! E como Deus deve ser adorado, “com todas as forças, com todo o entendimento, com toda a alma”. É assim que amamos e consideramos Jesus?

Por último, os “magos” ofereceram “mirra”. Como “mirra” era um tipo de perfume também usado na preparação de corpos de pessoas que morriam, essa oferenda simboliza a nossa dependência da morte de Jesus para sermos aceitos por Deus. Tenho escutado muita gente dizer que “Jesus morreu por nós”. Entretanto, tenho escutado pouca gente dizer “Jesus morreu por mim”. “Eu fui o causador da morte de Jesus”. “Os meus pecados foram a causa da morte de Jesus”. “Eu sou o responsável pela morte de Jesus”. De que grupo você faz parte? Dos muitos ou dos poucos?

Que Deus nos ajude a adorarmos a Jesus como fizeram os “magos” do oriente e não como os teólogos judaicos dos dias de Jesus! Ou melhor ainda, que Deus nos ajude a termos o conhecimento dos teólogos judaicos e a disposição de adorar dos “magos” do Oriente!

Bento Souto

sábado, dezembro 11, 2010

A LÓGICA DO NATAL E SUAS LIÇÕES

Queridos,

Nada contraria tanto a lógica humana quanto o Deus (eterno, imutável, invisível, todo-poderoso, criador dos céus e da terra) que se faz gente. Deus se vestir de carne e osso e ser gestado por nove meses em um útero materno é um absurdo inimaginável. Aumentar o absurdo – se isso fosse possível – é olhar de quem e onde Ele nasceu.

A Lógica humana diria que se Deus tivesse que nascer entre os Homens, àquela época, Ele deveria ser alguém do tipo de Cesarion, filho de César com Cleópatra. Sim, Ele deveria ser alguém como o filho dos representantes reais de dois impérios que dominaram o mundo, o Grego e o Romano. Ele deveria ter nascido sob os cuidados da melhor Medicina da época e desfrutar do berço mais luxuoso.

No entanto, a Lógica dEle é absurda para nós. Ele escolheu ser filho de seres tão insignificantes, aos nossos olhos, que sequer tinham onde passar a noite. E mais, Ele escolheu nascer numa manjedoura.

Lembro da expressão de espanto no rosto de minhas filhas quando eu as levei para conhecer uma “manjedoura” de verdade. Elas estavam, como muitos de nós, acostumadas a verem as “manjedouras” dos presépios que são montados nas igrejas, praças, casas e shoppings, na época do Natal. Elas são feitas com animais de plástico, barro ou qualquer outro material, menos de carne e osso.

Assim, conhecer uma manjedoura de verdade foi chocante para elas. O fedor de urina e esterco era nauseante. Manjedoura e estrebaria nada mais são do que sinônimos de curral – local onde os animais comem. E, animais não possuem toaletes. Eles urinam e defecam no mesmo local onde comem. O fedor é insuportável para quem é de fora, mas normal para os animais que habitam o local. Jesus Cristo ter nascido numa manjedoura trouxe algumas lições para minha vida.

A primeira delas é que precisamos reconhecer que sem Deus a vida fede – ainda que se viva entre aromas de perfumes franceses. Sem Deus, ninguém vive; apenas existe! Sem Deus, nossa origem é o acaso e nosso destino é ser banquete de vermes. Sem Deus, não há sentido para a vida!

A segunda lição é que Deus nos ama. Sim, foi Deus quem veio ao nosso encontro. Ele se tornou gente e habitou o nosso mundo fedido. Ele nos amou de maneira tão louca, segundo os Gregos, que nem podiam entender um Deus que amasse o mundo. Nos amou, de maneira tão apaixonada, que nos deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

A terceira lição é que nós só achamos significado para nossas vidas em Deus. Quando Deus se faz presente em nossas vidas, seres insignificantes se tornam significativos. Maria, José, os apóstolos e todos os demais seres insignificantes que estiveram na presença de Jesus, nEle acharam significado.

A quarta lição é que saber essas coisas apenas como conhecimento não traz nenhum benefício para mim. O nascimento de Jesus Cristo numa manjedoura só traz benefícios para mim quando meu coração também é visitado por Deus. Quando a Fé explode no peito e a Vida abundante e verdadeira jorra regando toda a existência. Quando Ele nasce, não apenas em Belém, mas passa a ser nossa companhia constante, e amigo mais chegado que um irmão. Quando Seu Amor, Graça e Misericórdia passam a ser realidades experimentadas em nossas vidas e não doutrinas a serem aprendidas.

A quinta e última lição é que Ele nasceu numa manjedoura porque não havia lugar nas estalagens e pousadas. Que sempre haja lugar para Ele em nossos corações. Que sempre haja em nossas vidas a alegria por Ele ter nascido entre nós, em nós e para nós!

Feliz Natal

segunda-feira, dezembro 06, 2010

O NATAL! E SE EU FOSSE DEUS?

Escrevi o texto abaixo no Natal de 2006.
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Nesta época do ano, virou moda entre certos cristãos sair dizendo para todos que Jesus Cristo nunca nasceu em 25 de Dezembro e que, portanto, ninguém deve comemorar o Natal, pois esta seria uma festa pagã que atende apenas aos interesses daqueles que querem ganhar dinheiro vendendo presentes.

Qualquer um que pesquise saberá que 25 de Dezembro não é o dia em que Jesus nasceu, mas o dia em que se celebra a Encarnação. Ou seja, celebra-se a vinda de Deus à Terra em forma humana. Era uma data em que os romanos celebravam o deus-Sol e que foi cristianizada pelo imperador Constantino. Os Cristãos, antes de Constantino, não celebravam a Encarnação. Portanto, dizem esses cristãos, não devemos celebrar o Natal.

Acho interessante que não vejo esses Cristãos defendendo outras práticas dos Cristãos Primitivos. Eles, por exemplo, não se reuniam em templos, mas em casas. Não existia a prática de dar Dízimos. Não existia a Hierarquia que existe hoje, onde homens dominam sobre outros. Etc.

Se inventarem o “Dia do Churrasco”, saibam todos, a Indústria e o Comércio o apoiarão. Eles colocarão churrasqueiras em todos os Shopping Centers do Mundo (talvez só não na Índia – por razões óbvias). As pessoas serão incentivadas a comprarem carnes, churrasqueiras, facas e todo aquele aparato que vem junto com o Churrasco. Será uma Festa para Amigos e Familiares... e por aí vai.

Mas não é porque a Indústria e o Comércio iriam ganhar dinheiro com o Dia do Churrasco que nós o boicotaríamos, não é? Por que então deixaríamos de celebrar o Natal só porque alguns ganham dinheiro com ele?

Todavia, o que eu realmente me pergunto é uma coisa bem louca que de vez em quando eu penso: “e se eu fosse Deus?” Pois é, se eu fosse Deus, o que acharia dessa coisa toda? Ficaria mais feliz com esses Cristãos que querem acabar com o Natal, por ser uma festa em uma data imprecisa? Ou ficaria feliz com algumas pessoas que se aproveitam dessa data para fazer o bem?

Sim, há muita gente boa que sai arrecadando presentes para crianças carentes. Outros que dão presentes para os filhos, e pegam os brinquedos antigos e os doam para os carentes. Há gente que reúne a família e os amigos para se alegrarem juntos. Há ainda, gente que promove o espírito natalino, desejando à todos, saúde, paz e felicidades.

Sinceramente, se eu fosse Deus, ficaria mais feliz com o grupo dos que se aproveitam da data e promovem o bem. Um grande detalhe é que muitos desses que agem assim sequer são Cristãos. Mesmo assim, eu ficaria mais feliz com eles do que com os que querem acabar com o Natal. Sim, porque Deus não se fez gente em uma igreja, mas em um curral. Os teólogos, da época em que Ele nasceu entre os homens, sabiam onde Ele iria nascer, mas foram os magos e os que pastoreavam animais no campo que foram adorá-Lo.

Se Ele encarnou para fazer bem aos homens é de se esperar que Ele goste de quem busque fazer a mesma coisa, não é? Claro, Natal mesmo é quando Ele encarna em nós. Para aqueles que tomaram essa consciência, todo dia é Natal! Mas para os que ainda não tomaram essa consciência, Natal não existe e nem deve existir!

Meu desejo e minha oração é que você tenha um Feliz Natal e que o espírito dAquele que encarnou domine o coração de todos nós.


Beijão Bento Souto
P.S. Se quiser e achar que deve, pode reenviar essa mensagem para todos que você desejar.
bentosouto@hotmail.com
Já existe o "Dia do Churrasco", 24 de Abril. Foi instituído pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul...


Feliz Natal a todos!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O QUE É O ACASO?

Em minha opinião, ACASO é como os seres humanos chamam a ignorância deles acerca do Futuro.

Sinceramente, do ponto de vista estritamente técnico, nada pode ser ACASO se houver Propósito. Não é possível querer enviar uma espaçonave à Marte e deixar qualquer detalhe desse projeto ao ACASO. Se, por ACASO, durante a viagem à Marte essa espaçonave se chocar com um "mini-asterisco", esse choque terá sido um erro de planejamento que poderá comprometer toda a missão.

Portanto, no caso acima, o ACASO além de ser desconhecimento do Futuro é também a prova de nossa incapacidade de planejar de forma absoluta, pois não temos total controle sobre todas as variáveis (outra forma de definir o ACASO).

ACASO é também aquilo que chamamos de inesperado.

Eliminar o ACASO da vida dos humanos seria desastroso para nós. Quase nenhum de nós faria as mesmas coisas se soubessemos o dia e a hora exata da morte de alguém. Qual a equipe médica que operaria um paciente, hoje, e a ele dedicaria 14 horas de cirurgia sabendo que o paciente morreria amanhã? Quem iria casar com alguém que morre no dia seguinte a cerimônia? Quem esperaria nove meses de gravidez sabendo que o filho vai nascer morto? Quem faria aquele super relatório, ao qual se dedicou por duas semanas, se soubesse que irá ser demitido no dia seguinte?

Assim, o ACASO nos protege da paralização que a CERTEZA das coisas provocaria em nós. É por isso que se diz que "o justo viverá pela fé". A vida só se manifesta em toda a sua plenitude quando a gente confia (têm fé) que Deus, o nosso Pai, tem tudo sob controle; e que todas as coisas (até o ACASO) contribuem para o bem daqueles que por Ele são amados.

É isso o que eu penso!


Beijão

quarta-feira, novembro 10, 2010

O QUE FIZERAM COM O MEU NORDESTE?

Escrevi o texto abaixo em 18/05/2001 e O Jornal da Tarde, de São Paulo, o publicou em 10/07/01. Na época, Fernando Henrique Cardoso era o Presidente da República. Portanto, o texto que você lê agora não foi escrito contra um Governo, mas para demonstrar os efeitos de uma Política sobre um povo.
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O QUE FIZERAM COM O MEU NORDESTE?

Quando saí do Nordeste em 1981, daqui levei uma a visão de que o Nordestino era "um valente", homem de "honra" e extremamente "trabalhador". Além de tudo isso, uma das características que eu mais admirava era a sua inteligência em lidar com situações adversas que desmontariam completamente outros povos. Quando voltei, 20 anos depois, descobri uma outra realidade.

O nordestino "valente" e "trabalhador" aderiu aos benefícios do FUNRURAL. Ou seja, "se aposentou". Mesmo que com R$181,00 por mês. Enquanto viajava fazendo uma pesquisa por parentes antigos, no sertão (na divisa da Paraíba com o RN), não via plantações. Perguntei a um tio-avô: por que ninguém planta nada, já que há tanta água (havia em relação ao inverno do ano passado)? A resposta dele valeu mais do que mil horas de conferências políticas.

"Meu filho, quem é que vai querer plantar e correr o risco de perder? Ninguém mais quer trabalhar na lavoura. Em quase todas as famílias existe um aposentado, quando não dois (o homem e a mulher). Com essa renda eles se mudam para a cidade e só vem ao sítio para visitar. Afinal, lá tem energia, televisão, escola pertinho, e os filhos (ah, esses são os principais) não querem nem saber de voltar a viver no campo".

Na pequena cidade de Parelhas-RN, ouvi de um outro tio-avô que lá vive: "Meu filho, antes a gente podia dormir de portas abertas que ninguém 'mexia' nas coisas da gente. Agora, se deixar fácil os ladrões roubam. Esses vagabundos que ficam "fumando maconha" e sem ter o que fazer o resto do tempo. Quando eles se juntam com essas meninas de hoje, umas sem-vergonha que vivem igual cachorra no cio se deitando com tudo que é macho que se engraçam por elas. Também, não poderia ser diferente, com a televisão mostrando coisas que eles não podem comprar...aí eles roubam o que não podem comprar ou imitam o que podem"!!

"Sei não, visse?" mas sou obrigado a concordar com o velho ditado nordestino: "Quem dá uma esmola a um pobre que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão!" Acho que Luiz Gonzaga e Gilberto Freire não reconheceriam mais o Nordeste. Acho que outro ditado diz tudo: "Pobre é apenas pobre, mas tem uns intelectuais que acham que pobre é burro". Continuem mandando dinheiro para cá que "os nordestinos agradecem". Só não esperem que as coisas mudem apenas com dinheiro e "educação".

Essa situação do Nordeste parece com outra que eu conheci. Em 1999, quando estive em Porto Rico, perguntei a um porto-riquenho qual o motivo deles terem dito NÃO em dois plebiscicitos a proposta de se tornarem o 51 (quinquagésimo primeiro) estado americano. A resposta dele foi bem elucidativa: "Por que comprar a vaca quando se pode ter o leite de graça?". Ou seja, o que ele estava dizendo é que sendo porto-riquenho, ele tinha todos os benefícios dos EUA sem pagar os impostos.

O pior é que quem se levanta contra essa situação é logo rotulado de alguma coisa. As vezes sou tentado a pensar que não gostaria de ver o que vejo, mas acabo escolhendo a opção que diz Zé Ramalho em "Uma Canção Agalopada"

"Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para um mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar"

Concluindo, também acho que aconteceu conosco (nordestinos) o que já descreveu um escritor:

"Os homens deixaram de temer a Deus. Passaram a temer outros homens. Os homens deixaram de temer o Inferno. Trouxemos uma parte dos sofrimentos dele para o nosso meio."

Somente Deus pode mudar a nossa situação! Que Ele o faça logo é a minha súplica, e o meu desejo é que Ele me livre de pensar que o "bem não compensa"!

Abraços

Bento Souto

quinta-feira, outubro 21, 2010

A "PAIXÃO" DA "MILITÂNCIA" NAS ELEIÇÕES

Neste último domingo, 16/10, deu entrada no Hospital Antonio Targino, em Campina Grande-PB, um senhor de 60 anos que foi atingido por duas punhaladas e sofreu diversos hematomas no rosto, resultado da agressão sofrida por integrantes de uma carreata política.

O homem declarou aos profissionais de saúde daquele hospital que foi agredido porque fez um sinal com o dedo polegar apontando para baixo enquanto a carreata passava.

Não vou nem perder tempo discutindo de qual candidato era a carreta. O meu objetivo nessas poucas linhas é perguntar: por que os "militantes" chegam a agredir os contrários? Por que as Eleições geram tanta "paixão"?

A resposta é muito simples. Mas, para que você tenha uma idéia melhor do que eu estou dizendo, vamos analisar apenas o que o resultado das Eleições provoca em um pequeno município.

Em São Vicente do Seridó, na Paraíba, houve apenas cerca de 5.000 votos válidos no último pleito. No entanto, para cerca de 40 pessoas, o resultado das Eleições decide se elas terão emprego ou não. A razão disso se dá porque quando ganha o candidato da situação, essas 40 pessoas continuam. Quando ganha o candidato da oposição, essas 40 pessoas são demitidas e são contratadas outras 40. Todas em "cargos de confiança", claro.

Se em São Vicente é assim, o que te faz pensar que no Brasil não seja? Mantendo-se a mesma proporção de "cargos de confiança" versus número de eleitores, teríamos no Brasil algo em torno de 800.000 "cargos de confiança" na administração pública.

Por acaso você já viu algum candidato prometendo que vai acabar com essa farra dos "cargos de confiança"? Ou, melhor ainda, você sabe o número total desses "cargos de confiança" e quanto eles custam ao país, estado ou município?

Procure saber e você entenderá o motivo de tanta "paixão" por parte da "militância".

Aliás, "militância" é a mistura de gente que vai ocupar "cargo de confiança" com gente que trabalha pra ganhar cem reais por semana para agitar bandeiras e distribuir panfletos nas ruas.

Investigue e veja se não é assim!



Abcs Bento Souto

quarta-feira, outubro 13, 2010

CANDIDATO ALOPRADO - O FILME!




Não, apesar do título, o filme não tem nada a ver com aqueles sujeitos que foram pegos com milhões de reais tentando comprar um "dossiê" contra o candidato tucano, em 2006.

CANDIDATO ALOPRADO (Man of the Year) é um filme que satiriza o processo eleitoral americano. Ele não tem traz nenhuma novidade para quem já sabe como as coisas funcionam na política. Também, diga-se de passagem, ninguém que participou do filme merece ganhar um Oscar.

No entanto, se você quer dar uma boas risadas enquanto enxerga o óbvio sobre o processo eleitoral (tudo é marketing, marketing, marketing!), eu recomendo que você o assista.

Aliás, há uma fala no filme que eu recomendo aos "torcedores" de Dilma e Serra:

“políticos e fraldas estão sempre cheios da mesma coisa, por isso devem ser trocados de tempos em tempos!”

Assim, se você está cansado de receber tanta besteira eleitoreira em sua caixa postal, assista CANDIDATO ALOPRADO.

Depois, me diga se não valeu a pena.


Abcs Bento