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segunda-feira, junho 27, 2011

MUKHTAR MAI


A paquistanesa que não se calou

Mukhtar Mai, 28 anos, foi condenada por um crime que não cometeu, e pagou por isso ao ser estuprada coletivamente. Ao contrário da maioria das mulheres de seu país, que ao sofrerem essa violência cometem suicídio, ela resolveu falar. E assim deixou o mundo perplexo com seu ato de coragem e transformou o futuro de sua cidade


 

Violência

Em 22 de junho de 2002, Mukhtar Mai, pertencente à casta de camponeses Gujjar, no Paquistão, foi obrigada a pedir perdão por uma condenação feita pela tribo Mastoi, considerada superior a eles. O crime? O seu irmão Shakkur, de 12 anos, falou com Salma, uma mulher do clã Mastoi. Eles acusaram o garoto de ter ofendido Salma, que tem 27 anos, apenas por ter trocado algumas palavras... Após ser espancado pelo grupo, a polícia o prendeu - sob determinação da tribo. Então, a sua irmã foi escolhida pela família para pedir perdão aos Mastoi, por ser considerada uma mulher respeitável: ensina o Corão para as crianças, recebeu o divórcio do marido e não tem filhos. Ao chegar lá, porém, todos os homens estavam armados e sem nenhuma intenção de misericórdia. Eles a arrastaram até um estábulo e lá ela foi estuprada por quatro homens durante uma noite inteira.


 

O costume local

Mukhtar foi para o seu quarto aquele dia e ali permaneceu por semanas, pensando em suicídio. Depois de ter sido estuprada, o caminho que ela teria de seguir, segundo os costumes locais, seria cometer o suicídio. Só que as notícias que chegavam até ela eram mais revoltantes: seu irmão só foi solto após a sua família pagar fiança, e a tribo Mastoi ainda o ameaçava. Quando ela percebeu que o seu sofrimento tinha sido em vão, resolveu esquecer o suicídio, tão previsível.


 

A escolha pela vida

Mukhtar decidiu viver, para lutar por justiça e ajudar outras mulheres a terem uma vida mais digna. Apoiada pelos pais e fortalecida espiritualmente pelas lições do Alcorão, dizia: "Sou só a primeira gota d'água, mas a chuva virá. E muitas gotas de chuva acabam formando um grande rio."


 

Seu pai, ela, a mãe e quatro irmãos não sabiam ler, nem freqüentaram a escola. Porém, eram muçulmanos devotos, que rezavam cinco vezes ao dia. Mukhtar tinha uma mente privilegiada e conseguia memorizar trechos do Alcorão. Tranqüila, mansa no falar, essa mulher altiva de 1,70 metros de altura pensava, mantendo os profundos olhos negros voltados para baixo: "O Alcorão me protegerá."


 

A luta por Justiça

Chamada para depor na delegacia, ela foi induzida a deixar as suas impressões digitais em um papel em branco. Embora analfabeta, Mukhtar percebeu que ali seria colocado o depoimento que os policiais quisessem. E assim passou por vários depoimentos, sempre forçada pela polícia local a não dizer a verdade ao juiz. Mas ela conseguiu chegar até ele e falar tudo o que haviam feito, além de reconhecer os policiais que tentavam impedi-la de declarar a verdade. Após inúmeras audiências, o caso já havia repercutido em toda a imprensa.


 

A família

A família de Mukhtar Mai é da casta mais baixa dos gujar e vivia de escassos recursos dos campos de cana-de-açúcar e trigo. A casa era de barro e tinham somente poucas cabras e bois, uma vaca e um pedaço de terra. Não dispunham de luz elétrica, telefone, nem água corrente. Mukhtar casou-se aos 18 anos e não teve filhos. Um casamento arranjado. Ela não foi feliz. O divórcio era raro no Paquistão rural - a mulher era mal vista, mas os pais a apoiaram e em menos de um ano Mukhtar recebeu do marido o talaq (na lei islâmica, o repúdio do homem à mulher que a libertou oficialmente do casamento e a permitiu voltar para a casa da família em Mirvala.


 


 

O ensino que ela recebeu

Ghulam, pai de Mukhtar Mai, lhe ensinou a respeitar os mais velhos e a proibia de mentir. "Temos muito pouco, mas possuímos nossa honestidade", dizia à filha, o que fez com que ela desenvolvesse um forte senso de certo e errado.


 

A indenização

Por ordem do governo, a ministra federal para as mulheres, Attiva Inayatullah, deu-lhe um cheque de meio milhão de rupias, cerca de Us$ 8.200, (mais do que seu pai ganharia em décadas). Segundo a ministra, não era uma compensação, mas um pequeno símbolo de "nossa identificação" pelo sofrimento pelo qual Mukhtar passou. Mukhtar, que jamais havia visto um cheque, disse: "Não preciso de dinheiro. O que realmente preciso é de uma escola." Ela teve essa idéia ao perceber que a maioria de pessoas que com ela se solidarizavam eram educadas.


 

O dinheiro da indenização

Então, ela concordou em receber o cheque, desde que pudesse usar o dinheiro para a construção de uma escola para meninas. Determinada, comprou um terreno perto de casa e contratou trabalhadores para a construção de uma escola primária. Ela também ajudou, fazendo tijolos de barro e transportando para o local da obra. A Escola-Modelo para Meninas Mukhtar Mai tomou forma e abriu as portas em dezembro de 2002. O governo pavimentou a estrada e trouxe luz e telefone para Mirvala.


 

As alunas

Acompanhada de guarda-costas da polícia, foi de casa em casa pedir aos pais que enviassem as filhas para a nova escola. A tarefa não foi fácil, pois ouvia sempre a alegação: "Meninas não precisam aprender a ler"; ou: "Só os meninos precisam ser educados." Mukhtar se comprometeu, então, a mandar uma van para buscar cada menina.


 

A escola

A escola não tinha luxo. Em vez de cadeiras, as meninas se sentavam sobre sacos de aniagem. Mukhtar se sentava ao lado de algumas alunas, para também aprender a ler e escrever. Buscou mais recursos, vendeu seus brincos e uma vaca e quando a imprensa divulgou a história, chegaram muitas doações. Ela então contratou carpinteiros para fazer assentos e carteiras de madeira para as alunas. Foram instalados ventiladores no teto, tornando, assim, agradável o ambiente sufocante das aulas. Com saldo suficiente, abriu uma escola para meninos em Mirvala e outra para meninas numa aldeia próxima. E mais de 700 crianças de todas as castas (inclusive da casta mastoi) se misturavam livremente nas escolas.


 

Ajudando outras vítimas

A ação benemérita desta notável paquistanesa não parou por aí. Mulheres, algumas estupradas, outras mutiladas, outras espancadas, outras com cicatrizes horríveis no rosto - vítimas de ataques de ácido, ou sem nariz ou orelhas, punição para supostas adúlteras, procuravam Mukhtar. Foi então criada, ao lado da primeira escola, o Centro Mukhtar Mai de Assistência de Crise da Mulher, para o qual chegava, em média, diariamente, cinco vítimas, em busca de auxílio. Ninguém deixava de ser atendida.


 


 

O livro

Depois da repercussão que o caso teve na imprensa mundial, a jornalista Marie-Theres Cunny e Mukhtar Mai lançaram um livro, Desonrada, para contar essa história. O livro já foi traduzido para vários idiomas e lançado em muitos países, inclusive o Brasil.


 

Lançando sementes

Nós podemos ver nessa história é que, conforme escreveu o apóstolo Paulo, "Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes."
Podemos aprender com Mukhtar Mai que qualquer uma pessoa, mesmo que seja analfabeta pode fazer a diferença no mundo plantando o Bem e denunciando a injustiça, e isso deve começar onde estivermos.


 


"Sinto-me como uma pequena planta que começa a crescer. Ainda precisamos ver os frutos. Mas, na vila onde moro, histórias como a minha não acontecem mais".

Mukhtar Mai


 

Ordem de Melquisedeque

Eu me inclino diante do exemplo dessa mulher simples, a quem honro diante de todos porque, para mim, ela é serva do Deus Altíssimo, segundo a Ordem de Melquisedeque.


 


 

Bjs

Bento Souto

http://blogdobento.blogspot.com/

blogdobento@hotmail.com

quinta-feira, abril 23, 2009

Dr. Govindappa Venkataswamy (“Dr.V.”)



"...os humanos foram postos na Terra não para ficarem ricos, mas para servir."
Dr. Govindappa Venkataswamy (1918-2006)


Escolhi o "Dr.V" como primeiro personagem da minha ORDEM DE MELQUISEDEQUE. "Dr.V" revolucionou o mundo Oftalmológico e contribuiu para que milhões de pessoas, em vários países do mundo, voltassem a enxergar.


"Ele ["Dr.V"] foi o mais próximo que eu cheguei de um santo de verdade".— Dr.Geoffrey Tabin, oftalmologista e editor do CATARACT & REFRACTIVE SURGERY TODAY


Nós até podemos entender que palavras como as acima possam ser ditas por pessoas religiosas. Mas, saber que essas palavras foram proferidas por um oftalmologista americano, e que o "santo" em questão era um oftalmologista Hindu e Indiano, deve despertar a nossa curiosidade, não acha?

Afinal, quem foi "Dr. V"?

Para responder essa pergunta, eu traduzo um tributo ao "Dr.V." escrito por outro Oftalmologista americano, Dr. Richard Litwin. Como seu mentor, "Dr. V", Dr. Litwin tem lutado discretamente para mudar o nosso mundo e a Assistência Oftalmológica na Ásia há mais de 30 anos.


SEPTEMBER 2006 I CATARACT & REFRACTIVE SURGERY TODAY


Dr. Govindappa Venkataswamy, fundador do Aravind Eye Hospital em Madurai, Sul da Índia, faleceu em 7 de julho de 2006, com 87 anos de idade. Suas contribuições para Oftalmologia tiveram um impacto sem precedentes em tratamentos oftalmológicos nos países em desenvolvimento. No ano passado, os médicos, em cinco hospitais que ele construiu com a ajuda de seus familiares e pessoas que o apoiavam em todo o mundo, realizaram 200.000 grandes cirurgias oculares e trataram 2 milhões de pessoas. A maior parte destes tratamentos foi disponibilizado a custo reduzido ou sem custo para o paciente e foi financiado por modestas taxas pagas por aqueles que podiam. "Dr. V" foi um cirurgião lakh, significando que ele próprio realizou mais de 100.000 cirurgias.


INÍCIO HUMILDE


Dr Dr. V nasceu numa aldeia familiar no estado de Tamil Nadu, no Sul da Índia. Durante uma estada no Corpo Médico do Exército Indiano, ele desenvolveu um olho afiado para a logística que serviu-lhe bem mais tarde, quando ele supervisionou a expansão do Aravind Eye Hospital. Quando estava na escola médica, Dr. V foi internado por um ano, porque ele sofria de artrite psoriásica grave, que deixou as mãos dele acentuadamente deformadas (Figura 1). Após abandonar o objetivo de se tornar um obstetra, ele começou Oftalmologia porque sentiu que essa especialidade seria menos exigente fisicamente.



Foto 1. Dr.V era capaz de fazer cirurgia de
cataratas apesar de suas mãos deformadas.


Vários interesses na juventude moldaram a carreira de Dr. V. Além de participar do movimente pela Independência da Índia (quando jovem, ele se encontrou com Mahatma Gandhi), ele se tornou devoto de Sri Aurobindo, um mestre religioso Indiano, que deu nome ao Hospital Aravind. O grupo Aurobindo tem uma tranqüila Ashram na ex-cidade Francesa-Indiana de Pondicherry, onde o Dr. V passou muito tempo em meditação. Até sua aposentadoria em 1976, com 58 anos de idade, ele era um professor de oftalmologia no Madurai Medical College.


"Dele [de Sri Aurobindo] aprendi que o ser humano é um instrumento nas mãos de Deus, que todos nós, através da profissão, podemos servir a humanidade e a Deus. É um erro pensar que a menos que você seja um mártir não possas chegar a ser uma pessoa espiritual. Todos os dias, quando me aproximo do "quarto de meditação", no hospital, peço a Deus que faça de mim um bom instrumento, um recipiente para receber e transmitir a sua força divina. Não é necessário ser uma pessoa "religiosa", para servir a Deus. Nós podemos servir a Deus prestando um serviço à humanidade".
"Dr.V"

Logo após sua aposentadoria, a família unida, bem instruída e dinâmica, do Dr. V o ajudou a criar um hospital gratuito com 11 leitos em uma casa privada em Madurai. Logo depois, o falecido Dr. Charles L. Schepens lançou a Pedra Fundamental do novo Hospital Aravind. Em 1984, que tinha sido expandido para um hospital de 200 leitos. O edifício original foi transformado em uma pousada – que muitos voluntários iniciais lembram de maneira nostálgica. No entanto, os esforços do Dr. V no Aravind Hospital foram apenas o catalisador de uma reação em cadeia que mudou a Oftalmologia na Ásia.


CONHECENDO DR. V


Conheci o Dr. V, em 1982, quando minha esposa Judith e eu chegamos ao seu acampamento Ofalmológico em Pondicherry (Figura 2). Eu assisti (e suava no calor da Índia), enquanto cirurgiões trabalhavam no palco de um gigantesco teatro. Cada uma das oito mesas era resfriada apenas por um ventilador (Figura 3). No decurso de poucos dias, o chão do teatro se encheu com pacientes operados. Os cirurgiões trabalhavam sem palavras e os pacientes cooperavam em silêncio. Depois que os procedimentos terminavam, mulheres com bonitos saris floridos deitavam em simples tapetes de palhas que seriam suas camas por uma semana (Foto 4). Voluntários de comunidades locais de serviços alimentavam e cuidavam dos pacientes. Minha esposa e eu fomos atraídos pelo drama e, sobretudo, pela dedicação da equipe.











Foto 2. Dr. Litwin olha enquanto Dr.V
examina um paciente com cataratas.












Foto 3. Cirurgiões operam cataratas em uma Sala de Operações improvisada em Pondicherry, India, em 1982.
















Foto 4. Pacientes descansam no chão do teatro após serem operados de catarata.


No principal Hospital Aravind em Madurai, encontrei a irmã mais nova do Dr. V, Dra. G. Natchiar, também uma excelente cirurgiã oftálmica. Eu havia trazido um suprimento de LIOs* doadas ao hospital. (Nota do tradutor: LIO parece ser uma espécie de Lente Intraocular que é implantada dentro do olho durante a operação de Catarata). Elas eram uma tecnologia nova no Hospital Aravind. Dra. Natchiar e eu implantamos várias dessas lentes. Na manhã seguinte, Dr. V chamou um repórter do jornal Daily Hindu para escrever sobre os resultados.

O nosso primeiro paciente a receber um implante de LIO foi um carpinteiro idoso que me assustou, tentando beijar meus pés, quando tirei o seu curativo. Dr. V explicou que o homem estava encantado, não só porque ele podia ver, mas porque ele podia trabalhar – um resultado muito diferente do que se ele tivesse sofrido extração intracapsular de catarata com lentes +10.00D. O paciente poderia novamente sustentar uma família ou mesmo reembolsar o custo de sua operação.

Com a bênção do Dr. V e lotes de LIOs oriundas dos E.U.A. os cirurgiões em Aravind logo se tornaram especialistas em extração intracapsular de catarata e inserção de PCIOLs. O procedimento se tornou tão popular que era impossível atender as demandas dos pacientes pelas "Maravilhas no olho". A solução revolucionária do Hospital Aravind, com a ajuda de fundações em todo o mundo, foi construir Aurolab, uma fábrica dedicada à produção local de LIOs de baixo custo.

Em 1982, uma LIO feita nos EUA custava US $ 500. Poucos anos mais tarde, Aurolab fabricava um produto com a última tecnologia por menos de US $ 3. Hoje, a fábrica produz mais de 1 milhão de LIOs a cada ano. Elas são vendidas para países em desenvolvimento ao redor do mundo e torna o tratamento moderno possível para muitos dos pobres do mundo. Aurolab agora fabrica suturas, viscoelástico, e muitos medicamentos também.


INFLUÊNCIA DURADOURA DO "DR. V"


"Nosso esforço é para fazer Aravind um instrumento da Vontade Divina. Nós nos esforçamos para esquecer as nossas limitações e trabalhar com a direção da Vontade Divina. Não de uma maneira vã e superficial, mas com um profundo compromisso e com fé que a orientação vem de um nível maior de consciência. Assim, alguém é capaz de trabalhar com a grande confiança que vem apenas com a fé de que somos todos parte de uma capacidade espiritual ou poder espiritual. É então que toda a natureza trabalha com você. Você não sente que você é um ser superior, mas que você é um instrumento nas mãos de uma força maior e é nesse espírito que nós encaramos os lutas e os êxitos do nosso dia-a-dia".
"Dr.V"


Enquanto eu estava visitando Aravind em 1982, dei uma palestra sobre implante de LIOs. Na audiência estava um jovem oftalmologista Nepalês, Dr. Sanduk Ruit, e sua futura esposa, uma enfermeira linda chamada Nanda. Cinco anos mais tarde, eu e ele iniciamos uma série de experimentos em Kathmandu para determinar se podíamos implantar LIOs, com segurança, em pacientes cegos por catarata, que viviam nas montanhas remotas do Nepal. Eu trouxe os suprimentos e o Dr. Ruit desenvolveu as técnicas. Os pacientes ficaram encantados e as técnicas se tornaram padrão no Nepal. Logo, assistido por um conselho de jovens empresários Nepaleses e a Fundação Fred Hollows da Austrália, Dr. Ruit construiu o Centro de Olhos Tilganga – que é agora o mais movimentado hospital de olhos em Katmandu e fornece assistência ao longo dos Himalaias.

Em 1991, o alpinista / oftalmologista Dr. Geoffrey Tabin, se juntou a mim e ao Dr. Ruit em um dos nossos acampamentos. Dr. Tabin se tornou apaixonadamente envolvido pelo nosso trabalho. Ele seguiu em frente e formou o Himalayan Cataract Project, uma organização que tem sido instrumental na expansão das atividades do Tilganga em Sikkim, Butão, Paquistão, Tibete, China, e tão longe como a Coréia do Norte.


UMA PESSOA EXTRAORDINÁRIA


A grande força do Dr. V foi a sua capacidade de persuadir centenas de pessoas de diferentes estilos de vida a adotar e trabalhar em direção à realização de suas metas, geralmente de pouca ou nenhuma remuneração. Embora Aravind tenha centenas de empregados, maioria deles trabalha com salários reduzidos apenas para que possam ser parte do sonho do Dr. V. Ele tinha uma visão clara do que era preciso fazer para eliminar a cegueira, que incluiu não só o tratamento, mas também a pesquisa científica sobre a maneira de trazer as pessoas para oftalmologia e vice-versa. Seus métodos eram sempre atuais e, mais recentemente, incluía a telemedicina.

Mais do que qualquer cirurgião que eu conheço, Dr. V parecia não ter ego. Uma vez, ele me disse que ele começava cada dia imaginando uma criança cega. Ele nunca discutia. Ele dava a sua opinião e então seguia em frente. Ele estava focado em acabar com a cegueira.

Dr. V também assumia uma abordagem espiritual no trabalho com os seus colegas e funcionários. Em vez de destituir um gerente por baixa performance Dr. V chamava o homem para o seu gabinete e abria um livro de Sri Aurobindo. Então, ele e o gerente liam em voz alta sobre as possibilidades do desenvolvimento de uma mente mais elevada pela humanidade. Melhorias se seguiam com certeza.

Às vezes, o Dr. V interrompia conversas sobre questões mundanas para discutir seus últimos pensamentos sobre eliminar a cegueira. Ele era extremamente simples na sua vida, suas vestimentas, e sua comida. Quando ele não estava discutindo sobre a cegueira, ele estava interessado na vida de seus colegas e seus filhos. Muitos são os amigos que confiaram um filho ou filha ao Dr. V, assim eles poderiam experimentar a vida na pousada e absorver o espírito altruísta do Aravind. Às vezes, essa experiência vinha em um momento delicado na vida da criança. Todos regressavam enriquecidos. Dr. V conhecia o sofrimento através da sua própria batalha de toda a vida com a artrite psoriática. Ele conhecia sobre as mais elevadas possibilidades do espírito humano através de Sri Aurobindo, e sobre a perseverança para atingir os objetivos através de Gandhi.

Meu amigo, professor, e inspiração se foi. Estou triste porque eu não mais verei o seu sorriso ou ouvirei o seu riso. No entanto, eu estou consolado por saber que a obra de sua vida está nas melhores mãos, as de seus familiares e amigos que compartilham suas percepções e atitudes. Aravind vive e cresce através deles. Que continue assim.

Richard L. Litwin, MD, clinica no Berkeley Ofthalmology Medical Group em Berkeley, Califórnia, e faz parte do conselho de administração da Himalayan Cataract Project.
Dr. Litwin pode ser encontrado em (510) 548-6330; rlitwin@mac.com.

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Espero que a história de vida do Dr. V haja inspirado e desafiado você. Saber que foi aos 58 anos de idade que ele construiu o primeiro Hospital Aravind nos mostra que sempre é tempo de começar a servir aos outros. Ele realizou tudo isso sem dinheiro do Governo ou de ONGs, mas apenas com o dinheiro da aposentadoria e uma vontade imensa de fazer com que cegos pudessem ver novamente.


Abaixo, uma revista brinca exibindo a manchete que chama "Dr. V" de "Dr.Visionário".
















Dr. Visionário
"Se Coca-Cola pode vender bilhões de refrigerantes e
McDonalds pode vender bilhões de sanduíches,
Por que Aravind não pode vender milhões de operações
restauradoras da visão e, eventualmente, a crença na
perfeição humana?"



Muito mais eu teria a dizer, no entanto, finalizo dizendo que, para mim, Dr. V é um "sacerdote do Altíssimo" e pertence a ORDEM DE MELQUISEDEQUE.

Para saber mais, acesse http://www.aravind.org/


Bento Souto
23 de abril de 2009.
bentosouto@caiofabio.com